2015/11/30

Newsletter L&I, n.º 80 (2015-11-30)




Administração Pública e inovação | Administración Pública e innovación |
Administration Publique et innovation | Public Administration and innovation

Um inovador | Un innovador | Un innovateur | An innovator

Uma inovação | Una innovación | Une innovation | An innovation

A execução da inovaçao | La ejecución de la innovación | L’exécution de l’innovation |
The innovation execution



Liderar Inovando (BR)

«Inovação e setor público: um ator em busca de um papel» [web] [intro]
«Na liderança, presidente do Einstein exalta medicina de valor» [web] [intro]
«Brasil compra inovação russa para proteção de empresas contra ataques cibernéticos» [web] [intro]
«6 descobertas surpreendentes sobre a geração Z no trabalho» [web] [intro]

Liderar Inovando (PT)

Filomeno dos Santos, presidente do Fundo Soberano de Angola: «Angola já passou por períodos difíceis, conseguiu ultrapassar e acreditamos no futuro» [web] [intro]
«Costa vai pôr economistas a estudar o que pode prometer nas eleições de 2015» [web] [intro]
«Guiné-Bissau conhece experiência de governação eletrónica de Cabo Verde» [web] [intro]
«A era dos Aceleradores – o coração dos ecossistemas de empreendedorismo» [web] [intro]

Liderar Innovando (ES)

«Los procesos de privatización sanitaria tienen que ser revisados uno por uno» [web] [intro]
«La Argentina después del cepo» [web] [intro]
«Lecciones de la innovación disruptiva» [web] [intro]
«Recursividad paisa es sinónimo de innovación frugal» [web] [intro]

Mener avec Innovation (FR)

«Brasil Ozônio: Quand le soutien de l’État propulse une entreprise» [web] [intro]
«Une vraie réforme de l'ENA: sa fermeture» [web] [intro]
«Pourquoi l'ENA reste indispensable» [web] [intro]
«Faire de l’argent avec la misère des autres» [web] [intro]

Leadership and Innovation (EN)

Vasundhara Raje, Chief Minister of Rajasthan: «Job creation is the new normal for Indian politics» [web] [intro]
«Bernie Sanders’s New Deal Socialism» [web] [intro]
«Political heavyweights are exiting DC to find a new home in Silicon Valley» [web] [intro]
«How to change the world with $10» [web] [intro]

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2015/11/27

«6 descobertas surpreendentes sobre a geração Z no trabalho»



Camila Pati. EXAME.com



«A sopa de letrinhas ganhou mais um reforço no ambiente de trabalho. Ao lado das gerações baby boomer X e Y, os novatos da Z (nascidos entre 1990 e 1999) começam a cumprir expediente e, com eles, novas perspectivas, novos anseios e objetivos de carreira dão o ar da graça nos escritórios. E é justamente isso que começa a ser investigado: afinal, o que eles – que em 2020 serão 20% da força de trabalho - querem e no que se diferenciam de seus veteranos?

»Pesquisa realizada pela Robert Half em parceria com a Enactus com 770 jovens Z traz luz aos seus sonhos de carreira. Confira algumas descobertas expostas no relatório sobre o levantamento:


»1. Menos Vale do Silício e mais Mad Men

»Nem escritórios abertos nem startups estreladas. Empresas médias são o local ideal para 41% dos entrevistados. Trabalhar para grandes companhias é o que desejam 38%. Apenas 14% disseram que uma startup é o ambiente ideal.

»A pesquisa também revela que 45% preferem trabalhar em salas individuais a dividir espaços com colegas de trabalho. Em relação à comunicação, a geração que cresceu se comunicando por mensagens surpreende: 74% disseram preferir uma conversa face a face.


»2. Mais realistas?

»A maioria (77%) acredita que terá que se esforçar mais do que as gerações precedentes para conquistar uma vida profissional plena e satisfatória. Mas sem descuidar do equilíbrio entre vida pessoal e profissional, a principal questão de carreira para 28% dos jovens da geração Z.

»Ganhar dinheiro é a segunda maior preocupação, com 26% das respostas dos jovens e garantir um emprego estável é o que desejam 23% dos participantes da pesquisa.


A maioria (77%) acredita que terá que se esforçar mais do que as gerações precedentes para conquistar uma vida profissional plena e satisfatória. Mas sem descuidar do equilíbrio entre vida pessoal e profissional, a principal questão de carreira para 28% dos jovens da geração Z. Ganhar dinheiro é a segunda maior preocupação, com 26% das respostas dos jovens e garantir um emprego estável é o que desejam 23% dos participantes da pesquisa.

»3. Quatro empresas no currículo

»Uma das principais reclamações a respeito do comportamento profissional da geração Y é a falta de vínculo com as empresas e as constantes trocas de emprego. Os jovens Z não seguem este modelo: querem trabalhar para uma média de quatro empresas ao longo da carreira, segundo a pesquisa.

»A estabilidade na empresa depende, no entanto, de um componente importante, o crescimento profissional. Em cinco anos, 32% dos jovens espera já estar gerenciando equipes. A aposentadoria aos 60 anos seria ideal para um terço dos jovens, mas apenas 17% acreditam que será possível.


»4. O cargo pouco importa

»Gerente, diretor, presidente. A nomenclatura não sobe à cabeça da Geração Z, apenas 3% citaram cargos como objetivos primordiais de carreira. Mais importante do que a posição é o caminho até ela. A oportunidade de crescimento profissional está entre as três prioridades de carreira mais lembradas por 64% dos entrevistados.


»5. Chefes íntegros

»Honestidade e integridade são as características mais buscadas nos chefes, segundo 38% dos jovens Z. A vontade de ensinar e de compartilhar experiências também é valorizada, 21% citam a capacidade de mentorar como essencial em um gestor.


»6. Baby boomers são os mais “temidos”

»A relação com os mais veteranos das empresas, os baby boomers (nascidos nas décadas entre 1945 e 1964) é a mais preocupante e desafiadora para 45% dos entrevistados. Antecipam dificuldades na relação com a geração X 17% e apenas 5% temem conflitos com colegas da geração Y.»





