2013/12/31

«Quem procura acha. Centro de Engenharia do Google no Brasil responde por mudanças relevantes no sistema de busca»


«Duas piscadas de olho ― tempo que corresponde a um quarto de segundo ―, esse é o intervalo médio que o Google, principal ferramenta de busca na internet no mundo, leva para fornecer uma resposta ao internauta. São 100 bilhões de consultas realizadas por mês no buscador ― uma média de 3,3 bilhões de pesquisas por dia, 137,5 milhões por hora e incríveis 2,3 milhões por minuto. Mais de 20 bilhões de endereços na web são analisados a cada 24 horas pelo Google, que depara com 500 milhões de procuras diárias inéditas, ou seja, que nunca haviam sido feitas antes. Aqui no Brasil o site detém 91% de participação no mercado de buscas pela internet. O que poucos sabem é que, para dar conta de tanta informação, a empresa de tecnologia com sede em Mountain View, uma das maiores cidades do Vale do Silício, na Califórnia, nos Estados Unidos, conta com o talento de uma equipe de pesquisadores brasileiros no Centro de Engenharia do Google para a América Latina, em Belo Horizonte, Minas Gerais.

»Localizada em um prédio da região central da capital mineira, a unidade foi criada em 2005 e hoje é um dos mais importantes entre os cerca de 30 centros de pesquisa e desenvolvimento da empresa espalhados por cidades como Nova York (Estados Unidos), Zurique (Suíça), Tóquio (Japão), e Bangalore (Índia). “Cem por cento dos resultados de busca realizados globalmente, a cada dia, são melhores, em termos de relevância para a consulta, devido a projetos desenvolvidos pelo time de BH”, diz o cientista da computação Berthier Ribeiro-Neto, diretor de engenharia do Google e um dos líderes da equipe brasileira. “Somos responsáveis pela segunda mudança mais relevante na melhoria de busca da história do Google. Além disso, cinco dos 30 principais projetos experimentais com usuários do buscador saíram do nosso escritório”, diz o pesquisador, de 53 anos. Essa segunda inovação mais importante ― que não pode ser descrita em detalhes por ser uma informação sigilosa ― está relacionada a dois problemas fundamentais dos mecanismos de busca: compreender com precisão o que o usuário está expressando na consulta e entender o que cada um dos documentos na web quer dizer. É o casamento desses dois “entendimentos” que, ao final, tornam a informação apresentada pelo buscador mais próxima daquela que o internauta quer encontrar.

»A principal área de atuação dos pesquisadores de BH é o ranqueamento ― core ranking, em inglês ―, que é a ordem em que os links são apresentados na página de resultados. “O foco do nosso grupo é a qualidade de busca. Trabalhamos para garantir que o resultado da consulta do usuário seja o melhor possível, e que a primeira resposta do ranking apresentado pelo Google atenda de fato o que o internauta está procurando”, diz o cientista da computação Hugo Pimentel de Santana, de 32 anos. “Um dos nossos maiores esforços é entender que certas consultas escritas de forma diferente representam a mesma intenção do usuário”, diz ele. Formado pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e com mestrado na mesma instituição na área de inteligência artificial, Hugo é engenheiro de software do Google há seis anos e lidera uma equipe de 16 pessoas do time de ranking. Ele viaja de duas a três vezes por ano para Mountain View a fim de participar de treinamentos e encontros com a equipe global da empresa. A sede abriga o principal centro da máquina de busca do Google.


»O desafio para melhorar o core ranking é grande e cada sugestão passa por um longo e criterioso processo de avaliação. Apenas em 2012, 118.812 ideias para tornar a ferramenta de ranking mais eficaz foram apresentadas pelos engenheiros da empresa no mundo. Desse total, menos de 10% (10.391) receberam análises de um grupo de usuários contratados pelo Google, os raters. Cerca de 30% dessas implementações não vingaram e 7.018 foram para a fase seguinte, de implantação parcial, quando passaram por avaliações de grupos de usuários reais. Ao final do processo, somente 665 mudanças foram aprovadas e incorporadas ao engenho de busca do Google.

»Um indicativo da relevância do Centro de Engenharia de BH é que alguns de seus pesquisadores têm acesso irrestrito ao algoritmo de busca do Google, a enorme sequência numérica que faz o mecanismo funcionar. O algoritmo é um código altamente confidencial e tem para a empresa a mesma importância da fórmula da Coca-Cola para o fabricante do refrigerante ― ele é a base de seu sucesso. “São poucos os grupos de fora da sede em Mountain View que trabalham na melhoria do algoritmo de busca”, diz Bruno Pôssas. Aos 36 anos, com graduação, mestrado e doutorado em ciência da computação pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Pôssas é o responsável por todas as melhorias propostas pela equipe de Belo Horizonte no algoritmo do Google.

»Para Pôssas, o conhecimento dos pesquisadores brasileiros numa área teórica de fundamental importância para a construção de máquinas de busca, conhecida como “recuperação de informação” (information retrieval, em inglês), explica a boa reputação que a unidade mineira goza junto ao escritório central no Vale do Silício. “O Google começou em BH com um grupo muito bom em recuperação de informação, que era reconhecido pela comunidade científica internacional pela qualidade dos artigos que publicava”, afirma Pôssas. Ele se refere à equipe que criou no ano 2000 a empresa mineira Akwan Information Technologies, adquirida cinco anos depois pelo Google para ser transformada em seu centro de pesquisa no país.


»Máquina de busca

»A Akwan era dona de um engenho de busca centrado na web brasileira, chamado TodoBr, que tinha sido desenvolvido por um grupo de professores do Departamento de Ciência da Computação da UFMG. “O TodoBr tinha uma qualidade muito melhor do que a busca do Google para o Brasil na época. Em pouco tempo, nosso buscador explodiu e decidimos criar uma empresa”, recorda-se Ribeiro-Neto, um dos seis fundadores da Akwan ― os outros foram os professores Nívio Ziviani, Alberto Laender e Ivan Moura Campos, todos da UFMG, e os investidores de mercado Guilherme Emrich e Marcus Regueira. Com o crescimento da empresa, Ribeiro-Neto decidiu licenciar-se da universidade para tocar o dia a dia do negócio.

»“Enfrentamos uma dificuldade inicial por não conseguir financiamento a baixo custo. Batemos na porta do BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social] e recebemos um ‘não’. Sobrevivemos vendendo soluções para o mercado corporativo de São Paulo, até que, no final de 2004, um colega fez a intermediação com um vice-presidente de engenharia do Google. Em poucos meses fechamos negócio”, diz Ribeiro-Neto. O objetivo do Google ao comprar a Akwan, segundo Ribeiro-Neto, era construir um centro de P&D no país. Quando os norte-americanos adquiriram a empresa brasileira cancelaram todos os seus contratos, mas mantiveram os funcionários. “O Google percebeu que aquele grupo de acadêmicos havia feito uma ferramenta na fronteira do conhecimento. Tínhamos ideias próprias de como lidar com o problema dos mecanismos de busca. Fomos a primeira aquisição global da empresa fora dos Estados Unidos”, diz Ribeiro-Neto, destacando que “o foco do trabalho do grupo sempre foi o desenvolvimento de inovações globais”. O pesquisador foi o único dos seis fundadores da Akwan que permaneceu no Google.

»Desde que iniciou suas operações em 2005, o Centro de Engenharia já recebeu investimentos superiores a US$ 150 milhões. Atualmente trabalham nele por volta de 100 engenheiros, sendo que 75% têm mestrado ou doutorado em ciência da computação. A maioria dos pesquisadores é brasileira, mas há também profissionais de outros países, entre eles Estados Unidos, Índia, Chile, Colômbia e Venezuela. “Buscamos engenheiros com boa formação técnica, pró-ativos, criativos e com iniciativa própria”, diz Ribeiro-Neto, que é coautor do livro Modern information retrieval. Publicada originalmente em 1999, a obra é importante entre cientistas da computação e foi fonte de consulta dos fundadores do Google, Larry Page e Sergey Brin, durante a pós-graduação na Universidade Stanford, quando desenvolveram o projeto que deu origem à empresa de busca.

»No Brasil são mais de 500 funcionários, divididos entre o centro de P&D de Belo Horizonte e o escritório central de São Paulo. Os funcionários desfrutam de um ambiente descontraído com espaços de lazer dedicados ao ócio criativo, equipados com redes para balançar, espreguiçadeiras, mesas de sinuca, videogame, gibiteca e pufes para relaxar em forma das teclas ctrl, esc, alt e del.

»A equipe de Belo Horizonte também se dedica a pesquisar e a desenvolver produtos para a rede social Google+, lançada em 2011 para concorrer com o Facebook, e é responsável pela gestão do Orkut, que já foi o mais popular site de relacionamentos virtuais do país. Quando o Google comprou a Akwan, em 2005, o Brasil era o principal mercado mundial do Orkut ― três anos depois, a subsidiária brasileira passou a ser a responsável global pela plataforma, que chegou a ter 30 milhões de usuários no país. “O setor que lidero tem cerca de 40 pessoas e é um dos três mais relevantes junto com os times de Mountain View e Zurique”, diz o diretor de engenharia do G+, Paulo Golgher, de 36 anos. O dia a dia dos engenheiros é criar novas funcionalidades para o Google+ e desenvolver programas que tornem a rede social mais segura e fora do alcance de hackers. “Projetamos sistemas automáticos para que a própria plataforma detecte ameaças e abusos, como conteúdos pornográficos, vírus e spam”, conta o engenheiro de software Bruno Maciel Fonseca, de 32 anos.


»Pesquisa acadêmica

»Além de investir em inovações voltadas aos seus próprios produtos, o Google também financia projetos acadêmicos em universidades brasileiras. O programa Google Brazil Focused Research Grants, lançado em 2013, distribui cerca de R$ 1 milhão entre cinco pesquisas de doutorado que procuram entender como as pessoas se comportam no ambiente virtual da internet. A empresa tem tradição em fomentar a pesquisa em áreas de seu interesse em instituições de ensino superior americanas e europeias, mas esta é a primeira vez que apoia projetos brasileiros. O financiamento não tem como contrapartida a cessão dos direitos de propriedade sobre as pesquisas. “No processo de seleção, enviamos convite a 25 pesquisadores e recebemos 20 propostas. Escolhemos as cinco que tinham qualidade compatível com a marca Google”, explica Ribeiro-Neto.

