2016/02/29

Newsletter L&I, n.º 93 (2016-02-29)



n.º 93 (2016-02-29)


Administração Pública e inovação | Administración Pública e innovación |
Administration Publique et innovation | Public Administration and innovation

Um inovador | Un innovador | Un innovateur | An innovator

Uma inovação | Una innovación | Une innovation | An innovation

A execução da inovaçao | La ejecución de la innovación | L’exécution de l’innovation |
The innovation execution



Index


Liderar Inovando (BR)

«Pesquisa coloca Recife no ranking das cidades inteligentes» ( ► )
José Vítor Camilo: «Modelo para inspirar o ensino» ( ► )
Amelia Gonzalez: «‘Bem Viver’, o conceito que imagina outros mundos possíveis, já se espalha pelas nações» ( ► )
«Convênio da SDR e UFPI beneficiará projeto de aquicultura sustentável» ( ► )

Liderar Inovando (PT)

«EDP e Refer na plataforma de dados abertos de Lisboa» ( ► )
«Orçamento Participativo de Braga candidato a Prémio de Boas Práticas» ( ► )
«Casa Ermelinda inaugura Adega Leonor Freitas» ( ► )
«As votações para eleger as melhores ideias dos cidadãos para Lisboa» ( ► )

Liderar Innovando (ES)

«Amplio apoyo de la militancia del PNV a la hoja de ruta del plan de autogobierno» ( ► )
David Guerrero: «L’Hospitalet quiere imitar a Brooklyn y ser un imán para el sector cultural. La segunda ciudad de Catalunya revive industrias con iniciativas artísticas» ( ► )
«Primeros encuentros de ADEVAG (Asociación para el Desarrollo de las Vegas Altas del Guadiana) para diseñar su nueva estrategia» ( ► )
«Un nuevo horizonte de desarrollo turístico» ( ► )

Mener avec Innovation (FR)

«Lancement des Objectifs de Développement Durable (ODD) au Mali: Cap sur l’horizon 2030» ( ► )
Yann Petiteaux: «Ismaël Meïté, l'as de l'innovation participative» ( ► )
Frédéric Sauzet: «Vous y croyez à l'innovation participative?» ( ► )
«Paris renforce les moyens dédiés à la propreté» ( ► )

Leadership and Innovation (EN)

«Inspiring the politics of hope (UN Sustainable Development Goals)» ( ► )
Michelle Curran: «Connecting communities with science» ( ► )
Justine Humphry: «How do we stop people falling through the gaps in a digitally connected city?» ( ► )
«Boosting the Circular Economy: European project to promote separate paper collection launched» ( ► )

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2016/02/26

«Convênio da SDR e UFPI beneficiará projeto de aquicultura sustentável»



Larissa Machado. Portal do Governo do Estado do Piauí



«Serão investidos recursos na ordem de R$ 1.013.277,71 para execução do projeto.

»A Secretaria de Estado do Desenvolvimento Rural (SDR) firmou, nessa quarta-feira (27), convênio com a Universidade Federal do Piauí (UFPI) com o objetivo de apoiar o desenvolvimento de tecnologias socioambientais, promovendo a sustentabilidade do cultivo de organismos de animais, por meio das técnicas de aquicultura, de acordo com o Plano de Trabalho aprovado. A assinatura do convênio foi durante evento do Projeto Sementes e Saberes, realizado pelo Centro de Saberes Delta ECOcocais e UFPI, no Centro de Formação da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Piauí (Fetag). Além do secretário da SDR, Francisco Limma, e do reitor da UFPI, José Arimatéia Dantas Lopes, também participaram do evento a vicegovernadora do Piauí, Margarete Coelho; o delegado do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Marcelo Mascarenhas, dentre outras autoridades.

»Ao todo, serão investidos recursos na ordem de R$ 1.013.277,71 para execução do convênio. A ação vai contemplar o Projeto Centro de Tecnologias em Aquicultura Sustentável – Estação Delta da UFPI, coordenado pelo professor Josenildo de Sousa e Silva. O projeto visa o melhoramento genético de peixes, domesticação de espécies nativas da bacia do rio Parnaíba, produção de larvas, pós-larvas e alevinos de peixe e camarão. Para Margarete Coelho, a assinatura do convênio é de grande importância, uma vez que a aquicultura tem destaque, principalmente na região Nordeste. “Os dados indicam que a aquicultura no Nordeste é a que mais cresce no Brasil. Está em primeiro lugar, ultrapassando até mesmo o Sul do país. Isso mostra o quanto nosso estado é rico também em águas de superfície como lagoas, rios, barreiros e açudes”, ressaltou a vice-governadora.

»Após a assinatura do convênio, o secretário da SDR fez a doação de 300 mudas de caju e de saquinhos com sementes de milho aos jovens participantes do evento como forma, simbólica, de reforçar que uma das prioridades da pasta é o apoio à agricultura familiar. “Fico animado, porque vejo aqui um grupo de pessoas que está inserido em um processo de busca por conquistas para a juventude e para o meio rural”, revelou Francisco Limma.


“Fico animado, porque vejo aqui um grupo de pessoas que está inserido em um processo de busca por conquistas para a juventude e para o meio rural”, revelou Francisco Limma.

»Projeto Sementes e Saberes

»O evento está trabalhando a temática “Construção de conhecimentos em Metodologias Participativas e Agroecologia” e segue até sábado (30). Estão sendo realizadas oficinas, palestras e capacitações com temas destinados à emancipação da juventude rural e desenvolvimento territorial e construção de novos saberes voltados para o fortalecimento da agricultura familiar.

»Francisco Everardo da Silva Sousa é estudante de Engenharia de Pesca e afirmou que a aplicação deste módulo de ensino é relevante para mostrar aos jovens que existem boas perspectivas para quem vive no campo. “O ensino de novas técnicas para aplicação no meio rural, bem como incentivos do governo, a exemplo da assinatura deste convênio, contribui para evitar o êxodo rural. Esta formação vem mostrar que a vida no campo não é mais sofrida como antigamente. Hoje existe um alto teor de tecnologia disponível, existem oportunidades, facilidade de financiamentos. É possível ter êxito no campo”, declarou Francisco Everardo.

»O Evento é direcionado aos participantes dos projetos Sementes dos Saberes Agroecológicos, Juventudes de Assentamentos Agrários do Piauí e Gestão dos Territórios dos Cocais-PI e da Planície Litorânea-PI; e conta com o financiamento do Ministério do Desenvolvimento Agrário; Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação; Secretaria Nacional da Juventude; Secretaria de Política para Mulheres; CNPq; Incra e Banco do Nordeste.»