A execução da inovaçao

2015/11/26

«Brasil compra inovação russa para proteção de empresas contra ataques cibernéticos»



Sputnik Brasil



«Uma recente inovação do Centro de Engenharia da Universidade Russa de Investigação Nuclear do Instituto MePHI, que permite a proteção de empresas contra ataques cibernéticos, será implementada no Brasil. O novo equipamento automático se chama Escudo.

»A primeira empresa da região a implementar este sistema será a Sanepar — empresa estatal brasileira de abastecimento de água e saneamento do Estado do Paraná — disse o diretor do Centro de Engenharia do MePHI, Dmitry Mikhailov.

»O sistema, que inclui um equipamento e respetivo sofware, efetua uma abordagem integrada da proteção de sistemas automáticos contra influências nocivas e intrusão.

O novo equipamento automático se chama Escudo e inclui um equipamento e respetivo sofware, efetua uma abordagem integrada da proteção de sistemas automáticos contra influências nocivas e intrusão. Este sistema protege e informa sobre possíveis ataques e violações, tanto ao nível do operador de controle de processos tecnológicos, como ao nível de campo, onde se encontram os dispositivos finais, as linhas de comunicação, etc.

»Este sistema protege e informa sobre possíveis ataques e violações, tanto ao nível do operador de controle de processos tecnológicos, como ao nível de campo, onde se encontram os dispositivos finais, as linhas de comunicação, etc. O complexo inclui uma série de novas abordagens da proteção das informações, sendo um deles o controle do processo tecnológico.

»Os desenvolvedores do Centro de Engenharia já realizaram o exame inicial dos locais de instalação, dentro de um mês no Brasil eles vão começar uma auditoria pormenorizada dos sistemas automáticos da empresa para identificar suas características e adaptar o Escudo para as necessidades locais, uma vez que a parte final da solução é elaborada para cada cliente individualmente.

»Uma característica IC é que, além de entrega de soluções, a tecnologia é "ajustada" para o cliente, se necessário, é feita a integração com os sistemas existentes e fornece formação de especialistas locais. Se o cliente desejar alargar a funcionalidade – o Centro de Engenharia convida outros desenvolvedores. Desta forma, o cliente resolve não uma, mas uma série de questões relacionadas.

»O Escudo não é limitado a determinados setores e pode ser usado em infraestruturas estratégicas e empresas de acesso limitado. Diversas companhias da área do petróleo e gás, energia, construção, bancos e outros setores já mostraram interesse pelo novo sistema.»





Uma inovação

2015/11/25

«Na liderança, presidente do Einstein exalta medicina de valor»



Beatriz Santos. América Economia



«No topo dos melhores hospitais da América Latina pelo sétimo ano consecutivo, a Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, nas palavras do seu presidente, Claudio Lottenberg, acredita que a excelência resulta de uma cultura a ser perpetuada.

»Lottenberg analisa o quadro da saúde no Brasil, a distribuição de leitos e defende que a crise é uma boa oportunidade para abrir o diálogo sobre a medicina baseada em valor. Leia a entrevista completa a seguir:


»AméricaEconomia – Como o senhor avalia o setor no Brasil? A saúde privada pode suprir o gargalo deixado pela pública?

»Claudio Lottenberg – A saúde no Brasil é tratada dentro da perspectiva do direito social e em função disso vem criando o maior sistema universalizante do mundo. Complementado pelo sistema suplementar, o setor enfrenta um caminho desafiador em questões relativas ao envelhecimento e à sustentabilidade. Em tese, a origem deste financiamento sempre será privada, pois no caso do público a fonte do recurso deriva dos impostos, o que significa que a saúde sempre será sustentada pela sociedade brasileira. A divisão de sistemas no país faz sentido quando discutimos quem realiza o pagamento junto ao prestador, mas quem executa esta prestação não deve ser, necessariamente, o público. Em um cenário em que vigore a segurança jurídica, bases reais de remuneração, estímulo à pesquisa, ao desenvolvimento e à inovação, tenho certeza que muito capital brasileiro da iniciativa privada estaria disposto a investir agregando uma melhoria natural de todo o sistema. Afinal, poucos países do mundo têm um mercado de saúde potencial do tamanho do brasileiro.


»AE – E na América Latina?

»CL – Os demais países da América Latina têm mecânicas próprias de financiamento que se ajustam em modelos muito diferentes dos nossos e diferentes entre si. O Chile, por exemplo, tem muita maturidade no contexto da seguridade social, a Venezuela trabalha de maneira intensa numa suposta medicina preventiva, mas sucateada em termos de avanços tecnológicos, e a Argentina se aproxima um pouco mais do que fazemos aqui.


»AE – O hospital se considera referência para a região?

»CL – Nossos números demonstram que o hospital vem recebendo cada vez mais pacientes de outros países, e aí me refiro aos despatriados e aos de turismo em saúde. O primeiro grupo deverá sofrer um retrocesso em função da diminuição da atividade econômica no Brasil e o segundo deverá ter um aumento em função da mudança da taxa de câmbio com a depreciação do real.


Nossos números demonstram que o hospital vem recebendo cada vez mais pacientes de outros países, e aí me refiro aos despatriados e aos de turismo em saúde. O primeiro grupo deverá sofrer um retrocesso em função da diminuição da atividade econômica no Brasil e o segundo deverá ter um aumento em função da mudança da taxa de câmbio com a depreciação do real.

»AE – Nos últimos anos, cresceu a adesão aos planos de saúde. O setor privado conseguiu suprir a demanda crescente?

»CL – Este fato traz ajustes importantes na necessidade de leitos e quem sabe este ponto seja importante para que repensemos os próprios modelos de prática assistencial. Uma das ferramentas básicas para utilização dos leitos é o acesso, mas a questão que surge é saber se cada um deles está sendo ocupado corretamente. Digo isto porque entendo que as estruturas hospitalares são numerosas e deveriam ser ocupadas por pacientes graves e de alta complexidade. O desenho hospitalar ao longo do tempo deverá ser revisto e a própria existência do hospital tem uma intensa conectividade com a base laboratorial questionada. Há, provavelmente, uma má distribuição de leitos em nosso país. Mas ampliar o número de leitos representa aumento de custos que não necessariamente signifique valor. Quem sabe este momento de crise seja uma belíssima oportunidade para questionarmos isto, abrindo diálogo sobre medicina baseada em valor, na qual o desperdício perde efeito e a eficiência passa a ser uma exigência fruto de métricas tangíveis.