»Um dos projetos contemplados é uma pesquisa do Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), cujo objetivo final é melhorar a qualidade do ensino a distância no país. O projeto pretende analisar as reações de alunos desses cursos durante as videoaulas e identificar seu nível de atenção. Liderado pelo professor Edmundo de Souza e Silva, coordenador do grupo de pesquisa da Coppe, o estudo é feito por meio de uma série de sensores e aparelhos conectados ao aluno, que fornecem informações sobre seu estado mental durante a aula a distância. Enquanto uma webcam filma suas expressões faciais e o tamanho da pupila, uma pulseira dotada de biossensores mede a condutividade da pele, uma faixa na cabeça capta suas ondas cerebrais e um sensor mede a movimentação do mouse. “O nível de condutividade da pele e a dilatação da pupila são indicadores de que a pessoa está mais ou menos atenta”, explica Silva.

»Segundo ele, numa aula tradicional, o professor pode observar as reações dos alunos e perceber o quanto ele está atento ou desatento. Já nos cursos a distância isso é impossível. “O sistema que estamos desenvolvendo pretende ajudar a cobrir essa lacuna”, diz Silva. Durante uma videoaula, caso o sistema conclua, por meio dos dados enviados pelos aparelhos (webcam, pulseira e sensores), que o aluno está desatento, ele automaticamente altera o curso da aula, por exemplo, pedindo para o estudante fazer alguma tarefa ou mudando o conteúdo que está sendo exibido. Conduzida em conjunto com a professora Rosa Leão, da Coppe, o doutorando Gaspare Bruno e o mestrando Thothadri Rajesh, a pesquisa tem como alvo inicial alunos do curso de sistemas de computação do Cederj, consórcio formado por sete instituições públicas do ensino superior do Rio de Janeiro, entre elas a UFRJ e a Universidade Federal Fluminense (UFF).


»Outro projeto apoiado pelo programa do Google no país busca compreender o que faz um conteúdo postado no canal de compartilhamento de vídeos YouTube se tornar popular. “Queremos entender os vários fatores que podem afetar a audiência de um vídeo e, assim, predizer sua curva de popularidade no tempo”, afirma a professora Jussara Almeida, do Departamento de Ciência da Computação da UFMG. A pesquisa faz parte do trabalho de doutorado do cientista da computação Flavio Figueiredo. A metodologia criada na UFMG é capaz de melhorar em mais de 30% a média de previsão de popularidade dos vídeos em relação à técnica mais renomada usada para tal fim, desenvolvida por Bernardo Huberman, pesquisador do HP Labs, localizado em Palo Alto, na Califórnia. Durante a pesquisa, foram monitoradas centenas de milhares de vídeos no YouTube e coletadas informações diversas no site, entre elas a categoria do vídeo, a curva de visualização no tempo, desde o upload, e a origem dos links utilizados para chegar a esse vídeo.

»“Ao analisar a curva de visualizações destes vídeos, vimos que um número pequeno de padrões de curvas de popularidade se repete. Percebemos que, se conseguirmos prever essa curva, podemos melhorar a predição e dizer como a popularidade de um determinado conteúdo irá evoluir ao longo do tempo”, diz Jussara. Uma das conclusões do estudo foi que a qualidade do conteúdo do vídeo nem sempre é determinante para sua popularidade. Muitas vezes, o vídeo “bomba” na web depois que um link para ele foi postado em algum site externo, como um blog ou mesmo o Facebook. A compreensão dessa dinâmica pode fornecer informações importantes para anunciantes de bens e serviços na internet, além de produtores de conteúdo.

»O mesmo Departamento de Ciência da Computação da UFMG teve outro projeto contemplado com os recursos do Google. O professor Marcos André Gonçalves e o doutorando Daniel Hasan utilizaram algoritmos e técnicas computacionais para aferir automaticamente a qualidade de artigos e conteúdos postados na web 2.0, aquela cujas páginas são criadas a partir da colaboração dos internautas. A enciclopédia virtual Wikipedia, com mais de 14 milhões de artigos, foi o foco inicial da pesquisa. “Começamos com a Wikipedia e estendemos o estudo para fóruns de pergunta e resposta”, explica Gonçalves. Para determinar o grau de confiabilidade das páginas, os pesquisadores elaboraram um conjunto de 68 critérios de qualidade, como legibilidade do texto, estrutura e organização dos artigos e o histórico de revisões dos conteúdos postados. “Criamos um aplicativo, ainda não comercial, que dá uma nota para cada um dos critérios”, diz o professor da UFMG. Dentre as várias metodologias existentes que se propõem a fazer algo similar, a projetada por ele e seu aluno fornece os melhores resultados quando submetida à experimentação. “Nossa metodologia pode funcionar como uma bússola mostrando ao internauta quais são os conteúdos da web com mais qualidade e credibilidade. Imaginamos que, no futuro, ela poderá ser usada para ordenar as páginas retornadas em uma busca conforme algum critério de confiabilidade”, afirma Gonçalves.»



Pesquisa FAPESP, Yuri Vasconcelos







Coleção de postagens sobre inovação de 24 a 27 de dezembro



Carlos Marqueríe, «El Mercado de la Innovación Abierta (2013)


Correio do Minho, «Mosteiro de Tibães recebeu prémio Inovação e Criatividade»


Cynthia Giguere-Martel, «Valoriser et stimuler la nouvelle génération d’entrepreneurs. 16e Concours québécois en entrepreneuriat au Centre-du-Québec»


Darío Drucaroff, «Argentina y su encrucijada en el mapa de la innovación»


Diario de Pernambuco, «Bom Jardim terá Centro de Inovação e Produção para costureiras»


Estadão, «Inovação chinesa»


Etalab, «Dataconnexions #4 : Découvrez les huit lauréats de cette édition!»


Europa Press, «Diputación de Granada avanza en la puesta en funcionamiento del centro agroalimentario de innovación del Poniente»


Fabrice Dersy, «Quand les talents font la différence»


Greensavers, «Incubadora de inovação da Universidade de Lisboa facturou €6 milhões em 2013»


Kari Embree, «Pharmapack Europe 2014 focuses on innovation»


Le Moniteur, «Une initiative européenne pour développer l’innovation technologique ferroviaire»


Márcia Galrão com Lusa, «É preciso continuar a estruturar um mercado de trabalho ágil»


Marta F. Reis, «Think tank propõe fundo público para suportar custos da inovação»


Patrick A. Hyek, «Six global trends shaping the business world (Rapid technology innovation creates a smart, mobile world)»


Porvir, «9 passos para deixar a inovação acontecer. A recompensa é uma criatividade libertadora que torna o ensino emocionante e divertido»


Rodrigo de Oliveira Andrade, «Os selvagens do asfalto»


Ron Ruggless, «10 trends shaping the restaurant industry in 2014»


Silvia Torres Carbonell, «Innovación emprendedora, la clave de la competitividad»


Terry Slavin, «Disconnect between profit maximisation and social innovation»







2013/12/27

«Inovação chinesa»


«O número de pedidos de patentes no mundo cresceu 9,2% em 2012, a maior expansão dos últimos 18 anos. O dado, contido na edição 2013 do informe Indicadores Mundiais de Propriedade Intelectual, elaborado pela Organização Mundial de Propriedade Intelectual (Ompi), confirma que, embora a recuperação da economia global após a crise de 2008 ainda seja lenta, os países competitivos continuam a investir pesadamente em inovação.

»O destaque do último relatório é a China. Pela primeira vez, o país lidera em solicitação de patentes, apresentando um crescimento de 24% entre 2011 e 2012 - foi o único caso de expansão de dois dígitos. Com isso, a China alcançou 27,8% de participação no total de patentes requeridas no mundo em 2012, superando os Estados Unidos, que ficaram com 23,1%.

»Segundo a Ompi, o desempenho chinês foi o maior responsável pelos bons resultados do ano. O ritmo do país no campo das patentes é um poderoso indicativo da nova etapa de seu desenvolvimento. Está ficando para trás a China que se notabilizou por copiar os produtos da indústria ocidental e inundar as prateleiras internacionais com mercadorias falsas e de má qualidade, e está surgindo um país com grande capacidade de agregar valor a seus produtos.

»Neste ano, o governo chinês anunciou um aumento de 6% nos investimentos anuais destinados ao ensino de ciência e tecnologia, passando a US$ 1,7 bilhão. O esforço do país para alterar seu perfil colocou 23 de suas universidades entre as 100 melhores dos países emergentes, segundo a publicação britânica Times Higher Education. A pretensão dos dirigentes chineses é transformar a Universidade Tsinghua, voltada para o ensino tecnológico, na mais importante do mundo até 2020.

»O agressivo desenvolvimento técnico chinês não se limita a boas escolas. Há prêmios oficiais para soluções tecnológicas e estimula-se o envio de estudantes chineses para as melhores universidades do mundo - há 100 mil deles matriculados nos Estados Unidos.

»Com isso, entre 2007 e 2012, o incremento da inovação deixou de ser uma particularidade dos países desenvolvidos e passou a se concentrar também na China e em outros emergentes asiáticos, como Taiwan e Coreia do Sul. O caminho para reduzir a diferença ainda é grande. Os Estados Unidos detêm 2,2 milhões dos 8,6 milhões de patentes em vigor no mundo, enquanto o Japão tem 1,7 milhão. A China já chegou às 900 mil e está em terceiro lugar.

»Para ilustrar o apetite chinês, o levantamento da Ompi mostra que, no ano passado, o país pediu o registro de 1,5 milhão de marcas, três vezes o registrado nos Estados Unidos e cinco vezes o total da Alemanha.

»Já o Brasil, a despeito de ter apresentado crescimento de 5,1% de solicitações de patentes, continua com números pífios. No ano passado, brasileiros pediram 6.603 patentes, contra 560.681 da China, 203.410 da Coreia do Sul, 34.803 da Rússia e 18.020 da Índia, para ficarmos apenas nos principais emergentes. Ademais, no que diz respeito a patentes de desenho industrial, o Brasil teve queda de 4% nos pedidos de registro em território nacional, um dos piores desempenhos entre os emergentes.