A execução da inovaçao

2016/02/25

Amelia Gonzalez: «‘Bem Viver’, o conceito que imagina outros mundos possíveis, já se espalha pelas nações»



G1



«Como prometi, volto ao tema “Bem Viver”, sobre o qual comentei no último post após ter mergulhado no livro O Bem Viver, de Alberto Acosta (Ed. Autonomia Literária e Elefante) nesse fim de semana. Devo dizer que foi uma ótima leitura, que me possibilitou boas reflexões, mesmo sob os acordes carnavalescos precoces aqui debaixo da minha janela. Acosta liga pontos que, na visão de muitos autores citados por ele, colaboraram para que a situação chegasse à tremenda desigualdade social, à tremenda devastação ambiental, à crise econômica e política que vemos hoje no mundo inteiro. E que pavimentaram o caminho que vai da euforia pelo desenvolvimento – fenômeno que começou depois do fim da II Guerra – para o desencanto pelo mesmo desenvolvimento, que tem alcançado os dias atuais. O desenvolvimento, na visão do conceito “Bem Viver”, ocidentalizou a vida no planeta.

»A difusão de padrões de consumo já inconcebíveis; as máquinas nos transformando em simples ferramentas, quando a relação deveria ser inversa; a eterna superioridade dos colonizadores, que se sentem legitimados a desqualificar conhecimentos de povos tradicionais. São questões pensadas no livro.

»O “Bem Viver” chama atenção para algumas armadilhas, como o “mercantilismo ambiental exacerbado há várias décadas e que não contribuiu para melhorar a situação”. Entram aí os conceitos de “economia verde”, “desenvolvimento sustentável” que têm sido apenas uma espécie de “maquiagem desimportante e distrativa”. Os indicadores ambientais e sociais, que surgem em profusão, não conseguem chegar a um acordo e, na visão de Acosta, “acabam por cercear ideias inovadoras”.

»É importante, aqui, dizer que Alberto Acosta, o autor que propõe uma ruptura civilizatória e oferece os caminhos para isso, em 2007 pôs os Direitos da Natureza na Constituição do Equador, um feito inédito no mundo. É economista, foi um dos responsáveis pelo plano de governo da Alianza País, partido encabeçado por Rafael Correa, presidente desde então. Acosta foi também Ministro de Energia e Minas do Equador. Mas se distanciou do governo de Correa justamente na fase de implantação da Constituinte.

»“É verdade que na Constituição equatoriana se tensionam os dois conceitos – Bem Viver e Desenvolvimento – mas não é menos verdade que os debates na Assembleia Constituinte, que, de alguma maneira, ainda continuam, foram posicionando a tese do Bem Viver como alternativa ao desenvolvimento. No entanto, deve ficar claro que o governo equatoriano utilizou o ‘Buen Vivir’ como um slogan para propiciar uma espécie de retorno ao desenvolvimento”, escreve Acosta.

»A base do pensamento do “Bem Viver” é indígena. Entre as muitas contribuições sobre o tema aceitos pelos organizadores do pensamento, há reflexões da comunidade Sarayaku, na província de Pastaza, Equador, onde se elaborou um “plano de vida” que sintetiza princípios fundamentais do “Bem Viver”.

»É difícil resumir a proposta desse conceito porque ele vai de um polo a outro, o que torna a minha tarefa aqui bem complexa. O “Bem Viver”, além de fazer parte da constituição do Equador e da Bolívia, tem sido debatido em outras partes do mundo. Países europeus, como Espanha e Alemanha, já têm seguidores desse conceito. Mas, antes que haja uma confusão, é bom dizer: não se trata de estimular o “dolce far niente”, a arte de não fazer nada. Como está escrito no subtítulo do livro, a questão aqui é imaginar outros mundos possíveis, tarefa que, por sinal, vem sendo tentada pela humanidade desde sempre. Em alguns momentos, lendo o livro de Acosta, recordei trechos do “Nosso Futuro Comum”, relatório final da longuíssima reunião proposta pelas Nações Unidas e conduzida por Gro Brundtland, ex-primeira-ministra da Noruega, de 1984 a 1987. Sendo assim, em vez de alongar-me em comentários sobre o conceito, passo a descrever algumas das principais propostas do “Bem Viver”.

»1) Não é mais uma ideia de desenvolvimento alternativo dentro de uma longa lista de opções: apresenta-se como uma alternativa a todas elas e se fundamenta na construção de um estado plurinacional e eminentemente participativo. A tarefa, complexa, é aprender desaprendendo, aprender e reaprender ao mesmo tempo.

Não é mais uma ideia de desenvolvimento alternativo dentro de uma longa lista de opções: apresenta-se como uma alternativa a todas elas e se fundamenta na construção de um estado plurinacional e eminentemente participativo. A tarefa, complexa, é aprender desaprendendo, aprender e reaprender ao mesmo tempo.

»2) O convite é para se ter clareza, antes de mais nada, sobre o que são os horizontes de um estado plurinacional. Com isso, propõe-se construir uma nova história, uma nova democracia, pensada e sentida a partir do respeito aos povos originários, à diversidade, à natureza .

»3) Como se propõe a ser uma alternativa ao desenvolvimento, o “Bem Viver” exige outra economia, sustentada nos princípios de solidariedade e reciprocidade, responsabilidade, integralidade. O objetivo é construir um sistema econômico sobre bases comunitárias, orientadas por princípios diferentes dos que propagam o capitalismo ou o socialismo. Será preciso uma grande transformação, não apenas nos aparatos produtivos, mas nos padrões de consumo, obtendo melhores resultados em termos de qualidade de vida. Uma lógica econômica que não se baseie na ampliação permanente do consumo em função da acumulação do capital. Há que desmontar tanto a economia do crescimento como a sociedade do crescimento. Não é só o decrescimento, ele tem de vir acompanhado de mudanças da economia.

»4) Essa nova economia deve permitir a satisfação das necessidades atuais sem comprometer as possibilidades das gerações futuras, em condições que assegurem relações cada vez mais harmoniosas do ser humano consigo mesmo, dos seres humanos com seus congêneres e com a natureza. Nesse sentido, o conceito do “Bem Viver” se aproxima daquele registrado no relatório “Nosso Futuro Comum”: satisfazer as necessidades básicas de todos e estender a todos a oportunidade de satisfazer suas aspirações para uma vida melhor.

»5) Os padrões de consumo no “Bem Viver” devem olhar para um prazo longo de sustentabilidade. Os valores vão encorajar padrões de consumo dentro dos limites ecológicos possíveis e aos quais todos possam aspirar.

»6) A descentralização assume papel preponderante. Para construir, por exemplo, a soberania alimentar a partir do mundo camponês, com a participação de consumidores e consumidoras. Aqui emergem com força muitas propostas que querem recuperar a produção local com o consumo dos produtos localmente, chamadas “iniciativa zero quilômetro”. O fundamento básico é o desenvolvimento das forças produtivas locais, controle da acumulação e centramento dos padrões de consumo.

»7) Tudo deve ser acompanhado de um processo político de participação plena, de tal maneira que se construam contrapoderes com crescentes níveis de influência no âmbito local.

