2016/04/29

«Família planta uma árvore por dia em cidade do interior paulista»



Catraca Livre



«Um desafio individual de uma família que acabou gerando um benefício coletivo. Juntos, pai, mãe e seus dois filhos, um de 3 e outro de 6 anos, resolveram expandir o quintal de casa para fora dos muros e espalhar o verde pelo bairro onde vivem na cidade de Socorro, interior de São Paulo.

»A iniciativa foi do gestor público Franks Prado que durante uma conversa em família resolveu plantar uma árvore por dia. O desafio foi concluído no fim do ano passado e resultou em 366 árvores plantadas pela cidade.

»“O propósito foi mostrar que é possível, através das ações individuais, fazer a diferença para nossas cidades e para o nosso planeta”, conta Franks.

»A ação deu tão certo que, durante os plantios, muitos vizinhos se dispuseram a ajudar. Além disso, o desafio que ganhou página no Facebook inspirou pessoas de diferentes cidades a replicar ideias semelhantes em seus bairros.»





A execução da inovaçao

2016/04/28

Ken Otterbourg: «Parques urbanos: como áreas verdes dentro das grandes cidades contribuem para o bem-estar de todos»



National Geographic Brasil vía Viaje aqui. Foto*: Simon Roberts.



«A natureza mais perto de casa. E seu efeito na nossa vida.

»É ótima a sensação de não estar exatamente perdido – mas sem poder ser achado. Abro caminho pelo mato, acompanhando um riacho sem nome no nordeste de Ohio, e passo por cima de árvores caídas na travessia de uma ravina de rocha argilosa. A água leitosa de tanto lodo escorre em minúsculas cascatas. O sol dança na correnteza e na madeira dos troncos. Tiro as botas, e a lama das poças entra fria nos dedos dos pés. A distância, logo depois do morro, o som da cidade vem e vai. A civilização está tão perto mas parece distante, e é nessa ambivalência que reside o fascínio de um parque urbano.

»O lugar é uma filial do Parque Nacional Vale Cuyahoga, uma manchinha de tinta espichada no mapa da vasta rede viária de Cleveland e Akron. O astro do parque é o resiliente Rio Cuyahoga, outrora um chavão quando se falava em ruína ambiental, por causa de uma pilha gosmenta de detritos de óleo que se incendiou no meio da água. Cinco anos mais tarde, em 1974, foi inaugurado o parque, formado pouco a pouco das terras do outro lado do vale compacto. A magnificência é sortida e vem em pequenas doses. Penhascos de arenito ficam escondidos na mata. O que já foi um pátio de oficina de carros agora é um pântano forjado por castores que represaram um velho canal. E onde havia um ginásio esportivo, sede do time de basquete Cleveland Cavaliers, agora é uma clareira para observar falcões. O mundo construído e o mundo natural ficam próximos, em camadas, competindo pela atenção dos ciclistas e caminhantes que passam pela velha trilha à beira do canal.

»É assim o parque urbano do nosso tempo. Em contraste com os espaços públicos de outrora, minuciosamente projetados, esses parques são criados em porções descartadas das cidades: sobras de bosques sitiados, bases e aeroportos militares abandonados, estações de captação de águas pluviais, linhas férreas e pontes, lugares onde os terrenos são juntados como colchas de retalho ou enfileirados como contas num colar.

»O experimento é global. Parques em ferrovias, muitos deles inspirados pelo sucesso da High Line nova-iorquina, agora são atrações em Sydney, Helsinki e outras cidades. Cingapura está criando uma floresta pluvial artificial dentro do aeroporto de Changi. Na periferia da Cidade do México está em planejamento um parque imenso na área que resta do Lago Texcoco.

»A abrangência da inovação me encanta, fico eletrizado com a energia que as pessoas trazem a lugares assim. Aos poucos, percebo que os parques urbanos não são substitutos para os parques enormes e às vezes remotos que protegem a majestade de nossas florestas, montanhas e desfiladeiros. Eles servem a um propósito diferente – e a verdade é que precisamos de ambos.


»Cheonggyecheon

»NUMA TARDE QUENTE E NEVOENTA, começo a caminhada de 6 quilômetros pelo Cheonggyecheon, a linda fita de água que se desenrola com serena desenvoltura pelo coração de Seul.

»Nos tempos pré-industriais da cidade, esse rio era onde os casais vinham namorar e as mulheres lavavam roupa. Mas o boom de Seul na esteira da Guerra da Coreia trouxe favelas e poluição, e o rio virou uma aberração. Em 1958, uma estrada foi construída por cima dele. Uma via elevada, concluída em 1976, rematou o sepultamento.

»Assim poderia ter também permanecido o Rio Cheonggyecheon, não fosse por um feliz acaso e pela política. Nos anos 1990, um grupo que incluía acadêmicos e engenheiros se empenhou para trazer o rio de volta à luz. Calcularam como administrar a hidrologia do curso d’água e mitigar o pandemônio no trânsito que poderia resultar da remoção da via elevada e da estrada abaixo dela, em que trafegavam 170 mil veículos por dia. “Eu achava que o problema não era o dinheiro”, diz Noh Soo-hong, professor de engenharia da Universidade de Yonsei e um dos proponentes do projeto. “Achava que era a vontade.”

»O componente que faltava era um líder com influência. Ele se materializou na figura de Lee Myung-bak, ex-executivo da construção civil cuja companhia tivera a principal concessão para construir a estrada. Ele fez da restauração do rio um objetivo fundamental em sua bem-sucedida campanha para prefeito de Seul em 2002. (Cinco anos depois, foi eleito presidente da Coreia do Sul.) “Era uma ideia muito perigosa”, explica Hwang Kee-yeon, engenheiro de transportes que ajudou a projetar o plano mestre. “Lee Myung-bak decidiu: ‘Eu construí, certo? Então, chegou a hora de demolir’.”

»A obra de 372 milhões de dólares, um trabalho de recuperação de proporções gigantescas, começou em 2003. Primeiro veio a demolição da via elevada e a retirada do entulho. Depois a superfície da estrada foi arrancada, deixando o rio exposto. Como muitas restaurações, essa não foi inteiramente fiel ao passado. O curso d’água era intermitente, um fiapo nos meses secos que virava uma torrente durante a monção de verão. Graças a estações de bombeamento que trazem 120 mil toneladas por dia do Rio Han, agora o curso d’água rumoreja constantemente.

»“Críticos o chamam de rio artificial ou tanque de peixes”, diz Lee In-keun, um sujeito magro e vigoroso, enquanto passeamos pelo trecho alto do Cheonggyecheon. As trilhas à beira dele fervilham de pessoas que contemplam a água e apontam fascinadas para as carpas preguiçosas nos trechos mais profundos. Pesquisas mostraram que o rio traz um efeito refrescante durante os escaldantes verões de Seul. Lee, que supervisionou o projeto de restauração, concorda que o Cheonggyecheon é artifical. Mas acha que essa distinção não tem importância, que a presença da natureza aqui é tão vital quanto em um ambiente sem intervenção humana. “Esta é uma joia da cidade. Dá para ouvir a água correr na área central de 10 milhões de pessoas. É inacreditável. Nós o fizemos assim de propósito.”

»O Cheonggyecheon começa no distrito financeiro, em um desfiladeiro de prédios de escritório. Corre para o leste, suas margens se alargam, o concreto dá lugar a franjas de junco e clareiras de árvores. Passa por áreas comerciais elegantes, distritos atacadistas combalidos e gigantescos complexos de apartamentos. Em um ponto, dois pilares de concreto se espetam na água. São parte da velha estrada, lembretes do passado e da impermanência da nossa engenharia. Muitos em Seul têm dificuldade para lembrar o tempo em que o rio era coberto, quando garças delicadas não vadeavam o leito à procura de peixes, quando esse não era um lugar aprazível.