»AE – Quais são os avanços em tecnologia?

»CL – O hospital investe em tecnologia sistematicamente. O maior investimento tecnológico que estamos fazendo é a implantação do sistema Cerner. Acreditamos que o database é um caminho sem volta e permitirá a análise de dados jamais visitados anteriormente. Tornar a saúde mais acessível depende de automação e isto exige uma base sólida partindo de dados confiáveis. Somente nesta frente, estamos investindo perto de R$ 200 milhões.

»A visão tecnológica do hospital não é de caráter instrumental somente. Arrisco dizer que a capacitação humana seja o grande investimento tecnológico. Estamos dando sinais claros a todos sobre esta visão quando criamos a área de ensino do relevo e cujo ponto mais direto é o da própria faculdade de medicina.


»AE – Há investimentos sendo feitos em novas especialidades ou no corpo clínico?

»CL – Estamos neste momento investindo em um novo modelo de relacionamento com o corpo clínico. A visão predominante de especialidades tenderá muito mais a um modelo de integração multidisciplinar e de várias especialidades. Constituímos os grupos médicos assistenciais focados em doenças mais prevalecentes, na qual especialidades diferentes se associam, inclusive com equipes não médicas, buscando pactuar rotinas, protocolos e melhores práticas. Esta avaliação é o embrião para a mecânica que deverá predominar no futuro.


»AE – Existem nichos preferenciais para aplicação de recursos?

»CL – A prioridade do hospital é em alta complexidade e processos de qualidade, mas a sua descentralização demonstra nossa intenção de focar também em processos ambulatoriais. Como acreditamos que a própria remuneração sofrerá uma mudança importante, estamos preparados para uma medicina de valor.


»AE – Quais os diferenciais do hospital em relação aos demais?

»CL – O Einstein nasceu e se desenvolveu com uma cultura que qualifico de inquietação e insatisfação permanentes. Quem sabe por isto ele busque sistematicamente melhorar mesmo aquilo que já é bem feito e busca novas formas de fazer. A excelência para alguns continuará sendo objeto de números, mas para nós, passa por eles, porém reflete um espírito de uma cultura que desejamos ver aqui perpetuados.»





Um inovador

2015/11/24

«Inovação e setor público: um ator em busca de um papel»



João Pedro Caleiro. EXAME.com



«Qual é o papel do setor público na inovação?

»O tema foi discutido hoje em palestras e debates no 6º Congresso Brasileiro de Inovação da Indústria, organizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em São Paulo.

»Mariana Mazzucato, professora da Universidade de Sussex, começou com a sua tese: a inovação é bem-sucedida quando o Estado participa em todos os elos da cadeia, e os melhores exemplos disso estão no Vale do Silício (veja a entrevista para EXAME.com).

»As tecnologias que culminaram no iPhone como o GPS e a própria internet, por exemplo, tem raízes em agências públicas, o que ficou de fora da história contada pelos capitalistas de risco.

»“Uma biografia de 600 páginas sobre Steve Jobs (ótimo livro, aliás) e nenhuma página, nenhuma palavra sobre financiamento público. Quem se beneficia dessa narrativa estreita e distorcida?”.

»O papel do Estado na criação (e não só correção) de mercados – “criar a onda para depois o setor privado surfar” - aparece em missões do passado (como o envio do homem à Lua) e na necessidade atual de uma revolução verde.

»Os 4 maiores bancos públicos do mundo – Alemanha, Europa, Brasil e China – gastam mais em tecnologia verde do que todo o setor bancário privado mundial. Na China, o objetivo é de chegar a 20% de energia com fontes renováveis até 2020.

»Para Mazzucato, a experiência internacional mostra que o que funciona nestas missões são agências públicas descentralizadas que trabalhem em rede e protegidas de influência político, com condições e ambições suficientes para atrair as melhores mentes.


»Foco e dinheiro

»Mas todos notaram que a experiência de outros países precisa ser absorvida com cuidado. Inovação, afinal, é criar e não copiar.

»“Eu nunca diferenciaria a inovação da cultura de inovação. Não acho que o Brasil tem sucesso quando pega da China, dos EUA, ou de onde for, mas quando pega do próprio Brasil”, diz Michael Schrage, pesquisador do MIT.

»Ele também destacou que o sucesso não depende apenas de dinheiro – um tema especialmente importante no contexto brasileiro de receitas em queda e contenção de despesas.

»“Não acredito que as exigências do ajuste atual sejam incompatíveis com um trabalho maior do setor público. Independente do sucesso ou fracasso da inovação em si, precisamos de um trabalho mais efetivo do poder público e na articulação dessas inovações com o setor privado e na disseminação delas na economia e na sociedade”, diz Luis Fernandes, presidente da Agência Brasileira de Inovação (FINEP).

»A velocidade e a tolerância ao fracasso também foram bastante citados como elementos indispensáveis para uma cultura de inovação. O lema, de acordo com Schrage, deve ser não fazer melhores consumidores, e sim tornar os consumidores melhores:

»“Inovação, como velocidade, é meio e não fim. A questão não é como você falha mais rápido, e sim como você aprende mais rápido com essas falhas. Já ganhei muito dinheiro com companhias que até agora não aprenderam com seus erros“, diz Michael.


O sucesso não depende apenas de dinheiro – um tema especialmente importante no contexto brasileiro de receitas em queda e contenção de despesas.

»Erros

»Sobre aprender com os erros, Mariana diz que pela primeira vez em uma década, olha o Brasil com mais preocupação do que excitação – e isso tem muito mais a ver com a situação do debate do que com os números econômicos:

»“O que começou no Brasil desde Lula foi um foco em inovação alinhado com um ataque à pobreza. Uma conversa horizontal que muitos países sequer tiveram. Agora, isso mudou, e meu medo é que vocês joguem o bebê junto com a água da banheira, indo para outro extremo. Claro que o Brasil tem problemas de burocracia e captura, mas não podemos cair nessa conversa medíocre de que o setor público precisa ser tímido e envergonhado. Historicamente, isso nunca funcionou em nenhum país que eu conheci.”

