2013/11/27

«Inovação e a mediocridade da média»


«Quando a empresa não tem tolerância ao risco é tomada uma série de medidas para detê-lo. Logo, o que vem a seguir é o incremento de custo, tanto quanto seja necessário para conter o risco.


»Ainda que a inovação seja um dos motores do crescimento de uma empresa, os vários questionamentos que ela proporciona demonstram que este é um processo complexo e cheio de incertezas. E é por esta razão que as empresas devem, além de promover um clima propício à inovação, aprender a gerir melhor este processo.

»Estas constatações me levam diretamente a questão: em que medida a inovação constitui um fator chave de sucesso, mas ao mesmo tempo promove um clima de incertezas dentro das organizações? Quando a empresa não tem tolerância ao risco é tomada uma série de medidas para detê-lo. Logo, o que vem a seguir é o incremento de custo, tanto quanto seja necessário para conter o risco. E assim, a incerteza da rentabilidade passa a ser real, certa e reduzida.

»Encontrar o ponto de equilíbrio não é tarefa fácil e esta dificuldade envolve a todos com funções executivas, desde o Depto Financeiro, passando pelos Deptos de Marketing e Vendas até o CEO.

»A tendência natural é procurar uma solução média, o que com frequência leva a resultados medíocres. Tudo leva a crer que a solução mais apropriada passa por definir os contornos das incertezas:

»• Aquelas ligadas às dificuldades de realização;

»• Da estrutura concorrencial e dos mecanismos de proteção;

»• De qual será o ritmo de propagação das inovações;

»• Da estrutura de financiamento.

»Cumprida esta tarefa, resta a cada um que queira ser reconhecido como um líder mobilizar os cérebros e corações que tornarão possível mobilizar um conjunto de instrumentos suficientes para mitigar os efeitos nocivos delas.»


Administradores, Valmir Mondejar








2013/11/21

«Inovação brasileira, impacto global»


«“Se quiser ir rápido, caminhe só. Mas se quiser ir longe, caminhe junto.” O provérbio africano descreve bem a colaboração entre o Ministério da Saúde do Brasil e a Fundação Bill & Melinda Gates, que acabam de celebrar duas importantes parcerias científicas capazes de colocar o espírito brasileiro de inovação a serviço da saúde global.

»A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e a Fundação Gates firmaram o primeiro acordo para desenvolver uma vacina de alta qualidade e de baixo custo para prevenir sarampo e rubéola em alguns dos países mais pobres do mundo.

»A iniciativa se baseia no sucesso do programa nacional de imunização e estabelece um marco. É a primeira vez que uma vacina brasileira é desenvolvida com foco específico nos mercados globais.

»As parcerias que vêm se consolidando entre a Fundação Gates e o Ministério da Saúde são fruto das inovações introduzidas ao longo da história pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O Brasil foi um dos primeiros países a tornar o acesso à saúde um direito constitucional e a garantir ampla cobertura vacinal a toda a sua população infantil e tratamento de HIV/Aids a todos os cidadãos portadores do vírus.

»Como atende mais de 145 milhões de pessoas, o sistema de saúde brasileiro é uma sólida plataforma para a introdução de inovações em escala que sejam transformadoras para os brasileiros e que possam ser replicadas em outros países.

»O Brasil e a Fundação Gates compartilham o objetivo de buscar soluções inovadoras e economicamente acessíveis que tenham um impacto duradouro. A ideia é que elas possam ser introduzidas em larga escala tanto no Brasil quanto em outros países onde os altos custos das tecnologias representam um obstáculo à sustentabilidade dos serviços de saúde.

»A entrada da nova vacina brasileira contra sarampo e rubéola no mercado, por exemplo, ampliará a oferta de um produto capaz de evitar cerca de 158 mil mortes por ano, a maioria de crianças com menos de cinco anos de idade.