»Estou quase no fim do Cheonggyecheon quando ouço a cantora. Sigo sua voz até um pequeno palco sob uma ponte, onde uma banda toca um “trot”, um estilo de música de ritmo dançante e uma letra que não sai da cabeça.

»Quando larguei a mão da minha mãe e dei meia-volta,

»Até a coruja chorou. Eu também.

»Sento-me num banquinho ao lado de um grupo de aposentados e fico ouvindo. Então, uma mulher de sorriso meigo e insistência invencível me convida para dançar. De mãos dadas em nosso arrasta-pé, estamos juntos como a cidade e o parque ribeirinho que a percorre.


»Área Nacional de Recreação Golden Gate

»“FOI AQUI QUE TUDO COMEÇOU”, conta Amy Meyer, quando chegamos à entrada de carros de Fort Miley, parte da Área Nacional de Recreação Golden Gate, na orla noroeste de San Francisco, na Califórnia. Um coiote parado no meio da rua fica nos encarando, pelo jeito sem pressa nenhuma de sair dali. Embora o Serviço Nacional de Parques venha marcando presença em cidades há anos (por exemplo, supervisiona o National Mall em Washington, DC), a criação de Golden Gate é considerada um divisor de águas no movimento dos parques urbanos.

»Amy, de 82 anos, tem uma faceta afável e outra batalhadora. Em 1969, ela era mãe e dona de casa quando soube dos planos para construir uma central de arquivos em Fort Miley, uma área da defesa costeira quase deserta, a alguns quarteirões de onde ela morava. Começou a lutar para salvar aquele espaço e acabou juntando forças com ativistas do outro lado da Ponte Golden Gate, receosos de que o desordenado crescimento urbano pudesse destruir a austera beleza da Península Marin Headlands.

»Golden Gate foi estabelecida em 1972 junto com a Área Nacional de Recreação Gateway em Nova York e Nova Jersey. Esses novos espaços indicaram que o Serviço de Parques já não se dedicava apenas aos grandes refúgios de vida selvagem mas se voltava também para áreas mais acessíveis, mais próximas das cidades americanas. Como explicou Walter Hickel, secretário do Interior e ex-governador do Alasca: “Temos de trazer a natureza novamente até as pessoas”.

»Com 15 milhões de visitantes ao ano, a Área Golden Gate ocupa os dois lados da entrada da Baía San Francisco e tem quilômetros de litoral, penhascos vertiginosos, sequoias e remanescentes de antigas instalações militares. Sem falar na Ilha Alcatraz, onde 4 mil turistas por dia desembarcam de balsas para ver a velha prisão federal e refletir sobre a vida atrás das grades.

»O parque é animado: moradores das imediações cruzam com turistas, há partidas de frisbee e piqueniques, cães andam livres ou na coleira por quase toda parte. Muitos dos visitantes não sabem que estão em uma reserva nacional. Isso é compreensível. Não há nenhuma grande entrada. Para aumentar a confusão, San Francisco tem seu próprio Parque Golden Gate, que faz fronteira com a área federal perto do mar.

»Tudo isso gera um eleitorado de formidável diversidade: praticantes de asa-delta, políticos e surfistas, entre outros. Batalhas sobre como administrar bem os recursos locais podem ser disputadas. “Estamos em uma democracia, e as democracias podem ser confusas”, diz a superintendente da Golden Gate, Chris Lehnertz. Por exemplo, há mais de 12 anos se cogita um plano para regulamentar a presença de cães na área.

Batalhas sobre como administrar bem os recursos locais podem ser disputadas. “Estamos em uma democracia, e as democracias podem ser confusas”.

»Chris também está trabalhando com os governos locais em uma estratégia de assistência aos moradores de rua. “Vejo um sem-teto que passa a noite aqui como um visitante, tanto quanto alguém que traz o cachorro para passear numa trilha bem cuidada”, diz ela. Em uma manhã, dirijo por cerca de 8 quilômetros ao sul de San Francisco até a serra chamada Milagra Ridge, um minúsculo posto avançado do parque com belíssima vista do Oceano Pacífico. As fachadas de estuque dos condomínios residenciais nos subúrbios da cidade de Pacifica encostam-se na serra e em seu ondulado tapete de vegetação rasteira. No auge da Guerra Fria, esse lugar foi uma base de mísseis, mas a serra acabou sendo incorporada à Área Golden Gate. Espetada em meio a um mar de casas, tornou-se uma ilha, serena e desafiadora, um refúgio para espécies ameaçadas, como a rã Rana draytonii.

»No ano passado, pouco antes de seu centenário, o Serviço Nacional de Parques publicou sua “Agenda Urbana”, que é uma continuação, embora mais urgente, de estímulos iniciados nos anos 1970. O relatório diz que, considerando a velocidade das mudanças demográficas nos Estados Unidos, é bom negócio e boa política aumentar a importância desse esforço em um país cada vez mais urbano e diversificado.

»Os icônicos parques municipais de fronteiras certinhas não irão sumir. Eles são preciosos para as cidades do mundo todo. Mas o traçado organizado que eles requerem é mais difícil de encontrar em lugares já ocupados. Por isso, nossos novos parques urbanos, nos Estados Unidos e em outros países, refletem os desafios de adquirir e modificar um terreno. “O público agora critica mais. E os reguladores supervisionam mais”, conta Adrian Benepe, diretor de desenvolvimento de parques urbanos da ONG Trust for Public Land e ex-diretor de parques da cidade de Nova York. A caça de verbas para transformar os retalhos de paisagem pós-industrial em parques agrava o problema. “É uma luta, pois as cidades também têm de custear a saúde e a educação”, explica Benepe. “Os parques geralmente não são prioridade.” Ele conta que está surgindo um modelo mais dependente do trabalho em conjunto com o setor privado, tanto para construir como para operar as emergentes reservas urbanas. Em Tulsa, Oklahoma, por exemplo, uma fundação criada com a riqueza do petróleo e dos bancos doou 200 milhões de dólares para um parque de 350 milhões de dólares em uma área cercada de comunidades pobres do Rio Arkansas. Em Newark, Nova Jersey, o grupo de Benepe cooperou com o governo e com líderes empresariais na criação de um parque em um terreno antes contaminado à beira do Rio Passaic.

»No mundo todo, talvez o mais ambicioso parque urbano administrado com essa mentalidade empreendedora seja o chamado Presidio, uma antiga base do Exército americano que pertence à Área Nacional de Recreação Golden Gate, mas funciona separadamente. Situado à entrada da Baía San Francisco, o Presidio pertenceu primeiro à Espanha, depois ao México e por fim, em 1846, passou ao domínio dos Estados Unidos. A paz fez o que as guerras não puderam fazer, e, em 1989, o Presidio foi considerado desnecessário à defesa nacional, sendo então fechada a base: 603 hectares de alojamentos militares, prédios, vales e vistas deslumbrantes.

»Em 1994, o Presidio foi transferido para o Serviço de Parques. Em contraste com outras reservas nacionais, essa tem seu próprio conselho diretor e gera sua própria receita, sobretudo alugando os antigos alojamentos militares e os prédios do hospital e da administração para locatários residenciais e comerciais. As empresas privadas empregam cerca de 4 mil pessoas, e mais de 3 500 vivem na base reformada. Uma casa em um dos bairros mais ricos, onde antes moravam os altos oficiais do Exército, gera um aluguel mensal de 12 000 dólares. As receitas são aplicadas em restauração, renovação e manutenção. Os ciprestes, plantados há mais de um século, estão morrendo e precisam ser substituídos. Para recriar um pântano, parte de um plano abrangente de restauração da biodiversidade, seria preciso demolir apartamentos menos históricos, porém mais baratos, e isso evidencia a necessidade de estar sempre analisando e reavaliando missões concorrentes.

