2015/06/30

«Unesco e EBC reúnem pesquisadores de comunicação pública em Brasília»



O Tempo



«Segundo a ouvidora da EBC e diretora do projeto de criação do centro, Joseti Marques, a ideia inicial era de uma escola de comunicação pública, que evoluiu.

»A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no Brasil iniciaram nesta terça-feira (16), em Brasília, na sede da empresa, uma série de encontros de pesquisadores em comunicação pública, envolvendo empresas de radiodifusão nacionais e internacionais e instituições de pesquisas acadêmicas e profissionais.

»O 1º Encontro de Pesquisadores da EBC é parte do acordo de cooperação para criação do Centro de Pesquisa Aplicada, Desenvolvimento e Inovação em Comunicação Pública no país. O objetivo é apresentar trabalhos dos empregados da empresa inscritos no projeto de criação do centro. São pesquisas já defendidas por eles e aprovadas em suas qualificações de doutorado, mestrado e especialização. O centro também abrirá espaço para profissionais da EBC com notório saber em suas áreas de atuação.

»Segundo a ouvidora da EBC e diretora do projeto de criação do centro, Joseti Marques, a ideia inicial era de uma escola de comunicação pública, que evoluiu. “Se reuníssemos os saberes e formações dispersos na empresa e no campo amplo da comunicação pública poderíamos pensar a nossa vocação na direção do que indica a missão da EBC, de produzir e difundir conteúdos que contribuam para a formação crítica das pessoas. Então, poderíamos ser um centro emanador desse conhecimento”, dlsse Joseti.

»Ela informou que, já na primeira chamada, foram reunidos dez doutores, 30 mestres e 40 especialistas entre os empregados da empresa.

»O Projeto EBC-Unesco para criação do centro visa a contribuir para a consolidação de um sistema público de radiodifusão diversificado, plural e em sintonia com os padrões internacionais de qualidade. O objetivo é ser referência para a comunicação pública no Brasil, na América Latina e na África, em especial nos países de língua portuguesa.

O 1º Encontro de Pesquisadores da EBC é parte do acordo de cooperação para criação do Centro de Pesquisa Aplicada, Desenvolvimento e Inovação em Comunicação Pública no país. O objetivo é apresentar trabalhos dos empregados da empresa inscritos no projeto de criação do centro.

»A presidente do Conselho Curador da EBC, Ana Fleck, disse esperar que o centro tenha total autonomia para pesquisas frente ao mercado e ao governo federal. “Para que ele [centro] seja realmente capaz de produzir aquilo que é uma enorme carência dentro do universo da comunicação pública atualmente, a inovação. Essa liberdade de criação certamente será um estímulo à articulação de diversos atores interessado nesse tema, seja nas universidades, seja nos movimentos sociais, em coletivos na internet, nas emissoras privadas.” Ana Fleck destacou que este é também um projeto de valorização dos empregados da EBC.

»Para o coordenador de Comunicação e Informação da Unesco no Brasil, Adauto Cândido Soares, a questão da convergência das mídias e do uso das novas tecnologias de comunicação e informação na educação é um enorme desafio no Brasil. “Não conseguimos avançar, temos inúmeras dificuldades e um problema gravíssimo em termos de conteúdo programático nas escolas para tratar esse tema. Então, ter a EBC preocupada com essa questão, com a pesquisa aplicada, complementando o que já é feito no ensino superior, para nós é fundamental. Estamos muito satisfeitos com essa parceria”, disse.

»Segundo o presidente da EBC, Nelson Breve, o Brasil precisa formar uma cultura de comunicação pública, popularizando a educação, a cultura e a ciência, para tentar transformar o modelo comercial da comunicação no país, que distorce a democracia. “Para isso, tivemos a inspiração de algo para formar essa cultura e, daqui, conseguir irradiá-la para todo país. [O centro] ajuda a empresa a reunir seus pesquisadores, o conhecimento que aqui existe, e depois o de fora da empresa, para formar uma cultura organizacional em que os nossos empregados e para que todos aqueles que lidam com a comunicação pública no Brasil entendam melhor o seu papel na sociedade”, disse Breve.

»Nove pesquisadores da EBC em Brasília apresentam trabalhos nesta terça-feira. Nos dias 24 e 25 próximos, 15 trabalhos serão mostrados na EBC, no Rio de Janeiro e, no dia 26, cinco pesquisadores se apresentarão na sede da empresa, em São Paulo. Os temas são relacionados à comunicação pública, ao rádio, à televisão, ao cinema, à política, à arte contemporânea e à mídia. A expectativa é que nos próximos ciclos de encontros sejam apresentados resultados de pesquisas aplicadas, desenvolvimento e inovação na área.

»O Centro de Pesquisa Aplicada, Desenvolvimento e Inovação em Comunicação Pública será lançado oficialmente no dia 25 de setembro, data que marca os 131 anos do nascimento de Edgard Roquette-Pinto, considerado o pai da radiodifusão no Brasil.»





Administração Pública e inovação

2015/06/29

«Newsletter L&I» (n.º 59, 2015-06-29)




Administração Pública e inovação | Administración Pública e innovación |
Administration Publique et innovation | Public Administration and innovation

Um inovador | Un innovador | Un innovateur | An innovator

Uma inovação | Una innovación | Une innovation | An innovation

A execução da inovaçao | La ejecución de la innovación | L’exécution de l’innovation |
The innovation execution



Liderar Inovando (BR)

«CCT faz audiência para discutir marco legal para conhecimento e inovação» [web] [intro]
Cinco pequenos negócios entre os dez vencedores do Prêmio Nacional de Inovação 2015, instituído pelo Sebrae e pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) [web] [intro]
«Direitos políticos das mulheres: resistência brasileira» [web] [intro]
«Parques tecnológicos compartilhados são a nova aposta da parceria Brasil-China» [web] [intro]

Liderar Inovando (PT)

«BICMinho e AID dão prioridade à inovação no design com o apoio do Governo» [web] [intro]
«Empresas portuguesas destacam-se em feira tecnológica no México» [web] [intro]
«Empresa nacional lança veículo de combate a incêndio inovador com nome “Lusitano”» [web] [intro]
«Informalidade em África pode ser oportunidade para o desenvolvimento, considera Carlos Lopes» [web] [intro]

Liderar Innovando (ES)

«Los agentes sociales piden más apoyo a las empresas» [web] [intro]
«¿Qué motiva a los empleados más innovadores?» [web] [intro]
«Experiencia culinaria en la octava planta» [web] [intro]
«El nuevo modelo logístico global Physical Internet en París» [web] [intro]

Mener avec Innovation (FR)

«L’innovation territoriale, sur un fil d’équilibriste» [web] [intro]
«"Je veux que Solvay mérite un Nobel", l’innovation vue par Patrick Maestro, médaille de l'innovation 2015 du CNRS» [web] [intro]
«Conférence-débat publique: L’innovation, un état d’esprit» [web] [intro]
«Le gouvernement présente sa stratégie numérique pour la France» [web] [intro]

Leadership and Innovation (EN)

«China supports start-ups & public innovation» [web] [intro]
«Terry Funk Shares His Memories And Thoughts On Dusty Rhodes. Talks Dusty's Relationship With Vince McMahon» [web] [intro]
«Africa’s tech innovation ecosystem: The Missing Middle» [web] [intro]
«EU regional innovation must unite public, private and third sectors» [web] [intro]

Licencia Creative Commons Licencia Creative Commons
Atribución-NoComercial 4.0 Internacional








2015/06/26

«Parques tecnológicos compartilhados são a nova aposta da parceria Brasil-China»



Maiana Diniz: Olhar Direto



«Autoridades governamentais do Brasil e da China, cientistas e empresários se reuniram [...] no 2º Diálogo de Alto Nível em Ciência, Tecnologia e Inovação, para debater parcerias na área de ciência e tecnologia. Eles consideraram que as áreas mais promissoras para parcerias são as de novas energias e materiais, ciências agrárias, tecnologia da informação, internet e ambientes de inovação.

»No encontro, os ministros da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil, Aldo Rebelo, e da Ciência e Tecnologia da China, Wan Gang, assinaram acordo de cooperação na área de parques tecnológicos, o que pode estreitar ainda mais a relação entre os dois países. Nos últimos 20 anos, foram firmados mais de 53 atos ligados a pesquisa e desenvolvimento.

»Para o ministro Aldo Rebelo, a ausência de disputas por hegemonia entre os dois países, e o fato de ambos compartilharem interesses e, principalmente, desafios comuns, aumenta a segurança nas negociações e a perspectiva de parcerias futuras.