»Segundo ela, é importante entender que se o Estado precisa participar da inovação, precisamos tolerar tanto que ele fracasse quanto que absorva parte dos ganhos – temas tabus para alguns economistas:

»“A inovação vai falhar! O quanto permitimos ao setor público falhar é tão importante quanto pensar em como ele pode capturar parte do ganho quando dá certo. Nós culpamos o setor público quando ele faz as coisas fáceis (como o BNDES financiar as empresas grandes), mas quando financia as coisas difíceis e falha, também os culpamos!”

»Os comentários foram bem-vindos por João Carlos Ferraz, diretor do BNDES, instituição que vem sido questionada pela falta de transparência:

»“Estamos em um contexto deprê e vocês vieram afagar um ego machucado. O BNDES tem sido atacado de uma maneira absurda, mas a contribuição dele para a economia brasileira é enorme. Só aparece o lado negativo e não o positivo, então obrigado por reconhecer aqui.”»





Administração Pública e inovação

2015/11/23

Newsletter L&I, n.º 79 (2015-11-23)




Administração Pública e inovação | Administración Pública e innovación |
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Um inovador | Un innovador | Un innovateur | An innovator

Uma inovação | Una innovación | Une innovation | An innovation

A execução da inovaçao | La ejecución de la innovación | L’exécution de l’innovation |
The innovation execution



Liderar Inovando (BR)

«Por que o Brasil entrou no vermelho. Como o governo ficou sem dinheiro para pagar suas contas e o que pode ser feito de imediato para resolver o problema» [web] [intro]
«Brazil Foundation busca iniciativas sociais inovadoras para financiar» [web] [intro]
«Manifesto da Educação – Planejamento para virarmos o Camboja» [web] [intro]
«10 inovações que mudaram o mercado nos últimos anos» [web] [intro]

Liderar Inovando (PT)

«Soares da Costa assume aposta na África Central na primeira assembleia em Luanda» [web] [intro]
«Dieselgate. Cerco à indústria automóvel pede alternativas. É o fim do gasóleo?» [web] [intro]
«Os têxteis que estão a mudar o mundo» [web] [intro]
«PACC suspensa, menos alunos por turma, menos carga disciplinar, menos retenções» [web] [intro]

Liderar Innovando (ES)

«Las empresas prefieren ir a Portugal pese al saldo de polígonos gallegos» [web] [intro]
Salustiano Mato, rector de la Universidad de Vigo: «Estamos gestionando el dinero de los ciudadanos y lo principal es ser responsables y gastar lo que ingresamos aunque no nos den todo lo que necesitamos» [web] [intro]
«Errores y aciertos del vino español, esperanza en el futuro» [web] [intro]
«997 millones para “menos cemento y más conocimiento”» [web] [intro]

Mener avec Innovation (FR)

«Le président chinois propose l'innovation et une économie ouverte pour stimuler la croissance mondiale» [web] [intro]
Axelle Lemaire sur la loi numérique: «Je n’aurais pas pu faire une loi de droite» [web] [intro]
«Notre statut coopératif n’est pas une contrainte mais notre force» [web] [intro]
«Quel rôle jouera l’entreprise tunisienne dans la Deuxième République» [web] [intro]

Leadership and Innovation (EN)

«It will take more than being ‘bouncy’ to fix Australia’s innovation system» [web] [intro]
«New Work of Literary Fiction Tackles Corruption in Politics and Social Hierarchy in Modern-Day India» [web] [intro]
«Innovation, Central-Bank Style» [web] [intro]
«Sensor-to-Server: Execute Locally, Communicate Globally...» [web] [intro]

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2015/11/20

«10 inovações que mudaram o mercado nos últimos anos»



Respondido por Fernando de La Riva, especialista em negócios digitais. EXAME.com



«Startups de tecnologia têm o poder de alterar completamente a dinâmica de negócio em um segmento pré-existente, criando um novo conjunto de regras que surpreendem os “jogadores”, já que um entrante leva clientes e faturamento, antes protegidos por capacidades competitivas que não são mais relevantes.

»Esse é o sonho de 10 em cada 10 empreendedores de tecnologia: pegar um mercado enorme e jogar o velho livro de regras fora enquanto “rouba” mercado dos senhores.

»É muito complexo dizer qual o atual DNA da inovação extrema, a tal disrupção. Eu arriscaria dizer que ela se faz por um encontro de três forças: mobile, cloud e social. Além disso, vemos um movimento de eliminação de intermediações em setores muito regulados, nos quais você deve buscar uma brecha no livro de regras atual (realidade percebida) e o livro de regras real (realidade). E, assim, “hackear” o sistema.

»Listei aqui o que considero que foram os dez maiores disruptores do mercado recente de tecnologia:

»1. Tinder: o aplicativo alterou o jeito como as pessoas “flertam”, inserindo um componente mobile e social (seus amigos e interesses em comum referenciam um potencial “date”) para atacar um mercado dominado por modelos de negócio baseados em web. Um ponto muito relevante é que quem desenvolveu o app foi a própria IAC, dona do match.com, OKcupid e do Par Perfeito no Brasil. A lógica aqui é atacar primeiro antes que um novo entrante o faça.

»2. Kickstarter: o crowdfunding alterou a forma que o capital de risco é fornecido para startups e permitiu aos consumidores tomarem o papel de investidores-anjo como forma de trazer sua ideia à vida.

»3. Whatsapp: quando um aplicativo de mensagens chega a 500 milhões de usuários mensais ativos e tem mais volume de mensagens que todo o tráfego de SMS do mundo você fica pensando como devem ter ficado felizes os acionistas das Teles. O modelo de negócio tem tantas implicações por ser mobile e social que atacou também o conceito ortodoxo de rede social, tanto que foi adquirido “por segurança” pelo Facebook.

É muito complexo dizer qual o atual DNA da inovação extrema, a tal disrupção. Eu arriscaria dizer que ela se faz por um encontro de três forças: mobile, cloud e social.