»“Aqui os valores e a terra estão enredados de um modo muito mais complexo que em qualquer outro lugar”, conta Michael Boland, uma das principais autoridades do Presidio. Os ativos do lugar, que no ano passado renderam 100 milhões de dólares, são bem atípicos, mas isso eclipsa o aspecto mais importante dos parques urbanos: a fluidez de suas fronteiras e os compromissos que eles acabam engendrando. “Acredito que o futuro tem muito mais a ver com isso que com as grandes áreas selvagens”, diz Boland.


»Tempelhof

»O TERMO “ÁREA SELVAGEM” pode funcionar tanto como uma descrição linear ou, cada vez mais, como uma classificação subjetiva para um ambiente que, na verdade, nada mais tem de suas feições originais. No caso dos parques urbanos, porém, o que se espera em geral é o deleite de estar ao ar livre. Lembro-me disso quando vou ao Tempelhof, um aeroporto transformado em parque no coração de Berlim. É dia de semana, e uma hora antes de o sol se pôr o parque começa a se inundar de gente. Ciclistas percorrem os 2 quilômetros de ciclovia, corredores treinam no gramado, garotos voam em skates de parasail e mães chutam bola com os filhos. E, sendo na Alemanha, o que não falta ali é cerveja.

»O velho aeroporto Tempelhof fechou em 2008. Quando reabriu como parque, dois anos depois, não se tinha certeza de que os berlinenses o curtiriam. Na época, assim como agora, o lugar tinha poucas comodidades; era como se o aeroporto apenas estivesse fechado por um dia para repavimentação da pista. Mas sua autenticidade – o fato de ter sido bem pouco modificado – se revelou ser o seu atrativo. Os moradores da área gostaram do descampado, da vista quase desobstruída do pôr do sol. Adoraram entrar em um recinto outrora proibido. Acima de tudo, festejaram a sensação de liberdade encontrada nos 300 hectares do Tempelhof. Quando planejadores municipais divulgaram uma proposta para construir moradias e escritórios em um quinto do terreno, a reação levou a um plebiscito, em 2014, que barrou construções no local.

»A gente respira”, diz Diego Cárdenas, um dos líderes do movimento do plebiscito, sentado ao meu lado no gramado. “Se começarem a construir no parque, como isso vai terminar?” O futuro do Tempelhof ainda envolve habitação, mas talvez não do modo como imaginava tanto um lado como o outro. Parte do prédio do terminal, com seu telhado arqueado de 1 200 metros de comprimento, está servindo de abrigo temporário aos milhares de refugiados que afluíram para a Alemanha.

»As autoridades compreenderam que o plano de construir na área não foi bem explicado e assumem que não previram como as pessoas reagiriam depois de ter tido acesso ao parque. Os berlinenses, explicam, têm uma história de reivindicar o uso de terrenos desocupados. E no Tempelhof isso aconteceu numa escala colossal. “Eles quiseram se apossar do lugar”, diz Ursula Renker, planejadora do governo municipal de Berlim. “Para a maioria das pessoas, o aeroporto era parte de sua história. Havia um fascinação especial porque ele tinha sido um local cercado. Para entrar, era preciso passar por um portão.”

»OS PORTÕES CONTINUAM LÁ, e dá para ver o sorriso brotando em quem os transpõe. É a antecipação de um prazer que vem da familiaridade. Os parques urbanos talvez não estejam no topo da nossa lista de lugares imperdíveis a visitar, mas sem dúvida merecem um lugarzinho nela.

»É assim com meu parque urbano favorito, uma área pantanosa perto da minha casa. O lugar não tem nada de mais – é apenas cerca de 1 hectare de terreno baixo que foi poupado de construções. Vou lá com frequência. Gosto de chegar de manhã bem cedo, andar no meio das tábuas e ver os dois mundos, o das calçadas e o do pântano, ganharem vida. O sol nasce, bate na copa das árvores, o tráfego engrossa nas avenidas de quatro pistas que ladeiam o parque. Por fim, o barulho se torna tão constante que passa despercebido ao fundo. Aí, se eu prestar bastante atenção, posso ouvir o canto dos pássaros.


»* O Cheonggyecheon serpenteia por Seul, capital da Coreia do Sul. Este rio, que já foi uma artéria vital da cidade, esteve coberto por anos. Hoje é um lugar de acolhida aos moradores, de tranquilidade pelo convívio com a água - Foto: Simon Roberts.»





Uma inovação

2016/04/27

«Alejandro Aravena ganha o Pritzker»



Anatxu Zabalbeascoa. El País.



«O arquiteto chileno ganha o prêmio por sua defesa da responsabilidade social do arquiteto.

»“Uma revelação.” Foi essa a descrição feita pelo presidente do júri do Prêmio Pritzker, lorde Peter Palumbo, do trabalho de Alejandro Aravena (Santiago do Chile, 1967) e seu escritório, o Elemental. Pode ser que o mais revelador do novo premiado seja a ampliação do papel do arquiteto, representada por sua maneira de trabalhar. Autor de numerosos projetos de moradias incrementais, nas quais em lugar de receber um apartamento terminado o cliente obtém uma casa capaz de crescer quando seu orçamento permitir, Aravena — e seus quatro sócios, Gonzalo Arteaga, Víctor Oddó, Juan Cerda e Diego Torres — demonstrou com seus projetos urbanísticos e suas habitações sociais uma preocupação com as cidades e com a humanidade que, certamente, fala de uma nova dimensão da profissão.

»Em vez de trabalhar tentando manter-se fiel à ideia inicial, Aravena se mete em campos que desconhece. Foi o caso da reconstrução da cidade chilena de Constitución, que em 2010 resistiu bem a um terremoto de 8,8 graus na escala Richter e mal ao tsunami que se seguiu. O Elemental consultou os moradores e propôs recuperar espaço para blindar a cidade contra terremotos. No lugar de resistir com muros, idealizaram um espaço público capaz de dissipar a energia sísmica com a fricção dos novos parques. Autores de regenerações urbanas, como o Parque Periurbano de Calama — que rodeia com um arvoredo a cidade mineradora para produzir sombra, duplicar o espaço verde e frear o pó do deserto —, e de edifícios emblemáticos — principalmente universitários, erguidos em Santiago, Austin (Texas) e Xangai —, que combinam valor representativo com eficiência energética, sua maior contribuição está na capacidade de trabalhar numa situação de escassez.

»Com Aravena o Pritzker envia uma mensagem quase contraposta à que lançou em outros tempos: é mais urgente aprender bem gramática do que escrever o grande romance. O próprio arquiteto afirma a EL PAÍS, em seu escritório em Santiago, que sua profissão precisa recuperar o peso social e distanciar-se da irrelevância.

»Pergunta. Sempre houve quem, longe de prêmios e atenção da mídia, fizesse arquitetura social. Que agora seja premiada é uma adaptação à crise? Uma resposta à época dos ícones?

»Resposta. Ficamos marcados como profissão por tentar responder a problemas que interessam somente aos arquitetos. Fomos pouco treinados para que nosso ponto de partida fique fora da arquitetura. Talvez por uma espécie de antecipação para garantir um resultado formoso, escultural, chegamos a pensar que se a solução não está na origem não pode ser encontrada. O preço que pagamos por essa maneira de trabalhar é o da irrelevância. Não nos chamam para que nos encarreguemos de nenhuma questão árdua. Quando há uma pedra no sapato não se chama o arquiteto. “Como não temos tempo nem recursos... Quando tivermos os chamaremos.” Não é o caso dos economistas, os advogados ou os engenheiros, a quem se recorre mais quanto maior for o problema.

»P. São socialmente irrelevantes?

»R. Perdemos a capacidade de ser uma disciplina à qual se recorre automaticamente quando há um problema. No entanto, tínhamos no núcleo de nosso conhecimento uma ferramenta poderosa para nos encarregarmos da complexidade. Isso é o que como profissão deveremos restaurar: a possibilidade de contribuir para problemas fundamentais

»P. Uma crise econômica é um golpe na soberba para os arquitetos? E também um filtro contra a arbitrariedade.