»“O Brasil e a China estão entre as dez maiores economias do mundo, entre as dez maiores populações do mundo, entre os dez maiores territórios do mundo e entre os dez maiores produtores agrícolas do mundo. Os dois integram um projeto comum, os Brics –bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África o Sul –, e têm desafios comuns na área social, como alimentar grandes populações, desenvolver a agricultura, elevar o padrão de vida das pessoas e enfrentar graves problemas de saúde pública. Eu acho que podem unir cada vez mais seus esforços para cooperação, pois só têm benefícios. Não existe nenhum risco de gerar prejuízo para ninguém”, comentou o ministro.

»Na cerimônia, o ministro da República Popular da China destacou os avanços da parceria entre os dois países, desde sua primeira visita a Brasília, em 2012. Segundo Gang, as trocas já trazem benefícios concretos para a economia e a sociedade, e ainda podem avançar muito com a cooperação em parques tecnológicos.

»“Acho que os parques tecnológicos são a forma concreta de dar um passo adiante para a inovação. Os parques são plataformas de troca de conhecimento, comunicação e espaço de trabalho conjunto. Tecnologia e inovação são o motor da economia nesses tempos modernos, em um mundo de grandes mudanças. Brasil e China, sendo países em desenvolvimento, precisam investir em inovação para colher desenvolvimento econômico”, destacou Wan Gang.

»Os parques tecnológicos são áreas planejadas para concentrar empresas, instituições de ensino, centros de pesquisa e incubadoras de negócios, criando um ambiente propício à inovação. Na China, já respondem por 15% do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços do país), segundo o ministro chinês.

Tecnologia e inovação são o motor da economia nesses tempos modernos, em um mundo de grandes mudanças. Brasil e China, sendo países em desenvolvimento, precisam investir em inovação para colher desenvolvimento econômico.

»Entre os exemplos sucesso da parceria entre Brasil e China está a fabricação e lançamento conjunto dos Satélites Sino-brasileiros de Recursos Terrestres. Outra iniciativa importante é o projeto de parceria entre os laboratórios de nanotecnologia (estudo de manipulação da matéria em escala atômica e molecular) dos dois países, que tenta usar os resíduos da produção de álcool e açúcar para gerar materiais que possam substituir o carvão no tratamento de água. Os esforços já resultaram na criação de um carbono nano absorvente, feito a partir do bagaço da cana-de-açúcar.

»O Diretor do Laboratório Nacional de Nanotecnologia, Fernando Galembeck, explica a importância do aproveitamento dessa biomassa. Ele diz que “no Brasil são produzidos por ano cerca de 1 bilhão de toneladas métricas de resíduos de biomassa, das quais 300 milhões são de bagaço de cana-de-açúcar. Os números mostram que sem comprometer a produção de alimentos, sem comprometer a segurança alimentar, temos uma quantidade enorme de matéria-prima que está em cima da terra, e que pode ser aproveitada e transformada em materiais avançados”.

»“Acredito que a perspectiva futura desse projeto é muito promissora”, disse Yin Guilin, Diretor do Escritório de Cooperação Internacional do Centro Nacional de Pesquisa em Engenharia para a Nanotecnologia da China.»





A execução da inovaçao

2015/06/25

«Direitos políticos das mulheres: resistência brasileira»



Dalmo de Abreu Dallari, jurista: Jornal do Brasil



«A presença da mulher na vida pública brasileira tem sido ampliada nas últimas décadas, merecendo registro o fato de que esse aumento da presença feminina no setor público tem semelhança com o que tem ocorrido no setor privado, pois já são muitas as mulheres que ocupam posição relevante na área empresarial, diferentemente do que ocorriam até a não muito tempo, quando as mulheres, mesmo sendo detentoras de grande parte do poder econômico, ou sendo mesmo as proprietárias de grandes empresas, raramente apareciam na linha de frente, ocupando os cargos de direção.

»Houve um avanço da presença feminina no setor privado, mas em termos de presença nas atividades políticas ainda ocorrem muitas restrições, não obstante haver já exceções de grande relevância, como o aumento do número de mulheres nos Legislativos e, embora com menor ênfase, em cargos de chefia ou de grande relevância do Poder Executivo. A grande exceção é a presença de uma mulher na chefia do Poder Executivo Federal, como resultado da conjugação de várias circunstâncias que levaram Dilma Rousseff à presidência da República.

»Uma decisão recente da Câmara de Deputados oferece elementos para uma reflexão sobre os avanços femininos em termos de direitos políticos e de presença nos órgãos representativos e as resistências, que ainda persistem, a esses avanços. Dentro do quadro de promoção de uma reforma política, a Câmara de Deputados aprovou um projeto de lei inovador sob vários aspectos, no dia 16 deste mês de Junho, mas naquela mesma oportunidade a Câmara rejeitou uma proposta de emenda que visava criar uma cota para as mulheres nos Legislativos federal, estadual e municipal. Apesar da rejeição, é importante registrar que houve um número muito expressivo de votos favor da inovação, não sendo atingido, entretanto, o mínimo necessário para a aprovação. Com efeito, havia necessidade de 308 votos favoráveis para a aprovação e o resultado foi que 293 deputados votaram favoravelmente à proposta e 53 que estavam presentes se abstiveram, não votando a favor nem contra.

A Câmara de Deputados aprovou um projeto de lei inovador sob vários aspectos, no dia 16 deste mês de Junho, mas naquela mesma oportunidade a Câmara rejeitou uma proposta de emenda que visava criar uma cota para as mulheres nos Legislativos federal, estadual e municipal. Apesar da rejeição, é importante registrar que houve um número muito expressivo de votos favor da inovação.

»Apesar da rejeição, dois pontos positivos devem ser realçados: o primeiro deles é o fato da apresentação da proposta, que é, em si mesmo, revelador da existência de uma nova mentalidade, favorável a avanços dessa natureza. A par disso, é também positivo o elevado número de votos favoráveis, deixando evidente que é bem grande o número de parlamentares que reconhece a necessidade e conveniência social da ampliação da presença da mulher nos órgãos de decisão política. A matéria, certamente, será objeto de considerações sob vários ângulos, sendo bem provável que já na próxima sessão legislativa surja nova proposta no mesmo sentido daquela rejeitada. Por isso é oportuno lembrar que muito recentemente foi introduzida na França uma inovação bastante original e expressiva, que foi denominada “binômio eleitoral”. Por meio da Lei nº 2013-403, os Departamentos, que são subdivisões político-administrativas, terão um Conselho Departamental, cujos membros serão eleitos pelo povo. Por disposição dessa lei, já em vigor, os eleitores de cada Departamento devem votar em dois candidatos, de sexos diferentes, que se apresentam num binômio de candidatos com os nomes inscritos em ordem alfabética na cédula de votação. No momento de votar o eleitor recebe uma cédula de votação com dois nomes, de um homem e uma mulher, inscritos em ordem alfabética. E assim o eleitor vota necessariamente em dois candidatos, um homem e uma mulher, contando-se os votos para o binômio. Votando no candidato ou na candidata de sua predileção o eleitor vota também no outro nome que compõe o binômio.

»Tudo isso é expressão de uma nova mentalidade, que reconhece o valor essencialmente igual dos membros de ambos os sexos e procura dar sentido prático a esse reconhecimento, atribuindo a ambos os mesmos direitos e as mesmas responsabilidades. Registre-se, afinal, que entre os que manifestaram discordância da proposta de cotas para as mulheres houve a alegação de que tal proposta seria inconstitucional, por criar um privilégio em função do sexo. Na realidade, esse argumento não tem consistência, pois o que se propôs foi o estabelecimento de um número mínimo de mulheres na composição dos Legislativos, mantendo-se a igualdade de valor dos candidatos e dando-se ao eleitor plena liberdade para escolher o candidato ou candidata, sem qualquer espécie de discriminação. É importante estar atento ao assunto, pois certamente ele retornará por meio de nova proposta e será importante a manifestação da cidadania quanto à justiça e conveniência dessa inovação.»





Uma inovação

2015/06/24

Cinco pequenos negócios entre os dez vencedores do Prêmio Nacional de Inovação 2015, instituído pelo Sebrae e pela Confederação Nacional da Indústria (CNI)



Portugal Digital



«Das dez empresas vencedoras do Prêmio Nacional de Inovação 2015, instituído pelo Sebrae e pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), cinco são pequenos negócios. A premiação, entregue na noite desta quarta-feira (13), em São Paulo, foi um dos pontos altos do 6º Congresso Nacional de Inovação na Indústria.