»Em contrapartida, o Brasil teve 11% de crescimento nos pedidos de registro de variedades vegetais, mostrando a força do País no setor de biotecnologia. Mesmo nessa área, no entanto, a China, com alta de 32,9%, teve desempenho muito melhor.

»No geral, o aumento expressivo das solicitações de patentes indica que as empresas e os governos ao redor do mundo estão, no dizer da Ompi, “plantando as sementes” do futuro crescimento econômico. No entanto, observa-se que há diferenças consideráveis no ritmo dessa inovação - enquanto a Ásia e os Estados Unidos lideram a renovação industrial, a Europa mostra estagnação e países como o Brasil apresentam ainda resultados muito tímidos, se comparados a suas pretensões no cenário global. Para quem almeja ser mais do que apenas coadjuvante na disputa por mercados, o investimento em inovação teria de ser muito mais consistente do que é hoje - como prova o formidável caso chinês.»



Estadão







2013/12/26

«Os selvagens do asfalto. Pouco valorizadas, aves se espalham pelas escassas áreas arborizadas das cidades»



«Grupo de anus-brancos (Guira guira) empoleirados em fio elétrico na zona rural de Angatuba, São Paulo.»


«Na Cidade Universitária, a 8 quilômetros do centro de São Paulo, às margens do rio Pinheiros, vivem dezenas de espécies de aves. “Uma diversidade de espécies maior que a de alguns países da Europa”, comentou a bióloga Elizabeth Höfling, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), no dia 21 de setembro, em São Paulo, em sua palestra do último encontro do Ciclo de Conferências Biota-FAPESP Educação – iniciativa do Programa Biota-FAPESP em parceria com a revista Pesquisa FAPESP –, que tratou da diversidade biológica em ambientes alterados pela ação do ser humano. Desde 1984 Elizabeth, com sua equipe, identificou 161 espécies de aves nas matas da Cidade Universitária, entre elas o jacuaçu (Penelope obscura), ave característica da mata atlântica com 70 centímetros de altura que emite sons semelhantes ao cacarejo das galinhas.

»Ali perto, no Parque do Ibirapuera, o maior da capital, a diversidade de espécies também impressiona. Ao todo, já foram identificadas 142 espécies de aves, como a garça-branca-grande (Ardea alba), o barulhento quero-quero (Vanellus chilensis), o raro pica-pau-de-cabeça-amarela (Celeus flavescens) e o cardeal (Paroaria coronata), com seu topete vermelho. Quem percorrer com calma os parques da cidade poderá ver ainda o caxinguelê (Sciurus ingrami), a versão nacional dos esquilos do hemisfério Norte, ou um veado-catingueiro (Mazama gouazoubira). Em um levantamento recente, uma equipe da Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente (SVMA) identificou 433 espécies de animais silvestres que se espalham pela metrópole, de saguis a bugios (ver Pesquisa FAPESP nº 125).

»A diversidade de aves e outros animais em ambientes urbanos depende de certos fatores, principalmente da variedade de plantas que vão fornecer sementes e frutos que servem como alimento, e galhos ou troncos para a construção de ninhos. Por outro lado, a poluição do ar e os ruídos dos carros podem dificultar a vida dos animais nesses ambientes. Segundo Elizabeth, o barulho excessivo das grandes cidades pode desencadear a perda da audição, aumentar o estresse e alterar o comportamento de certas espécies, enquanto a iluminação artificial pode prejudicar a percepção de dia e noite, fundamental para os animais regularem suas atividades. Em consequência, como já se viu na cidade de São Paulo, sabiás que vivem soltos em bairros residenciais – e representam uma das espécies adaptadas ao espaço urbano – se põem a cantar às três da madrugada, enervando os moradores que prefeririam dormir, levando ao pé da letra a máxima da cidade que nunca dorme.


»O urubu-de-cabeça-preta (Coragyps atratus), outra espécie bem adaptada, é facilmente encontrado nos arredores dos rios Tietê e Pinheiros, os dois principais da Grande São Paulo. Embora nem sempre bem -vista pelos moradores da metrópole, essa espécie de urubu ajuda a limpar a cidade, já que se alimenta de peixes, roedores, aves e outros animais em decomposição nas margens dos rios. Nessas áreas,também se pode avistar pardais (Passer domesticus), pombos-domésticos (Columba livia) e um pássaro de bico avermelhado conhecido como bico-de-lacre (Estrilda astrild), todas espécies exóticas, mas também bem adaptadas à cidade. “Insetos como abelhas, vespas, borboletas e mariposas, aves como os beija-flores e até mesmo mamíferos como morcegos são vitais para a reprodução das plantas das cidades, por atuarem como agentes polinizadores”, ressaltou Elizabeth.

»Um dos grandes problemas para a sobrevivência dos animais urbanos é que áreas arborizadas estão cada vez menores, por causa, entre outras razões, do crescimento desordenado das cidades. No Brasil, 85% da população vive hoje em áreas urbanas. “Nosso modelo de desenvolvimento e padrão de consumo têm gerado uma demanda crescente de recursos naturais e colocado em risco as áreas nativas remanescentes no estado de São Paulo”, disse a bióloga Roseli Buzanelli Torres, do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), em sua apresentação, que tratou da diversidade vegetal em paisagens alteradas pelo ser humano.

»A Região Metropolitana de Campinas, por exemplo, formada por 19 municípios, vive uma situação crítica, segundo Roseli, na medida em que menos de 6% da vegetação nativa de mata atlântica se mantém intacta. “A área de vegetação remanescente não chega a 1% da área total do município de Hortolândia, próximo a Campinas”, disse a bióloga. “A mesma tendência de redução pode ser observada em cidades como Nova Odessa, Santa Bárbara d’Oeste e Sumaré, todas já com menos de 1% de áreas com remanescentes florestais de mata atlântica.”

»Roseli coordenou um diagnóstico socioambiental da bacia do ribeirão das Anhumas, em uma área densamente povoada de Campinas, em parceria com pesquisadores das universidades Estadual de Campinas (Unicamp) e de Brasília (UnB) e do Instituto Florestal de São Paulo, além de técnicos da Prefeitura de Campinas. Com base em fotos aéreas e imagens de satélite, eles puderam observar uma expansão exponencial das áreas urbanas sobre as rurais e as de vegetação nativa — as que restaram estão bastante fragmentadas, mas ainda abrigam uma elevada diversidade de espécies de árvores, como a guaçatonga (Casearia sylvestris), o pau-jacaré (Piptadenia gonoacantha) e o marinheiro-do-brejo (Guarea macrophylla), entre outras. A pesquisadora destacou ainda a importância de se planejar a arborização das cidades como instrumento para a conservação da biodiversidade nos remanescentes de vegetação isolados na paisagem urbana.


»“No estado de São Paulo”, disse o agrônomo Luciano Martins Verdade, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da USP, “a maior parte dos remanescentes florestais e da diversidade de animais encontra-se em paisagens agrícolas, não em unidade de conservação”. Em sua apresentação, focada na diversidade de espécies animais em regiões agrícolas, ele mostrou que as áreas destinadas à agropecuária podem abrigar uma alta variedade de animais silvestres – mamíferos, peixes, anfíbios e aves –, geralmente não valorizados, como os da cidade e das unidades de conservação.

»Algumas aves já estão adaptadas às matas próximas às plantações, como o papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva), a curicaca (Theristicus caudatus) e a maria-faceira (Syrigma sibilatrix). “Estima-se que até 60% das espécies de aves originais desses ambientes também vivam em paisagens agrícolas alteradas”, disse Verdade. Nas poucas matas do interior paulista, caracterizado por vastas plantações de cana-de-açúcar e eucalipto, ele próprio já encontrou uma onça-parda (Puma concolor), “um animal cada vez mais comum de se observar em ambientes alterados pela atividade humana”. Segundo ele, o cachorro-do-mato (Cerdocyon thous) é outra espécie adaptada à paisagem agrícola e pode ser vista com relativa facilidade em meio aos canaviais.

»Por viver em áreas agrícolas, os animais silvestres despertam um conflito entre produção econômica e conservação ambiental, que poderia ser conciliado, acredita Verdade. “Trabalhar esse conflito do ponto de vista da conservação inserida na dinâmica da produção agrícola talvez seja o melhor caminho para que atribuamos à agricultura uma missão multifuncional, que mantenha seu caráter produtivo e ao mesmo tempo promova a conservação ambiental”, disse ele. Por enquanto, os interesses agrícolas é que predominam, já que o Brasil é um dos principais produtores mundiais de commodities agrícolas. Para se ter uma ideia, a área agrícola total ocupa quase um terço do território nacional – cerca de 260 milhões de hectares —, as plantações de soja estendem-se por 28 milhões de hectares e as de cana-de-açúcar, ligadas à produção de etanol, açúcar e energia, por 9 milhões de hectares. Em São Paulo, a atividade agrícola é uma das principais responsáveis tanto pela riqueza do estado quanto pela redução das áreas originais de mata atlântica e cerrado, hoje bastante fragmentadas.



»Estratégias de conservação

»“Conhecer os padrões de distribuição e abundância das populações de espécies de animais silvestres em paisagens agrícolas não é o bastante para a elaboração de estratégias consistentes de conservação da diversidade biológica”, alertou Verdade. “Como avaliar os impactos das mudanças no uso da terra na biodiversidade?” Quando não se sabe o que fazer, segundo ele, o mais adequado seria reforçar as bases conceituais, permitindo uma melhor compreensão da situação. Inovações tecnológicas ou metodológicas, por sua vez, podem ser necessárias quando já se sabe o que fazer para favorecer a conservação da biodiversidade em paisagens agrícolas. Por fim, a governança, entendida como a articulação entre instituições públicas e privadas, é indispensável para as propostas de conservação serem efetivamente implantadas.

»“Apenas conhecer os padrões biológicos característicos de cada paisagem contribui pouco para o processo de governança. É que esses padrões são determinados por processos epidemiológicos, humanos e evolutivos, entre outros. Assim, a diversidade de padrões é determinada pela complexidade dos processos”, disse ele. “O mais importante na formulação de estratégias de conservação seria, antes de tudo, compreender o que gera a complexidade desses processos.”