»Com o programa de financiamento de pesquisas “Grand Challenges” (Grandes Desafios), da Fundação Gates, os objetivos são mais ambiciosos e o potencial para salvar vidas, ainda maior.

»Os projetos atualmente financiados nas áreas de saúde, agricultura e desenvolvimento abordam uma grande variedade de temas --de soluções para transformar fossas sépticas em solo fértil a tecnologias naturais para controlar a dengue.

»Formada por tijolos que se decompõem naturalmente no ambiente, a fossa do futuro, desenvolvida por um cientista brasileiro, é capaz de transformar solo contaminado em terra fertilizada para agricultura. Uma solução engenhosa que ataca ao mesmo tempo dois urgentes desafios para o desenvolvimento: melhoria do saneamento e promoção da agricultura familiar. Se bem-sucedido, esse tipo de fossa poderá ser utilizado em áreas rurais do Brasil e em países em desenvolvimento.

»Outra empreitada, dessa vez para controlar a dengue, está sendo desenvolvida por cientistas brasileiros e de quatro outros países. A ideia é introduzir nos mosquitos “aedes aegypti” uma bactéria facilmente encontrada no ambiente capaz de bloquear a transmissão da doença, impedindo centenas de milhares de infecções no Brasil e em regiões do planeta onde ela representa um grave problema de saúde.

»O potencial de impacto desses projetos é o motor da nossa parceria. Somando nossas ideias e recursos, é possível acelerar novas pesquisas. A inovação pode ser uma alavanca importante para nos levar, juntos, mais longe.»


Folha de S. Paulo, Carlos Gadelha e Trevor Mundel







2013/11/13

«1º Fórum de Desenvolvimento Econômico e Inovação de Atibaia»


«O crescimento da área de desenvolvimento econômico de Atibaia vem exigindo, cada vez mais, bom planejamento do Poder Público e uma relação mais próxima da Administração Municipal com os profissionais envolvidos nos setores produtivos, empreendedores e especialistas da indústria, comércio e serviços. Com o objetivo de definir diretrizes para o setor e alavancar o desenvolvimento local, a Prefeitura realiza no próximo dia 26 o 1º Fórum de Desenvolvimento Econômico e Inovação de Atibaia. O evento acontece no Hotel Tauá, a partir das 8h30, e contará com palestras e apresentação de painéis temáticos, assim como reuniões para coleta de propostas. “É um evento inédito, com o objetivo de implementar ações que garantam o desenvolvimento sustentável de Atibaia”, afirmou o prefeito Saulo Pedroso. Para o secretário de Desenvolvimento Econômico, Lívio Giosa, “o evento vai ajudar a entender as novas questões que envolvem tecnologia e inovação”. “O Poder Executivo deve ser o principal indutor de promoção do desenvolvimento econômico.

»A realização do Fórum faz parte do ‘Programa Desenvolve Atibaia’, lançado pela Prefeitura para transformar Atibaia em município sustentável”, ressaltou. No evento haverá palestras de personalidades e importantes especialistas da área. Entre eles estão ministro, secretário de Estado e o vice-presidente do BNDES, além do Prof. Paulo Rabello de Castro, um dos maiores economistas do país. “A ideia é estabelecer metas e criar canais que permitam o relacionamento proativo entre o poder público e as organizações empreendedoras e sociais”, afirmou o secretário.

»A programação, com o nome dos palestrantes, será divulgada em breve. De acordo com Lívio Giosa, durante o evento será lançado o Conselho de Desenvolvimento Econômico de Atibaia, com objetivo de unir os empreendedores, que poderão compartilhar conhecimentos e traçar ações para o setor.

»“Também iremos lançar a ‘Carta Anual do Desenvolvimento Econômico da Estância de Atibaia’, que irá conter propostas e sugestões a serem discutidas nos próximos anos para engajar os setores produtivos e envolver os principais proponentes ativos que compõem o mix econômico do nosso município”, completou.»