»R. Quanto maior a escassez maior a necessidade de justificar as operações que você faz. A falta de recursos obriga à abundância de sentido. Já a abundância de recursos pode levar a uma falta de sentido: a fazer as coisas simplesmente porque você pode. O caso do Chile, na metade do caminho entre ser suficientemente pobre para ter que justificar as respostas que você dá, mas não tão pobre para agir sozinho para sobreviver, permite inaugurar algo que não existia antes. Estar na metade do caminho é sumamente saudável.

»P. O Pritzker sempre prestou atenção às modas. Teme que a arquitetura humanitária seja, como o desconstrutivismo, outra moda?

»R. Relacionar sucesso e culpa é algo a ser evitado em um país ultracatólico como o Chile. Quando nos anunciaram o prêmio sentimos liberdade. Já não temos que provar nada a ninguém. Nós o vivenciamos como um gradil para nos aproximar de áreas que podiam assustar por serem desconhecidas.

»P. Liberdade para quê?

»R. Em arquitetura inovar é muito difícil porque é difícil se aproximar de algo que não foi comprovado. A agricultura funciona da mesma forma. Se você semeia algo que não tinha sido semeado antes precisa investir. Se funciona, você será copiado. Se não funciona, você arca sozinho com os custos do seu fracasso. Portanto, todos estão esperando que o outro se mova primeiro.

»P. Você é testemunha da transformação do seu país.

»R. Há 15 anos o Chile era um país de 5.000 dólares per capita. Hoje temos 22.000 dólares per capita. Os problemas desse crescimento econômico não têm nada a ver com os desafios de uma década atrás. As pessoas deveriam estar satisfeitas e, no entanto, há manifestações contínuas. Discute-se a educação, a gestão energética, o sistema de trabalho. Essas perguntas já não recebem respostas antigas. Já não basta às grandes empresas pagar impostos, ter autorizações para realizar obras e a aprovação do meio-ambiente. A aprovação social é crucial. As pessoas nas ruas impedem que as empresas operem, a menos que exista um acordo sobre como vão repartir os lucros. Isso é uma conquista, um novo tipo de poder — neste caso, dos cidadãos —, que naturalmente exige o esforço de sair à rua. No meu país temos vivido essa mudança, da resignação à exigência de diálogo.

»P. Erguer símbolos de poder é compatível com o tipo de arquitetura social que vocês defendem?

»R. Não chamaria nossos edifícios de símbolos de poder. É necessário construir com conhecimento os espaços onde ocorre a vida tanto como há necessidade de construir a moradia de quem não pode provê-la a si mesmo. Nós, arquitetos, traduzimos os verbos simples, estudar, trabalhar, dormir, comer, encontrar-se, desfrutar em substantivos: escritórios, escolas, casas, parques... Nossa contribuição à moradia social não vem de modificar a política financeira. Nós traduzimos em formas. Por isso fazer outros projetos é um treinamento.

Nós, arquitetos, traduzimos os verbos simples, estudar, trabalhar, dormir, comer, encontrar-se, desfrutar em substantivos: escritórios, escolas, casas, parques... Nossa contribuição à moradia social não vem de modificar a política financeira. Nós traduzimos em formas. Por isso fazer outros projetos é um treinamento.

»P. A arquitetura pode fazer algo para reduzir a desigualdade na América Latina?

»R. Totalmente. Parte da adrenalina que sentimos por ser arquitetos é que a cidade é um mecanismo muito potente de correção de desigualdades. Se há algum acordo na América Latina é que temos um problema pendente com a desigualdade. E a única coisa que se escuta é sobre a redistribuição de renda, como se a desigualdade fosse um problema só econômico. Não é. É também um problema racial e cultural. Tem muitos componentes, mas, mesmo que só fosse econômico, a redistribuição econômica requer uma educação que permita ter acesso a um trabalho melhor e com isso a uma melhor qualidade de vida. E isso leva pelo menos um par de gerações. Não acontece de um dia para outro. No entanto, na cidade há fatores que permitem melhorar a qualidade de vida sem ter que esperar.

»P. Quais?

»R. Um sistema de transporte público é, por definição, redistributivo. As cidades podem ser avaliadas pelo que se pode fazer de graça nelas. Tenho que ser sócio de um clube para desfrutar a natureza ou posso ir a um parque? O transporte, o espaço público e a moradia são atalhos muito poderosos para corrigir a desigualdade.

»P. Essa correção depende do ativismo dos cidadãos, da ideologia dos governantes…?

»R. E do senso de oportunidade dos arquitetos. Temos a oportunidade de contribuir para essa visão política e de canalizar essa exigência dos cidadãos de melhor qualidade de vida. Por isso não renego o poder. Os cidadãos podem ser o poder. Por fim, há políticos que têm uma visão. São esses em que se vota.

»P. Você defende a autoria coletiva. Por que não pôde dividir o prêmio com seus quatro sócios?

»R. As equipes de futebol ganham um tipo de prêmio, um campeonato, e os jogadores, outro, a bola de ouro, por exemplo. Claro que ninguém poderia ganhar a bola de ouro sem uma equipe por trás, mas esse prêmio faz referência à dimensão individual que o processo criativo tem. Portanto, nada da arquitetura é feito de modo individual. Não vejo nenhum conflito em identificar uma pessoa ao mesmo tempo que se entende que a natureza do trabalho é coletiva.

»P. Sentiu alguma contradição ao receber o prêmio, já que tinha sido jurado até 2014?

»R. A verdade é que eu não esperava. Talvez precisamente porque estive no júri e conheço o tipo de debate que mantêm. Nunca pensei estar nesse nível. Tanto assim que quando me chamaram foi tão forte a emoção que, bom, me pus a chorar. Não me restou outra coisa. Foi assim inesperado.

»P. Que implica para a arquitetura e para o Pritzker premiar um arquiteto que considera que as favelas não são um problema, mas a solução?

»R. Mais do que resistirmos a essa força devemos direcioná-la. As cidades são mecanismos muito eficientes na melhoria da qualidade de vida das pessoas. Implicam acesso a água potável, eletricidade, educação e trabalho. As instituições não souberam, porém, resolver a questão da quantidade de moradias que temos de produzir para acomodar as pessoas que chegam às cidades. Por isso os assentamentos informais não representam a incapacidade de as pessoas de terem acesso a uma moradia decente. Pelo contrário, demonstram que, apesar de não contarem com nenhum tipo de apoio oficial, as pessoas podem dotar a si mesmas de uma proteção contra o meio ambiente.

»O maior problema das favelas é que o bem comum não fica organizado com a ação individual. Isso deixa um papel para a arquitetura como canalizadora da capacidade das pessoas para autoconstruir. Sem contar com a iniciativa dos cidadãos não chegamos a construir cidades a não ser para uma minoria do mundo.

»P. Há resignação em dar como bom um urbanismo que era visto como deficiente?

»R. Sem fazer poética da pobreza, a moradia de massa é incapaz de absorver a diversidade. Gerar um sistema aberto, no qual o arquiteto canaliza a capacidade das pessoas de fazerem sua casa, não só permite que deem um grande salto e, portanto, sejam mais eficientes, mas também resolve essa incapacidade de responder à diversidade. Uma família sabe melhor que ninguém do que precisa. De modo que se nós, arquitetos, provemos o marco físico e organizativo adequado para que isso seja possível, garantindo uma ordem longe da resignação, estamos respondendo à diversidade como nunca antes havíamos sido capazes de fazer.

»P. Moraria em uma favela?

»R. Não. No entanto, o mecanismo de teste que utilizamos nos projetos de moradia é nos perguntarmos se nós mesmos viveríamos ali. Essa pergunta é a última prova do quanto sai de nosso escritório. Se a resposta é não, então, não fazemos. Nossas moradias sociais não estão concluídas, mas permitem prosperar e têm um padrão de classe média.

»P. O júri destaca o seu compromisso. Acredita que a arquitetura vá chegar realmente onde não há dinheiro, mas faltam soluções?