»Nas cidades, o incentivo à arborização poderia contribuir para fortalecer as estratégias de conservação, por criar ambientes com temperaturas amenas, mais agradáveis tanto para as pessoas quanto para os animais silvestres. “Árvores com copas mais densas retêm até 98% da radiação solar”, disse Roseli, do IAC. Segundo ela, as árvores contribuem ainda para a redução da velocidade das enxurradas – a tipuana (Tipuana tipu) e a sibipiruna (Caesalpinia peltophoroides), por exemplo, podem reter até 60% da água nas duas primeiras horas de chuva, diminuindo a intensidade das inundações.»



Pesquisa FAPESP, Rodrigo de Oliveira Andrade







2013/12/25

«9 passos para deixar a inovação acontecer. A recompensa é uma criatividade libertadora que torna o ensino emocionante e divertido»



«A necessidade de inovar recai sobre a geração atual de estudantes e, por isso, a educação deve se concentrar em permitir a inovação, colocando a curiosidade, o pensamento crítico, a reflexão profunda e a criatividade no centro do currículo.»


«Em tempos de tanto desenvolvimento tecnológico, em que novos produtos rapidamente se substituem no posto de equipamento mais avançado do mercado, fica difícil até acompanhar as novidades. Mas elas estão aí e os cidadãos do mudo deverão estar preparados isso. Para Thom Markham, autor do livro Aprendizado Baseado em Projetos: Ferramentas Especializadas para Inovar, o celeiro ideal para se criar pessoas aptas a lidar com a inovação, seja do ponto de vista do criador ou do consumidor, é a escola. “A necessidade de inovar recai sobre a geração atual de estudantes e, por isso, a educação deve se concentrar em permitir a inovação, colocando a curiosidade, o pensamento crítico, a reflexão profunda e a criatividade no centro do currículo”, afirmou o especialista.

»E isso faz com que muitas responsabilidades recaiam, mais uma vez, nos ombros do professor. Com tantas demandas curriculares e extracurriculares a seguir, ele pode se sentir perdido, não saber como agir. Confira abaixo 9 dicas para ajudar o educador a permitir que a inovação aconteça em sua sala de aula. As dicas foram compiladas de um artigo do Journal of News and Resources for Teachers, da Universidade de Concordia, e de um texto do próprio Markham, para o blog Mind Shift. Confira.



»1. Desenvolver aprendizagem baseada em projetos

»Vários professores desenvolvem projetos, mas a maioria não usa um conjunto definido de métodos associados a aprendizagem baseada em projetos de qualidade. Esses métodos incluem o desenvolvimento de uma questão focada, com avaliações de desempenho – sólidas e inovadoras, que não excluam características como a criatividade –, várias soluções para um mesmo problema e o uso dos recursos da comunidade. O uso adequado desse método permite desenvolver com os alunos questões como o trabalho colaborativo, a investigação, o entendimento da realidade do outro e, como foi dito acima, a criatividade.



»2. Ensinar conceitos, não fatos

»O ensino baseado em conceitos supera aquele baseado nos fatos, geralmente guiado pelo currículo padronizado. Se o seu currículo não é organizado conceitualmente, use seu próprio conhecimento e ideias para tentar ensinar as coisas de modo mais profundo, reflexivo, não apenas para testar itens obrigatórios.



»3. Distinguir conceito de informação crítica

»Preparar os alunos para fazer testes, passar de ano e no vestibular faz parte do trabalho de todo professor. Mas esses jovens precisam de informações para uma razão ainda mais importante: para inovar. Com essa gama de conhecimento sobre coisas que já aconteceram, já foram descobertas ou criadas, os alunos vão ser capazes ter uma leitura crítica a respeito da sua realidade e, consequentemente, pensar fora da caixa.



»4. Faça com que as habilidades sejam tão importantes quanto o conhecimento

»Inovação e habilidades para o século 21 estão intimamente relacionadas. Escolha algumas dessas competências, como colaboração e pensamento crítico, para concentrar em todo o ano. Incorpore o desenvolvimento dessas habilidades em todas as atividades, sejam elas colaborativas ou individuais, e faça um acompanhamento que avalie o grau de evolução de cada aluno.



»5. Forme equipes, não grupos

»A inovação emerge de equipes e redes. É possível ensinar os alunos a trabalharem coletivamente e a se tornarem melhores pensadores coletivos. O trabalho em grupo é comum, mas em equipe é raro. Algumas dicas para melhorar esse engajamento são: usar métodos específicos para formar essas equipes, avaliar o trabalho em equipe e a ética deste trabalho e pedir que os alunos reflitam criticamente sobre suas próprias atividades finais.



»6. Use ferramentas de criatividade

»A indústria usa um conjunto imenso de ferramentas de última geração para estimular a criatividade e a inovação. Em sala de aula, o professor pode usar jogos, exercícios visuais e artísticos, além de apresentar referências de qualidade, inovação e experimentação aos estudantes.



»7. Recompensa explícita

»A inovação é geralmente desencorajada pelo nosso sistema de avaliação, que premia o domínio da informação já conhecida. O professor pode intensificar e inovar nesse sistema de recompensa por meio de rubricas para reconhecer e recompensar a inovação e a criatividade em trabalhos desenvolvidos.



»8. Faça da reflexão uma parte da atividade

»Devido às demandas de tempo e do currículo, a tendência é seguir em frente rapidamente a partir do último capítulo e começar o próximo. Mas a reflexão é necessária para ancorar a aprendizagem e estimular o pensamento mais profundo e, portanto, mais crítico. Não há inovação sem tempo, sem ruminação.



»9. Seja inovador você mesmo

»A inovação requer a vontade de falhar, o foco em resultados nebulosos em vez de medidas padronizadas e a coragem de resistir à ênfase do sistema de prestação de contas rigorosa e baseada em avaliações velhas.

»A recompensa para esse tipo de comportamento é uma espécie de criatividade libertadora que torna o ensino emocionante e divertido, ajudando os alunos a encontrarem suas paixões e os recursos necessários para projetar uma vida melhor para si e para os outros.»



Porvir







2013/12/24

«Bom Jardim terá Centro de Inovação e Produção para costureiras»



«O Polo de Confecções e Têxtil ganhou, nesta quinta-feira (30/05), um novo braço de atuação para inovação e capacitação do setor. A Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDEC) assinou um convênio com a Companhia Integrada Têxtil de Pernambuco (Citepe), um braço da empresa PQS, da Petrobras, no valor de R$ 1.219.507,76 para a instalação do novo Centro de Inovação e Produção (CIP) de Bom Jardim, no Agreste Setentrional. A assinatura aconteceu no escritório da companhia no Recife e contou com a participação dos também parceiros da ação, o Instituto de Assessoria para o Desenvolvimento Humano (IADH) e a prefeitura do município.» (A Voz do Povo)


«As costureiras do município de Bom Jardim, no Agreste de Pernambuco, terão um espaço moderno e equipado para o desenvolvimento de suas atividades. Nesta quarta-feira (18), será assinada a ordem de serviço para reforma e ampliação do prédio que abrigará o Centro de Inovação e Produção (CIP). A ação é fruto de um convênio entre a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico (SDEC) e a Companhia Integrada Têxtil de Pernambuco (Citepe), um braço da empresa PQS, da Petrobras. O convênio beneficiará 48 costureiras e visa fortalecer o setor de têxtil e de confecções do município. O projeto tem duração de 24 meses e um investimento de R$ 1.219.507,76.

»A iniciativa pretende constituir o núcleo de confecções do município de Bom Jardim como empreendimento associativo, através da instalação de um prédio com espaços específicos para o desenvolvimento de diversas atividades. A estrutura contempla uma célula de produção com especialidade em jeans, malhas, cama, mesa, banho e lingerie e salas de aula, reuniões e administração. Ao todo, mais de 200 costureiras residem no município. Para participar do projeto, todas se inscreveram em uma seleção realizada pela Prefeitura de Bom Jardim e o Instituto de Assessoria para o Desenvolvimento Humano (IADH). Foram selecionadas as que possuíam disponibilidade de tempo para estudo e trabalho em horários definidos, um perfil empreendedor, entre outros requisitos.

»O IADH terá o papel de realizar a mobilização social e a implantação do projeto, com modelo de gestão definido, capacitando e integrando os empreendedores locais à cadeia produtiva têxtil. Os beneficiados terão dentro dos recursos oferecidos, oficinas voltadas para produção de confecção industrial e manutenção de equipamentos da indústria de confecção.»



Diario de Pernambuco

Imagem: A Voz do Povo







Coleção de postagens sobre inovação de 17 a 20 de dezembro




Atlantico, «La désindustrialisation nous condamne-t-elle à vivre dans un désert d’innovations ?»


Davi Lira, «Rede social democratiza acesso à inovação acadêmica»


Dean Takahashi, «IBM reveals its top five innovation predictions for the next five years»


El Economista, «Brasil fica na penúltima posição em ranking de competitividade entre 15 países, aponta CNI»


el Periódico, «Barcelona busca evolucionar de la mano de la innovación abierta»


Elena Arrieta, «BBVA da un paso al frente en big data»


Europa Press, «Organizados por la Asociación Internet & Euskadi: El blog de Caja Laboral bancaparaempresas.com y la red social Spotbros, premios Buber Sariak 2013. Galardonados también la web de difusión de patrimonio Reharq.com; el portal del movimiento asociativo vitoriano y Euskalkultura.com»


Gabriela Costa, «Mudança na comunidade educativa faz-se com inovação»


Gabriela Costa, «Luís Simões: Trabalho, persistência e complementaridade»


Hostnews.es, «Thinktur impulsará la creación de una plataforma tecnológica europea y latinoamericana del turismo»


Kevin Gavin, «Pittsburgh: A Hive of Learning Innovation. The Pittsburgh region will continue as a “Hive Network”»


Litza Mattos, «Sem investimento e inovação, combate à criminalidade cai»


Marco Vaza, «A melhor táctica é marcar um autogolo»


New Indian Express, «Second Innovation Lab of India Opens for Bangalore Kids»


O País, «PTF emociona embaixador de Portugal»


Patrick Van Campenhout, «Près de 2 milliards pour l’innovation et les PME belges. C’est la part du programme de développement européen de 79 milliards d’euros»


Pierre-Marie Mateo, «L’économie israélienne dépend du succès de l’innovation technologique»


SourceWire News Distribution, «Tech innovation gives children in hospital a magical escape at Christmas»


Tribuna do Norte, «Inovação, superação e projetos em cinco histórias de sucesso empresarial»


Yves Vilagines, «Air Liquide inaugure un “fab lab” à Paris»







2013/12/20

«Inovação, superação e projetos em cinco histórias de sucesso empresarial»


«Flávio Gurgel Rocha

»O Rio Grande do Norte será diretamente beneficiado no plano de expansão da Riachuelo para os próximos anos, com a criação de novos empregos. Durante participação no seminário Motores do Desenvolvimento, ontem à tarde, o presidente do Grupo Riachuelo, Flávio Rocha, disse que o objetivo da empresa é criar 100 mil novos postos de trabalho em até quatro anos e focar a maior parte possível dos empregos no Rio Grande do Norte.