»8) A ideia não é fomentar uma “burguesia nacional” e voltar ao modelo de substituição de importações. Mercado interno, aqui, significa mercado de massas e, sobretudo, mercados comunitários onde predominará o “viver com o nosso e para os nossos”, vinculando campo e cidade, rural e urbano. Poderá ser avaliado, a partir desse modelo, como participar da economia mundial.

»9) As necessidades humanas fundamentais podem ser atendidas desde o início e durante todo o processo de construção do “Bem Viver”. Sua realização não seria, então, a meta mas o motor do processo.

»10) Pessoas e comunidades podem viver a construção do “Bem Viver” num processo autodependente e participativo. O “Bem viver” se converte em um bem público, com um grande poder integrador, tanto intelectual como político. Fortalece processos de assembleias em espaços comunitários. Repensa profundamente os partidos e organizações políticas tradicionais.

»11) O conceito fundamental é: crescimento permanente é impossível. O Lema é “melhor com menos”. Preferível crescer pouco, mas crescer bem, a crescer muito, porém mal. Tem que haver consenso e participação popular.

»12) O trabalho é um direito e um dever em uma sociedade que busca o “Bem Viver”. Tem-se que pensar em um processo de redução do tempo de trabalho e redistribuição do emprego. Mas outro fetiche a ser atacado é o mercado: subordinar o estado ao mercado significa subordinar a sociedade às relações mercantis e ao individualismo. Busca-se, então, construir uma economia com mercados, no plural, a serviço da sociedade. O comércio deve se orientar e se regular a partir da lógica social e ambiental, não da lógica da acumulação do capital.

»13) No “Bem Viver” os seres humanos são vistos como uma promessa, não uma ameaça. Não há que se esperar que o mundo se transforme para se avançar no campo da migração. Há que agir para provocar essa mudança no mundo.

»14) Surge com força o tema dos bens comuns. Podem ser sistemas naturais ou sociais, palpáveis ou intangíveis, distintos entre si, mas comuns , pois foram herdados ou construídos coletivamente. É indispensável proteger as condições existentes para dispor dos bens comuns de forma direta, imediata e sem mediações mercantis. Tem que evitar a privatização dos bens comuns. O que se busca é uma convivência sem miséria, sem discriminação, com um mínimo de coisas necessárias. O que se deve combater é a excessiva concentração de riqueza, não a pobreza.

»15) Não há que desenvolver a pessoas, é a pessoa que deve se desenvolver. Para tanto, qualquer pessoa tem que ter as mesmas possibilidades de escolha, ainda que não tenha os mesmos meios.»





Uma inovação

2016/02/24

José Vítor Camilo: «Modelo para inspirar o ensino»





«Especialistas afirmam que métodos diferenciados ensinam os estudantes a aprender.

»Embora causem desconfiança em muitos pais, os métodos diferenciados de ensino de instituições como a Escola Municipal João Pio, em Tiradentes, no Campo das Vertentes, são bem aceitos por pedagogos, que acreditam que os modelos poderiam inspirar mudanças e até trazer mais qualidade ao ensino público. Para a professora Soraia Freitas Dutra, do centro pedagógico da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o ensino básico tradicional é mais focado na leitura e na escrita, esquecendo-se de habilidades mais sensíveis das crianças.

»“Quando se usa a curiosidade natural dessas idades, amplia-se as leituras de mundo, que é o sentir, o viver, o ver, coisa que as escolas comuns não privilegiam tanto”, defende.

»Segundo a especialista, as escolas democráticas não só não prejudicam o futuro dos estudantes nas instituições de ensino tradicionais, como ajudam a desenvolver futuros pesquisadores. “Quando o estudante é instigado a conhecer e a investigar, ele adquire uma série de habilidades que permitem não somente sair de lá lendo, mas desenvolve a autonomia no aprendizado. Ensina a pesquisar”, acredita.

»Soraia considera ainda que o modelo de repetição de conteúdo, que para ela resume a metodologia da escola comum do país, é muito menos consistente do que os métodos alternativos. “Esses projetos mais ousados são muito mais eficientes no que se refere à formação. Os alunos dessas escolas aprendem a aprender. Se, no futuro, houver alguma dificuldade em alguma área específica, por exemplo na matemática, um cursinho pode resolver a deficiência”, afirma.

“Esses projetos mais ousados são muito mais eficientes no que se refere à formação. Os alunos dessas escolas aprendem a aprender. Se, no futuro, houver alguma dificuldade em alguma área específica, por exemplo na matemática, um cursinho pode resolver a deficiência”, afirma Soraia Freitas.

»Ponderação. A psicóloga e pedagoga Sônia Flores, mestre em mídia e educação, acredita que as escolas democráticas são “um ideal”, mas pondera que elas devem vir acompanhadas de profissionais bem preparados para orientar as pesquisas das crianças.

»“Motivação para aprender as crianças têm, mas é preciso um acompanhamento sério. Seguindo a lógica do interesse do aluno, um cronograma e o que seria ensinado em uma determinada série, qualquer coisa pode ser ensinada a qualquer hora. A não ser que seja algo sequencial, como matemática”, diz.

»Apoio Pais. Conforme Sônia Flores, o apoio dos pais ao método pedagógico é importante. “Eles precisam comprar a ideia para não ficar inseguros. É certo que os filhos aprenderão, e com prazer”.


»Alguns colégios que usam métodos não tradicionais

»Escola da Ponte (Portugal). Fundada em 1976 pelo professor José Pacheco, em Porto. Atende crianças de 5 a 13 anos com base nas chamadas “escolas democráticas”.

»Projeto Âncora (Cotia/SP). Surgiu em 1995 como uma associação civil voltada para a população carente. Em 2012, a escola fundamental foi criada, também com base na escola portuguesa. A instituição, que hoje troca experiências com a escola João Pio, de Tiradentes, por conferências virtuais, acredita que uma prática educacional acolhedora e participativa permite que as pessoas sejam “felizes e sábias”.

»Escolas Waldorf (por todo o mundo). A Pedagogia Waldorf foi criada em 1919 pelo filósofo alemão Rudolf Steiner. Também é focada na individualidade dos alunos, ensinando conforme o ritmo de desenvolvimento físico, intelectual e espiritual dos alunos. Conta com o ensino fundamental e médio, ensinando, além das matérias tradicionais, música, teatro, jardinagem e até marcenaria.

»Escola da Serra (BH). Instituição particular na região Centro-Sul que também integrou o mapeamento do MEC. Em 2014, eliminou os muros da setorização por idade e passou a funcionar na lógica do ciclo, respeitando ritmos e propósitos individuais.

»Conhecer Educação e Cultura (Leopoldina/MG). Escola particular da Zona da Mata que também entrou no mapa do MEC. Tem salas com mesas para trabalho em grupo, favorecendo a interação entre os alunos de diferentes idades.