»Durante a entrega dos prêmios, a diretora-técnica do Sebrae, Heloisa Menezes, destacou a importância do crescimento do número de Pequenos Negócios no prêmio. Heloísa lembrou que o Sebrae participa há três anos da premiação e que, nesse período, a participação das micro e pequenas empresas cresceu quase cinco vezes.

»"Do total, 90% das empresas que estão participando dessa edição do prêmio são de pequeno porte. Na primeira edição, tivemos pouco mais de 400 inscrições. Nessa, ultrapassamos a marca de 2,2 mil empresas", destacou.

»"Acreditamos que reconhecer e premiar os melhores projetos de inovação e de gestão é um grande incentivo para os empresários desenvolverem projetos", acrescentou a diretora. Ela enfatizou que o prêmio é uma oportunidade para reconhecer empresas atendidas pelo programa Agentes Locais de Inovação (ALI), bem como seus agentes e coordenadores. Das dez empresas vencedoras, cinco são pequenos negócios.

»Heloisa Menezes lembrou ainda que o programa ALI já existe há cinco anos, com 1,2 mil agentes atuando junto às empresas. No ano passado, os ALI acompanharam 50 mil empresas e a meta é superar esse número em 2015.

»Em seu discurso, Heloisa Menezes disse ainda que o desafio da inovação não está restrito apenas às grandes empresas e não implica, necessariamente, em muito investimento. Ela sustentou que o Sebrae tem atuado para ajudar os pequenos negócios a encontrar soluções para, por exemplo, redução de gastos com energia, água e para induzir a visão sobre novos modelos de negócios. "O segredo para combater a crise é inovar. A capacitação e informação são a chave do sucesso", disse ela.


O segredo para combater a crise é inovar. A capacitação e informação são a chave do sucesso.

»A premiação

»O Prêmio Nacional de Inovação é uma iniciativa da Mobilização Empresarial da Inovação (MEI) e é realizado pelo Sebrae e pela CNI, com o apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), do Movimento Brasil Competitivo (MBC) e do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCT).

»Ganhadores do Prêmio:

»Central de Impressoras (Pequena Empresa)

»Tecsistel (Pequena Empresa)

»Jera (Pequena Empresa)

»Profilática Produtos Odonto Médico Hospitalares (Média Empresa)

»Dublauto Gaúcha (Média Empresa)

»Paiva Piovesan Softwares (Pequena Empresa)

»Hi Tecnologies (Pequena Empresa)

»Ciser (Grande Empesa)

»Natura Cosméticos (Grande Empresa)

»Votorantim Cimentos (Grande Empresa)»





Um inovador

2015/06/23

«CCT faz audiência para discutir marco legal para conhecimento e inovação»



O Nortão



«A Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) promoverá nesta segunda-feira (22) audiência pública para discutir o marco legal para o desenvolvimento de um Sistema Nacional de Conhecimento e Inovação (SNCI).

»Para o presidente da comissão, senador Cristovam Buarque (PDT-DF), a audiência se justifica pois as áreas de ciência, tecnologia e inovação (CTI) são imprescindíveis para uma nação que deseja se posicionar bem na competição internacional. Cristovam observou que o Brasil tem diversas legislações que buscam facilitar e incentivar estes setores, mas ainda há muitas lacunas a preencher.

»Estarão presentes na audiência a secretária executiva do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Emília Maria Silva Ribeiro Curi; o reitor da Universidade Federal do Sul da Bahia, Naomar Monteiro de Almeida Filho; o diretor de Educação e Tecnologia da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Rafael Lucchesi Ramacciotti, e o pró-reitor de pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), José Eduardo Krieger.»





Administração Pública e inovação

2015/06/22

«Newsletter L&I» (n.º 58, 2015-06-22)




Administração Pública e inovação | Administración Pública e innovación |
Administration Publique et innovation | Public Administration and innovation

Um inovador | Un innovador | Un innovateur | An innovator

Uma inovação | Una innovación | Une innovation | An innovation

A execução da inovaçao | La ejecución de la innovación | L’exécution de l’innovation |
The innovation execution



Liderar Inovando (BR)

«Projeto Curitiba Ecoelétrico evita emissão de 6,6 toneladas de CO2 com veículos Renault Zero Emissão» [web] [intro]
«Colégio de BH cria projeto para estimular alunos gerir os próprios negócios» [web] [intro]
«Óculos para cego criado por brasileiros ganha prêmio internacional de inovação» [web] [intro]
«Você tem uma grande ideia? E daí?» [web] [intro]

Liderar Inovando (PT)

«Fibrenamics: Nova plataforma para promover inovação à base de fibras apresentada em Guimarães» [web] [intro]
«Há mais empreendedores, mas poucos valorizam a ciência» [web] [intro]
«A ópera de dois músicos na produção biológica de goji fresco» [web] [intro]
«Internet das Coisas: europeus e americanos estão em guerra» [web] [intro]

Liderar Innovando (ES)

«El BOE publica los requisitos para ser una pyme innovadora» [web] [intro]
«La perseverancia, la innovación y la fe son las claves del éxito» [web] [intro]
«Eurofins lanza innovadora tecnología de chip de ADN que permite la identificación de 21 especies animales en la alimentación humana y animal» [web] [intro]
«El director de museo que reivindica la ingeniería: "El hombre ha inventado casi todo lo que le rodea". Ioannis Miaoulis, presidente y director del Museo de Ciencia de Boston» [web] [intro]

Mener avec Innovation (FR)

«Bpifrance déploie son Salon de l’entreprise dédié à l’innovation» [web] [intro]
«Ikimo9, la start up qui veut révolutionner l'immobilier» [web] [intro]
«Les mégadonnées exigent une vision innovatrice des droits» [web] [intro]
«Vague de surf urbaine au centre-ville de Sherbrooke: grand gagnant de La bonne IDée» [web] [intro]

Leadership and Innovation (EN)

«Limits of public sector innovation» [web] [intro]
«From zeal to appeal: inspiring stories of 20 Indian innovators» [web] [intro]
«Under the 'Hood: How Tech Is Transforming Goose Island» [web] [intro]
«Introducing The Bridge, The Innovation Hub Of New York City's $2 Billion Tech Campus» [web] [intro]

Licencia Creative Commons Licencia Creative Commons
Atribución-NoComercial 4.0 Internacional








2015/06/19

«Você tem uma grande ideia? E daí?»



Eduardo Casarini: EXAME.com



«Quantas vezes você já ouviu alguém encher o peito falando que teve uma grande ideia e que ganharia milhões e ficaria famoso com ela, se um dia tivesse a oportunidade de colocar ela em prática, mas...

»E aquele sujeito que sempre que vê uma grande ideia solta: “Ah, eu já tinha pensado nisso antes. Lembra? Esta era aquela ideia que te falei! Olha aí, os caras fizeram e se deram bem”.


»“Bem feito é melhor do que bem dito.”

»Benjamim Franklin


»Não me interprete mal, mas todos têm boas ideias.

»Toda startup com um grande potencial começa sim com uma grande ideia, mas não ache que só por que você teve uma grande ideia você será o próximo Mark Zuckerberg. Precisamos entender qual o valor real de uma boa ideia para um novo negócio.

»Ideias, sozinhas, não tem nenhum valor. Ela, por si só, não é garantia de sucesso. O que realmente faz a diferença é ter uma ideia inovadora e executá-la com eficácia. Existe um enorme caminho entre a ideia e o sucesso de uma empresa depois da execução.

»Primeiro, a pessoa deve ter muita coragem (e um pouco de loucura) para realmente dar o primeiro passo e executar com persistência. Acho que o que separa o empreendedor de sucesso daqueles que fracassam está na sua capacidade de superar os obstáculos. E eles virão.

Primeiro, a pessoa deve ter muita coragem (e um pouco de loucura) para realmente dar o primeiro passo e executar com persistência.

»Clearwater Seafoods (TSX: CLR) es una de las mayores compañías de productos pesqueros verticalmente integrados de América del Norte, con más de 1.400 empleados en oficinas, plantas y embarcaciones de todo el mundo.

»A execução da ideia é uma atividade muito solitária, marcada por repetidas rejeições e fracassos. É uma viagem de extremos altos e baixos. Por isso que acho que uma das maiores virtudes de um empreendedor não é ser criativo, embora isso seja importante, mas sim ser cascudo e resistente. Persistente. Confiante. Assim, estará preparado pra ignorar qualquer crítica sem fundamento que possa ouvir e não se abalar, insistir, e saber mudar quando precisar.