»Participando de um talk show com o tema “Histórias de Sucesso: como sair de uma micro a uma grande indústria”, Flávio Rocha disse que, no momento, a Riachuelo possui 55 mil postos de trabalho, sendo 40 mil permanentes e 15 mil temporário. No entanto, há um plano para investimentos de R$ 2 bilhões nos próximos quatro anos para duplicar o número de lojas e triplicar o faturamento. O objetivo é beneficiar diretamente o estado natal do empresário.

»O presidente do Grupo Riachuelo deu como exemplo a região da Galícia, na Espanha. Segundo ele, a atuação de empresários de grandes indústrias fez com que a área tivesse o menor índice de desemprego do país. “Sabemos que é difícil, mas é o sonho fazer isso também aqui no Rio Grande do Norte. Com o plano de expansão, pretendemos trazer para o Rio Grande do Norte a maior parte possível dos postos de trabalho que serão criados”, disse o empresário.

»A democratização da moda é o propósito do negócio de família, reconhecida por ser de economia integrada, agregando o parque industrial, varejo, serviços com cartões de crédito e transportadora e distribuição.

»A aposta é o Pró-Sertão, projeto que promete interiorizar a indústria no Rio Grande do Norte através da abertura de 360 pequenas unidades de confecções – as chamadas facções – até dezembro de 2018. O projeto, que começou a ser gestado há oito meses, promete quadruplicar o número de facções e multiplicar por oito o número de pessoas empregadas na atividade, nos próximos cinco anos. Hoje, são 90 facções no estado e 2,5 mil pessoas empregadas nessas unidades.

»A indústria Guararapes, que emprega atualmente 13 mil pessoas e conta com o serviço de 40 facções, responsáveis por atividades específicas na cadeia de valor, como acabamento de peças. O objetivo é ampliar para 300 esse número de pequenos negócios gerando 5 mil novos empregos até o fim de 2014 e 20 mil nos próximos quatro anos, com meta de atingir a produção de 120 mil peças por dia até 2017. É uma forma de competir com os produtos chineses que inundam o mercado paralelo de confecções do País.

»“O Pró-sertão é um verdadeiro ovo de colombo que reflete para o Estado, benefícios para a cadeia produtiva da área têxtil”, destacou Flávio Rocha.

»O Programa visa ampliar as facções industriais com a missão de levar o desenvolvimento ao interior e incentivar a competitividade de pequenas confecções inseridas na cadeia de valor de grandes indústrias. A ideia é criar 20 mil empregos diretos no interior do estado.

»A consolidação das facções depende, entretanto, da desburocratização do setor, ainda penalizada com a carga tributária, obrigações trabalhistas e custo Brasil. “Esperamos que a segurança jurídica na questão trabalhista seja sancionada”, disse. Por ano, 3 milhões ações trabalhista, o que equivale a 15% da força de trabalho acionando a Justiça para assegurar direitos.

»A lei da terceirização é considerada a via para um ambiente mais favorável a estruturação da cadeia produtiva, com a formalização e adequação a legislação para as micro e pequenas empresas. “Com isso poderemos ter empresas legalizadas dominando a tecnologia e podendo gerar emprego, renda e reativar a industria têxtil do Estado”, afirma.



»Antônio Thiago Gadelha Simas

»As deficiências em infraestrutura logística trouxe um efeito reverso para a indústria de exportação no Rio Grande do Norte. A análise é do economista e industrial da Candy Pops, Thiago Gadelha. Embora demonstre crescimento no setor, a falta de um porto estruturado para escoamento da produção tem beneficiado a economia de outros estados - Ceará, Pernambuco e Paraíba – por onde a mercadoria segue para o exterior. O que também impõe ao empresário custos mais elevados de produção.

»Sem um Porto estruturado para escoar a produção, o uso do modal rodoviário acaba exportadores acabam prejudicando a indústria local que deixa de ganhar receita advinda da movimentação no porto e da contratação de frete. As operações do transporte rodoviário gera um acrescido de até R$ 2 milhões por mês no transporte de carga de caminhão para outros estados.

»Thiago Gadelha foi um dos cinco empresários potiguares durante um talk show com o tema “Histórias de Sucesso: como sair de uma micro a uma grande indústria”, realizado durante o bloco da tarde do Seminário Motores do Desenvolvimento o Rio Grande do Norte. A Candy Pop foi criada há quatros anos após a cisão da Simas Industrial, já voltada para atender a demanda internacional.

»A alta carga tributaria imposta a industria local, explicou o empresário Thiago Gadelha foi o fator propulsor que o empurrou ao mercado estrangeiro. “Era mais vantagem enviar para fora do país, do que para o Sudeste. Nós competíamos com indústria do sudeste que para atender o Nordeste, ela pagava 7% e para eu levar a mesma mercadoria para o sul, pagava 12%. Desleal”, disse.

»O sucesso dos empreendimentos passa sobretudo na opinião do empresário em planejamento e política industrial do Estado. “Falta espaço para se pensar a curto, médio e longo prazo”, criticou. Diferente da indústria voltada para o mercado interno, as indústrias para exportação trabalham com o planejamento.

»O empresário defendeu a realização das reformas tributárias, trabalhista e política como principal mecanismo para desentravar a economia do país. “A insegurança jurídica com a falta de uma reforma tributária e trabalhista nos imobiliza para que possamos fazer novos investimentos, buscar outros mercados”, afirma.

»Essa quantidade de incertezas tem influência no baixo PIB do setor, em torno de 1,6%. O empresário também destacou a necessidade de capacitação de mão de obra, desde a base até o gerenciamento, e de inovação em todos as fases da produção. “Precisamos produzir melhor para concorrer com o mercado global”, afirma.

»O ramo de confeitaria demonstrou o melhor desempenho na pauta de exportação do Estado esse ano. De janeiro a outubro foram R$ 33 milhões. Seguida pelas exportações de minério no Rio Grande do Norte que subiram 46,8% entre janeiro e outubro deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado. O estado exportou, até o momento, R$ 27,6 milhões em tungstênio, caulim, quartzitos, granito e ouro – R$ 8,8 milhões a mais do que exportou entre janeiro e outubro de 2012.



»Francisco Vilmar Pereira

»Francisco Vilmar de Pereira, diretor da Vipetro, foi um dos empresários convidados para apresentar a sua empresa durante o Motores do Desenvolvimento. Segundo ele, o grupo, que tem sede em Mossoró, iniciou suas atividades executando grandes obras de infraestrutura no Rio Grande do Norte, como o Porto Ilha (terminal salineiro) e a barragem Armando Ribeiro Gonçalves antes de começar a atuar no setor petrolífero. “Estávamos trabalhando num desmatamento em Alto dos Rodrigues, quando a Petrobras perguntou se queríamos construir um oleoduto para eles. Nós aceitamos. Esse foi nosso maior desafio”, relatou.

»A Vipetro está presente em 90% dos estados do Nordeste e tem entre seus clientes empresas como o governo do Rio Grande do Norte, a Petrobras, a MPX (do grupo de Eike Batista), o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e as companhias de gás do Rio Grande do Norte, Paraíba, Bahia, Pernambuco e Ceará, entre outras empresas e instituições.

»Criada na década de 80, atua nas áreas de montagem industrial, construção civil, serviços de terraplanagem, locação de equipamentos de elevação e transporte especializado.

»A empresa participou da execução das principais obras estruturantes do Rio Grande do Norte como a Barragem Armando Ribeiro Gonçalves; o Porto Ilha (Terminal Salineiro Off-Shore; Projeto de Implantação de Vilas Rurais (Município de Serra do Mel); Vias Permanentes na RFFSA (Rede Ferroviária Federal S/A); Expansão da Rede de gás natural do estado da Paraíba – Interligação de João Pessoa a Campina Grande.

»FUSÃO

»No ano de 2011, a os sócios da empresa venderam parte do seu capital para a portuguesa SIMI – Sociedade Internacional de Montagens Industrial, com larga experiência no mercado mundial. A Fusão da Vipetro com a SIMI resultou em uma Nova Vipetro que tem atuado principalmente na área do Petróleo e gás com o Pré-sal, na área de montagem de estruturas metálicas com a fabricação e montagem de coberturas dos estádios para a copa do mundo de 2014, e na área de fornos industriais devido ao grande aquecimento do setor dos produtores cimento, cal e vidro.

»A empresa que era familiar hoje passa por um período de adaptação, explicou o empresário, que também analisou o ambiente de negócios do estado e do país durante sua fala.



»Antônio Leite Sales

»Antônio Leite Jales, diretor da SterBom, aproveitou o seminário para apontar dificuldades enfrentadas pelo setor industrial no Rio Grande do Norte. Segundo ele, falta “boa vontade” de alguns órgãos locais. “Existe uma cultura de atrapalhar o empresariado. Tem pessoas que têm vontade de resolver e outras de dificultar o nosso trabalho. Eles não sabem que agindo estão impedindo as empresas de gerar empregos e impostos. Deveria haver mais vontade das pessoas”.