»História de uma aluna ‘que deu certo’

»Após estudar do ensino fundamental ao médio em uma escola da pedagogia Waldorf, a engenheira civil Carolina Saviotte, 33, conta que só pegou em caneta comum no vestibular. No começo, escrevia com lápis de cor, em caderno sem pauta, tudo, segundo ela, “muito colorido”. Foi na 6ª série, que usou a primeira caneta, mas no modelo tinteiro, de pena. “Aprendemos a tabuada com cantos, tínhamos aula de teatro, aquarela, tricô, tear, desenho e flauta. Fazíamos pão, aula de argila e vários esportes. Futebol era proibido. Também tinha uma horta e separávamos o lixo reciclável”, lembra.

»Um único professor ensinou todas as disciplinas, além de inglês e espanhol. Ela não fez provas, sendo avaliada apenas pelo professor. “Descobri que existia vestibular no 2º ano. Houve uma tensão, mas, na escola, ouvia que o vestibular era só um passo, não a linha de chegada. Deu certo, aos 17 entrei para uma faculdade federal sem passar por cursinho ou pressão”, disse.»





Um inovador

2016/02/23

«Pesquisa coloca Recife no ranking das cidades inteligentes»



Mariana Fabrício. Diario de Pernambuco



«Coordenado pela Connected Smart Cities, estudo é contestado por especialistas, que apontam as deficiências da capital pernambucana nos quesitos analisados.

»Imagine uma cidade funcionando como um organismo, onde todo trabalho é interligado e há cooperação em cada performace. Sem dificuldade para estacionar, nem esperas longas por ônibus e fácil acesso aos órgãos públicos. Esse parece um lugar dos sonhos, mas pode ser a cidade do futuro. O conceito de cidades inteligentes (smart cities, em inglês) já faz parte das principais metrópoles do mundo e aos poucos tem ocupado a agenda das prefeituras brasileiras.

»Com um dos principais polos tecnológicos do país, o Recife não fica de fora dessa discussão, principalmente por iniciativa de acadêmicos, startups e do Porto Digital. Apesar dos entraves em sua infraestrutura, um ranking nacional realizado pela organização Connected Smart Cities colocou a capital pernambucana em décimo lugar como maior potencial de desenvolvimento nas áreas relacionadas ao conceito de cidades inteligentes. Alguns indicadores para chegar ao resuldado foram segurança, mobilidade, saúde, educação, economia, governança, tecnologia e urbanismo.

»Segundo o engenheiro de sistemas do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar), Felipe Ferraz, ainda existe muito a se fazer por aqui neste sentido. "Por esses indicadores da pesquisa estamos bem, mas não poderíamos ser colocados como a décima smart city do país", afirma. Para Ferraz, a falta de planejamento é o maior impedimento para a cidade avançar. "Não existe um plano piloto que prevê como a cidade vai estar daqui a dez ou cinquenta anos, por exemplo", diz. Para o engenheiro, uma cidade para ser considerada inteligente precisa estar instrumentada e interconectada.

»De acordo com o pesquisador de cidades inteligentes e professor do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco, Kiev Gama, alguns pilares essenciais não foram avaliados na pesquisa e outros complicadores dificultam a boa posição da cidade em um ranking como esse. "Um dos pilares de cidades inteligentes é o de governança participativa e transparente. Isso não foi avaliado ali", comenta. Na opinião de Gama, falta investimento na área. "Um entrave é não haver ainda um planejamento formal nem um orçamento para uma estratégia de cidade inteligente na grande maioria das cidades brasileiras", aponta.

»A definição mais difundida sobre cidades inteligentes apresenta uma tendência mundial baseada fortemente em Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) para melhorar a vida das pessoas em centros urbanos. No entanto, o conceito pode ser mais amplo e escapar das ações feitas exclusivamente pela tercnologia. "De forma geral, trazemos sempre um olhar muito tecnológico para cidades inteligentes, mas não devemos nos limitar apenas a TIC. Precisamos pensar em cidades para pessoas, e não só sensores, sistemas e aplicativos: maior acessibilidade, um sistema de transporte coletivo mais eficiente, mais ciclovias, melhor gestão de resíduos, melhor planejamento urbano, dentre vários outros tópicos", completa o professor do Cin.

»Desde equipar a cidade com ferramentas para gestão urbana, como controle e monitoramento, até o uso de ferramentas que empoderam o cidadão com transparência e maior participação nas ações de governo, iniciativas públicas e privadas podem tornar um ambiente mais inteligente. "Independentemente de existirem grandes investimentos ou não, o próprio ecossistema de inovação da cidade poderia focar em cidades inteligentes, fomentando-se a criação de empresas centradas nesta problemática, ao invés de apenas comprar soluções estrangeiras", critica Kiev Gama.

“Quanto mais cidades inteligentes, mais pessoas inteligentes e por consequência cidadãos com maiores chances de criar uma sociedade mais democrática e igualitária. Pode ser até uma utopia se pensarmos dentro das dimensões globais, mas aos poucos esta revolução já está acontecendo”, diz Castro.

»A participação popular é apontada também pelo mebro da ONG Leading Cities e fundador da Baumann Consultancy Network, Renato de Castro. "Pessoas conectadas criam uma maior possibilidade de termos cidadãos informados ou pelo menos com acesso a esta informação. O mesmo tem se visto em outros países com extrema desigualdade social como a India e China. Logo, quanto mais cidades inteligentes, mais pessoas inteligentes e por consequência cidadãos com maiores chances de criar uma sociedade mais democrática e igualitária. Pode ser até uma utopia se pensarmos dentro das dimensões globais, mas aos poucos esta revolução já está acontecendo", diz Castro.

»Para o fundador da consultoria, o conceito de metrópoles inteligentes está crescendo, mas não pode ser considerado ainda uma realidade nacional. Outro ranking também da Connected Smart Cities, aponta o Rio de Janeiro como a quarta cidade da América do Sul com mais potencial "smart". "O grande segredo do Rio foi ter conseguido viabilizar Parcerias Público Privadas. Este modelo ao meu ver é a grande solução para o investimento em projetos de cidade inteligente no Brasil", explica Renato de Castro.


»Soluções locais

»Uma das ferramentas de participação popular é a Colab.re, que coleta publicações de problemas urbanos denunciados e promove o contato do cidadão com a Prefeitura responsável. O exemplo de gestão participativa já funciona em todo país. Como uma rede social, o morador pode tirar uma foto, localizar, explicar a reivindicação e esperar o retorno do órgão público responsável. As publicações podem ganhar apoiadores e comentários, além do compartilhamentos para outras redes.

»"Está se chegando a um consenso em vários países que os governos não podem dar conta de todas as demandas dos cidadãos, mas podem disponibilizar recursos para as próprias pessoas desenvolverem ferramentas úteis para todos. Seja para melhorar o bairro, criar novos mecanismos de fiscalização, melhorar algum canal do cidadão com o poder público, dentre outras possibilidades", comenta o professor Kiev Gama.

