2016/08/29

«Inovação Tecnológica: da definição à ação»



Marcos Paulo Fuck e Anapatrícia Morales Vilha. Contemporâneos – Revista de Artes e Humanidades. Universidade Federal do ABC


«Discutimos neste trabalho como as práticas de inovação têm sido vistas como elementos substantivos para a competitividade e crescimento das empresas e demais instituições envolvidas com as atividades de CT&I. Não obstante, a fronteira da inovação tecnológica, estabelecida preponderantemente pelos países economicamente mais avançados, determina, em grande medida, a agenda mundial de inovação. Para a maioria dos países emergentes, como o Brasil, o crescimento sustentado empresarial através da inovação tecnológica ainda é considerado um grande desafio. Em parte, isso pode ser explicado pela falta de comprometimento e de experiência de parte das empresas e instituições de CT&I com atividades de pesquisa, desenvolvimento e de gestão dos seus processos inovativos.

»Nesta direção, a discussão taxonômica de inovação, bem como das especificidades das formas de gerenciamento do processo inovativo e dos mecanismos de ampliação das capacidades tecnológicas e inovativas dos atores do sistema de inovação brasileiro assume um importante papel para a legitimação da inovação como uma plataforma de diferenciação e competitividade do país. Como visto, mesmo com os avanços recentes na área de CT&I no país, desafios em diversas frentes precisam ser superados. Um deles é o fortalecimento das articulações entre os diversos atores participantes do processo de inovação.

»A inovação deve ser entendida como um processo mais amplo do que as estratégias individuais; trata-se de um processo sistêmico. Adicionalmente, uma inovação tecnológica, organizacional ou mercadológica, se tomada individualmente, tem impacto limitado sobre seu entorno. O processo de difusão, em geral articulado em inovações incrementais e complementares, é o que representa impacto econômico mais significativo. Ou seja, para a análise do processo de inovação, não se deve esquecer o conjunto de atores envolvidos e em interação, a importância das políticas de CT&I e, embora não tratados neste trabalho, a influência dos grupos de interesses e as pressões que caracterizam os caminhos seguidos pelas empresas e demais instituições participantes do processo.


»Fica claro que o processo de inovação endereça a necessidade de interação da empresa com múltiplos atores intra e inter organizacionais, além de incorrer em diversas rotinas e atividades dedicadas a esse fim. Dentro deste contexto, à empresa cabe não somente analisar o ambiente competitivo que a cerca, mas também buscar conhecimentos sobre como gerenciar seus recursos e capacidades para prover inovações. Stephen Kline e Nathan Rosenberg (“An Overview of Innovation” in Landau, R. & Rosemberg, N., The Positive Sum Strategy, National Academy Press, Washington D.C., 1986), em trabalho seminal sobre a concepção interativa do processo de inovação, também caracterizam essa realidade, ao mostrarem que inovação é resultado da interação entre as oportunidades de mercado e a base de conhecimentos e capacitações da empresa. Isto posto, salientamos que a geração de resultados efetivos decorrentes de esforços tecnológicos e inovativos depende do seu gerenciamento de forma sistemática, com processos claros e ferramentas adequadas.

»O gerenciamento de inovação tecnológica busca a coordenação, mobilização e integração dos recursos e atores internos (Direção da empresa, P&D, marketing, operações, RH, financeiro, novos negócios) com os atores externos à empresa (clientes, fornecedores, concorrentes, instituições de pesquisa, instituições de fomento), para explorar oportunidades tecnológicas e de mercado, alinhadas às prioridades estratégicas corporativas.»





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