»R. Seria muito ruim se os arquitetos se afastassem dos problemas complexos. Mas a nossa contribuição não é aquilo para que fomos treinados, com uma orientação artística. Não temos ideia de como vamos resolver muitos dos projetos nos quais nos metemos Mas contamos com a capacidade de traduzir o conhecimento em forma.»





Um inovador

2016/04/26

«População aprova parque às margens do Rio Capibaribe, no Recife»



Jornal do Commercio. Da Editoria Cidades.



«O projeto inicial do Parque Capibaribe, nas Graças, por trás da Estação Ponte D'Uchoa, descortina um trecho do rio.

»O futuro Jardim do Baobá, nas Graças, será o marco inicial do projeto do Parque Capibaribe.

»Toalha vermelha de xadrez, lanchinho e violão deram o clima de piquenique ao Domingo no Baobá, evento realizado às margens do Rio Capibaribe, neste domingo (10), para divulgar o local onde será executada a primeira obra do Parque Capibaribe. O trecho escolhido tem cem metros de extensão, no bairro das Graças, Zona Norte do Recife, e foi batizado Jardim do Baobá numa homenagem à árvore gigante que cresceu na beira do rio.

»Quando estiver pronto, provavelmente em outubro de 2016, o lugar terá mais árvores, balanços para adultos e crianças, calçadas apropriadas para ciclistas e pedestres, mesa para lanche coletivo e bancos de madeira com encosto para a contemplação da paisagem. Tudo isso, em volta de um pé de baobá, com 15 metros de altura, copa com dez metros de diâmetro e tronco de cinco metros de diâmetro, tombado como patrimônio do Recife desde 1988.

»A obra está prevista para começar no fim deste mês, com prazo de cinco meses para execução. “É o início da transformação do rio no Parque Capibaribe”, diz o arquiteto paisagista Alexandre Campelo, um dos integrantes do Inciti, grupo de Pesquisa e Inovação para as Cidades da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que está desenvolvendo o modelo do parque, a pedido da Prefeitura do Recife.

»De acordo com o arquiteto, a intervenção no local é simples, para preservar as característica naturais. “Depois, o Jardim do Baobá será conectado ao Parque da Jaqueira e a outro trecho do rio, entre as Pontes da Capunga e da Torre, no lado das Graças, que também será organizado”, declara.

»Painéis foram colocados num muro para mostrar imagens projetadas do Jardim do Baobá, que fica entre as Ruas Madre Loyola e Antônio Celso Uchôa Cavalcanti, por trás da antiga Estação Ponte D’Uchoa. Fotografias de bichos que habitam o Capibaribe também estavam expostas, com curiosidades sobre os animais.

Painéis foram colocados num muro para mostrar imagens projetadas do Jardim do Baobá. Fotografias de bichos que habitam o Capibaribe também estavam expostas, com curiosidades sobre os animais.

»Quem leu ficou sabendo que os saguins fazem parte do grupo de primata com mais casos de gêmeos, que a saracura-três-potes canta em dueto e que o savacu (outra ave) vive de noite e dorme de dia. “Uma ideia maravilhosa, é preciso ensinar às pessoas a importância de valorizar e preservar a natureza”, declara a enfermeira aposentada Madalena Andrade.

»“Graças a Deus o poder público está incluindo a natureza nessa selva de pedra da cidade, com esse projeto do parque”, continua Madalena Andrade. “Nunca tinha visto esse baobá inteiro, ele era confinado e só a copa ficava à mostra”, destaca.

»O casal Caio César Moura e Maiara Evangelista veio da cidade de Olinda para aproveitar a brincadeira ao ar livre com os filhos Bento, 2 anos, e Antônio, de 8 meses. “Criança precisa de espaço para correr”, observa Maiara. “Esse baobá é um espanto para quem vê a árvore pela primeira vez”, acrescenta Caio César, aprovando a iniciativa.

»“Pela quantidade de gente no local dá para sentir que é grande a carência desse tipo de espaço de lazer na cidade”, afirma Caio. O projeto do Parque Capibaribe prevê a ocupação das duas margens do rio, da Várzea (Zona Oeste) ao Centro, totalizando 30 quilômetros de extensão.

»O parque terá influência sobre 42 bairros do Recife e a expectativa é beneficiar 445 mil pessoas diretamente, com passeios, ciclovias, áreas de estar, espaços para contemplação, passarelas e píeres no rio, além de plantio de mais árvores.

»Alexandre Campelo esclarece que o Parque Capibaribe será implementado aos poucos, em função dos recursos disponíveis, e deverá atravessar gestões municipais. “É interessante a população se engajar e exigir sua implantação”, diz o paisagista.

»No futuro, a ideia é conectar o Parque Capibaribe com os demais espaços de lazer do Recife e transformar a capital pernambucana numa cidade-parque. “O poder de penetração desse projeto é muito grande na cidade e isso agrega valor econômico ao município”, declara.»





Administração Pública e inovação

2016/04/25

Newsletter L&I, n.º 101 (2016-04-25)



n.º 101 (2016-04-25)


Administração Pública e inovação | Administración Pública e innovación |
Administration Publique et innovation | Public Administration and innovation

Um inovador | Un innovador | Un innovateur | An innovator

Uma inovação | Una innovación | Une innovation | An innovation

A execução da inovaçao | La ejecución de la innovación | L’exécution de l’innovation |
The innovation execution



Index


Liderar Inovando (BR)

«Em boas mãos: Rússia e Irã desenvolvem logística de transporte de carga comercial» ( ► )
«Supera Parque inaugura laboratório de compatibilidade eletromagnética» ( ► )
«Frederico Bussinger: “O novo, nos portos, pode ser o velho”» ( ► )
João Benedetto: «Inovação em tecnologia de dados auxilia crescimento do varejo» ( ► )

Liderar Inovando (PT)

«João Almeida Lopes, Presidente da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma): “Desconheço países com quotas de genéricos tão altas como as nossas”» ( ► )
«BMW introduz robots autónomos na sua logística» ( ► )
«Santarém recebe Roadshow Portugal Global» ( ► )
«Cascais: da eficácia à eficiência nos resíduos» ( ► )

Liderar Innovando (ES)

«Hidalgo siembra semilla logística con centro de innovación» ( ► )
«Los estudiantes imaginan cómo será la cadena de suministros del mañana» ( ► )
«La innovación revolucionará el Salón Internacional de la Logística y de la Manutención (SIL) 2016)» ( ► )
«Megacamiones que siembran dudas» ( ► )

Mener avec Innovation (FR)

«VNF lance un centre d’innovation fluviale» ( ► )
«Prix de l’innovation logistique de la SITL 2016 : 5 lauréats récompensés» ( ► )
«Avec les robots collaboratifs, la robolution gagne les chaînes logistiques de la Deutsche Post» ( ► )
«Trois start-up marocaines qui incitent au partage» ( ► )

Leadership and Innovation (EN)

Sandy Verma: «Tapping into the power of the IoT: Three questions to ask your team» ( ► )
«Kaleido Logistics launches Logistics Tech Accelerator» ( ► )
Dhruvil Sanghvi: «Technological innovations and new trends in logistics, supply chain management» ( ► )
«Robots set to aid postal workers with deliveries in Germany» ( ► )

Licencia Creative Commons Licencia Creative Commons
Atribución-NoComercial 4.0 Internacional








2016/04/22

João Benedetto: «Inovação em tecnologia de dados auxilia crescimento do varejo»



Administradores.com



«A GDSN pode representar um bom ganho no desenvolvimento do comercio.

»Quem de nós, consumidores, nunca precisou visitar dois ou três varejistas em busca de um produto? A ruptura, esse fantasma da falta de produtos, é bem conhecido do comércio, comendo uma boa parte do resultado das empresas. Na era da informação, um dos grandes vilões da ruptura é o cadastro do produto. Com a miríade de sistemas de informação que cada empresa usa, precisamos de centenas de dados sobre cada produto, antes de podermos tê-lo na gôndola. Mas gerir um sistema de produtos, não é fácil nem simples. Por isso, a GDSN - Global Data Synchronization Network - aparece como solução para essa questão, atuando como uma rede que permite à indústria disponibilizar os dados de cadastro de seus produtos ao varejo.