Jornal Da Cidade Atibaia, Prefeitura da Estância de Atibaia







2013/11/06

«Propriedade intelectual e inovação»


«A propriedade intelectual (PI) já representa a maior fonte de riqueza das sociedades contemporâneas. O valor estratosférico da maioria das empresas mais valiosas do mundo se deve à PI, e não à propriedade de ativos físicos, como no passado. A economia do futuro, mais verde, depende de inovações para as quais a PI também é crucial, porque sem definição clara dos direitos de propriedade seria difícil mobilizar os investimentos que já transformaram a ficção científica em realidade. Por tudo isso, a PI é estratégica e os debates em torno do tema são tão intensos quanto distorcidos pelos preconceitos ideológicos, a favor e contra.

»No Brasil, continuam os debates que marcaram a aprovação da legislação de PI, nos anos 90. A controvérsia sobre royalties pelo uso de sementes continua e a nova Lei de Direitos Autorais (n.º 12.853) foi aprovada em meio a forte cisão da classe artística. Dois fatos neste mês indicam que o tema voltou à pauta política do País: a mudança na presidência do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) e o lançamento do documento A revisão da lei de patentes: inovação em prol da competitividade nacional, coordenado pelo deputado Newton Lima.

»As questões de fundo são: a inovação precisa ou prescinde da PI? Que ambiente é mais favorável à inovação, aquele marcado por mecanismos fortes e claros de proteção da PI, em que os agentes se sentem seguros e estimulados a investir, ou aquele com regras de PI mais flexíveis, que facilita cópias e permite o questionamento da PI por ministros de Estado ou agências reguladoras setoriais, com base em exceções incluídas na lei? Está em jogo a indústria do País e pergunta-se: a melhor proteção é o ambiente que resguarda os ganhos de quem investe em inovação ou de quem investe em se apropriar de inovações de terceiros? Os dois caminhos são possíveis e válidos, até porque poucos países têm condições e potencial para criar uma economia inovadora. Penso que o Brasil tem condições e deveria investir na construção do ambiente que é reconhecido pelos países bem-sucedidos como o mais adequado para promover o desenvolvimento e a inovação.

»Em 2001 visitei o Escritório de Patentes e Marcas da China e encontrei milhares de engenheiros buscando, na base de patentes da Organização Mundial de Propriedade Intelectual, informação útil para a apropriação de tecnologias disponíveis. Os chineses aprendiam a usar o sistema a seu favor. Em 2011 voltei à China e um acadêmico resumiu a política de propriedade intelectual do país: "Desistimos de brigar contra as patentes dos outros e resolvemos ter as nossas. Cansamos de brigar contra o sistema, e resolvemos usá-lo em benefício do nosso desenvolvimento. Só é possível fazer isso sem xenofobia e respeitando integralmente a PI alheia". E a China que vi já não era a da cópia malfeita, mas um país que se preparava para assumir a liderança mundial também em inovação.

»O Brasil ainda titubeia em que caminho tomar, mas tem sinalizado para a construção de um bom ambiente pró inovação, com respeito à PI, estímulo à atração de centros internacionais de P&D das grandes corporações e diálogo sobre PI com os empresários, no âmbito da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI). Recentemente, o Inpi passou por notável revitalização: revisão dos procedimentos de exame de marcas e patentes, redução do passivo de pedidos acumulados e do tempo médio de emissão de registro; ganhou respeitabilidade internacional e participou de controvérsias relevantes associadas à proteção de produtos farmacêuticos, que foram conduzidas com equilíbrio, sem ideologização e prejuízo para o País. No contexto de internacionalização crescente e do aumento notável da atividade inovadora da empresa brasileira, resta torcer para que as mudanças anunciadas venham para reforçar a agenda de desenvolvimento por meio da inovação, e não para promover a agenda bolivariana, que questiona a PI e considera o sistema como obstáculo para a indústria local.»


Estadão, Antônio Márcio Buainain