»Alias, se você tem uma grande ideia (e pra ela ser uma grande ideia para negócios, o mercado tem de concordar com você), não a proteja demais. Não a esconda demais. Lembre, ela não vale tanto assim sozinha. Para fazê-la decolar, você vai precisar falar com pessoas. Você vai precisar de gente para te ajudar a validá-la, financiar o projeto e sócios fundadores que vão colocar a mão na massa e participar do seu sonho.

»E o que os potenciais investidores querem de você? Não é a sua ideia. Se você realmente construir algo de valor com sua ideia – um aplicativo com uma grande base de usuários, e crescendo, por exemplo – daí sim, eles podem lhe pagar milhões para comprar o seu negócio.


»“Por uma ideia pago 5 centavos, pela implementação pago uma fortuna!”

»Peter Drucker


»Agora, se você quer começar com uma boa ideia, não fique parado em frente ao computador esperando que ela apareça. Os sujeitos mais criativos da história contam que as melhores ideias vêm quando estamos menos conscientes, quando nosso pensamento é menos previsível e linear. Isso é um tema interessante para uma próxima ocasião, mas se você quiser começar a jornada com uma ideia que te inspire, saia pra dar uma volta na esquina, regue as plantas, passeie com seu cachorro… Vá tomar banho. No meu caso, a promoção de maior retorno da história da Flores Online foi criada debaixo do chuveiro.»





A execução da inovaçao

2015/06/18

«Óculos para cego criado por brasileiros ganha prêmio internacional de inovação»



Carta Campinas



«Projeto [Annuit Walk (PAW)] desenvolvido por uma equipe de brasileiros está entre os 18 vencedores do prêmio The World Summit Youth Award, competição global entre jovens desenvolvedores e empreendedores digitais com menos de 30 anos que elaboram projetos na internet e tecnologia móvel baseados nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio das Organizações das Nações Unidas (ONU). A cerimônia de entrega de prêmios foi hoje (17) à noite.

»O projeto brasileiro premiado, feito por desenvolvedores do Pernambuco, coordenados pelo cientista da computação Marcos Penha, é de um óculos para pessoas cegas, que funciona em auxílio à bengala. O dispositivo, cujo protótipo custou cerca de R$ 45, identifica obstáculos acima da linha da cintura da pessoa, região que normalmente não é alcançada pela bengala.

»Assim que o aparelho detecta um obstáculo próximo à pessoa cega, ele emite um sinal que aumenta quando o objeto se aproxima. O sinal é sentido por meio de vibrações de uma pulseira ou colar, como o toque de um telefone em modo vibracall. A intensidade da vibração pode ser regulada de acordo com a sensibilidade de quem usa o aparelho.

»“Inicialmente, queríamos desenvolver um óculos que substituísse a bengala-guia. Quando fomos a campo, mudamos o projeto. Os cegos não queriam deixar a bengala. É o senso tátil deles. Por isso, tem um peso psicológico muito grande”, destacou Emily Shuler, que participa da equipe de desenvolvimento.

»A partir de testes com 276 cegos, em sua maioria da Associação Pernambucana de Cegos, os pesquisadores constataram que a bengala não conseguia identificar obstáculos acima da linha da cintura. “Com a bengala, eles reconhecem um pneu, mas acham que é um carro. O carro tem uma certa altura e, se for um caminhão, eles vão em frente e batem. Isso ocorrre também com os orelhões”, explicou Penha, coordenador do projeto.

A partir de testes com 276 cegos, em sua maioria da Associação Pernambucana de Cegos, os pesquisadores constataram que a bengala não conseguia identificar obstáculos acima da linha da cintura.

»Os desenvolvedores perceberam que precisavam de um dispositivo barato, já que aparelhos similares, como a bengala eletrônica, que também funciona com sensores, tinha custo muito elevado e tinha de ser importada. “Para um cego importar, é um processo complicado. Quando avaliamos, os valores chegavam a R$ 3 mil ou R$ 4 mil. E um cão-guia pode custar R$ 25 mil”, lembrou o coordenador.

»Os pesquisadores do projeto brasileiro, denominado Annuitwalk, buscam investidores para conseguir produzir os óculos em escala industrial. “Nosso projeto não é relacionado a uma universidade. Foi algo independente. Cada um com seu conhecimento, com algo a trazer, a contribuir. Foi um projeto bem colaborativo. Já estamos com o sexto protótipo pronto”, informou Marcos Penha.

»Para Lucas Foster, fundador da ProjectHub, rede global de economia criativa, parceira do prêmio internacional, o projeto brasileiro vencedor é uma demonstração do potencial inovador do país, principalmente nas áreas da inclusão social, acessibilidade, diversidade cultural e sustentabilidade.

»“A preocupação de usar inovação com essas características é algo que aparece muito no Brasil, diferentemente de outros países desenvolvidos, que já estão falando de outros aspectos, como inteligência artificial. Aqui existe uma juventude mais engajada e insatisfeita com a realidade, querendo propôr mudanças. Existe um cenário que o governo de Pernambuco, por meio do Porto Digital e de várias iniciativas, estimula a inovação”, acrescentou.

»O prêmio recebido pelos brasileiros reconhece projetos com potencial de impacto nas metas da ONU em seis diferentes categorias: luta contra a pobreza, fome e doença, educação para todos, empoderamento das mulheres, valorização da cultura local, meio ambiente e sustentabilidade e busca da verdade.

»Cada categoria tem três vencedores selecionados por um júri técnico. Todos os trabalhos inscritos foram iniciados e executados por pessoas com até 30 anos, nascidas em países membros da ONU e da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O certame é realizada pela organização não governamental The International Center for New Media, com chancela da ONU. O projeto brasileiro pode ser conhecido em www.annuitwalk.com





Uma inovação

2015/06/17

«Colégio de BH cria projeto para estimular alunos gerir os próprios negócios»



Pedro Rocha Franco: Estado de Minas



«Em busca da formação de alunos mais criativos e inovadores, uma parceria inédita em Minas Gerais vai criar um laboratório de empreendedorismo para estudantes de 12 a 17 anos. A incubadora voltada para o desenvolvimento de soluções inovadoras será criada no Colégio Loyola em parceria com a Fundação Dom Cabral. Chamada de Inovação Loyola, a proposta é que os alunos da instituição sejam orientados sobre como planejar e executar seus próprios negócios.

»Nos primeiros meses do ano letivo, os jovens foram convidados a apresentar suas ideias. De cara, 42 projetos foram inscritos em diferentes áreas. Desse total, 29 são propostas para a criação de aplicativos variados para celular e tablet. Parte dos grupos será selecionada para participar de oficinas. “Esse gosto pela informática e pelo mundo digital está dentro do mundo deles”, afirma o padre Germano, diretor-geral da escola. Ao término, entre seis e 10 equipes serão escolhidas para desenvolver o projeto ao longo do ano.

»Estes serão instruídos por mentores da Fundação Dom Cabral (FDC) e participarão de apresentações com empresários e palestrantes sobre temas relacionados aos projetos. Aqueles não selecionados também poderão ir às palestras. O colégio disponibilizou uma sala com a tecnologia e a bibliografia necessárias para os estudos. Na primeira edição, a temática dos projetos foi livre. Mas, nos próximos anos, a intenção é estabelecer áreas a serem pesquisadas. Em pauta, inovação educacional e socioambiental, entre outros.

Na primeira edição, a temática dos projetos foi livre. Mas, nos próximos anos, a intenção é estabelecer áreas a serem pesquisadas. Em pauta, inovação educacional e socioambiental, entre outros.

»A ideia de criação de um projeto voltado para o empreendedorismo no colégio teve início depois de uma excursão de alunos do ensino médio para Boston. Os estudantes visitaram três instituições de ensino superior renomadas na região (Boston College, Instituto de Tecnologia de Massachusetts, ou MIT, e Harvard) para conhecer as relações das universidades com a temática. Lá, participaram de um curso no Laboratório de Inovação de Harvard, espaço balizador para o iLO. “Lá, vendo os meninos lidar com os problemas, tivemos a ideia. Temos a preocupação de criar uma forma de motivar os alunos e fazê-los ver o ensino sob outra perspectiva”, afirma padre Germano. A conclusão dos projetos será apresentada em novembro, na feira de conhecimento do colégio.

»Em meio a questionamentos mundiais sobre o rumo a ser seguido pela educação, o padre diz ser preocupação do colégio disseminar “o germe da curiosidade e da investigação”, estimulando a cultura do trabalho de grupo, de debates e comunicação. Os resultados da viagem aos Estados Unidos já mostram alunos com outros olhares em relação à educação, mais envolvidos com o planejamento da carreira, segundo Germano.

