2016/08/26

«Organizações ambidestras»



Antonio Carlos Teixeira Alvares. Professor Teixeira





«As inovações, conforme a sua magnitude, são classificadas como radicais ou incrementais. As inovações radicais mudam a base de competição da indústria existente e as incrementais introduzem melhorias nos produtos e estão alinhadas com as necessidades do consumidor.

»A convivência dos dois tipos de inovação numa mesma organização não costuma ser comum, uma vez que as inovações radicais e as inovações incrementais requerem diferentes tipos de recursos. A inovação radical tecnológica pressupõe uma área organizada de P&D, enquanto a inovação incremental sistemática demanda canais de comunicação abertos e administração participativa. Por outro lado, no passado, alguns autores renomados criticaram a estratégia incrementalista, com base na errônea suposição de que a melhoria contínua dos processos atuaria contra as inovações radicais. O incrementalismo é o pior inimigo da inovação, foram palavras de Nicholas Negroponte.

»O erro foi admitir que houvesse confronto na gestão de inovações radicais e incrementais. Claro, elas demandam recursos diferentes, porém não há antagonismo. Pelo contrário a cultura para desenvolver tanto inovações incrementais quanto radicais é basicamente a mesma. O Fórum FGV/Inovação denomina essa cultura como Meio Inovador Interno. Possivelmente o erro possa ser atribuído ao efeito conhecido como correlação reversa entre causa e efeito. As inovações incrementais em maior ou menor monta existem em todas as organizações, sendo mais visíveis nas que não apresentam inovações radicais. Admitir por causa disso que as inovações incrementais são inimigas das radicais é equivalente a concluir que o refrigerante zero provoca obesidade.

»As organizações inovadoras conseguem realizar, simultaneamente, tanto inovações incrementais quanto as radicais. Essas organizações foram denominadas como organizações ambidestras (a mesma denominação dada ao ser humano capaz de ser igualmente habilidoso com ambas as mãos).

»Inovação começa com uma ideia e quem dá ideias são pessoas. O Meio Inovador Interno motiva as pessoas a darem ideias sistematicamente, a cultura interna é tolerante com o erro bem intencionado, encoraja o aprendizado e favorece as comunicações. Os processos internos estimulam e captam as ideias de todas as pessoas e lugares da organização inovadora. O enfoque no aspecto cultural difere da corrente principal que acredita que a maneira de produzir inovação seria apenas investir em tecnologia. Inovação não é apenas produzida pelos cientistas nos laboratórios, o que eles produzem é conhecimento. Inovação é que transforma conhecimento em resultado.

»As organizações inovadoras são, por definição, ambidestras. A ambidestria por seu lado depende da cultura interna. As organizações ambidestras acreditam que a inovação pode vir de qualquer pessoa da organização e muitas vezes adotam programas de alto desempenho para captar ideias dos funcionários. Os canais de comunicação especialmente com o pessoal de linha de frente estão sempre abertos.

»Como as inovações incrementais são comuns às organizações, poderia ser um pensamento subjacente que as organizações ambidestras seriam as que, contando com uma área de P&D estruturada que possibilitasse o desenvolvimento de inovações radicais, passassem também a investir de forma continua em inovações incrementais e não o contrario.

»Surpreendentemente estudos mostram que uma empresa originalmente focada em inovações incrementais pode sim se tornar ambidestra com a produção consistente e continuada de inovações radicais, motivada pela estratégia de obter inovações de todas as pessoas com a abertura dos canais de comunicação com os todos os funcionários.

»Este seria um caminho para as organizações se tornarem inovadoras. Abrir os canais de comunicação em busca de inovações incrementais construindo um Meio Inovador Interno para favorecer tanto as inovações incrementais quanto as radicais.»





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