»Projeto do Porto Digital para este ano, o Laboratório de Objetos Urbanos Conectados (L.O.U.co), será mais um espaço para a população. Aberto para startups embarcadas, empresas e estudantes discutirem problemas urbanos, o local deve ser inaugurado em março e será equipado de sensores inteligentes.

»O objetivo é propor desafios para os moradores. O espaço terá 130 metros quatrados e ficará localizado no polo de economia criativa, Porto Mídia. "Vamos propor soluções em diversas áreas, como saúde, mobilidade e segurança utilizando IOT. Acredito que a cidade precisa ter mais possibilidades que dificuldades", comenta o coordenador de tendências do Porto Digital, Jacques Barcia.»





Administração Pública e inovação

2016/02/22

Newsletter L&I, n.º 92 (2016-02-22)



n.º 92 (2016-02-22)


Administração Pública e inovação | Administración Pública e innovación |
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Um inovador | Un innovador | Un innovateur | An innovator

Uma inovação | Una innovación | Une innovation | An innovation

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The innovation execution



Index


Liderar Inovando (BR)

Carlos Cardoso: «Empreendedorismo, “um estado de espírito”!» ( ► )
Zacarias Gama: «Florestan Fernandes continua a ter razão» ( ► )
Wanda Camargo: «Arte na escola» ( ► )
«Cidade italiana criadora do ravioli divulga 'Raviggiolo Day'» ( ► )

Liderar Inovando (PT)

«Universidade do Minho passa a fundação pública com regime de
direito privado» ( ► )
«Sólido como uma pedra aos 90 anos, Zygmunt Bauman fala sobre migração e relacionamentos» ( ► )
Beatriz Dias Coelho: «500 anos depois, o sentido de Utopia não se perdeu» ( ► )
Francisco I: «Diálogo e transparência nos processos decisórios» ( ► )

Liderar Innovando (ES)

La Secretaría de Innovación, Ciencia y Desarrollo Tecnológico (SICDET) de Michoacán une al sector para el desarrollo del empleo, la economía inclusiva y la igualdad social ( ► )
«Los Roca emprenden la revolución humanista de la cocina» ( ► )
«Cómo transformar ideas en innovación y la innovación en modelos de negocio rentables» ( ► )
«El Hospital Clínico San Carlos de Madrid y el Instituto de Innovación y Desarrollo de la Responsabilidad Social Sociosanitaria (Inidress) exploran nuevas vías de colaboración» ( ► )

Mener avec Innovation (FR)

Jean-Yves Buron: «Réfugiés, pauvres d’ici: faut-il choisir?» ( ► )
Jean-François Prevéraud: «Les missions du design aujourd’hui» ( ► )
Olivier Klein: «Dans la crise, un espoir raisonné» ( ► )
«Abdelhamid Addou, nouveau Président Directeur Général de la Royal Air Maroc (RAM): Un choix judicieux» ( ► )

Leadership and Innovation (EN)

«United States Association for Body Psychotherapy Announces Eighth Conference on Somatic Psychology» ( ► )
Emily Rappleye, Tamara Rosin and Erin Marshall: «7 rules for CEOs to live by, whether at a small start-up or global corporation» ( ► )
Matthew Kearney: «A fundamental question in UW debate: Will it be pursuit of knowledge or simply employable skills?» ( ► )
Ryan Holmes: «How To Plan Now For Tomorrow's Robotic Workforce» ( ► )

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Atribución-NoComercial 4.0 Internacional








2016/02/19

«Cidade italiana criadora do ravioli divulga 'Raviggiolo Day'»





«A receita dos primeiros raviólis, descrita em um manuscrito de 1548, serviu como sugestão para a criação de um projeto comunitário e de marketing territorial: o "Raviggiolo Day", dia dedicado ao queijo típico italiano.

»A ideia surgiu do documento "Catalogo dell'inventori delle cose che si magiano, delle bevande ch'oggidi s'usano" ("Catálogo dos inventores das coisas que se comem e das bebidas que se usam"), do humanista milanês Ortensio Lando, onde a origem de uma das massas mais tradicionais da cozinha italiana é explicada e ligada à cidade de Cernusco sul Naviglio, na Lombardia.

O ravióli foi criado no município de Cernusco.

»Ao que indica o manuscrito, o ravióli surgiu da palavra ‘raviggiolo’, nome de um dos queijos mais usados na produção tanto da massa quanto do recheio do prato, e realmente foi criado no município de Cernusco.

»Por isso, e para comemorar o evento "Cernusco 2032: La Città dell'Inovazione", ("Cernusco 2032: A Cidade da Inovação"), o dia 16 de janeiro foi escolhido como o "Raviggiolo Day". E no vilarejo, a data foi comemorada com workshops, laboratórios gastronômicos para as crianças e com uma degustação do prato medieval em uma chave contemporânea.»





A execução da inovaçao

2016/02/18

Wanda Camargo: «Arte na escola»



Portal Bem Paraná



«Mesmo com ameaças — algumas vezes já concretizadas, como aconteceu com o Instituto Nacional de Musica do Afeganistão, onde um militante taleban explodiu-se tentando atingir o diretor, Ahmad Naser Sarmast — países nas áreas de atuação do Estado Islâmico ou Taleban possuem algumas escolas oferecendo o ensino da arte aos estudantes.

»Isso acontece porque é indiscutível a melhoria do processo educacional, quando dele faz parte toda, ou pelo menos alguma, das manifestações artísticas humanas.

»Segundo o educador Demerval Saviani, “o trabalho educativo é o ato de produzir, direta e intencionalmente, em cada indivíduo singular a humanidade que é produzida histórica e coletivamente pelo conjunto dos homens”, complementando que a produção social do saber não é obra de cada geração independente das demais. Portanto, toda formação estética tem sido indispensável ao enfrentamento das novas demandas do mundo do trabalho, e a atividade criadora, segundo diretrizes emanadas do próprio Conselho Nacional de Educação, “é uma atitude diante de todas as formas de expressão, que deve estar presente no desenvolvimento do currículo na gestão escolar, e não se dissocia das dimensões éticas e políticas da educação”.

»No atentado citado, houve evidentemente uma mistura de incompreensão para com o ensino de artes e a violência de gênero, já que o fato de turmas serem mistas, misturado meninas e meninos, principalmente com o véu sendo opcional para as garotas, provocou a ira dos grupos extremistas. Mas a continuidade das atividades desta mesma escola após o atentado tem sido exemplo de coragem e persistência, mostrando ao mundo que a educação musical é fundamental para o amadurecimento e plena expansão da capacidade criativa da juventude.