»4. AirBNB: a chamada economia do compartilhamento atacou frontalmente alguns setores. A indústria de hotelaria nunca mais vai ser a mesma quando você oferece uma opção boa e barata e sem necessidade de investimento para dar liquidez. Cidades com déficit de quartos como o Rio de Janeiro tiveram um crescimento vertiginoso da adoção do portal.

»5. EasyTaxi, 99Taxis: o capitalismo de laços brasileiro criou um emaranhado regulatório que permitiu que alguns setores, mesmo prestando um péssimo serviço como o de cooperativas e pontos de táxi, continuassem funcionando. Os apps de chamada de táxi tiraram o “homem do meio” e deram liquidez e agilidade para taxistas chegarem aos seus clientes finais de forma direta e eficiente.

»6. Spotify/Deezer: quando você pode pagar um valor mensal e ter acesso a uma quantidade infindável de músicas em tempo real, toda a estratégia de distribuição de música foi atacada. Inclusive com um efeito benigno, assim como não vale mais ter CDs também não vale a pena piratear música.

»7. UBER: se o elo fraco da cadeia foi eliminado pelos apps de táxi, a mesma coisa não aconteceu no Brasil com o conceito de compartilhamento de carros para transporte executivo como opção para os táxis. Como o ambiente é politicamente muito explosivo, nem o UBER nem seus copycats brasileiros (gojames) prosperaram aqui. O principal conceito aqui é eliminar a intermediação entre quem tem tempo e algum ativo (motoristas) e quem precisa do serviço. Isto é uma reinvenção do conceito de emprego e a eliminação da figura do empregador, que pode ser aplicado a inúmeros outros mercados.

»8. Dropbox, Box: o Dropbox simplesmente funciona. Você até esquece que ele existe e pensa como viveu até hoje sem ele. Para um setor que parecia ser pouco sexy e já bem esquadrinhado, a excelência em execução fez a diferença.

»9. Amazon Web Services: com uma capacidade de pesquisa e desenvolvimento enorme, a AWS se debruçou em fornecer um serviço de nuvem (servidores virtuais, entre outras coisas) que funciona. Com isso, evoluiu incrivelmente rápido e proporcionou numa estratégia muito agressiva com 50 reduções de custo (sim, eu disse reduções) desde que foi criado. O negócio de datacenters virou um negócio de utilities e pegou a indústria de datacenters clássica completamente de surpresa.

»10. Elon Musk, SpaceX: acho que o maior disruptor da indústria hoje se chama Elon Musk, sucedendo Jobs, Gates e Bezos. Faz parte da “máfia” do PayPal (vários empreendedores brilhantes saíram de lá como Peter Thiel, Reid Hoffman e Steve Chen) e se meteu literalmente em se tornar um cientista de foguetes com a SpaceX enquanto atacava a indústria de automóveis com sua visão de carros elétricos e a Tesla Motors.»





A execução da inovaçao

2015/11/19

«Manifesto da Educação – Planejamento para virarmos o Camboja»



Mario Manhães Mosso. Mariomanhaes.com.br



«A meta principal do atual Plano Nacional da Educação é transformar o Brasil no Camboja.

»Por isso esse manifesto.

»Um livro repercute somente depois de 10 anos de publicado; é o que demora um livro para levar suas ideias a um bom número de pessoas. O manifesto, pelo contrário, pode fazer efeito em uma semana, se vocês me ajudarem a reverberar.

»Nós só conseguiremos melhorar se os prezados leitores difundirem essa mensagem. Se não o fizerem, é verdade: ficaremos nos últimos lugares da educação. O que significa que continuaremos com todos os problemas de violência e pobreza, e ainda pioraremos.

»É fácil entender o problema através de um exemplo simples:

»Imaginemos uma corrida no deserto com 200 carros competindo. Isso mesmo: 200 carros. E a largada já foi dada há um bom tempo.

»Cinco carros estão emparelhados em 50º lugar. Esses 5 são os carros dos países emergentes. Vamos aproximar esses dados, por favor. É só para fechar o exemplo.

»O que acontece quando dentre esses 5 carros emparelhados, um está a 20 km/h e os outros quatro estão a 80 Km/h? (esse carro a 20 Km/h é o Brasil).

»Imagine ainda que os carros que estão atrás desses 5 estejam a 30, 40, 50 ou até a 80 km/h.

ȃ como o nosso carro estivesse quase parado, certo?

»O que acontecerá nos próximos Km? Ficaremos em último.

»É isso - o Plano Nacional da Educação traçou a seguinte meta: andar a 20 Km/h. Isso está escrito, documentado. No Plano Nacional da Educação está escrito: Vamos rastejar!!!

»Vamos aos números: No PNE, definiram como meta que nosso IDEB deve crescer anualmente em média 0,125. Posso arredondar para 0,1? Entre no www.mec.gov.br e verifique as metas.

»Sabem o que significa isso? Que em 30 anos seremos o Canadá. Entretanto, isso só acontecerá se o Canadá e todos os outros países do mundo ficarem parados. O que nunca acontecerá.

»Para melhorarmos em relação aos outros países, nossa velocidade tem de ser superior a deles. Não é óbvio?

»Eis a prova através do índice mais respeitado do mundo na avaliação da educação, o sistema PISA (vá ao final rolando a página):
https://pt.wikipedia.org/wiki/Programa_Internacional_de_Avalia%C3%A7%C3%A3o_de_Alunos

»Não é difícil ser desenvolvido: a China passou a Finlândia em Educação. Meus queridos amigos, isso é sério. É muito sério. Eles saíram da nossa posição e agora são os primeiros. No índice mais respeitado do mundo. Não se deixem levar por afirmações como: mais o Pisa não considera isso ou aquilo. É o PISA. E os países mais poderosos, como os EUA, não estão entre os dez primeiros. Vejam os critérios e as provas. Batem direitinho com nosso IDEB:

»http://www.oecd.org/pisa/keyfindings/pisa-2012-results.htm

Para melhorarmos em relação aos outros países, nossa velocidade tem de ser superior a deles. Não é óbvio? Não é difícil ser desenvolvido: a China passou a Finlândia em Educação. Meus queridos amigos, isso é sério. É muito sério. Eles saíram da nossa posição e agora são os primeiros. No índice mais respeitado do mundo. Não se deixem levar por afirmações como: mais o Pisa não considera isso ou aquilo. É o PISA. E os países mais poderosos, como os EUA, não estão entre os dez primeiros.

