2013/06/27

Inovativa Brasil: «A grande lição dos erros para a cultura de inovação»





«Pensar no erro como um caminho para a inovação pode ser difícil, mas traz bons resultados. A maior lição é perceber o erro como um diálogo com o conhecimento.

»Antes de tudo, errar te dá abertura ao processo de questionamentos: "Aonde o erro me trouxe e aonde estou indo com ele?", capaz de dar visão ao estado atual de sua empresa e a perspectiva necessária para o futuro.

»Por isso, o erro pode ser um excelente caminho para inovar. Quer ver como?

»Coisas que usamos no dia dia (e que muitas vezes não percebemos o grau de sua importância) surgiram de algo considerado um grande erro. O adoçante, o teflon e até mesmo o micro-ondas, são exemplos de ideias que ficaram na gaveta até que fossem encontradas utilidades para elas.

»No processo de inovação, a questão-chave é encontrar mais de uma função para os equívocos: não só como ferramenta de aprendizagem, como também modelo para propor novos negócios. Para isso, o empreendedor deve estar sempre em estado de aprendizagem, dando atenção ao processo, aos erros e ao que eles trazem de positivo e novo para a empresa

»O erro dialoga a favor do aprendizado (essencial para inovar), para escutar estas lições é preciso ouvidos aguçados.Tudo se transforma. Até mesmo um pequeno errinho. Ele se torna conhecimento e é daí que que vem as soluções, não necessariamente ligadas ao seu objetivo inicial (lembra dos exemplos do adoçante, teflon, micro-ondas?!).

»Para chegar nesse resultado, é preciso incorporar a mentalidade de que grandes ideias não nascem de um processo de reprodução, e sim por meio de um modelo de construção de conhecimento e aprendizagem contínuo. Ou seja, esqueça a tal da “estabilidade”.

»O erro é gerador de conhecimento e ele pode ser a base para o empreendedor consolidar uma cultura forte de inovação nos seus negócios.»


Blog do programa Inovativa Brasil.








2013/06/20

Maria Isabel Hammes: «Saiba as características de um empreendedor de sucesso»


«Pesquisa realizada pela Endeavor mostra que o número de empreendedores no Brasil cresceu 44% nos últimos 10 anos. O estudo revela ainda que 28% dos brasileiros já são empreendedores e que 33% tem vontade de ser. Outro ponto relevante é que pudessem escolher, três de cada quatro brasileiros prefeririam ter um negócio próprio a ser um empregado ou funcionário de terceiros. Esta é a taxa mais alta no mundo, comparada aos outros países.

»Ponto importante para o crescimento na vontade de ser empreendedor também está nas facilidades que o governo brasileiro vem oferecendo, como é o caso do Micro Empreendedor Individual (MEI), que possibilita que milhares de micros empreendedores saíssem da marginalidade e com a criação da Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (Eireli) que permite que uma pessoa física seja titular de todo o capital de uma empresa, devidamente integralizado — acrescenta.

»Confira algumas dicas para quem deseja se desenvolver neste ramo:

»Iniciativa e pró-atividade. Em qualquer empresa, ter iniciativa e pró-atividade dará destaque, mostra que se é engajado e quer crescer. O empreendedor, por sua vez, não se preocupará apenas com os demais funcionários, mas com todos os concorrentes que existem no setor de atuação, portanto, agir é imprescindível para fazer os resultados aparecerem;

»Autoconfiança. O profissional que quer ter seu empreendimento precisa confiar em si mesmo para tomar decisões, arriscar e buscar novas formas de solucionar um problema que envolve vários setores.

»Análise e Planejamento. É importante analisar os concorrentes, a economia, os setores externos que há ligação com a sua empresa, para saber os riscos e as estratégias mais eficazes. Dessa forma é possível antecipar ações e não apenas apagar incêndios.

»Conexões e Criatividade. O empreendedor deve estar atento às inovações e mudanças do mundo, e saber aplicar essas inovações ao cotidiano da empresa e ao seu campo de atuação podem levar a um retorno imediato.

»Controle. O empreendedor não pode esquecer que ele está no comando, e que é possível e aceitável delegar as funções, mas não é adequado entregar todo o processo nas mãos da equipe, por mais competente e confiável que ela seja. Portanto esteja na frente, crie métodos que possibilite a visibilidade de todos os projetos em andamento, com o bom e velho relatório.

»Liderança. Ser líder não é a tarefa mais fácil de todas, porém é importantíssimo que o empreendedor saiba liderar com eficácia, planejar, dividir as funções, reunir e organizar as ações, entre outras atividades que o líder precisa ter para que a equipe esteja, sobretudo, motivada e segura por trabalhar com você.

»Persistência e Otimismo. Em várias fases a empresa poderá passar por dificuldades, falta de clientes, crise externa e interna, mas o que fará com que o barco não afunde é o otimismo e a persistência atrelada com o jogo de cintura para driblar os problemas. Nesta hora é preciso ter em mente o seu potencial e suas habilidades e a partir daí iniciar o plano de ação e conquistar seus objetivos.

»Aprendizagem Contínua. O bom profissional, sendo ele empreendedor ou não, busca se capacitar, portanto se não possuir algumas das características citadas, aprenda e se especialize para então desenvolvê-las e aprimorá-las com o conhecimento adquirido.»