»O coordenador do Núcleo de Inovação e Empreendedorismo da Fundação Dom Cabral, Carlos Arruda, afirma que o modelo adotado no projeto quebra um pouco da rigidez da sala de aula e permite ao aluno desenvolver conhecimento, e não apenas absorvê-lo. Isso sem fugir do rigor acadêmico do Ministério da Educação. “No modelo educacional, o aluno é orientado para o certo e o errado. Esse exercício de transformar a ideia em prática permite o desenvolvimento de lidar com incertezas”, afirma. Arruda considera que isso permitirá ganhos mesmo se ele seguir profissões tradicionais, como médico e engenheiro.»





Um inovador

2015/06/16

«Projeto Curitiba Ecoelétrico evita emissão de 6,6 toneladas de CO2 com veículos Renault Zero Emissão»



PlanetCarsZ



«Os modelos zero emissão da Renault contribuíram significativamente para que o Projeto Curitiba Ecoelétrico evitasse a emissão de 6,6 toneladas de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera. O projeto, que está completando um ano e faz parte do Programa de Mobilidade Urbana Sustentável da capital paranaense, é resultado de uma parceria entre Prefeitura de Curitiba, Renault do Brasil, Itaipu Binacional e CEIIA (Centro para a Excelência e Inovação na Indústria Automóvel) de Portugal, e utiliza a maior frota pública de veículos Renault Zero Emissão 100% elétricos do País.

»Segundo dados da prefeitura de Curitiba, a frota de veículos elétricos Renault (5 unidades do Zoe, 3 do Kangoo Z.E e 2 do Twizy) do Projeto Ecoelétrico percorreu um total de 53 mil quilômetros desde o seu lançamento, em junho do ano passado, e, além de evitar a emissão de CO2 (6,6 ton.), gerou uma economia equivalente a 5,3 mil litros de combustível, ou 33 barris de petróleo.

A frota de veículos elétricos Renault do Projeto Ecoelétrico percorreu um total de 53 mil quilômetros desde o seu lançamento e, além de evitar a emissão de CO2 (6,6 ton.), gerou uma economia equivalente a 5,3 mil litros de combustível.

»O Projeto Ecoelétrico é a primeira e maior parceria do País envolvendo utilização de veículos 100% elétricos no serviço público. Para a coordenadora do projeto, a vice-prefeita e Secretária do Trabalho e Emprego, Mirian Gonçalves, o Ecoelétrico ganhou uma dimensão internacional ao ser apresentado como um caso de sucesso durante a Conferência Climática da ONU, COP 20, realizada no ano passado, no Peru.

»Os 10 veículos Renault Zero Emissão atendem à Secretaria Municipal de Trânsito (Setran), Guarda Municipal, Instituto Curitiba de Turismo e Departamento de Proteção Animal, da Secretaria de Meio Ambiente. “A Renault é uma referência mundial em soluções em mobilidade urbana 100% limpa, e para nós é gratificante fazer parte desse projeto em que o carro faz parte dessas soluções”, destaca Caíque Ferreira, Diretor de Comunicação da Renault.


»Mobilidade urbana Zero Emissão

»A Renault participa de outros importantes projetos de mobilidade urbana 100% elétrica em curso no País, através de parcerias com instituições como a Itaipu Binacional, CEIIA (Centro para a Excelência e Inovação na Indústria Automóvel), de Portugal, CPFL Energia (Companhia Paulista de Força e Luz), Prefeitura Municipal de Curitiba, Governo do Distrito Federal, CEB (Companhia Energética de Brasília), e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento / ONU - PNUD.

»Além de veículos cedidos em comodato para experimentos, a Renault já comercializou mais de 70 unidades da sua gama Z.E. (Zero Emissão) no Brasil, todas junto a instituições e empresas que desenvolvem projetos voltados ao uso e disseminação dessa tecnologia no País.»





Administração Pública e inovação

2015/06/15

«Newsletter L&I» (n.º 57, 2015-06-15)




Administração Pública e inovação | Administración Pública e innovación |
Administration Publique et innovation | Public Administration and innovation

Um inovador | Un innovador | Un innovateur | An innovator

Uma inovação | Una innovación | Une innovation | An innovation

A execução da inovaçao | La ejecución de la innovación | L’exécution de l’innovation |
The innovation execution



Liderar Inovando (BR)

«Relações comerciais com o Governo. Em tempos de desconfiança ainda existem caminhos para trabalhar para os orgãos públicos» [web] [intro]
«Entrevista: Inovação é sobre pessoas, diz Dov Moran, criador do Pen Drive» [web] [intro]
«Seminário “Reflexões e desafios a uma cultura de Inovação na Amazônia” acontece no Campus de Pesquisa do Museu Goeldi» [web] [intro]
«Aqui, a gente dá o osso maior do que o cara pode roer. E vê se ele consegue» [web] [intro]

Liderar Inovando (PT)

«Passos Coelho quer envolver autarquias na manutenção do património público» [web] [intro]
«Flying Sharks: Empresa portuguesa fornece peixes a aquários de todo o mundo» [web] [intro]
«Revestimento inovador reduz probabilidade de infecções e rejeição de próteses» [web] [intro]
«Os lisboetas sonham, a câmara quer. E a obra, nasce?» [web] [intro]

Liderar Innovando (ES)

«El modelo quebequés se debate en Zaragoza» [web] [intro]
«Luis Roberto Saravia: Innovador y futurista» [web] [intro]
«Crean un innovador programa para detectar y erradicar el acoso escolar» [web] [intro]
«Las empresas que convierten a sus empleados en emprendedores internos tienen mayor capacidad de innovación» [web] [intro]

Mener avec Innovation (FR)

«Innovation africaine: quand les start-up EdTech changent la donne éducative» [web] [intro]
«Un jeune innovateur belge repéré par le prestigieux magazine américain MIT: voici comment Thibaut utilise l'informatique pour "soigner mieux"» [web] [intro]
«La Fédération de l'UPA de la Mauricie travaille à la mise en place d'un projet innovateur axé sur le séchage écologique des grains» [web] [intro]
«Orange lance le Prix de l’Entrepreneur Social en Afrique, avec une nouveauté cette année» [web] [intro]

Leadership and Innovation (EN)

«Public lands need innovation in management not necessarily new owners» [web] [intro]
«You Need an Innovation Strategy» [web] [intro]
«Wichita innovator’s Kickstarter project comes to fruition» [web] [intro]
«What can businesses do to make innovation happen?» [web] [intro]

Licencia Creative Commons Licencia Creative Commons
Atribución-NoComercial 4.0 Internacional








2015/06/12

«Aqui, a gente dá o osso maior do que o cara pode roer. E vê se ele consegue»



Marcel Telles, do 3G Capital, entrevistado por Roberto Setubal, do Itaú Unibanco: Época NEGÓCIOS



«Ao final da entrevista de uma hora e meia na sede da Ambev, depois de se despedir de Roberto Setubal, o anfitrião Marcel Telles comentou: “O Roberto é impressionante, né? Veio com todas as perguntas prontas, divididas por temas, organizadas. O Itaú é ele. Fosse eu o entrevistador e seria tudo no improviso...”

»O dono do Itaú Unibanco, recém-empossado presidente da holding financeira do banco, futuro presidente do conselho, diz que aprontou as perguntas quando se dirigia à Ambev, ainda no helicóptero, durante o trajeto de pouco mais de oito minutos entre o bairro do Jabaquara, sede do Itaú, e a região do Itaim, QG da cervejaria. Chegou, britanicamente, no horário combinado (meio-dia), tomou o elevador de número 4, desceu no 4º andar e foi recebido por Marcel, sócio do 3G Capital (dono do Burger King, da Heinz e da AB InBev, controladora da Ambev). O empresário levou o banqueiro para um rápido tour pelo escritório. Mostrou, orgulhoso, o espaço “sem salas nem divisórias (aqui, é transparência total)”, apontou cada departamento, falou sobre a profusão de jovens da companhia e exibiu a praça do sol, local onde a turma da Ambev recebe seus convidados, geralmente para reuniões rápidas. Ali, a dupla posou para as fotos. Quinze minutos depois, Setubal e Marcel já estavam na pequena sala de reunião onde aconteceria a entrevista-almoço. Sushi com Guaraná Antarctica. “Sou eu que faço as perguntas, né? Pelo menos foi isso o que eu entendi”, disse Setubal. Marcel confirmou. Setubal sacou o celular, correu o dedo pela tela, achou a lista de perguntas e mandou ver.