»Meus Deus! Ninguém está vendo o que está acontecendo? A China está em primeiro, repito.

»Na nossa velocidade, senhoras e senhores, em 10 anos eles irão nos comer com farinha!! Não é para ser engraçado. Temos de ficar realmente preocupados. E muito preocupados com o nosso governo, porque ele precisa reformar todo o PNE agora. Agora!!! Imaginem se eles não confessarem o erro e esperarem outro governo!! Agora! Esse é o objetivo do manifesto! Socorro! Mude tudo agora!!

»Parem de falar que é difícil. Vamos trabalhar! Nenhum país virou desenvolvido sem trabalhar, se lamentando e dizendo que é difícil. Colocaram o objetivo e simplesmente agiram.

»O objetivo de todo o país é: ser o melhor do mundo, em todas as áreas (saúde, educação etc.). Definido esse objetivo, lutaremos para encontrar os meios para chegarmos a esse fim. E é muito mais fácil do que imaginam. Eu vos digo: é fácil, é quase idiota, e estão enganando vocês dizendo que é difícil. Nesse momento, a cólera aparece e dizemos palavrões.

»Atingir o objetivo de melhorar 0,1... É só ficar sentado. Uma tartaruga via mais rápido que 0,1.

»É assim que se faz um planejamento. E isso é tão básico, que, embora odeie teorias da conspiração, chego a pensar que nosso planejamento foi feito por representantes dos países desenvolvidos, para não terem problemas com o Brasil. Como homens e mulheres brasileiros, com doutorado, atuantes no Ministério da Educação, fizeram isso?

»Reverberem, reverberem, reverberem. Eu fiz a minha parte. Mas não estou feliz. REVERBEREM! JÁ!

»Não quero revolução, não quero impeachment, não quero saber sé é situação ou oposição. O importante é mudar o plano AGORA!!

»Abraço fraternal, Mario Manhães Mosso. mariomanhaes@yahoo.com.br.»





Uma inovação

2015/11/18

«Brazil Foundation busca iniciativas sociais inovadoras para financiar»



El País



«A crise econômica brasileira vem atingindo sobretudo as classes sociais mais desfavorecidas. Como resposta a este “momento econômico desafiador”, a financiadora BrazilFoundation (BF), uma organização que há 15 anos capta recursos por meio de doações para financiar projetos sociais no Brasil, lançou seu edital anual para selecionar e financiar entidades que queiram desenvolver projetos nas áreas de saúde, educação e cultura, direitos humanos e participação cívica, e desenvolvimento socioeconômico. A BF busca, desta forma, fortalecer iniciativas que estejam contribuindo para a transformação social do país, ao destinar um total de dois milhões de reais para financiar os projetos ao longo de 2016 —entre 30.000 e 50.000 reais para cada um. As inscrições vão até o próximo dia 30 de novembro.

»Maria Cecilia Oswaldo Cruz, diretora de programas da BF, explica por telefone ao EL PAÍS que a organização trabalha a partir de quatro pilares básicos: “Ela identifica os projetos, apoia financeiramente, ajuda em seu desenvolvimento e conecta com outro projetos”. Com relação a este último ponto, a diretora explica que a fundação promove o intercambio entre organizações e metodologias com o objetivo de criar uma rede de iniciativas sociais.

»A entidade não busca projetos que apenas supram uma carência —isto é, com um caráter puramente filantrópico—, mas sobretudo que tenham um relativo impacto em uma determinada área ou comunidade, apresentando uma metodologia inovadora e que promova um desenvolvimento a longo prazo, segundo Oswaldo Cruz.

»Além do apoio financeiro, a organização oferece treinamento aos membros das organizações selecionadas “com o objetivo de fortalecer as estratégias de planejamento, gestão financeira, comunicação e captação de recursos”.

Além do apoio financeiro, a organização oferece treinamento aos membros das organizações selecionadas “com o objetivo de fortalecer as estratégias de planejamento, gestão financeira, comunicação e captação de recursos”.

»A novidade deste ano está na parceria entre a BF e a Bovespa, através da qual 20 dos projetos financiados estarão em uma plataforma de captação da Bolsa, o que vai garantir recursos para mais um ano, segundo Oswaldo Cruz.

»Desde 2000, a BF arrecadou 35 milhões de dólares (133 milhões de reais na atual taxa de câmbio) que foram investidos em 950 projetos de 440 organizações sociais de todo o país. Entre estão, por exemplo, a Ação Moradia, de Uberlândia (Minas Gerais), que promove a construção de moradias populares com tijolo ecológico; ou as Cooperativa de Oficinas Caboclas, em Santarém (Pará), que apoia o artesão para vender suas peças; ou o Gente é Pra Brilhar, que oferece oficinas de dança e saúde em São Paulo.

»No ano passado, a BF lançou ainda o projeto Women for Women Project (Projeto Mulheres para Mulheres), com a finalidade de encontrar 100 mulheres, brasileiras ou de qualquer parte do mundo, que doassem 100.000 dólares cada uma para criar uma rede de colaboração local e global que fomentasse os direitos e as oportunidades da mulher no Brasil.

»“O setor social no Brasil ainda é muito fragmentado e, diante da urgência dos desafios sociais, precisamos criar uma cultura de colaboração e compartilhamento de metodologias”, explica Patricia Lobaccaro, presidenta da BF, em um comunicado. Para ela, o processo de formalização das organizações do país é lento, custoso e não consegue acompanhar a urgência das demandas sociais. “A ideia de financiar iniciativas ainda não formalizadas, através da nossa rede de parceiros, é usar a sabedoria e o conhecimento adquiridos em seus respectivos territórios e áreas de atuação para democratizar o acesso a recursos e incentivar a inovação e a descoberta de novas tecnologias sociais”.»





Um inovador

2015/11/17

«Por que o Brasil entrou no vermelho. Como o governo ficou sem dinheiro para pagar suas contas e o que pode ser feito de imediato para resolver o problema»



José Fucs. Época



«"O Orçamento Nacional deve ser equilibrado. As dívidas públicas devem ser reduzidas, a arrogância das autoridades deve ser moderada e controlada. (...) As pessoas devem novamente aprender a trabalhar, em vez de viver por conta pública.”