Blog da Bela em Zero Hora




2013/06/13

Antônio Márcio Buainain: «Inovar para não morrer?»


«“Inovar para competir” foi o tema do Fórum Estadão Investimentos, que no dia 4 reuniu lideranças empresariais e políticas para refletir sobre o assunto. Os participantes concordam que a inovação é essencial para o desenvolvimento em geral e para assegurar a competitividade das empresas brasileiras. O presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Glauco Arbix, resumiu o desafio ao alertar que sem inovação e tecnologia não é possível elevar a produtividade, estagnada desde os anos 80. Os participantes ainda reconhecem notável progresso nas políticas públicas, mas apontam que os mecanismos de apoio à inovação não têm sido eficazes: “As empresas que se beneficiam da Lei do Bem não chegam a mil”, afirma Pedro Wongtschowski, do Grupo Ultra, referindo-se aos incentivos fiscais.

»Apesar dos avanços da política pública e de inúmeros exemplos de empresas brasileiras que cresceram e conquistaram mercados pois ousaram inovar, a inovação não alcançou o ritmo nem a amplitude necessários para modificar a estrutura produtiva rumo ao uso intensivo de conhecimento, cada vez mais necessário, até mesmo nas atividades intensivas em recursos naturais. A revista Pesquisa Fapesp deste mês apresenta dados sobre a evolução do dispêndio feito pelas empresas em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) de 2000 a 2012, como a porcentagem do PIB regional, que confirmam que a inovação não decolou e que as políticas de inovação e industrial têm sido ineficazes para elevar o gasto em P&D, base da inovação tecnológica. Para o Brasil, como um todo, o porcentual de gastos privados caiu de 0,5% para 0,45% do PIB de 2000 a 2012. Para o País, sem São Paulo, o porcentual caiu de 0,34% para 0,22% do PIB, e para São Paulo passou de 0,78% do PIB estadual para 0,92%, com um pico de 0,99% em 2010. Os números estimados pela pesquisa da Fapesp mostram que há muito mais mistério entre as políticas de incentivo do governo e a capacidade da indústria de fazer P&D do que temos sido capazes de explicar.

»É inevitável pensar na importância do macroambiente em que as empresas competem, formulam e executam suas estratégias de sobrevivência e crescimento. Pedro Passos, da Natura, pôs o dedo próximo a uma das feridas ao ser “um pouco provocativo” e dizer que “a inovação no País é baixa porque a competição é pequena”. Poucas empresas, em torno de 2 mil, inovam regularmente pois não sobreviveriam sem inovar e são mais impelidas pela concorrência que pelos incentivos públicos. Mas, ainda que todos concordemos com a importância estratégica da inovação para o futuro do País, é preciso perguntar se, no contexto da economia brasileira, a inovação é mesmo tão vital para a maioria das empresa e, se é, por que não inovam. O fato é que a maioria não tem condições materiais e financeiras, e talvez o investimento em inovação não resolva os problemas que enfrentam para sobreviver hoje nem assegure a competitividade, fortemente comprometida pelos altos custos sistêmicos, pelo câmbio sobrevalorizado e a própria instabilidade do quadro econômico geral, que ora empurra para maior internacionalização, ora indica vantagens para substituição de importações. Assim, para a maioria, a melhor postura seria mesmo a defensiva, ajustar na margem, buscar novos benefícios pontuais para compensar os altos custos, pressionar por mais proteção contra as importações e negociar novos pacotes de incentivo e apoio, mesmo quando o conjunto do empresariado sabe que este caminho é paliativo e que o bom mesmo seria inovar, conquistar novos mercados e ser competitivo por eficiência e qualidade.

»Um amigo ilustrou a situação da inovação no Brasil com a figura de um barco com um enorme rombo na proa, que não afunda porque os passageiros drenam parte da água usando canecas de café. A política de inovação está distribuindo xícaras de café sem consertar o rombo. Isso é vital para o barco não afundar, mas não vai mudar de forma substantiva o quadro atual. Para isso, a inovação precisa compensar!»






2013/06/05

Alain Herscovici: «Economia de redes, externalidades e estruturas de mercado: o conceito de concorrência qualitativa». Revista Brasileira de Inovação, vol. 12, n.º 1, janeiro-junho de 2013


«O objetivo deste trabalho consiste em realizar, a partir do modelo de Rohfls, uma análise micro e mesoeconômica das redes eletrônicas e da internet. Em função da complexificação dos Sistemas de Informação e Comunicação (SIC), acrescentarei as variáveis que correspondem a essas evoluções, e analisarei as novas formas concorrenciais que caracterizam esses mercados. A este respeito, proporei uma tipologia dos diferentes mercados, e mostrarei porque os mercados nos quais se exerce uma concorrência qualitativa são os mais concorrenciais.

»Em uma primeira parte, apresentarei o modelo de Rohlfs (1974), mostrarei em que medida a complexificação do SIC se traduz por novas modalidades de concorrência, e ressaltarei os limites explicativos deste modelo diante dessas evoluções. Numa segunda parte, acrescentarei uma série de variáveis ao modelo original de Rohlfs, e construirei assim uma tipologia das diferentes formas de concorrência e das estruturas de mercado.»



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Web do artigo na web da Revista Brasileira de Inovação



Palavras-chave: Economia de Redes; Externalidades; Concorrência



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