»Ela chegou para quebrar paradigmas no mercado e propor um sistema unificado de cadastro. Além de servir como uma espécie de “tubulação” e reservatório de dados, a GDSN oferece três funcionalidades muito importantes:

»1. Modelo de dados único, uma só língua: A GDSN possui uma lista de atributos (características) de produtos definida em conjunto por indústrias e varejos. Isso cria uma linguagem comum e acaba com as muitas traduções de antigamente. Embora cada ator ainda tenha o seu sistema, ele só precisa traduzir os atributos uma vez. A indústria transforma o seu ERP para a GDSN, e o varejo transforma do GDSN para o seu ERP. Além disso, todas as discussões sobre cadastro acontecem nos termos da GDSN. Fim das discussões sobre o número de casas decimais do preço de um produto.

»2. Regras de gestão para não deixar o dado ruim entrar na base: Embora não seja possível bloquear todos os erros possíveis usando regras automáticas, muitos erros podem ser identificados antes que a qualidade do cadastro fique comprometida. A GDSN oferece centenas de regras de controle, que impedem o envio de dados de baixa qualidade pela indústria.

»3. Atualizações automáticas, ou sincronização de dados: Criar o cadastro no varejo parece fácil, perto da dificuldade em mantê-lo atualizado. Como garantir que a indústria enviou as modificações e que o varejo as integrou? Com a GDSN, é criado um link entre o cadastro da indústria e do varejo para um mesmo produto. Qualquer modificação feita no sistema da indústria é capturada pela GDSN e enviada ao varejo, mantendo os sistemas sincronizados.


A GDSN possui uma lista de atributos (características) de produtos definida em conjunto por indústrias e varejos. Isso cria uma linguagem comum e acaba com as muitas traduções de antigamente.

»A GDSN é composto basicamente de data pools (recipientes de dados), que recuperam os dados das indústrias e encaminham ao varejo. A GS1 mantém uma Lista Amarela (Global Registry) que serve também de xerife. Essa lista garante que cada produto exista apenas uma vez na rede, e, quando um varejo solicita dados de um produto, indica onde ele está armazenado.

»A GS1 é responsável pelos padrões da GDSN - dicionário de dados, regras de gestão, padrões de mensagens etc. Em alguns países do mundo, a GS1 possui data pools próprios; em outros, ela oferece serviços de formação de cadastro de materiais, certificação da qualidade de dados de indústrias para ingresso no GDSN, e até o cadastro de produtos na rede para pequenos industriais.

»A GS1 é o grande fomentador da GDSN e da qualidade de dados no mundo, sendo responsável pelo Data Quality Management Framework, uma norma semelhante à ISO para qualidade de dados de produtos. Essa inovação tem potencial para alavancar seus investimentos em tecnologia da informação, por garantir dados de alta qualidade. A GS1 Brasil fez um vídeo autoexplicativo para conhecer mais sobre o assunto e é possível assisti-lo através do link: www.youtube.com/watch?v=ifm6ChXTUTc .


»João Benedetto - Especialista em Supply Chain Management e Logística e é Manager na DIAGMA Brasil (http://www.diagma.com/pt/).»





A execução da inovaçao

2016/04/21

«Frederico Bussinger: “O novo, nos portos, pode ser o velho”»



Portogente



«“Pouco se aprende com a vitória,

»mas muito com a derrota”

»[Provérbio japonês]


»“É fazendo que se aprende

»a fazer aquilo que se deve aprender a fazer”

»[Aristóteles]


»“Estou sempre disposto a aprender,

»mas nem sempre gosto que me ensinem”

»[Winston Churchill]


»Se não fosse pelo DNA de quem se manifestava, o concorrido seminário portuário da 22º Intermodal SouthAmerica (2016) parecia, em vários momentos, uma mera sessão-nostalgia; à lá “The Old Fashioned Way”.

»O que afasta a hipótese de mero saudosismo são as marcas (positivas!) deixadas por seus autores nas reformas que mudaram o cenário dos portos brasileiros no último quarto de século. E, principalmente, o visível compromisso de tais empreendedores privados, consultores e projetistas, técnicos e gestores públicos com o destravamento de planos e projetos portuários que ora patinam. Alias, esta (destravar; destravamento) foi a palavra e tema dominante das mais de 8 horas de debate, ao longo das 7 sessões do seminário!

»Menos mal que os TUPs demarraram. Mas o quadro segue preocupante nos portos organizados (portos públicos). E, nesses, ainda mais, nos empreendimentos “greenfield”. Por isso a pergunta; repetida diversas vezes: “Por que foram mexer no que estava dando certo?” (ou variantes dela).

»Alentador é observar-se que uma modificação, nevrálgica, já foi feita na modelagem original: O critério de julgamento. Da opção pela “maior capacidade de movimentação, menor tarifa ou menor tempo de movimentação de carga” (art. 6º da Lei nº 12.815/13), amplamente divulgada desde a emissão da MP-595 e durante seu debate congressual, retornou-se para a fórmula tradicional do “maior valor de outorga”. Essa alternativa foi engenhosamente encaixada no trecho do mesmo artigo que prevê/permite “outros (critérios) estabelecidos no edital, na forma do regulamento”.

»Por que não outras mudanças, na linha das que se mostraram tão exitosas? Foram levantadas e debatidas no seminário, p.ex:

»Procedimentos licitatórios: Por que não descentralizá-los; como era feito antes da Nova Lei dos Portos? Além dessa discussão no seminário, 14 portos delegados se reuniram durante o período e, em seguida, deram entrevista coletiva: “O objetivo da frente é que a SEP descentralize a prerrogativa das licitações, concedento às administrações locais a possibilidade de licitarem as áreas, o que está previsto na lei”.

»Espelho d´água: As taxas pelo seu uso, introduzidas no passado recente, é controverso até hoje; constituindo-se em uma impedância a mais. Se é parte dos bens públicos colocados à disposição dos outorgados, por que cobrá-lo à parte?

»Mas, além das colocações e propostas, de painelistas e participantes, outros conceitos e instrumentos do “velho modelo” poderiam ser retomados. P.ex:

»Remuneração de arrendamento: Por que não voltar-se a praticar o (velho e bom!) “sítio padrão”: Esse modelo/critério, bastante mais simples e expedito, já bastante conhecido, foi utilizado, aparentemente com grande sucesso, nas licitações do “contratos pós-93”. Estes, de “patinho feio” (execrados para justificar a MP-595), passaram a ser, agora, a “Geni” (aquela que “veio pra nos salvar”!): Os investimentos que vêm sendo comprometidos nos portos públicos são, incidentalmente, os das renovações antecipadas justamente daqueles contratos!

»Ah! E o TCU conhece bem o conceito e instrumento de “sítio padrão”... o que, nos dias atuais, não é pouca coisa!

»Destinação dos recursos: O leilão dos terminais santistas, em DEZ/2015, geraram mais de R$ 300 milhões só em outorgas. Por que, ao invés de levá-los ao Tesouro Nacional, não se deixa, não se os compromete no próprio porto para implantação da imprescindível infraestrutura básica associada; como se fez nas primeiras concorrências/leilões (01, 02)?

»Iniciativa do processo; certamente a mais importante delas: No antigo modelo, balizado pela Lei nº 8.630/93, a iniciativa pela deflagração do processo, era do potencial arrendatário: “Fica assegurado ao interessado o direito de construir, reformar, ampliar, melhorar, arrendar e explorar instalação portuária, dependendo:...” (Art. 4°). E, “O interessado na construção e exploração de instalação portuária dentro dos limites da área do porto organizado deve requerer à Administração do Porto a abertura da respectiva licitação” (Art. 5°). No novo modelo, balizado pela Lei nº 12.815/13, a iniciativa é, essencialmente, do poder concedente (SEP e ANTAQ).