»Marco Túlio Cícero,

»político, orador e filósofo romano, em 55 a.C.


»Na segunda-feira da semana passada, a presidente Dilma Rousseff tomou uma decisão inusitada. Depois de recorrer às “pedaladas” fiscais, para mostrar um aparente equilíbrio nas contas públicas no primeiro mandato, Dilma resolveu escancarar, ainda que a contragosto, a “herança maldita” que deixou para si mesma. Em sua proposta de Orçamento para 2016 – entregue formalmente pelos ministros Joaquim Levy, da Fazenda, e Nelson Barbosa, do Planejamento, ao presidente do Congresso Nacional, Renan Calheiros –, ela reconheceu de forma explícita que o governo federal não terá dinheiro suficiente para pagar todos os seus compromissos no ano que vem. A dívida pública, hoje, está na faixa de R$ 2,5 trilhões. Em vez do superavit esperado para cobrir os juros dessa obrigação, o governo fechará as contas no vermelho, com deficit estimado em R$ 30,5 bilhões, o equivalente a 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) – o pior resultado em 21 anos, segundo dados da Secretaria do Tesouro Nacional.

»“O Brasil entrou no cheque especial”, diz o economista Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central, apontado por Aécio Neves para assumir o comando da economia se ele tivesse vencido as eleições. “A situação fiscal é dramática, muito, muito delicada”, afirma o ex-ministro da Fazenda e do Planejamento Antonio Delfim Netto, que apoiava Dilma até pouco tempo atrás e agora se alinha aos críticos do governo. “Cada passo mal pensado e mal combinado, que termine em mais uma frustração, pode levar ao precipício.”

»Segundo Dilma, seu objetivo ao assumir o rombo no Orçamento de 2016 era dar maior transparência às finanças públicas. Não deixa de ser um alento, após as manobras contábeis adotadas no passado recente, questionadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU). “Mais vale um deficit real declarado do que um superavit artificial formado por pedaladas”, diz o ex-ministro da Fazenda Francisco Dornelles, hoje vice-governador do Rio de Janeiro e presidente de honra do PP – partido que, ao menos na teoria, ainda faz parte da base governista no Congresso.

»Ainda assim, a decisão de Dilma, de apresentar uma proposta de Orçamento deficitário, assustou os analistas. Primeiro, porque revela sua dificuldade em assumir o comando do ajuste fiscal, ao querer dividir com o Congresso o ônus que teria com a adoção de novas medidas de contenção de gastos. Segundo, porque passa a mensagem de que o governo não consegue gerenciar as próprias finanças nem tem o senso de urgência necessário para equacionar a questão. “O governo jogou a toalha no ajuste fiscal”, diz o economista e consultor Affonso Celso Pastore, ex-presidente do Banco Central (BC).

»Apesar da alegada transparência exibida por Dilma, algumas premissas usadas no Orçamento colocam em xeque sua viabilidade e alimentam suspeitas de que o deficit de 2016 será ainda maior que o previsto. Enquanto o Boletim Focus, do BC, mostra que a média dos analistas prevê uma retração do PIB de 0,4% no ano que vem, com impacto negativo na arrecadação, o governo fez suas projeções com base numa taxa de crescimento de 0,2%, superestimando as receitas. No mercado, calcula-se que o deficit primário (receitas menos gastos, excluído o pagamento de juros da dívida pública) poderá chegar a 1% do PIB – o dobro da previsão oficial. E isso mesmo com a nova alta de impostos anunciada pelo governo, que deverá render R$ 11,2 bilhões a mais em 2016. Na visão dos analistas, nem mesmo o superavit de 0,1% do PIB prometido pelo governo para 2015 (0,15% para todo o setor público) deverá ser cumprido [...]. “Acabou o sonho desse gasto desenfreado, sem critério”, afirma o economista Samuel Pessôa, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), ligado à Fundação Getulio Vargas.

»Segundo o deputado Ricardo Barros (PP-PR), relator-geral do Orçamento, o buraco nas contas de 2016 poderá superar os R$ 70 bilhões, mais que o dobro do previsto. Barros defende a inclusão na conta dos gastos com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), estimados em R$ 42,4 bilhões. Eles foram excluídos do Orçamento. Diz que também não foram contabilizados mais R$ 3,4 bilhões em gastos com emendas parlamentares obrigatórias e recursos para compensação dos Estados por conta da isenção tributária de produtos e serviços para exportação.

»No ato de entrega da proposta orçamentária ao Congresso, a expressão de desalento de Levy, ao lado de Barbosa e Calheiros, confirmava, para quem ainda tinha dúvidas, que o ajuste fiscal naufraga. Conhecido como “Mão de Tesoura”, Levy foi nomeado com a missão de cortar gastos e rever benesses distribuídas por Dilma na primeira gestão. Mas, desde sua posse, em janeiro, ele coleciona sucessivas derrotas – e a apresentação do Orçamento de 2016 com deficit foi apenas a mais recente (leia o texto sobre Levy na pág. 17). “O Orçamento não pode ser interpretado como licença para viver em deficit”, afirmou Levy, após a entrega da proposta. “No ano passado, tivemos deficit. Neste ano, estamos numa luta muito forte e difícil. Vamos achar que vamos ter outro deficit e não vai acontecer nada?”

»No mercado financeiro, houve reação imediata à deterioração do quadro fiscal e ao aumento do risco de o Brasil perder o grau de investimento. O dólar comercial fechou a semana em R$ 3,80, com alta de 5%. O dólar turismo chegou a ser vendido por R$ 4,20 em algumas casas de câmbio. O índice Bovespa, que reflete o desempenho dos papéis mais negociados na Bolsa de São Paulo, acumulou baixa de 1,1% na semana. “Indicar um deficit primário no Orçamento significa admitir que o país não consegue seguir por um caminho que evite o pior”, diz Ilan Goldfajn, ex-diretor do BC e economista-chefe do Itaú Unibanco. “O que está diante de nós é a seguinte pergunta: o Brasil quer voltar a ter uma trajetória sustentável ou se tornar um país como a Grécia?”, diz Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor de Política Monetária do BC e sócio da Mauá Capital, de São Paulo.