»Roberto Setubal Eu queria começar falando de cultura empresarial, que é algo importantíssimo e para a qual não se dá o devido valor no Brasil. O histórico de vocês mostra claramente que existe um ponto comum nas empresas do grupo, que é justamente a cultura corporativa desenvolvida desde os tempos de Garantia. Quais os elementos dessa cultura que você acha mais importante e quais deles tiveram o maior impacto no sucesso de empresas como AB InBev, Burger King, Heinz...?

»Marcel Telles Se eu tivesse de definir numa única palavra, Roberto, diria que temos a cultura de ownership. A gente quer que todo mundo se sinta dono, nos mais diferentes níveis. Dono por ser o dono daquela máquina. Dono daquela área financeira. Daquele projeto. E dono da empresa também, através da sociedade. Nossa característica mais importante é uma busca incessante pelas pessoas que funcionam bem nesse ambiente. Nossa cultura é de alta performance e de alta demanda. Porque dono é dono, Roberto. Dono acorda às 5 da manhã e só sai quando a padaria fecha. Então, tem de ter esse tipo de atitude aqui. E não é todo mundo que tem ou que gosta. É que nem esporte de alta performance. Tem alguns que querem. Outros, não. Nossa cultura é um pouco assim.


»Roberto Setubal Mas o que isso significa, na prática, para o executivo do segundo e terceiro escalões? Não falo do CEO, porque este já deve estar alinhado com toda a cultura.

»Marcel Telles Significa, primeiro, que nesse nível ele já é provavelmente sócio importante da companhia. Já tem ações. O patrimônio dele está muito ligado ao desempenho da empresa. Segundo, ele tem uma autonomia muito grande. Você dá liberdade de um lado, mas responsabilidade do outro. E ele tem um compromisso importante, fundamental até para sua avaliação, que é a formação de gente. Temos de ver se esse executivo está formando gente que pode ser melhor do que ele. Até para que ele suba. Isso é como a gente olha essa pessoa.


»Roberto Setubal Você fala bastante da questão de pessoas. Como se dá o processo de atração de talentos, retenção e desenvolvimento nas empresas do grupo?

»Marcel Telles Atração vem da gente mesmo. Diria que 99% de quem a gente recruta vem do programa de trainee. E somos nós que vamos às principais faculdades do mundo. Não é o cara do RH. Eu é que vou. Ou o Carlos Brito [CEO da AB InBev], ou o João Castro Neves [ex-presidente da Ambev, atual presidente da AB InBev para a América do Norte]. Isso faz uma diferença brutal. Na medida em que você tem um histórico, a coisa fica mais fácil. O que funciona muito nessas visitas é levar junto um trainee que está conosco há dois, três anos e dizer: “Ó, esse aqui entrou como trainee e eu já dei uma fabricazinha para ele tocar na República Dominicana ou alguma coisa comercial no Equador”. Aqui, é o seguinte, Roberto: a gente dá o osso maior que o cara pode roer e vê se ele consegue roer. Isso deixa o jovem muito animado. Jovem é idealista pra burro, você sabe. Então, é fácil de vender o nosso sonho. Só que temos de entregar o que a gente vendeu, senão ele vai embora. Então, o mais importante na retenção é deixar o trainee crescer na velocidade do esforço e do talento, limpando a área, removendo todos os obstáculos da frente dele. Tem de deixar a pista livre. Porque, se bobear, o jovem bom, esperto, atravessa a rua e vai para outro lugar.


»Roberto Setubal Hoje, do time lá de cima da companhia, quantos vieram destes programas e quantos vocês foram recrutando no mercado?

»Marcel Telles Em relação aos principais executivos da companhia, eu diria que de 80% a 90% vêm do programa de trainee. Tem gente de fora, mas não é comum.


»Roberto Setubal Vou só relatar um episódio sobre a cultura Ambev que minha turma testemunhou. Nesses eventos que vocês fazem nas universidades americanas, um pessoal do Itaú assistiu à apresentação da Ambev. A sala estava lotada. E aí vocês começaram a falar como funcionava a cultura da companhia, que o camarada tinha de acordar cedo, trabalhar muito...

»Marcel Telles Começou a esvaziar. [risos]


»Roberto Setubal Foi esvaziando e no fim sobrou apenas aquela meia dúzia que se identifica com a cultura.

»Marcel Telles É assim mesmo. São poucos. Não gosto muito de usar essa analogia, mas eu vejo assim como uma espécie de formação de Mariners. Não é todo mundo que gosta daquilo, daquele nível de exercício, de exigência, de quase dor. Mas quem gosta, gosta pra valer. Tem um orgulho imenso e provavelmente não trabalharia em outro lugar.


»Roberto Setubal Imagino que o nível de renovação ali dentro da antiga Anheuser-Busch deve ter sido enorme...

»Marcel Telles A gente faz isso. O primeiro escalão normalmente sai, porque põe muito dinheiro no bolso e não quer mais fazer aquilo que fez durante anos. Muita gente do segundo e do terceiro escalão gosta do que faz e começa a se mover. Alguns são aproveitados na empresa, outros vão ao mercado. E a gente põe um bando de jovem na equipe. A dinâmica tem de ser de abrir o caminho. Então, sim, tem uma renovação grande. E muita gente está progredindo por lá. É assustadora a quantidade de talentos nos Estados Unidos. São imigrantes ou filhos de imigrantes que trabalharam bastante para chegar a Stanford, Harvard. Esse pessoal vem com faca no dente. Um exemplo é um jovem, filho de um imigrante nigeriano, que conseguiu com o rúgbi fazer um MBA em Harvard. Fui entrevistar o garoto e ele me disse um negócio bacana, que não saiu de minha cabeça. Perguntei o que ele tinha aprendido no rúgbi e que poderia ser transportado para a vida real. Ele disse: “eu aprendi a nunca passar a bola numa situação que pusesse qualquer colega em risco”. Incrível. O cara está deslanchando na empresa.


»Roberto Setubal Pegando esse gancho... A cultura de vocês valoriza muito o talento, a competência individual, a capacidade de execução. Como fica o trabalho em equipe? Não existe aí nenhum tipo de inconsistência nessa cultura empresarial?

»Marcel Telles A gente sempre presta atenção nisto. A primeira coisa que ajuda muito é o espaço aberto. Espaço aberto, sem salas, sem divisórias, evita conversinhas por trás, agenda que não seja do trabalho. Outro fator é nosso desdobramento de metas. Para eu bater minha meta pessoal, primeiro a companhia tem de bater a meta. Depois a zona [a região] tem de bater a meta. Aí a minha área tem de atingir a meta e só então tem o peso da minha meta pessoal. Então, se eu não trabalhar em equipe, minha área não chega lá. Eu posso ter o melhor desempenho do mundo que não adiantou nada. Nós queremos sempre crescer 10% de Ebitda todo ano. E todos têm de trabalhar pensando nisso.


»Roberto Setubal Isso também gera uma pressão para que todo mundo dê um pouco de palpite na área do outro.

»Marcel Telles Uma relação bastante saudável, de cada um apertando o outro. Enfim, dá trabalho. Você também toca um negócio enorme e sabe o trabalho que essas coisas dão.


»Roberto Setubal Como vocês avaliam a importância do currículo na hora de contratar? Vale mais a faculdade ou a experiência de vida?

»Marcel Telles Eu quero aquele cara, e me desculpe o clichê, com um brilho no olho e faca no dente. É personalidade. E esta você não muda. Se vier junto com boa educação, é espetacular. Por isso que eu estava citando os Estados Unidos. Lá, a gente está começando a ter um nome que nos permite entrar nas universidades de ponta e pegar o cara que, além da boa formação, tem uma história de vida que mostra resiliência, vontade de chegar lá. Eu diria, Roberto, que aqui a personalidade está sempre acima da educação formal. Recentemente eu entrevistei uma russa, que foi para os Estados Unidos jogar tênis, sofreu um acidente grave e largou o esporte. Aí ela botou toda a energia do tênis no estudo, se formou em Wharton e tem faca do dente. É aquele tipo de pessoa que você entrevista e diz Caramba! E temos uma meta específica para isso. O Brito tem de me apresentar todo ano dez pessoas assim, que podem crescer bastante na empresa. E ele, obviamente, desdobra essa meta para baixo.


»Roberto Setubal E qual é o passo seguinte no desenvolvimento da carreira? Como se dá a meritocracia?

»Marcel Telles Osso maior do que o cara pode roer. Sempre assim. E uma vez por ano a gente faz uma revisão das pessoas – de 50 a 250 – que realmente a gente quer olhar. Praticamos isso há muito tempo. Chamamos de Xadrez de Gente. Olhamos cada cara para ver qual é o próximo passo da carreira dele e fazemos até um leilãozinho informal. Vou dar um exemplo. Tem um sujeito no financeiro que o superior não está dando a “velocidade” adequada. O cara de vendas pode dizer: “manda para cá que eu tenho um pulo para a carreira dele”. Todo ano tem esse xadrez de gente.