No concorrido seminário portuário da 22º Intermodal SouthAmerica (2016) foi visível o compromisso de empreendedores privados, consultores e projetistas, técnicos e gestores públicos com o destravamento de planos e projetos portuários que ora patinam.

»Três sugestões:

»* Inversão da iniciativa: Ainda que seja mantido o sistema de planejamento com 4 planos (PNLP, PGP, PM, PDZ), hierarquizados. Ainda que este esteja centralizado no Governo Federal (SEP/ANTAQ). Por que não se devolver a inciativa (do processo de arrendamento) ao “interessado”? Por que, para se evitar licitações desertas, não se publicar editais apenas de instalações para as quais haja, pelo menos, um “interessado”? E, para tanto, manifestações de interesse – PMI, testadas em várias outras infraestruturas e serviços públicos (inclusive portos), seria instrumento adequado!

»* Que paradoxo: O que é oferecido não atrai interessados; e o que há interessados não é oferecido (licitado)! O programa de arrendamentos portuários está dividido em 4 lotes. O leilão realizado em DEZ/2015 e o que seria realizado dia 31/MAR passado (agora postergado para 9/JUN) trata, apenas, do Lote-1. Apesar de controverso, uma das causas apontadas para tal adiamento foi a falta de propostas. Paradoxalmente, há instalações no Lote-2, no Lote-3 e no Lote-4 para as quais haveria “interessados”. Assim, por que não se acabar com esse esquema de lotes; arrolar todos os arrendamentos em uma única lista; e oferece-la (junto com as informações disponíveis) para serem objeto de PMIs?

»* Agilizaria o processo, ainda mais, se fosse exigido que a PMI apresentasse um EVTEA; e este já no padrão ANTAQ (como ocorrido em Itajaí; um processo concluso aguardando encaminhamento desde 2012 – hoje no Lote-4).

»Mas há também inovações que poderiam ser introduzidas para destravar os processos e imprimir-lhe maior celeridade e previsibilidade.

»Intermodalidade: Essencial para se maximizar resultados logísticos é a associação/integração dos terminais arrendados com outros modos de transporte. Aliás, algo que também passou a ser foco do TCU!

»Licenciamento ambiental: Este prevê 3 tipos de licença: Prévia (LP), de instalação (LI), e de operação (LO). Para a LP são discutidas, essencialmente, as questões locacionais: “Pode ser implantado tal empreendimento, com essas características, nesse local?” Quando emitida, normalmente o é com condicionantes (mitigações e compensações).

»Por outro lado, dentro do sistema de planejamento vigente, planos mestres (PM) e PDZs são elaborados e aprovados com o pressuposto de que um tal porto pode ser desenvolvido e/ou implantado naquele sítio; certo?

»Por que, então, não se introduzir a prática de se licenciar (LP) o próprio PM e PDZ? Assim, quando oferecido e/ou requerido o arrendamento, já se disporia da LP... evitando-se processos similares para terminais contíguos; caros e demorados!

»Ah! E por que não se associar, também, os processos do SPU com a elaboração do PM e PDZ? Tema que, também, foi discutido no seminário.

»Em síntese: “Inovação”, é verdade, é um dos hits do momento. Mas, nem sempre, a inovação, necessária, precisa/deve ser o suis generis; o inusitado: Muitas vezes o novo pode ser, simplesmente, algo já testado: No caso dos portos brasileiros essa hipótese não deveria ser descartada.

»E como os próximos leilões só ocorrerão em junho; há tempo para alterações no modelo. No mínimo para inicia-las efetivamente.

»Quando mais não seja, a da iniciativa: Só colocar em leilão aquilo para o qual haja, ao menos, um interessado formalmente declarado. E abrir a possibilidade de manifestação de interesse por arrendamentos dos Lotes 2, 3 e 4... desde já.»





Uma inovação

2016/04/20

«Supera Parque inaugura laboratório de compatibilidade eletromagnética»



IT Forum 365. Redação.



«O Supera Parque anunciou a inauguração de um laboratório de compatibilidade eletromagnética, em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. O local pode beneficiar a indústria de eletroeletrônicos, diminuindo custos logísticos e tempo de espera para certificações. O local começa a operar oficialmente na próxima quinta-feira (14/4).

»Fruto de convênio entre a Fundação Instituto Polo Avançado da Saúde (Fipase, que investiu 15% do valor total) e a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do estado de São Paulo, o local será inaugurado durante evento de comemoração dos dois anos do Supera Parque de Inovação e Tecnologia, com a presença da prefeita Darcy Vera e do secretário estadual de Desenvolvimento, Marcio França.

»O novo laboratório, localizado no Parque Tecnológico, recebeu investimentos de R$ 1,6 milhão da Secretaria de Desenvolvimento Econômico — a partir de recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O investimento faz parte do plano de melhoria da competitividade de Arranjos Produtivos Locais (APLs) paulistas.

O Supera Parque anunciou a inauguração de um laboratório de compatibilidade eletromagnética que debe beneficiar a indústria de eletroeletrônicos, diminuindo custos logísticos e tempo de espera para certificações.

»O laboratório montado pelo Supera permitirá a realização de ensaios de compatibilidade eletromagnética conduzida, de acordo com as principais normas nacionais e internacionais. Segundo Erico Moreli, coordenador do Supera Centro de Tecnologia, o laboratório ajudará empresas no sentido de diminuir custos de certificação e inovação. "Além disso, o laboratório reúne técnicos com conhecimentos altamente especializados em áreas críticas para o desenvolvimento de novos produtos”, completa.

»O coordenador ressalta, ainda, que a entrada em operação do laboratório deve movimentar a economia local. “O desenvolvimento de novos produtos implica em aumento de produção, de exportações, de empregos e, consequentemente, aumento de competitividade das empresas”, diz.»





Um inovador

2016/04/19

«Em boas mãos: Rússia e Irã desenvolvem logística de transporte de carga comercial»



Sputnik. Imagem: AFP 2016/ Sergei Gapon.



«O sistema de logística da entrega de cargas entre Rússia e Irã será mais transparente, rápido e de baixo custo.

»A corporação de transportes FESCO, em parceria com o Porto Comercial e Marítimo Olya irá lançar um serviço trans-cáspio para o transporte de mercadorias entre a Rússia e o Irã. A informação foi divulgada no site FESCO.

»Presidente Vladimir Putin da Rússia (R) se reúne com presidente do Irã, Hassan Rohani, à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, 28 de setembro de 2015

»O serviço incluirá o transporte marítimo pelo Mar Cáspio, transporte ferroviário e/ou rodoviário pela Rússia, rodoviário pelo território iraniano, assim como permitirá a movimentação no portos Olya, Nowshahr, Bandar-e Anzali. O envio será composto de contêineres e cargas em geral. O tempo de trânsito estimado entre o porto russo de Olya e os portos iranianos é de cinco dias.

»“A FESCO é a maior empresa de logística privada na Rússia, que lançou um serviço para o transporte intermodal de mercadorias entre a Rússia e o Irã pelo Mar Cáspio”, disse em entrevista à agência Sputnik a chefe do serviço de imprensa da FESCO, Maria Kobzeva.

»“Na verdade, o transporte pelo Mar Cáspio entre os dois países já foi realizado no passado. Mas a inovação de nossos serviços é que este é o transporte intermodal, que envolve a entrega da carga do ponto A ao ponto B. Ou seja, o serviço inclui não só o transporte marítimo no Mar Cáspio, mas também o transporte ferroviário e rodoviário na Rússia, rodoviário no território do Irã, bem como a movimentação no porto russo de Olya e nos portos iranianos de Bandar Anzali e Nowshehr”, afirmou Kobzeva.