»E não apenas a música, mas várias outras formas de exercício criativo, como pintura, escultura, artesanato, tem complementado a formação de jovens e adultos, permitindo que se expressem e se integrem mais adequadamente à sua comunidade, sejam mais solidários e inclusivos. De fato, quando compartilhamos o espaço vital com as manifestações artísticas, não educamos apenas o olhar, mas principalmente o espírito.

»O trabalho educativo é mais completo e eficiente se dele fizer parte a formação estética, por interferir na atividade criadora. Embora tradicionalmente uma escola trabalhe com o conhecimento lógico, não apenas este promove a formação integral, já que a educação humanista tem múltiplas dimensões, não pode ter qualidade um processo educativo que vise tão somente capacitar um executor de tarefas mecânicas.

O trabalho educativo é mais completo e eficiente se dele fizer parte a formação estética, por interferir na atividade criadora.

»Embora o exercício profissional exija eficácia técnica para a solução dos problemas rotineiros, a verdadeira inovação normalmente virá daqueles que tenham perspicácia e maior conhecimento de si mesmo e dos demais, uma aceitação do Outro e pouco medo de tentar coisas novas, o que é muito facilitado se o processo educativo envolveu arte e cultura. A ênfase exclusiva nos procedimentos racionais muitas vezes não permite compreender os relacionamentos sociais com maturidade e discernimento.

»Talvez seja a isso que reagem as organizações radicais, essa possibilidade de aceitar o diferente, que nem todos sejam iguais ou pensem da mesma forma: a estupidez do atentado terrorista à casa de shows Bataclan, em Paris, onde músicos se apresentavam, teve recentemente uma resposta, que mesmo não consolando aqueles que perderam entes queridos, expressa a importância de não ceder ao obscurantismo, à violência e ao desespero, pois haverá reabertura deste local em que jovens se reuniam.

»O orgulhoso desafio da líder basca “La Pasionaria” aos esbirros de Franco na guerra civil espanhola: “No pasarán!”, não passarão, permanece atual e cada vez mais necessário.»





Uma inovação

2016/02/17

Zacarias Gama: «Florestan Fernandes continua a ter razão»



Carta Maior



«O querido Mestre continua a ter razão: somos incapazes de impedir a nossa incorporação dependente, desta vez em uma Sociedade e Economia do Conhecimento.

»A Presidente da República Dilma Rousseff acaba de sancionar a Lei nº 13.243, de 11 de janeiro de 2016, que dispõe sobre estímulos ao desenvolvimento científico, pesquisa, capacitação científica e tecnológica e à inovação. O autor do Projeto de Lei foi o deputado federal Bruno Araújo (PSDB-PE) que presidiu a Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Deputados em 2011. Um Marco Legal da Ciência, Tecnologia e Inovação era esperado há muito tempo pela comunidade de cientistas brasileiros, ansiosa por “medidas de incentivo no ambiente produtivo, com vistas à capacitação tecnológica, ao alcance da autonomia tecnológica e ao desenvolvimento do sistema produtivo nacional e regional do País”.

»Os princípios em que se baseia o Marco Legal não apenas visam a promoção das atividades científicas e tecnológicas estratégicas, mas também a continuidade dos processos de desenvolvimento científico; redução das desigualdades regionais; espraiamento das atividades científicas pelo território nacional; promoção da cooperação entre os setores público e privado e entre empresas; estímulo à atividade de inovação nas instituições científicas e nas empresas; promoção da competitividade empresarial interna e externamente; incremento da capacidade operacional, científica, tecnológica e administrativa das instituições científicas, tecnológicas e de Inovação (ICTs); desburocratização e simplificação de procedimentos para a gestão de projetos de ciência, tecnologia e inovação; e apoio, incentivo e integração dos inventores independentes às atividades das ICTs e ao sistema produtivo.

»Nas bases em que foi sancionado, sua justificativa é a necessidade de incrementar o desenvolvimento científico, tecnológico e de inovação do País e à crise de financiamento vivida pelas agências governamentais de fomento. A abertura à iniciativa privada na área de ciências, tecnologia e inovação, conforme os cânones privatistas do PSDB, deverá se traduzir em substantivos aportes de recursos financeiros e tecnológicos, permitindo que o País nominalmente se insira no que está sendo chamado de Sociedade e Economia do Conhecimento. Mas, como era de esperar há perversidades e entreguismos aparentes, aliás bem característicos do modus operandi deste partido político.

»A primeira e mais visível tem a ver com a exclusiva prioridade à ciência, tecnologia e inovação e o consequente alheamento das demais áreas do conhecimento, condenando-as a estados de incerteza e indefinição. Em sua redação ficou parecendo que a ciência, tecnologia e inovação prescindem de qualquer humanidade. A história, entretanto, nos mostra que a desumanização da ciência pode gerar exclamações trágicas como as do físico Julius Robert Oppenheimer (1904 –1967) após o sucesso de sua bomba termonuclear: “Agora eu me torno a morte, o destruidor de mundos”. Mahatma Ghandi, em sua sabedoria, também já nos dizia que a ciência sem humanismo é um pecado capital produtor de injustiças sociais.

»No Brasil, lamentavelmente a tendência de desumanização da ciência anda a passos largos. As Estratégias Nacionais de Ciência, Tecnologia e Inovação para o período 2012 – 2015, divulgadas pelo Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT, 2012) e aqui tomadas como exemplo, consideram o ser humano apenas como capital social destinado a engrossar os recursos compassivos para o desenvolvimento nacional.

As Estratégias Nacionais de Ciência, Tecnologia e Inovação para o período 2012-2015 consideram o ser humano apenas como capital social destinado a engrossar os recursos compassivos para o desenvolvimento nacional.

» O foco que coloca na sociedade visa diminuir as desigualdades e elevar bem-estar social e faz parecer que o objetivo é a construção de um “Admirável Mundo Novo”, que à semelhança daquele pensado por Aldous Huxley também se edificaria essencialmente científico e harmonizado com as leis e regras sociais, pouco se importando com o distanciamento de vários princípios éticos e de valores morais. Como no mundo de Huxley, o soma, ou outra droga alucinógena qualquer, é que diminuiria o sofrimento e a infelicidade; Shakespeare, ao que tudo indica, ao mesmo tempo tenderia a ser uma coisa exótica e própria de alguns selvagens.

»Outro problema certamente mais grave é a privatização da produção científica, tecnológica e inovadora. A abertura das nossas instituições ICTs, parques e polos tecnológicos à entrada de empresas privadas ávidas de lucro, se de um lado garante os recursos financeiros e materiais para o desenvolvimento científico e tecnológico do País, de outro facilita que tais empresas se utilizem do capital intelectual das ICTS brasileiras e retenham para si a propriedade e a titularidade intelectual sobre os resultados ainda que na forma da legislação corrente.