»Roberto Setubal Mas não pode levar de lado, né? Para função similar hierarquicamente.

»Marcel Telles Não. Isso não. É promoção. Claro, vai ter sempre uma gritaria. Mas na próxima vez, o que perdeu aprende a gerenciar o talento que está na equipe dele.


»Roberto Setubal E como faz para limpar o trilho, abrir espaço? Obviamente a companhia vai crescendo, abrindo outros empreendimentos e levando gente para outras unidades, mas nem sempre você tem unidades para dar espaço para todo mundo.

»Marcel Telles Acho que todo mundo aqui conhece a regra do jogo, Roberto. Todos nós temos metas e uma revisão trimestral dessas metas. Além disso, há uma transparência total no processo de avaliação. Então não tem surpresa. Às vezes a companhia anda mais rápido do que a pessoa consegue acompanhar. Mas ela com certeza vem recebendo um feedback. Por outro lado, todo mundo aqui, em geral, ganha bastante dinheiro. Provavelmente ele sairá bem recompensado por aquilo que fez.


»Roberto Setubal Existe alguma definição, um percentual, da quantidade de pessoas que têm de sair?

»Marcel Telles Não. Isso é uma lenda que já teve aí, de tirar 10% e coisa e tal. Às vezes acaba acontecendo de ser 10%, mas é coincidência. Eu estou sempre colocando trainee na empresa. Não interessa se precisa ou não precisa. Boto uns 20 a 30 por área. Então, são 150 por ano.


»Roberto Setubal De uma turma de trainee que entra quantos ficam, por exemplo, cinco anos depois?

»Marcel Telles Metade.


»Roberto Setubal Cultura é exportável?

»Marcel Telles Totalmente. Em cada país a gente consegue pessoas que têm uma afinidade muito grande com a nossa cultura. A maioria não, mas sempre achamos as pessoas certas.


»Roberto Setubal O que mais motiva as pessoas? É a remuneração, o projeto...

»Marcel Telles Eu acho que o sonho. Enquanto você tem um sonho, qualquer que seja, dá um friozinho na barriga.


»Roberto Setubal Mas qual é o sonho possível para a AB InBev nessa altura?

»Marcel Telles Tem sonho, sim. A gente continua querendo ser o melhor no nosso ramo. E tem um desafio muito grande de se adaptar ao ambiente de negócios, que está mudando. Se no passado tínhamos um sonho mais orgânico de crescimento, agora o sonho é muito mais de responder bem às mudanças que estão acontecendo por aí, que são grandes.


»Roberto Setubal Como se dá uma aquisição? Quem decide?

»Marcel Telles De onde vem, né? Vem de todos os lados. Eu diria que é uma discussão permanente. É muito mais uma questão de oportunidade. A gente tem uma cabeça assim: se você é muito bom no que você faz e está atento ao mundo, em algum momento vai passar aquele cavalo selado.


»Roberto Setubal E quando acontece você já está preparado, não?

»Marcel Telles Sim. Porque todo ano o conselho e os executivos fazem essa revisão. Todo ano a gente olha as seis coisas que, se acontecessem, nós gostaríamos muito de participar. Então, a gente conhece bem os números, conhece bem a companhia, sabe o quanto vale, o que propor, pensa muito em como fazer.


»Roberto Setubal Quando vocês compram uma empresa, qual é a primeira ação para implementar o modelo de alta performance?

»Marcel Telles Primeiro é explicar claramente o que é a cultura e qual é a regra do jogo. Normalmente, alguém como o Brito ou o Ricardo Tadeu [da Corona, no México], promove encontros com funcionários, fornecedores, fala com 5 mil pessoas. E às vezes fala coisas que as pessoas não gostam de ouvir, mas elas sempre saberão exatamente qual é a regra do jogo. Quando você passa a implantar as metas e os programas, o aculturamento se torna natural.


»Roberto Setubal Vocês acabaram de assumir uma companhia. Quantas pessoas levam para lá para poder mudar a cultura?

»Marcel Telles Meia dúzia, uma dúzia, no máximo. Normalmente você vê lá dentro quem você acha que é bom para ocupar o primeiro escalão, que normalmente saiu. Então já ocorrem algumas promoções. Não levamos muita gente, não.


»Roberto Setubal O que vale mais: inovação ou execução?

»Marcel Telles O Brito, uma vez, num evento anual com 3 mil pessoas, perguntou: “Se vocês pudessem trabalhar numa área que só faz coisas novas, bacanas, quantos de vocês gostariam de ir para lá?”. Aí todo mundo gritou, vibrou. O Brito voltou à carga: “E se vocês pudessem trabalhar numa área que é noventa e cinco por cento dos ganhos da companhia?”. A turma teve a mesma reação. Ele disse: “Olha, não dá. É incompatível”. O que quero dizer é que a gente tem de trabalhar no core, que é 95% do nosso lucro e não podemos tirar o foco dali. Mas tem uma areazinha na empresa, sim, que pensa no futuro. Esse balanço tem funcionado.


»Roberto Setubal Mas a execução tem um peso evidente...

»Marcel Telles Execução é manter o que você tem e melhorar o que você tem. Eu quero a Skol espetacular e eu quero ganhar market share com a Skol. Mas eu também quero entrar no mercado de cervejas artesanais, e estamos nos associando com alguém que conhece. Nos Estados Unidos, estamos com a Goose Island. É uma cervejaria artesanal superpremiada, pioneira nesse negócio de envelhecer cerveja em barril que foi usado para vinho ou para Bourbon. Estamos falando de cerveja de US$ 20, US$ 30, para concorrer com vinho. Hoje em dia, nos Estados Unidos, você entra em qualquer restaurante e tem uma carta de cerveja tão extensa quanto a de vinho. Então, a gente está procurando ter em nossa rede os melhores representantes regionais e assim criar um portfólio para conseguir transformar algumas de suas marcas em marcas nacionais. Nos Estados Unidos, 80% das artesanais são IPA [Indian Pale Ale, uma cerveja mais escura, com bastante lúpulo]. Nós podemos pegar as melhores IPAs dessas representantes e colocar em nosso sistema de distribuição. É um laboratório.


»Roberto Setubal Vocês estão comprando essas empresas pequenas?

»Marcel Telles A gente compra e deixa os caras lá tocando.


»Roberto Setubal Nestes casos, não há a adaptação ao modelo de metas?

»Marcel Telles Não, é outro animal. A gente ajuda os empreendedores com o que eles precisam. Compra de insumos, por exemplo, para dar poder de negociação. Eles continuam com total autonomia.


»Roberto Setubal E as cervejas artesanais no Brasil?

»Marcel Telles A gente acabou de comprar uma em Minas Gerais [a Wäls]. Tem o seu nicho. Não é como nos Estados Unidos, em que as artesanais têm 8% do mercado. Aqui, é muito menos que 1%. Mas é o futuro, não adianta. Gosto daquela frase que diz que “o futuro já está aqui, só está mal distribuído ainda”. Pois a cerveja artesanal já está aqui. E agora eu vou entrar na onda.


»Roberto Setubal No fundo, vocês estão comprando uma opção?

»Marcel Telles Estamos olhando também bebidas à base de malte que parecem coquetéis: limeritas, crawnberitas, strawberitas. No ano passado, esse segmento vendeu 600 milhões de latinhas nos Estados Unidos. Estamos vendo. Aprendizado é sempre divertido. Difícil, mas divertido.


»Roberto Setubal Simplicidade ou sofisticação?

»Marcel Telles Roberto, aqui é tudo muito simples. Sofisticação... vou te dizer uma coisa: é malvista aqui. A gente diz, brincando, que as nossas pessoas não sabem fazer discurso, não sabem nem comer bonito com garfo e faca. A gente sabe operar e fazer bem as coisas. Normalmente, tem muita borbulha nesse mundo executivo. O que nos interessa é o que o cara tem lá dentro mesmo, a capacidade de entregar.


Marcel Telles, do 3G Capital, fala a Roberto Setubal, do Itaú Unibanco, sobre cultura corporativa, atração e retenção de talentos, aquisições, o papel do Conselho e seu otimismo em relação ao Brasil.

»Roberto Setubal Qual é o papel do conselho e o papel do comitê executivo? E como o conselho pode ajudar o CEO?