O serviço inclui não só o transporte marítimo no Mar Cáspio, mas também o transporte ferroviário e rodoviário na Rússia, rodoviário no território do Irã, bem como a movimentação no porto russo de Olya e nos portos iranianos de Bandar Anzali e Nowshehr.

»Um lote de teste com contêineres de produtos industriais foi entregue ao Irã em 13 de março de 2016. O tempo total de viagem na rota São Petersburgo-Nowshehr de 3.800 km foi de 18 dias. A nova expedição, incluindo alimentos e produtos perecíveis de regiões da Rússia e do Irã, está prevista para o final de março-abril de 2016.


»Vida cotidiana em Bahrein

»“No futuro, esperamos que o serviço de linha seja organizado, envolvendo envio de navios com programação regular. Contamos com um aumento no volume de negócios”, informou a chefe do serviço de imprensa da corporação.

»Segundo Kobzeva, o serviço está focado no transporte de metais ferrosos russos, madeira, produtos industriais de engenharia. Da parte do Irã, acontece o transporte de produtos alimentares, materiais de construção e produtos petroquímicos.

»Ela acrescentou que isto abre uma perspectiva de cooperação a longo prazo na área de logística entre Rússia e o Irã.

»“Qual foi o pré-requisito para o lançamento do projeto? É nossa expectativa de que, em conexão com o levantamento das sanções contra o Irã, o poder de compra da população vai aumentar, a moeda estrangeira entrará no Irã, o que levará a um aumento no comércio do Irã com os parceiros externos, incluindo a Rússia. Isto será confirmado por nossas negociações com grandes empresas russas, que já declararam a sua disponibilidade para iniciar o abastecimento do mercado iraniano. Temos pedidos do Irã e clientes para o transporte de carga na Rússia”, acrescentou.

»“Devido ao fato de que o serviço é baseado no transporte marítimo, comparando com a rota terrestre, o tempo de trânsito é reduzido e aumenta a rentabilidade do transporte para os clientes”, conclui a chefe do serviço de imprensa da FESCO.»





Administração Pública e inovação

2016/04/18

Newsletter L&I, n.º 100 (2016-04-18)



n.º 100 (2016-04-18)


Administração Pública e inovação | Administración Pública e innovación |
Administration Publique et innovation | Public Administration and innovation

Um inovador | Un innovador | Un innovateur | An innovator

Uma inovação | Una innovación | Une innovation | An innovation

A execução da inovaçao | La ejecución de la innovación | L’exécution de l’innovation |
The innovation execution



Index


Liderar Inovando (BR)

«Redução da violência não se resume a policiamento» ( ► )
«Ranking de Competitividade dos Estados: para comparar e cobrar» ( ► )
«TSYS conclui a aquisição da TransFirst» ( ► )
Fábio Saad: «Que legado as startups deixarão para a cultura corporativa?» ( ► )

Liderar Inovando (PT)

«BNU Macau: “Somos a plataforma para entrar no mercado da China”» ( ► )
«Bon Bon é poder jantar no novo estrela Michelin português» ( ► )
Ana Pimentel: «Liderar antes dos 30. Do que é que eles têm medo?» ( ► )
Bruno Mourão com Elsa Pereira: «Pela primeira vez em quase 250 anos, uma mulher lidera Bolsa» ( ► )

Liderar Innovando (ES)

Ricardo Rodríguez Vargas. Omar Williams López Ovalle. Opinión LJA: «Esfera Pública: Innovar, la clave para competir» ( ► )
«Lucy Crespo y su objetivo de innovar a Puerto Rico» ( ► )
«¿Quiere innovar? Adiós a su zona de confort» ( ► )
«Conozca a los 40 menores de 40». Selección de El Financiero (Puerto Rico) ( ► )

Mener avec Innovation (FR)

Bernard Planchais: «Comment innover en politique en s’inspirant
de l’industrie» ( ► )
«Le Patronat de Guinée (PAG), distingué meilleure Organisation Patronale 2015 en Guinée» ( ► )
Regine Turmeau: «5 conseils à retenir de “Le leadership humainement intelligent de demain”» ( ► )
«Inauguration de l’African Leadership College Campus à Maurice – Graça Machel: “Jeter les bases des futurs leaders africains”» ( ► )

Leadership and Innovation (EN)

James Hasik: «Innovating Faster, Cheaper and Smaller at the Pentagon» ( ► )
«Koo Govender - CEO of the Dentsu Aegis Network» ( ► )
Caroline Kennedy-Pipe, James I. Rogers & Tom Waldman: «Remote Control Project Briefing - ‘Drone Chic’» ( ► )
«Leadership When Things Go Wrong» ( ► )

Licencia Creative Commons Licencia Creative Commons
Atribución-NoComercial 4.0 Internacional








2016/04/15

Fábio Saad: «Que legado as startups deixarão para a cultura corporativa?»



Computer World BR



«Iniciamos um dos períodos mais desafiadores do mercado de trabalho na história moderna, no qual as respostas dependerão de criatividade e liberdade.

»Às vésperas da quarta revolução industrial, aquela que terá profundas bases na tecnologia, as grandes empresas se preparam para se manterem vivas. Com uma estrutura colossal e muitos processos, pode ser difícil acompanhar as transformações de forma tão rápida quanto o necessário. Por isso, as “gigantes” encontraram nos espaços de coworking, no investimento anjo e nas incubadoras, a maneira de estar perto de empresas – startups – que podem contribuir com a inovação necessária para continuarem competitivas.

»Nas startups, o espaço para o novo é mais do que propício. Em geral, são comandadas por jovens empreendedores; possuem um ambiente informal e desburocratizado; cultura moderna e hierarquia horizontalizada; e horário flexível. Enfim, são diversas as características que favorecem a criatividade e agilidade. Ao investirem nessas empresas, as grandes esperam se beneficiar de alguma forma de toda essa ebulição de ideias.

»Apesar do investimento, não há uma relação de dono. As startups são livres para negociarem com diversos clientes e inclusive colocarem-se à venda quando considerarem o momento propício. Como fica, então, a sustentabilidade dessa parceria no longo prazo? O que as grandes empresas podem fazer para reter o conhecimento e fazer com que a inovação esteja mais presente no dia a dia da organização?

O que as grandes empresas podem fazer para reter o conhecimento e fazer com que a inovação esteja mais presente no dia a dia da organização?

»Acredito que uma das primeiras coisas a serem levadas em consideração é implementar uma cultura que estimule a inovação. O índice mais famoso da bolsa americana que contempla as maiores empresas de capital aberto dos Estados Unidos, o S&P 500, serve para demonstrar a velocidade de transformação do mercado. Em 1958, média de tempo de vida de uma empresa no índice era de 61 anos. Em 1980, a média caiu para 25 anos, em 2011, para 18 anos, e, se continuarmos neste ritmo, 75% das maiores empresas americanas deixará o índice até 2027. Quem inovar sobreviverá e ganhará espaço no mercado.

»Investimento em startups podem até ser uma estratégia interessante do ponto de vista financeiro. Agora, quando pensamos em inovação dentro de uma grande empresa é preciso lidar com mais alternativas. Utilizar o próprio capital criativo dos funcionários, estimulando ambientes colaborativos e tolerantes ao erro pode ser a solução.

»Para isto, é preciso compreender e dar liberdade para as novas gerações. Raramente uma nova ideia dá certo na primeira tentativa. Saber até onde o erro será aceito e entender que ele faz parte do processo é fundamental para inovar. A partir daí, é possível utilizar outros recursos para manter a equipe engajada: realizar job rotation; criar programas de desenvolvimento; e aproximar a equipe da liderança da área são alguns dos exemplos.

»Certamente iniciamos um dos períodos mais desafiadores do mercado de trabalho na história moderna, no qual as respostas futuras dependerão de muita criatividade e liberdade.


»Fábio Saad é gerente sênior da divisão de Tecnologia da Robert Half.»





A execução da inovaçao