»Jales observou que muitas empresas do seu ramo fecharam por falta de apoio. “Muitos não tiveram incentivo e por isso não conseguiram sobreviver. Com a carga tributária e sem incentivo fica impossível crescer. Eu consegui porque fui atrás do Proadi (principal política de apoio à indústria do Estado) e ele vem me ajudando muito. Quando você tem alguns incentivos, consegue sobreviver. Sem incentivo, não consegue”, afirma.

»O segredo para crescer, além de contar com incentivos do governo, é economizar e reinvestir na empresa. “Não tem outro segredo não. É preciso entender que o apurado não é lucro”.

»O empresário, que fez investimentos de olho na Copa e espera que o consumo de sorvetes e picolés aumente durante o mundial, diz que a oportunidade não pode ser desperdiçada. “Eu, por exemplo, comecei a investir de olho na copa com três anos de antecedência. Investimentos no meu setor são altos. Fazer picolé é difícil”, disse Jales, que começou sua carreira ainda garoto vendendo picolé no interior do estado.

»A SterBom, que atua no ramo de gelados comestíveis, foi criada em 1992 e iniciou suas atividades a partir de uma pequena sorveteria no bairro do Alecrim, em Natal. Em 1998, o grupo colocou em prática seu plano de expansão, passando a ocupar uma área de cinco hectares no Parque Industrial de Parnamirim, onde estão localizadas as principais indústrias e empresas do Rio Grande do Norte, e diversificou sua produção.

»Além do sorvete, a SterBom passou a produzir também picolé, cobertura, casquinhos e waffer para sorvetes. No ano de 2006 instalou a água mineral SterBom e intensificou a produção de gelo mineral em cubo e em escama.

»Hoje, a fábrica possui uma capacidade de produção média de três mil litros de sorvete, de dez mil unidades de picolé, de 5,5 mil unidades de casquinha de massa e de três mil casquinhas de biscoito por hora.

»A fábrica, que produz diariamente cerca de 20 toneladas de gelo mineral, tem capacidade de envazar três mil copos de 300 ml, dez mil garrafas de 500 ml e 1.800 garrafões de 20 litros também por hora.

»O grupo potiguar dispõe hoje de quatro mil pontos de vendas em supermercados espalhados pelos estados do Rio Grande do Norte do Norte, Paraíba, Ceará e Pernambuco, e conta com uma rede de 27 lojas próprias e 40 veículos para distribuir a produção.



»Pedro Alcântara

»Segundo Pedro Alcântara, diretor da Três Corações, maior fábrica de café do país, só há dois caminhos para crescer: “trabalhar muito e atender bem o consumidor”. A ‘fórmula’ foi compartilhada com centenas de outros empresários e autoridades que participaram da 19ª edição do Seminário Motores do Desenvolvimento.

»“O consumidor é o nosso patrão. Todos os nossos esforços para atender o consumidor tem levado a empresa a crescer. Ao longo desses anos também aprendemos que dinheiro da companhia não é dinheiro da pessoa física que comanda a companhia, é dinheiro do negócio”.

»Quem trabalha e reinveste o dinheiro na empresa tem, de acordo com Pedro Alcântara, mais chances de obter sucesso, mesmo em meio a adversidades. “A escola é essa. Buscar oportunidade, competitividade. Acredito que o negócio não pode ficar preso ao seu estado, a sua região”, disse, sem se referir ao processo de expansão por qual passou a sua empresa desde que foi fundada.

»Perguntado sobe qual foi o pulo do gato da Três Corações para se tornar a marca de café mais lembrada do país, Pedro disse que sua empresa “é um gato que anda sempre pulando”. “Não existe um pulo só. Existe decisão. Decisões difíceis são tomadas todos os dias pela minha empresa”, afirmou.

»O empresário ressaltou que os empresários precisam fazer sua parte “sem olhar para o negócio dos outros”, mas também cobrou ações do governo federal. “Se eu tivesse a caneta da presidente Dilma Rousseff fazia a reforma tributária e trabalhista desse país”, disse ao ser interrogado. A alta carga tributária e a complexidade da legislação trabalhista, segundo ele, acabam reduzindo a competitividade de empresas potiguares, um dos temas abordados durante o seminário.

»Trajetória

»A Três Corações iniciou suas atividades em 1959, quando o fundador João Alves de Lima começou a vender café verde em São Miguel, dando início à Santa Clara. Em 1961, a empresa, que antes comercializava café, passou também a torrar e moer os grãos e lançou o café Nossa Senhora de Fátima.

»A expansão da empresa começou a ganhar força em 1989, com a inauguração da fábrica em Eusébio, no Ceará, e constituição da Santa Clara Indústria e Comércio de Alimentos Ltda. A década de 90 marca a inauguração da planta industrial de Mossoró, a incorporação da marca café Kimimo e a criação da plataforma de logística do grupo Santa Clara.

»No início dos anos 2000, a Santa Clara torna-se a marca de café nº 1 no Norte e Nordeste do Brasil, segundo pesquisa Nielsen, e em 2003, a companhia expande seus negócios para o Sudeste com a incorporação da marca Pimpinela e em 2004 automatiza todas as unidades industriais do grupo.

»Anos depois a marca 3 Corações é incorporada ao portifólio de produtos da companhia, a empresa adquire as marcas de refresco Frisco e Tomado, incorpora a marca Letícia, com forte atuação no norte de Minas e inaugura a nova fábrica de refrescos em Mossoró. A última aquisição informada no site oficial do grupo data de 2011, quando a companhia incorpora a marca de café Fino Grão, uma das maiores marcas de Minas Gerais.»



Tribuna do Norte







2013/12/19

«Rede social democratiza acesso à inovação acadêmica»


«Quem convive ou faz parte do mundo acadêmico sabe da dificuldade em conseguir emplacar um artigo em publicações científicas. Além do número limitado de periódicos, os pesquisadores ainda precisam se adequar aos seus cronogramas de publicação. Ainda há a barreira imposta pela seletividade, quando da análise dos trabalhos submetidos. E uma vez aceito, é comum que o pesquisador aguarde até um ano para, de fato, ver o seu artigo, ensaio ou estudo, enfim, publicado em um jornal ou revista acadêmica. Foi, justamente com a missão de “acelerar o mundo da pesquisa”, que a plataforma gratuita Academia.edu foi criada em 2008. Depois de cinco anos no ar, a rede social que permite a disponibilização aberta de papers já ultrapassou o número de 6 milhões de usuários registrados em todo o mundo, posição que a deixa à frente das concorrentes ResearchGate e Mendeley.

»Para conseguir tamanho alcance, inclusive entre pesquisadores brasileiros, a Academia.edu aposta em quatro eixos principais. O primeiro deles é a “distribuição instantânea”. Ou seja, depois da criação do perfil na plataforma, a submissão do trabalho pelo usuário pode ser feita no instante posterior, e logo em seguida, o trabalho já estará indexado no portal. Outro diferencial é permitir o acesso aberto para consulta a todos os arquivos presentes na plataforma. “Temos um sonho de democratizar a inovação na ciência e permitir que mais pessoas possam contribuir com seu pensamento”, informa o site da Academia.edu, que recebem mais de 7 mil papers a cada dia.

»Com a quantidade de usuários cadastrados e a possibilidade de publicar eletronicamente as pesquisas sem restrições, é fato que, potencialmente, a publicação pode vir a ser analisada por mais pesquisadores. Isso porque, com a facilidade dos mecanismos de busca presentes no portal, pesquisadores de câncer de mama, por exemplo, podem estar em contato direto com outros estudiosos da área que também fazem parte da comunidade do Academia.edu. Assim, seguindo a mesma lógica do Facebook, um pesquisador da Indonésia, pode se interessar por um paper de um brasileiro, e a partir daí, passar a segui-lo na rede. Na plataforma, também é possível baixar os documentos em “pdf”, trocar mensagens e fazer comentários.

»O quarto eixo principal, que talvez justifique tamanha popularidade do portal, tem a ver com métricas. Para estudantes de pós-graduações ou professores com menor experiência universitária, nem sempre é fácil saber o nível de impacto de seus trabalhos desenvolvidos durante e ao final dos seus cursos acadêmicos. É por isso, que a Academia.edu apostou na ferramenta Analytics. A partir dela, é possível ter acesso à quantidade de usuários que visualizou o perfil do pesquisador cadastrado no portal e a audiência dos papers. Além disso, ainda é possível saber a procedência do pesquisador e como o visitante chegou até o artigo científico cadastrado, ou seja, quais foram as palavras-chaves utilizadas em buscadores como o Google, ou quais foram os links externos que levaram o visitante até o artigo.

»“Se alguém ainda duvida que vivemos numa era global, as estatísticas produzidas pelo Academia.edu são mais uma prova que vivemos de forma global. Minha página criada na plataforma, por exemplo, já foi visualizada mais de 1.700 vezes. Ela tem atraído atenção de usuários da Tunísia, Grécia, Dinamarca, Polônia, Lituânia, Austrália, Paquistão, Coreia do Sul, Brasil, França, Alemanha, Tailândia e Turquia, além dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha”, afirma Christopher Phelps, professor de estudos norte-americanos na Universidade de Nottingham, na Inglaterra. A afirmação do pesquisador, entusiasta da plataforma, faz parte de um artigo publicado na The Chronicle of Higher Education no início do ano.

»Segundo o CEO da Academia.edu, Richard Price, em entrevista ao TechCrunch, o crescimento da plataforma tem relação direta com um movimento, também comandado por universidades e pesquisadores que buscam oferecer portais abertos para divulgação científica. Recentemente, por exemplo, o Cruesp (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas) lançou um repositório aberto da reprodução científica da USP (Universidade de São Paulo), Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e Unesp (Universidade Estadual Paulista).

»Esse movimento pró acesso aberto, contudo, veem enfrentando uma série de resistências, especialmente entre empresas como a Elsevier, que possui planos de acesso que cobra pela visualização completa de artigos científicos. Segundo Prince informou ao Chronicle, pesquisadores cadastrados na plataforma chegam a receber notificações da Elsevier solicitando a retirada de determinados artigos da plataforma, que anteriormente haviam sido indexados no site da empresa.»