»Não é insensato pensar o risco de vivermos um ciclo de colonização da nossa produção de conhecimentos pelos centros orgânicos do capitalismo mundial. Ajuizar que tais empresas investirão no desenvolvimento de ciência, tecnologia e inovação de modo a contribuir para o desenvolvimento independente e sustentável do Brasil é de uma ingenuidade pueril. As inversões estrangeiras servirão antes à acumulação de riquezas nos centros orgânicos do capital e à manutenção da nossa dependência.

»O Marco Legal poderia ter mais cores nacionais. Por que não ser prioritariamente indutor do desenvolvimento científico, tecnológico e inovador do Brasil contando com a cooperação das forças sociais existentes? Por que não comprometer a área com a modernização, desenvolvimento e fortalecimento País, levando-o a se mover independente pelo conhecimento?

»Ora, sabidamente as nossas ICTs, parques e polos tecnológicos têm múltiplos objetivos e fins, nem todos, porém, podem ser redutíveis às estreitas percepções do mundo capitalista. Assim, vale então perguntar: por que não se insurgir contra a apropriação dos conhecimentos científicos, tecnológicos e de inovação pela propriedade privada, na qual se funda o capital? Por que se tornar basicamente um facilitador do vigoroso processo de privatização dos recursos humanos e do patrimônio científico público? O Sindicato Andes-SN, ao criticá-lo, observa inclusive que em médio prazo é possível que o conhecimento produzido nas ICTs brasileiras sequer possa ser publicado por seus desenvolvedores, visto que serão patenteados e controlados por financiadores privados.

»A análise desse Marco Legal nos remete inexoravelmente a Florestan Fernandes e aos padrões que enunciou para explicar a dominação externa na América Latina. O querido e saudoso Mestre continua a ter razão, na medida em que permanecemos incapazes de impedir a nossa incorporação dependente, desta vez em uma Sociedade e Economia do Conhecimento. Por incrível que possa parecer a institucionalização de nossa produção científica prossegue sendo realizada com a exclusão permanente dos interesses nacionais e sacrifício de um estilo democrático de vida.

»Ainda insistimos em estabelecer “uma conexão estrutural interna para as piores manipulações do exterior” (FF, 2008).»





Um inovador

2016/02/16

Carlos Cardoso: «Empreendedorismo, “um estado de espírito”!»



Manchete Online



«Uma pergunta que sempre me persegue é: o que diferencia pessoas de sucesso das demais, quais são as características de um empreendedor. Com o know-how adquirido nesses cerca de 40 anos de empreitadas, concluí que ser empreendedor é transformar simples ocasiões em grandes acontecimentos, é possuir a capacidade de detectar oportunidades em épocas de crises, é retirar do papel ideias e torná-las viáveis, implantando projetos e concretizando sonhos – ser empreendedor é “UM ESTADO DE ESPÍRITO”!

»Empreendedor também é ser “ciclista vitalício”, porque ao andar de bicicleta, se você parar de pedalar, em algum momento você vai cair para a esquerda ou para a direita, por causa da força da gravidade. Na vida também é assim, se você ficar estagnado, será ultrapassado. O gênio Albert Einstein criou a analogia da bicicleta – “viver é igual andar de bicicleta, para manter o equilíbrio é necessário estar em contínuo movimento”, não é deslumbrante!

»Um das grandes alquimias da vida é manter-se em homeostase, buscando o constante equilíbrio. Nesse contexto, é necessário que o Todo de seu organismo esteja em perfeito estado de harmonia com as suas Partes, uma analogia com a Nova Ciência – A Teoria da Complexidade.

»Algumas características que destaco nos empreendedores são disciplina, organização, pró-atividade, criatividade, imaginação, inovação, visão, liberdade, ousadia e inteligência espacial, expressão que significa vislumbrar um cenário real a partir de um espaço vazio, a capacidade de imaginar coisas funcionando dentro desses locais intangíveis, encontrada principalmente em projetistas e desenhistas, escultores e pintores, arquitetos, marinheiros e astronautas, em médicos cirurgiões e até em empreendedores. Além disso, são motivados simplesmente pelo ato da realização em si mesma, transformam problemas em soluções, sonhos e ideias em realidade, adoram planejar, são comunicativos, tem o traquejo da oratória, sabem expor, comercializar e vender bem as suas ideias, atraem pessoas e retém os talentos para navegar no seu “barco”.

Algumas características que destaco nos empreendedores são disciplina, organização, pró-atividade, criatividade, imaginação, inovação, visão, liberdade, ousadia e inteligência espacial.

»E ainda, ficam à frente do projeto, dão o exemplo – são os primeiros a chegar e os últimos a sair –, colocam a mão na massa, são formadores de opinião, criam grupos de seguidores, são líderes, tomam decisão e não têm “medo de colocar a cara à tapa”.

»Desde o início de minha carreira sempre me intitulei um empreendedor-idealista – sentia um orgulho enorme em enunciá-lo. Até chegado o dia em que numa palestra que eu estava ministrando, alguém fez um comentário por demais interessante – “Hitler também era um idealista”! Pois é a mais pura das verdades, e a partir dessa inteligente intervenção, introduzi em minhas mensagens a expressão “idealistahumanista”, que exprime com mais clareza e exatidão o que eu queria transmitir.

»Um dos expoentes espíritos empreendedores do século passado foi Charles Chaplin, a quem sempre admirei pela força de trabalho, a energia incomensurável em que se entregava na busca pelos seus objetivos e metas, como também, pelo lado eclético, pois era nada mais nada menos do que ator, diretor, produtor, comediante, dançarino, roteirista e músico, mas principalmente, em destaque, um humanista de primeira categoria e grandeza, expressa claramente em inúmeras de suas obras cinematográficas.»





Administração Pública e inovação

2016/02/15

Newsletter L&I, n.º 91 (2016-02-15)



n.º 91 (2016-02-15)


Administração Pública e inovação | Administración Pública e innovación |
Administration Publique et innovation | Public Administration and innovation

Um inovador | Un innovador | Un innovateur | An innovator

Uma inovação | Una innovación | Une innovation | An innovation

A execução da inovaçao | La ejecución de la innovación | L’exécution de l’innovation |
The innovation execution



Index


Liderar Inovando (BR)

«Estudos científicos para recuperação da Bacia do Rio Doce
serão intensificados» ( ► )
«Meliá comemora 60 anos apostando na internacionalização de seu portfólio com 25 aberturas este ano» ( ► )
«Gallus traz novas tecnologias para produção de ovos durante o Show Rural Coopavel 2016» ( ► )
«A verdadeira “Era do Cliente”» ( ► )

Liderar Inovando (PT)

«A TAP: Governo rejeita contratação de consultores para negociar reversão» ( ► )
«Projetos da indústria transformadora e na região Norte lideram corrida aos novos incentivos europeus do Portugal 2020. provados €700 milhões em 2015» ( ► )
«Inteligência artificial segue em frente entre o medo e a esperança» ( ► )
«De Londres e Harvard, mérito impulsiona startups» ( ► )