»Marcel Telles Eu tenho aquela tentação enorme de meter a mão no operacional [Marcel integra o conselho da AB InBev e da Heinz]. Às vezes meto. E o Brito bate na minha mão. Na verdade, o conselho não deve operar. Mas acho que o conselho tem de conhecer muito bem as principais pessoas nos três primeiros níveis da companhia para ter certeza de que o plano de sucessão é aquele mesmo, que a transição vai ser feita de maneira correta. Eu pessoalmente toco o Comitê de Gente da ABI [AB InBev]. O esforço grande é de conhecer bem os três escalões da companhia. Acho que isso é um papel do conselho e acho que é minha principal atribuição. E, lógico, o conselho tem de ver o que está acontecendo. Esse negócio de digital, por exemplo. O conselho pode trazer muita coisa assim, digamos, de visão, que talvez escape a quem está na operação do dia a dia. O CEO não consegue parar para ver tudo. Nós temos um conselho que foi afinando ao longo do tempo.


»Roberto Setubal São quantas pessoas?

»Marcel Telles Somos 12. Quatro do lado brasileiro. Quatro do lado belga. E quatro independentes. Nosso chairman é sempre independente, uma regra que adotamos. E nós temos uma reunião anual com o [guru de gestão] Jim Collins, que eu chamaria de grande reunião de alinhamento estratégico. Vai o conselho, vai o CEO... O Jim é muito bom de fazer perguntas. Ele não fala nada, mas pergunta muito bem. E as perguntas dele nos fazem chegar a um bom alinhamento.


»Roberto Setubal Vocês três [Marcel, Beto Sicupira, Jorge Paulo Lemann] sempre se entenderam muito bem, sempre foram muito alinhados. E aí de repente chegam sócios belgas, famílias de, sei lá, 300 anos de história. Como foi essa interação, esse choque cultural?

»Marcel Telles As famílias sempre quiseram o que a gente tinha, que era a capacidade de administrar, a cultura etc.. É claro que na hora em que acontece, a interação é mais dura do que parece. Mas os representantes das famílias foram bem escolhidos. A McKinsey [consultoria] nos ajudou bastante neste processo de encontrar jovens talentosos dentro das famílias. Uma delas tinha 300 pessoas, não foi fácil.


»Roberto Setubal Eu imagino que possa ter havido casos de executivos muito tradicionais, históricos dentro da companhia lá na Bélgica, que de repente...

»Marcel Telles Mas foi rápido, Roberto.


»Roberto Setubal Isso não causou nenhum problema?

»Marcel Telles Causa desconforto, mas nunca causou nenhum problema. Tudo foi feito de uma maneira transparente. Tanto que o Brito assumiu em dois anos. Primeiro, expusemos o Brito no Canadá para mostrar que ele não era um sucesso só de Brasil. E aí rapidamente ele assumiu a InBev, pôde montar seu time e seguir. Nesse ponto, os sócios foram espetaculares... Poxa, com o Nizan foi mais fácil [O publicitário Nizan Guanaes entrevistou Marcel na edição de março de 2009 de Época NEGÓCIOS, a primeira de conversas entre presidentes]. O Roberto está me dando um calor [risos].


»Roberto Setubal É o papel do entrevistador [risos]. Vamos falar do mundo digital. Como é que você vê o impacto disso, de forma geral, e no negócio de vocês, em particular?

»Marcel Telles Em geral, eu sou meio paranoico. E essas mudanças agora estão me deixando mais ainda, porque eu vejo companhias extraordinárias sofrendo. Acho que não tem nenhuma companhia que eu admire mais do que o Walmart. E vejo a Amazon disruptando [sic] o negócio deles. Vejo indústrias inteiras mudando, desaparecendo. A nossa começa a mudar também. Antes, eu fazia um anúncio de 30 segundos na televisão, falava com 100 milhões de pessoas. Hoje, para falar com as pessoas eu tenho de ter 30 canais diferentes, pela internet, pelos aplicativos, pelo cabo. A maneira de você se comunicar com o consumidor mudou muito. Esse é um ponto. Acho que o próximo passo nessa revolução é toda a parte de distribuição. Os apps facilitam a entrega de cerveja gelada em casa. Na China já é assim. É uma tendência. Isso é o que eu enxergo. Eu fico sempre com medo do que eu ainda não enxerguei.


»Roberto Setubal Essa compra e entrega de cerveja na China é feita via uma Amazon da vida, ou existe, sei lá, o site da cerveja?

»Marcel Telles Não. É via o Alibaba, onde você põe sua loja virtual para vender. Lá, já aconteceu e a distribuição é monstruosa. Você pode comprar um contêiner de cerveja ou seis latinhas pela internet e vai receber de alguma maneira. É assustador.


»Roberto Setubal A venda nesse formato já é maior que a venda física?

»Marcel Telles Na China, é. Nós temos de nos adaptar e ver onde o nosso tamanho e a nossa escala podem nos dar uma vantagem.


»Roberto Setubal E nos Estados Unidos, esse processo de distribuição de cerveja pela internet está começando a evoluir?

»Marcel Telles Também. É tudo muito rápido. O que tem de app hoje em dia... A gente tem um escritório em Palo Alto, com três garotos feras nesses assuntos. Tem um cara que era da Marinha, que fazia sonar para submarino. Digo para eles: ‘ó, se vocês tiverem alguma ideia, contem para a gente’.


»Roberto Setubal No banco, internet já passou a agência em volume de transações. Mobile sozinho deve passar esse ano ou no ano que vem. A agência tem um crescimento leve. Internet registra um crescimento maior, de 20% a 30% e o mobile, de 50% a 60%.

»Marcel Telles A vantagem é que vocês estão em tecnologia há mais tempo.


»Roberto Setubal Mas é um megadesafio. Muda muito a forma como você se organiza. São muitos sistemas, produtos. Tem um esforço de arquitetura de sistemas muito grande.

»Marcel Telles Agora, para o usuário é bastante fácil de mexer. Eu sou cliente do Itaú e acho fácil. A interface é tranquila. Eu sou burro, então tem de ser um negócio simples para funcionar bem. E funciona.


»Roberto Setubal Estamos bem nesse ponto. A gente olha no mundo e não tem coisa muito mais evoluída, não. Mas sempre há espaço para melhorar. No nosso mundo, tem muito a questão de dados, de big data. O banco obviamente tem muitos dados e o desafio é a forma de organizar e usar esses dados.

»Marcel Telles No Itaú tem gente no conselho que se expõe em áreas diferentes, que pode trazer uma visão mais disruptiva?


»Roberto Setubal Seria bom diversificar mais o conselho. Tem muita gente com uma visão financeira, muito bancária. Precisamos nos abrir mais.

»Marcel Telles São quantas pessoas?


»Roberto Setubal Estamos com 12 hoje. Fora do mundo bancário, tem uma pessoa. Como vocês estão vendo o Brasil? Como avaliam o ambiente de negócios no país?

»Marcel Telles Não nos preocupamos muito com aquilo que a gente não tem muita influência. Sempre tivemos uma visão de longo prazo de que o Brasil é para cima. Vai subir, descer, subir de novo, sempre em torno de uma linha ascendente. Para nós, as prioridades são Brasil e Estados Unidos. Há uma quantidade extraordinária de empreendedores nesses dois lugares. No Brasil, onde você anda, em qualquer lugar, tem alguém fazendo alguma coisa nova, fora dos padrões. É isso o que nos interessa. Eu sou animado com o país no longo prazo. E falando com toda a franqueza, esse negócio do dia a dia, da política, o ano da economia... A gente leva em consideração, mas, de novo, não podemos fazer nada a respeito. Temos de ser o melhor possível naquilo que a gente faz e ponto final. Essa é a nossa filosofia, sempre.


»Roberto Setubal Eu concordo. No curto prazo, esse momento tá parecendo um pouco mais difícil, complicado. Mas o país, ainda que tenha flutuações temporárias, sempre aponta para cima.

»Marcel Telles Eu vivi com inflação de 30% ao mês, pô!


»Roberto Setubal Nós, que já vivemos conjunturas complicadas, mudanças de regras e de cenários a todo instante, crescemos aprendendo a nos virar. Tem de dançar conforme a música. Veja o exemplo de mudanças de regulamentação internacional dos bancos. Lá fora, há uma dificuldade imensa em se adaptar. Fica uma discussão eterna, achando que a regra não está boa. Enfim, a regra está lá, acabou, vai embora, vai trabalhar.

»Marcel Telles Life is unfair, get used to it... [A vida é injusta, acostume-se]


»Roberto Setubal Exatamente.

»[A entrevista é interrompida pelo barulho de um helicóptero]

»Marcel Telles Roberto, seu táxi chegou. Eu o acompanho ao heliporto.»





A execução da inovaçao