Porvir, Davi Lira







2013/12/18

«Brasil fica na penúltima posição em ranking de competitividade entre 15 países, aponta CNI»


«Pesquisa encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que o Brasil ocupa a penúltima posição em um ranking de competitividade entre 15 países com características socioeconômicas semelhantes. O país está à frente apenas da Argentina. A posição brasileira é a mesma verificada no relatório divulgado em 2012. A variação de 13° para 14° se deve à inclusão da Turquia no levantamento.

»O país que lidera a lista continua sendo o Canadá. O estudo Competitividade Brasil 2013 adota como critério de competitividade oito fatores. Em cinco deles, o Brasil ocupou posições no terço inferior (entre o 11° e 15° lugar); e nos três restantes, ocupou o terço intermediário (entre o sexto e décimo lugar). Além do Brasil, o estudo avaliou África do Sul, Argentina, Austrália, Canadá, Chile, China, Espanha, Colômbia, Coreia do Sul, Índia, México, Polônia, Rússia e Turquia.

»A pior situação, segundo o estudo, é a que avalia o peso dos tributos. Neste quesito, o Brasil aparece como 14° colocado ? mesma posição que ocupa no item que avalia disponibilidade e custo de capital. Nos quesitos infraestrutura e logística e ambiente microeconômico, o Brasil está em 13°; no relativo a ambiente macroeconômico, em 10°; em educação, está em nono. Em tecnologia e inovação, ocupa o oitavo; e no relativo à disponibilidade e custo de mão de obra, o país ficou em sétimo.

»Na comparação com o estudo de 2012, o Brasil subiu posições em dois aspectos: disponibilidade e custo de capital, passando de último para penúltimo colocado; e ambiente macroeconômico, item no qual o país passou da última colocação para a décima.


»Fatores

»De acordo com o gerente executivo de Pesquisa da CNI, Renato da Fonseca, a melhora na disponibilidade de custo de capital se deve à queda da taxa básica de juros. “O problema é que [mais recentemente] essa taxa voltou a crescer”, disse. Já a melhora do ambiente macroeconômico se deve principalmente à desvalorização cambial.

»Por outro lado, perdeu posições em três aspectos avaliados: disponibilidade e custo de mão de obra, de quarto para sétimo; infraestrutura e logística, de 12° para 13°; e tecnologia e inovação, item no qual o Brasil perdeu uma posição para a Índia, passando de sétimo para oitavo no ranking. “É bom reiterar que algumas dessas posições foram perdidas devido à inclusão da Turquia na pesquisa referente a 2013”, disse Fonseca.

»Para o diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Carlos Eduardo Abijaodi, apesar das posições desfavoráveis, o cenário futuro deve apresentar melhoras devido aos investimentos que têm sido feitos em infraestrutura, especialmente as concessões no setor. A expectativa é de “ganhos de produtividade na área de infraestrutura”. Mas para isso, acrescenta, será necessário que tanto o atual governo como o próximo “joguem tudo” nessa área.

»“A conclusão dos marcos regulatórios é algo positivo. Na nossa percepção, apesar de todas as dificuldades no processo das concessões, alguma solução pragmática está ocorrendo ao longo do tempo. Isso está realmente se verificando. Nossas empresas veem melhorias, por exemplo, no escoamento de aeroportos [já concedidos]. Com isso, o transporte aéreo certamente será melhor avaliado [nos próximos estudos], bem como as rodovias. Já as ferrovias ainda estão sob discussão”, disse Abijaodi.»



El Economista







2013/12/17

«Sem investimento e inovação, combate à criminalidade cai»


«ONU considera Fica Vivo e unidades pacificadoras como bons exemplos de redução da violência; dados mostram queda nos assassinatos, mas episódios recentes de violência colocam modelo em xeque.


»Programas para reduzir os níveis de homicídio e criminalidade no Brasil – como o Fica Vivo, em Belo Horizonte, e as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), no Rio de Janeiro – foram citados como bons exemplos por um estudo recente do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). No entanto, as ações, que ganharam reconhecimento mundial, parecem não ser tão valorizadas pelos governos estaduais e apresentam problemas que abrem brechas para a insegurança.

»Os resultados do Fica Vivo – programa que foi criado em 2003 pelo Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública (Crisp) da Universidade Federal de Minas Gerais –, por exemplo, foram analisados pelo Pnud até 2007. O problema é que, a partir dessa data, os investimentos estaduais diminuíram, analisa um dos idealizadores do projeto, o sociólogo Luís Flávio Sapori.

»“Nos primeiros anos, o Fica Vivo mostrou seu potencial, mas depois de 2007, os homicídios cresceram muito. Infelizmente, o Fica Vivo não recebeu o devido valor por parte do governo estadual. Nos últimos seis anos ele realmente não se expandiu, não se aprimorou, se rotinizou e perdeu a vitalidade”, critica.

»Até 2005, o Estado tinha inaugurado 19 Centros de Prevenção à Criminalidade (CPCs). De 2010 a 2011 não houve nenhum centro. Hoje, são 41, sendo que em 31 funcionam os programas Fica Vivo e Mediação de Conflitos.

»Um dos motivos desse “abandono”, é a falta de verbas, conforme aponta o coordenador de prevenção à criminalidade da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social de Minas Gerais Talles Andrade de Souza. “Os anos de 2010 e 2011 foram difíceis. Tivemos algumas reduções orçamentárias e não conseguimos fazer algumas atividades. A partir de 2012, o programa refez seu marco lógico de atuação. Estamos atentos à própria dinâmica criminal, que mudou”, diz.

»Após esse hiato de quase quatro anos sem grandes resultados, Souza descreve que cinco Centros de Prevenção foram criados depois de 2012, totalizando 31 unidades. Outras cinco estão em processo de implantação. “Os aportes aumentam em cerca de R$ 1,6 milhão por ano, com investimentos totais, em média, de R$ 14 milhões. A redução da criminalidade chega a 40% e 60%”, pontua.

»No entanto, Souza reconhece que o programa precisa de ajustes. “A gente atua com a proteção social (com oficinas e articulação de rede) e isso precisa ser ampliado, além de termos que fazer o registro das principais demandas sobre o que a juventude está querendo”, afirma.

»Mudanças. As taxas de homicídios na capital mineira estão em torno de 30 a cada 100 mil habitantes, quando o ideal seria que essa taxa estivesse abaixo de dez por 100 mil habitantes, informa Sapori. “O Fica Vivo é um programa com um potencial enorme de retirar os jovens do tráfico de drogas, mas é algo que ainda é pouco explorado. Essa poderia ser a linha de inovação nos próximos anos”, sugere.


»Atividades

»Olimpíadas. Uma das ações de integração entre os jovens das comunidades assistidas pelo Fica Vivo são as esportivas. Uma competição anual, que teve sua oitava edição em 2013, é realizada.


»Dados

»Crescimento. Números da Seds apontam crescimento da criminalidade violenta em Minas. No ano passado, foram registradas mais de 71 mil ocorrências deste tipo, enquanto em 2011, foram cerca de 66 mil. Segundo a secretaria, a cada cem mil habitantes mineiros, o Índice de Crimes Violentos aumentou 7,8%, se comparado a 2012 e 2011.

»Tipo. As estatísticas envolvem homicídio tentado e consumado, estupro tentado e consumado, roubo, extorsão mediante sequestro e sequestro e cárcere privado.

»Descrição. O balanço mostra separadamente os índices de homicídios consumados e de crimes violentos contra o patrimônio, que tiveram, entre 2011 e 2012, aumento de 0,8% e 9,3%, respectivamente.

»O modelo de enfrentamento à violência adotado pelo Rio de Janeiro desde 2008 – as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) – também foi citado como bom exemplo pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Após cinco anos de implantação das unidades nas favelas cariocas, já é possível fazer um balanço do que deu certo e o que ainda é preciso melhorar.

»Inspirado em uma experiência bem-sucedida na área de Segurança Pública em Medelín, na Colômbia, a primeira UPP no Rio foi instalada no morro Santa Marta, na zona Sul da capital fluminense. Desde então, 36 UPPs foram implantadas no Rio, beneficiando diretamente 540,5 mil pessoas. Até 2014 a previsão é que sejam mais de 40 unidades. Em junho de 2013, a Polícia Pacificadora contava com um efetivo de 9.072 policiais, e deve chegar a 12,5 mil até o próximo ano.

»Um levantamento feito pelo jornal O Globo com estatísticas do Instituto de Segurança Pública (ISP), em 18 unidades pacificadores (que abrangem 29 comunidades), mostra que o total de assassinatos é de 8,7 a cada 100 mil habitantes. O número representa menos da metade da taxa média de assassinatos do país, que é de 24,3. Para se ter uma ideia, a taxa de assassinatos na capital norte-americana, Washington, é de 19 mortes a cada 100 mil habitantes.

»Outro lado. Porém, após a queda dos índices de criminalidade e o aumento da sensação de segurança nas comunidades pacificadas, recentemente, as mesmas regiões foram protagonistas de episódios que mostram a fragilidade do modelo, e alguns já questionam se as UPPs “estariam em crise”.

»Apenas neste ano, moradores relataram que, à noite, os tiros de fuzis voltaram a ser algo comum no morro do Chapéu Mangueira. Armamentos pesados também foram encontrados na Vila Cruzeiro e no Pavão-Pavãozinho. Ataques significariam uma tentativa de retomada do território pelos traficantes.

»O professor da Fundação Getúlio Vargas e idealizador do site Entenda a Favela, Daniel Plá, lembra que o secretário de Estado de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, já declarou que o objetivo das UPPs não era acabar com o tráfico.

»“Existe é uma grande preocupação dos moradores dessas favelas pacificadas em relação à continuidade depois das Olimpíadas. Outro desafio é a implantação em territórios maiores, junto com ações concretas de governo, como mais creches, melhor saneamento, saúde, educação e acesso. Juntos, reduziriam significativamente a criminalidade”, diz Plá.

»O professor de sociologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Michel Misse reconhece que o programa tem problemas que devem ser corrigidos. “Um dos principais problemas é de alguns policiais que insistem em fazer o que uma polícia moderna não faz: corrupção e tortura. O caso do Amarildo (ajudante de pedreiro cujo corpo desapareceu em julho, na Rocinha) é um exemplo disso, e são coisas que têm de ser superadas”. (Com agências)

»“O caso do Amarildo aconteceu num momento em que o governo do Rio estava vulnerável pelas manifestações, mas serviu para que não se tenha outros Amarildos”.»