»Hoje, há quase um consenso entre os economistas, algo raro, quanto à necessidade de uma profunda reforma do Estado, para reequilibrar o Orçamento e evitar o crescimento acelerado da dívida pública. Ela deverá superar a barreira de 70% do PIB em 2016, segundo previsões de analistas – o dobro da média dos 20 maiores países emergentes. Mais que tudo, é necessário promover a reforma da Previdência Social, o principal sorvedouro de recursos do Tesouro. De acordo com os cálculos do economista Fabio Giambiagi, um especialista na área, em 1995 a despesa com o pagamento de benefícios e a receita com as contribuições se igualavam. Ambas estavam em 4,6% do PIB. Desde então, as contribuições cresceram apenas para 6,2% do PIB, enquanto a despesa avançou para 7,5% do PIB. Abriu-se na conta um fosso de quase R$ 70 bilhões por ano.

De acordo com os cálculos do economista Fabio Giambiagi, um especialista na área, em 1995 a despesa com o pagamento de benefícios e a receita com as contribuições se igualavam. Ambas estavam em 4,6% do PIB. Desde então, as contribuições cresceram apenas para 6,2% do PIB, enquanto a despesa avançou para 7,5% do PIB. Abriu-se na conta um fosso de quase R$ 70 bilhões por ano.

»Giambiagi diz que a diferença tende a aumentar, pela vinculação da maioria dos benefícios ao salário mínimo, que sobe mais que a inflação, e pelo envelhecimento da população. “É insustentável”, afirma.

»Segundo ele, para equacionar o problema, o governo terá de fixar uma idade mínima para a aposentadoria, que pode subir gradativamente, e desvincular os menores benefícios do salário mínimo ou mesmo revisar a fórmula de reajustes. Também terá de estender o prazo mínimo de contribuição para a aposentadoria por idade, hoje de 15 anos, e insistir na proposta de racionalização das pensões por morte, amenizada pelo Congresso no primeiro semestre.

»Fora a reforma da Previdência, o governo precisará dar flexibilidade às despesas obrigatórias, que representam, segundo Barbosa, 90,5% do total. Algumas foram criadas com o apoio do próprio governo, como o Plano Nacional de Educação, que prevê o aumento de gastos na área para 10% do Orçamento até 2022, e a vinculação de 15% da receita líquida corrente a despesas com saúde até 2018. Também precisará reduzir a sonegação e reavaliar os programas sociais, para identificar os que não cumprem seus objetivos e devem ser abandonados. Por fim, deverá propor uma trava às despesas públicas em proporção do PIB e a revisão do sistema de reajuste dos salários do funcionalismo.

»Embora tudo isso seja essencial para tornar sustentável a administração federal no médio prazo, não se devem perder de vista os cortes possíveis de imediato. “Eu me recuso a acreditar que, num país com tanto gasto e tanta ineficiência, não seja possível achar espaço para melhorar”, diz Goldfajn, do Itaú Unibanco. “Há muita margem na base da gestão para reduzir despesas”, afirma Leonardo Rolim, consultor de Orçamento na Câmara dos Deputados. O próprio Levy defende a ampliação do corte. No atual cenário de penúria, o governo deveria ter congelado contratações em 2016, em vez de ter incluído no Orçamento a contratação de novos servidores. Deveria propor também uma poda nos subsídios do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que oneraram o Tesouro em R$ 184 bilhões, a ser pagos nos próximos anos, e nas verbas para sindicatos e associações de classe. Ainda que isso coloque o governo em choque com grupos de interesse, muitos ligados ao PT, é o preço a pagar para recolocar as contas em ordem.

»Mesmo sem proporcionar economia relevante, o corte no número de ministérios e de milhares de cargos comissionados deixará claro para a sociedade que o momento é de apertar os cintos. Se passar um pente-fino nos gastos do dia a dia e aumentar a eficiência, com a adoção de metas e da meritocracia para o funcionalismo, o governo provavelmente colherá resultados surpreendentes. “Se não tomarmos as medidas necessárias para subordinar as despesas do governo à receita, caminharemos para um desconforto fiscal que, lentamente, foi a causa de nossa hiperinflação”, diz Delfim Netto.

»O governo reluta. Prefere passar a fatura para a sociedade e ampliar a carga tributária, que já roça 36% do PIB – a mais alta entre países emergentes. Dilma, ao vetar cortes de gastos propostos por Levy, parece acreditar que essa é a melhor saída e não descarta a volta da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). O governo estuda propor a unificação do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), que poderá extrair das empresas mais R$ 50 bilhões por ano. E deverá usar eventuais receitas obtidas com concessão de serviços e venda de imóveis para pagar despesas, em vez de investir. “A solução de aumentar imposto é sempre muito pobre”, diz Luiz Fernando Figueiredo. “Tem uma discussão muito errada de que é bom aumentar gastos porque o país é muito carente.” Hoje, com o caixa do governo no vermelho, o momento não poderia ser mais oportuno para mudar o disco.»





Administração Pública e inovação

2015/11/16

Newsletter L&I, n.º 78 (2015-11-16)




Administração Pública e inovação | Administración Pública e innovación |
Administration Publique et innovation | Public Administration and innovation

Um inovador | Un innovador | Un innovateur | An innovator

Uma inovação | Una innovación | Une innovation | An innovation

A execução da inovaçao | La ejecución de la innovación | L’exécution de l’innovation |
The innovation execution



Liderar Inovando (BR)

«Veja as empresas selecionadas para o Pitch Gov SP» [web] [intro]
«Marcas apresentam carros do futuro no Salão de Tóquio» [web] [intro]
«Os investimentos estratégicos de que o Brasil precisa» [web] [intro]
«FPI do São Francisco inicia 4ª etapa do projeto» [web] [intro]

Liderar Inovando (PT)

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Liderar Innovando (ES)

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«La Fundación Caja Rural reúne por primera vez en España 18 casos de éxito en la inclusión de personas con discapacidad» [web] [intro]
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Mener avec Innovation (FR)

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Leadership and Innovation (EN)

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