Liderar Innovando (ES)

«Para erradicar el hambre, ONU dio comida reciclada a gobernantes» ( ► )
«La alfareña Inés Guillorme Baldero, uno de los '30 under 30' por su innovación educativa según la 'International Literacy Association'» ( ► )
«Ropa inteligente, la nueva tendencia para seguir hiperconectado» ( ► )
«Asamblea del proyecto europeo 'Leanwind' en la sede de la Plataforma Oceánica de Canarias (PLOCAN) en Taliarte» ( ► )

Mener avec Innovation (FR)

«La Chine, futur leader de la nouvelle révolution industrielle mondiale?» ( ► )
«L'industrie du futur en test à Fos» ( ► )
Kemal Dervis: «Pour la nouvelle année, essayons de retrouver
l'espoir d'hier» ( ► )
«De la métamorphose de l’emploi par le numérique au revenu universel» ( ► )

Leadership and Innovation (EN)

Naadiya Moosajee: «Is Africa Leading the Innovation Revolution?» ( ► )
«Xerox to Separate into Two Market-Leading Public Companies Following Completion of Comprehensive Structural Review» ( ► )
James Keene and Jonathan Reichental: «Idea to retire: Government is responsible for taking care of everything» ( ► )
American Hospital Association (AHA): «America's Hospitals: Centers of Innovation» ( ► )

2016/02/12

«A verdadeira “Era do Cliente”»



Portal Call Center



«Os consumidores de hoje estão mais conectados do que nunca, e as empresas que querem ter sucesso neste novo ambiente devem proporcionar uma experiência de serviço ao cliente sem rupturas durante as interações, em todos os canais.

»Plataformas de gestaõ de relacionamento com clientes (CRM), a inovação oriunda da Internet das Coisas (IoT), a adoção massiva de aplicativos para serviços, e a infraestrutura de softwares em nuvem, compõem um leque de soluções para auxiliar empresas modernas na busca por um relacionamento ágil e sem ruptura com seus clientes.

»Para falar sobre este cenário, conversamos com Maurício Prado Silva, Vice- Presidente da Commercial Business Unit da Salesforce:


»PCC - Hoje, a adoção, implementação, uso e aproveitamento das tecnologias para o relacionamento com clientes são cada vez mais importantes para o melhor desempenho das empresas. Como a Salesforce analisa o mercado brasileiro nesse momento? Como a sua companhia tem absorvido esse impulsionamento e trabalhado na melhoria de seus serviços e soluções?

»MP - Nunca existiu um momento tão importante nos negócios para se investir em CRM. A explosão da computação em nuvem acelerou a possibilidade de que todas as pessoas e todas as coisas possam estar conectadas. Nos próximos anos serão 6 bilhões de smartphones, 3 bilhões de pessoas em redes sociais e mais de 75 bilhões de produtos conectados -- todos gerando volumes imensos de dados. E por trás de cada dispositivo, aplicativo ou produto existe um cliente.

»Portanto, estamos vivendo uma verdadeira Era do Cliente, na qual a fonte de diferenciação das empresas será a capacidade de estabelecer conexões personalizadas e relevantes com clientes, colaboradores, parceiros e demais integrantes da sua cadeia de valor.

estamos vivendo uma verdadeira Era do Cliente, na qual a fonte de diferenciação das empresas será a capacidade de estabelecer conexões personalizadas e relevantes com clientes, colaboradores, parceiros e demais integrantes da sua cadeia de valor.

»E nós na Salesforce estamos muito empolgados em fazer parte desta transformação. Nos últimos 16 anos nós expandimos e redefinimos o significado de CRM -- incorporando aspectos de redes sociais, mobilidade, ciências de dados e Internet das Coisas -- para que nossos clientes possam gerir qualquer tipo de relacionamento.

»O Brasil está vivendo um momento importante no qual empresas de todos os tamanhos estão acelerando a sua adoção de CRM em diversas indústrias como Serviços Financeiros, Telecomunicações, Saúde, Manufatura, Automotivo, Agribusiness e outros.


»PCC - Até que ponto a Gestão do Relacionamento com o Cliente (CRM, apoiada em aplicativos e computação em nuvem, podem efetivamente ajudar os líderes de experiência do consumidor a perceber e antecipar suas necessidades num ambiente dinâmico e em constante evolução - para então atendê-los da melhor forma?

»MP - Uma das grandes transformações que estamos começando a vivenciar em CRM é a evolução para Sistemas de Inteligência. Se colocarmos em perspectiva a evolução da indústria de tecnologia notamos que tivemos uma primeira onda que fomentou sistemas de registro no qual o interesse primário era de registrar dados em sistemas de tecnologia para então processar estes dados. Em uma segunda onda, impulsionada pelas revoluções de cloud, social e mobilidade, as empresas evoluíram -- e ainda estão evoluindo -- para sistemas de engajamento. Na terceira onda utilizaremos ciências de dados para criar sistemas de inteligência que usam modelos preditivos e inteligência artificial.

»O mais interessante é que os modelos estatísticos e algoritmos já são utilizados há décadas, por exemplo em modelos de crédito financeiro, mas agora, com a convergência de avanços em computação, processamento, largura de banda de internet e armazenamento, evoluiremos para sistemas de inteligência. Ou seja, software que fica mais inteligente conforme volumes de dados e transações crescem. Software que pode ser treinado e ensinado a reconhecer padrões, antecipar comportamentos, predizer e recomendar ações.

»Um exemplo prático que algumas centrais de atendimento já têm adotado são modelos preditivos de "Next Best Action" que orientam o atendente sobre a melhor ação a ser tomada com base no histórico do cliente e nas interações que estão ocorrendo em tempo real entre o agente de atendimento e o cliente.


»PCC - Ainda sobre atendimento ao cliente, qual futuro você vislumbra para as operações de relacionamento tendo em vista o surgimento incessante de novas tecnologias de comunicação e até mesmo a Internet das Coisas (IoT)? Será possível pensarmos num futuro em que o atendimento será realmente disponível em qualquer hora e em qualquer lugar?

»MP - Sem dúvida, como comentamos acima CRM está na fronteira de diferenciação dos negócios sendo impulsionado pelas revoluções de cloud, social, mobilidade, ciências de dados e internet das coisas. Com essa transformação cada produto ("coisa") será um canal de comunicação e atendimento entre a empresa e o cliente. Isso já é uma realidade para vários clientes da Salesforce. Os carros da Tesla por exemplo são conectados com centrais de atendimento que monitoram indicadores do veículo e entram em contato em caso de alguma emergência ou manutenção.

»Alguns equipamentos de ressonância magnética da Philips usam a plataforma de atendimento da Salesforce e têm um botão de "SOS" no próprio equipamento para que o operador obtenha assistência durante um procedimento.»





A execução da inovaçao