O Tempo, Litza Mattos







Coleção de postagens sobre inovação de 10 a 13 de dezembro


Christine Lagat and Chrispinus Omar, «Kenya aims to become hub for green technologies»


Diogo Martins, «IBGE: falta de qualificação prejudica a inovação da indústria»


Em Tempo Real, «Novas tecnologias e transformação cultural dão novo valor à informação»


Estado de Minas, «Tecnologia é arma contra evasão, dizem especialistas»


Florian Dèbes, «Navi Radjou: “l'innovateur jugaad fait mieux avec moins”»


Gilles van Kote, «En Afrique, quand développement durable rime avec innovation»


Jorge Palao Castañeda, «Emprendimientos innovadores»


Los Tiempos, «América Latina necesita más innovadores. El Banco Mundial dice que hay muchos emprendedores, pero pocos contratan personal»


Mark Harrington, «Driving Innovation with Social Insights»


Milenio, Jóvenes emprendedores, principal fuente de generación de empleos. El Delegado Federal de Economía en el Estado de Puebla, Juan Pablo Jiménez Concha dictó ponencia en la UDLAP: “Para combatir la pobreza tenemos que crear riqueza y no podemos combatir la pobreza siendo un gobierno paternalista”»


Patrícia Basilio, «“O problema das startups não é falta de dinheiro” diz presidente do BNDES. Para Luciano Coutinho, dificuldade está na comunicação; banco investiu R$ 700 milhões em fundos de capital somente neste ano»


Paula Mourato, «Cooperativa de Olivicultores de Murça: Tratamento inovador de resíduos lançado nos lagares»


Porto Canal, «Plano estratégico do calçado quer fazer de Portugal “referência mundial” do sector até 2020»


RCM Pharma, «ENSP apresenta conclusões do “Think Tank” para pensar a saúde e a inovação em Portugal»


Tony Naylor, «Breakfast: too early for culinary innovation?»


tvi24, «Pires de Lima inicia roadshow nos EUA. Ministro em nova missão de captação de investimento com reuniões em Nova Iorque, São Francisco e Washington»


UCN al Día, «Innovadores productos alimentarios presentaron estudiantes de UCN. Jóvenes de Nutrición y Dietética elaboraron en Coquimbo alimentos saludables que dieron a conocer en feria estudiantil»


Valerie Strauss, «Education innovation: A case study in what not to do»


Wassila Benhamed, «Salon national de l’innovation : Une clé pour la compétitivité»


Xavier Biseul, «LeWeb imagine les dix prochaines années du numérique»







2013/12/13

«“O problema das startups não é falta de dinheiro” diz presidente do BNDES. Para Luciano Coutinho, dificuldade está na comunicação; banco investiu R$ 700 milhões em fundos de capital somente neste ano»


«Apesar do crescimento no número de startups no Brasil — hoje há cerca de 10 mil —, não faltam investimentos para pequenas empresas. É o que afirma Luciano Coutinho, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

»Coutinho participou nesta segunda-feira (9) do seminário “Investimentos em tecnologia, inovação e economia criativa: construindo startups de classe mundial”, evento realizado pelo banco de fomento em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em São Paulo.

»“O problema das startups não é falta de dinheiro. O investimento só precisa ser bem alocado. Há muito potencial, mas a dificuldade está na comunicação e ligação entre os empreendedores”, destaca Coutinho.

»Neste ano, o BNDES já investiu R$ 700 milhões em fundos de capital semente — para jovens empresas. Francisco Jardim, fundador do SP Ventures, concorda com Coutinho e acrescenta que também há carência de gestores preparados para “colocar esse dinheiro para trabalhar”— segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 49% das empresas fecham as portas por problemas financeiros de gestão.

»Na avaliação de Jardim, no entanto, o cenário econômico nunca foi tão propício para as startups. “Os desafios são vencer a escassez de mão de obra qualificada e a concorrência globalizada. Hoje, você lança um produto e rapidamente um concorrente aparece não só no Brasil, como no exterior”, considera o executivo.

»“Ser empreendedor é colocar a mão na massa. É abdicar de coisas básicas para economizar, como deixar de jantar em um restaurante japonés. Não efetuar atividades básicas do dia a dia empresarial, como fazer café e atender uma ligação, é a maior distância entre o empreendedor e o seu sucesso”, segundo Maria Angélica Garcia, diretora da Aceleratech.

»“Muitos gestores de startups acham que vão ter dinheiro rápido e sair em revistas. Ser empreendedor é colocar a mão na massa. É abdicar de coisas básicas para economizar, como deixar de jantar em um restaurante japonês”, detalha.


»Parceria com concorrentes

»A startup Wiki4fit, de aplicativos para academias, soube aproveitar bem a acirrada concorrência do mercado. No lugar de disputar com as empresas, Fabiana Rocha decidiu fazer exatamente o contrário: firmar parcerias.

»“Somos pequenos e precisamos fechar acordos para crescer e aprimorar nossos serviços”, defende Fabiana, que vislumbra levar seu aplicativo para o exterior. Segundo Fabiana, que é professora de educação física, a oportunidade de negócio veio a partir da sua própria necessidade. “Não vi nada no mercado que fazia com que a academia fosse um ambiente mais agradável para os alunos”, explica.

»Criada este ano, a Wiki4fit deve fechar 2014 com faturamento de R$ 2 milhões.»



IG, Patrícia Basilio







2013/12/12

«Tecnologia é arma contra evasão, dizem especialistas»


«A tecnologia é uma arma poderosa contra a evasão escolar, defenderam nesta segunda-feira, 9, especialistas no uso da inovação para a melhoria da qualidade da educação que participaram de encontro, no Rio, promovido pela organização Clinton Global Initiative (CGI) Latin America, capitaneada pelo ex-presidente norte-americano Bill Clinton.

»O evento, que termina nesta terça-feira, 10, discute temas como revitalização econômica das cidades, desenvolvimento sustentável e empreendedorismo feminino, com foco na América Latina. Nesta segunda-feira, no debate dedicado à utilização da tecnologia no sistema educacional, um dos fundadores do sistema Enova, voltado à inclusão digital e ensino on-line em áreas pobres do México, por meio da abertura de centros educacionais, Jorge Camil Starr, ressaltou que só com a análise sistemática de dados sobre os alunos e professores é possível traçar estratégias para manter as crianças na escola.

»“O que não se mede não se pode melhorar. Um exemplo: percebemos que em uma escola de um município muito pobre do México os resultados no turno da manhã estavam muito ruins. Fomos observar e vimos que os alunos não tomavam nada no café, por isso não rendiam”, explicou Starr. No México, de cada 100 alunos que entram no ensino básico, 75 chegam ao ensino médio, sem que necessariamente concluam esse ciclo.

»Michel Brechner, presidente do Plan Ceibal, projeto uruguaio que segue o modelo “um laptop por criança” para melhorar o desempenho, lembrou que o uso permanente dos computadores permite que os pais se envolvam mais no que acontece em sala de aula, o que é fundamental para a permanência das crianças na escola. A aplicação de programas de computador para detectar faltas de alunos e de professores às aulas é outra iniciativa que tem se provado eficaz.

»“A evasão é um problema com três pilares: o governo, os professores e os pais. Os alunos saem da escola porque ninguém quer saber deles. A tecnologia é uma ferramenta fundamental para se customizar a educação de acordo com as particulares de cada aluno. Temos que acompanhá-los, entender quais são suas dificuldades. Os governos precisam assumir os risco da implementação dos programas”.

»A taxa de evasão no Uruguai no ensino médio gira entre 30% e 40%. Segundo Brechner, o custo do projeto é de US$ 100 por ano por criança, incluindo aí a internet. Atualmente, 626 mil alunos de escolas públicas têm seus laptops. Ambos destacaram que a importância do professor não pode ser diminuída, e que a tecnologia tem que estar a seu serviço. “Nenhum país do mundo resolveu o problema da pedagogia do século 21”, alertou Brechner.

»“Não adianta querer que o professor se amolde à tecnologia, tem que ser o contrário: precisamos facilitar a vida do professor, e não pedir que ele passe duas horas em casa pesquisando no computador o que vai ensinar no dia seguinte.”»



Estado de Minas







2013/12/11

«IBGE: falta de qualificação prejudica a inovação da indústria»


«A falta de mão de obra qualificada é um dos maiores obstáculos à inovação da indústria, apontou a Pesquisa de Inovação Tecnológica (Pintec), divulgada nesta quinta-feira, 5, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pela primeira vez, em quatro edições, o estudo identificou uma dificuldade que não é de natureza estritamente econômica, entre as mais importantes indicadas pelas empresas inovadoras do setor industrial.

»De acordo com a pesquisa, 72,5% das indústrias atribuíram importância alta ou média à falta de pessoal qualificado. O problema só não é maior que os custos elevados, considerados por 81,7% do setor como um obstáculo de importância alta ou média. O terceiro posto foi assumido pelos riscos (71,3%), seguido pela escassez de fontes de financiamento (63,1%).

»“A falta de pessoal qualificado avançou posições no ranking de gargalos à inovação. Tomando a indústria como exemplo, revelou-se que este problema foi o sexto mais relevante no período 2003-2005, passando a ocupar a terceira posição no período 2006-2008. Esta tendência foi reforçada na Pintec 2011, dado que esta edição marca, pela primeira vez, a identificação de uma dificuldade de natureza não estritamente econômica entre as duas mais importantes indicadas pelas empresas inovadoras do setor de indústria”, afirmam os especialistas do IBGE no estudo.


»Mais pesquisas

»A pesquisa também mostrou que, em relação aos investimentos totais com inovação, houve aumento dos gastos com pesquisa e desenvolvimento (P&D) interno na indústria, ou seja, pesquisa desenvolvida pela própria empresa. Esses gastos passaram de 24,49% (R$ 10,7 bilhões) dos investimentos totais com inovação em 2008 para 29,78% (R$ 15,2 bilhões) em 2011.

»A relação entre os dispêndios em P&D interno e a receita líquida nas empresas industriais também aumentou, passando de 0,62% em 2008 para 0,71% em 2011.»



Valor, Diogo Martins