2016/09/02

«Inovação e desempenho: a relação entre empresas inovadoras e desempenho econômico-financeiro»



Roberto Luiz Custódio Remonato. Inovação e desempenho: a relação entre empresas inovadoras e desempenho econômico-financeiro. Tese apresentada ao Programa de Pós-graduação em Administração, área de concentração Inovação e Tecnologia, do Setor de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Federal do Paraná, como parte das exigências para obtenção do título de Doutor. Orientadora: Prof.ª Dr.ª Ana Paula Szabo Mussi Cherobim. Curitiba, 2015. Vejam-se as referências bibliográficas, asim como quadros e tabelas na publicação original. Vejam-se as referências na publicação original do texto.



«Conclusão

»A base do capitalismo é motivada pelas inovações, as quais mantêm o sistema em constante movimento. Se não inovarem, as empresas não introduzem novos produtos, serviços ou processos; com isto, a capacidade de gerar e acumular capital de uma economia tende a se reduzir. Como consequência, as empresas tenderão a desaparecer do mercado e a região ou o país perderá a dinâmica do desenvolvimento econômico.

»Ao longo do tempo a inovação tem sido percebida como uma atividade envolvendo atores quase que inteiramente individuais, incluindo empresas e inventores. Tem sido percebida, também, como um processo linear começando com pesquisa fundamental, passando pela pesquisa aplicada, pelo desenvolvimento, pela prototipagem, pela produção piloto e chegando, por fim, à produção contínua através da difusão de novos produtos e processos no mercado. Nos últimos anos o foco dos indicadores de controle e competitividade das organizações têm-se movido dos ativos tangíveis, como máquinas, prédios, veículos, etc. em direção a aspectos intangíveis, como capacidade de inovação, conhecimento, habilidades de negociação, localização geográfica, produtividade, qualidade, dentre outros itens.

»A tarefa de medir os ganhos obtidos com uma inovação é árdua e, na maioria das vezes, complexa. Além dos ganhos explícitos, uma inovação pode apresentar uma série de ganhos implícitos que, eventualmente, podem proporcionar vantagens e diferenciais maiores. As empresas podem medir apenas a geração de caixa ou o retorno financeiro de suas inovações, ou podem medir tudo, criando indicadores sem uma lógica ou objetivo bem definido. Enquanto medir apenas o resultado financeiro é perigoso, pois revela somente o momento atual, sem preocupação com a continuidade do processo de inovação, medir tudo demanda um grande esforço na geração de indicadores e resulta em perda de tempo e de produtividade com informações inúteis que, muitas vezes, mais confundem que auxiliam.

»Esta tese expôs e comprovou um problema crítico encontrado na academia e no mercado: a falta de indicadores de controle e competitividade que permitam aferir os ganhos efetivos não só em aspectos tangíveis mas, principalmente, dos aspectos intangíveis.

»O modelo escolhido para demonstrar este problema – o modelo de Linder (2006), aparentou ser mais completo, abrangente, e passível de ser aplicado dentro da indústria ou entre indústrias, no sentido em que classifica a empresa em relação a seus pares; lançando uma visão sobre o passado e sobre o futuro, focando no crescimento lucrativo como o resultado sumário de todos os tipos de inovação. Como apresentado, as empresas não estão apenas interessadas na inovação por si só, o que elas querem é crescimento lucrativo — um equilíbrio eficaz entre o compromisso com os clientes e as empresas existentes e o investimento adequado em renovação. A escala de crescimento lucrativo proposta por Linder auxilia a alcançar esse equilíbrio.

»Com a utilização do modelo de Linder (2006) foi possível investigar a relação existente entre empresas consideradas inovadoras com capital aberto, que possuem o selo ANPEI (Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras) e o seu desempenho econômico-financeiro entre os anos 2011 a 2013.

»O levantamento das maiores empresas inovadoras do Brasil com capital aberto e com selo ANPEI foi realizado no próprio site da ANPEI, através do levantamento das empresas e a verificações se possuíam ações negociadas na BM&FBOVESPA, o que resultou em 21 (vinte e uma) empresas. Posteriormente, 2 (duas) empresas portadoras do selo ANPEI foram descartadas pelo fato de não possuírem informações disponíveis, a nível de segmento, no site da BM&FBOVESPA (Quadro 22), passando o número de empresas analisadas para 19 (dezenove).

»A próxima etapa foi o levantamento das empresas congêneres (assemelhadas, do mesmo nível ou da mesma categoria), listadas em bolsa e sem o selo ANPEI. Para tanto também se fez uso das informações disponibilizadas no site da BM&FBOVESPA, o que resultou em 101 (cento e uma) congêneres, que somadas às empresas inovadoras com selo ANPEI totalizaram 120 (cento e vinte empresas) e 13 (treze) segmentos diferentes.

»Após tal levantamento e no mesmo site da BM&FBOVESPA foram coletados os dados financeiros das 120 (cento e vinte) empresas e efetuados os cálculos das taxas médias de crescimento dos últimos três anos dos três indicadores citados por Linder (2006) - crescimento nos lucros, crescimento das receitas e crescimento em valor futuro, normalizando-se o tamanho das empresas através da divisão de tais indicadores pelos ativos médios de cada empresa.

»Por fim, de posse destes indicadores foi possível colocar cada uma das 19 (dezenove) empresas e seus principais pares de segmento na escala de crescimento rentável proposta por Linder (2006).

»Isto feito e em resposta ao problema da pesquisa sobre como as empresas consideradas inovadoras apresentam melhor desempenho econômico-financeiro, foi possível comprovar, à luz do modelo de crescimento rentável, que o resultado obtido confirma o apregoado por Linder de que não necessariamente as empresas na extremidade superior da escala possuem as maiores taxas de crescimento de ganhos e, da mesma maneira, a outra extremidade da escala pode também, guardar surpresas adicionais. Tal fato pode ser mais bem visualizado no Quadro 27 que relaciona a posição da empresa em seu respectivo segmento e a sua posição na escala de rendimento crescente das empresas com selo ANPEI.


»Neste quadro é possível observar que o posicionamento das empresas pode variar quando estas são colocadas em uma escala de rendimento crescente. A TABELA 11 – p. 149 também corrobora o resultado. Naquela tabela, a empresa com maior taxa de crescimento do Ebitda nos últimos três anos (CPFL Energia com 253%) aparece como a sexta empresa na escala de rendimento crescente; a empresa com a quarta maior taxa de crescimento de receitas (FRAS-le com 3,9%) está, junto com outras empresas, em primeiro lugar na escala de rendimento crescente; em termos de taxa de crescimento de Valor Futuro, a empresa CTBC Telecom está em segundo lugar com 25,8%, mas na escala de rendimento crescente se encontra na décima terceira posição, confirmando a proposição de Linder.

»A confirmação pôde ser feita também estatisticamente pois para o caso das 19 (dezenove) empresas com selo ANPEI encontrou-se uma relação linear forte, com 98,2% de possibilidade de que a relação entre as três variáveis seja casual (TABELA 9), o mesmo acontecendo com relação ao caso dos 13 (treze) segmentos, para os quais existe indicativo de relação linear com a possibilidade de 94% de que a relação entre as três variáveis também não se deva ao acaso (TABELA 9).

»Igualmente no caso das notas atribuídas para o desempenho de cada empresa (seguindo a sugestão do modelo de Linder), o tratamento estatístico com as quatro variáveis – Nota (variável dependente), Ebitda, Valor Futuro e Receita, mostrou que o modelo proposto tem 82,2% de possibilidade de que a relação entre as variáveis não se deve ao acaso (Figura 49).

»A análise estatística dos dados das 19 (dezenove) empresas com selo ANPEI mostrou uma distribuição platicúrtica, porém menos achatada e com distribuição tendendo para a esquerda, significando valores positivos (Figura 31 e Figura 32), consoante com a TABELA 2 que mostrou que as empresas com selo ANPEI apresentam uma média de crescimento do Ebitda acima da maioria.

»Em termos de variação, observou-se que o crescimento da Receita das 19 (dezenove) empresas com selo ANPEI se concentra mais próximo da média (TABELA 3) e com uma covariância positiva para todos os casos, quando relacionados à Receita, indicando que as variáveis tendem a se moverem juntas (TABELA 7). Tal fato faz sentido e se justifica pois o Ebitda de uma empresa e uma eventual reserva de lucro como Valor Futuro só aconteceram caso exista receita positiva.

»Mesmo comprovando a falta de métricas corretas para medir aspectos intangíveis e o consequente “gap” na literatura e no mercado, a aplicações do modelo de crescimento rentável proposto por Linder (2006) no presente estudo apresentou algumas limitações dentre as quais destaca-se a falta de disponibilidade de dados de algumas empresas, a existência de dados incompletos, a inconsistência de dados encontrados entre os disponibilizados pela BM&FBOVESPA e pela BLOOMBERG L.P. (nestes casos foram utilizadas as informações da BM&FBOVESPA objetivando manter a padronização), entre outros. Porém, talvez a maior limitação tenha sido a ausência, no modelo proposto e na presente tese, de uma análise setorial dos segmentos aos quais as 19 (dezenove) empresas com selo ANPEI pertencem. Fatores políticos e, principalmente, econômicos podem afetar os resultados de um segmento ou de uma empresa em particular, facilitando ou dificultando a operação dos envolvidos ou afetados, direta ou indiretamente.

»Por fim, a característica do modelo, o qual vem sendo objeto de exploração econômica, pode ser considerada uma limitação à sua aplicação acadêmica

»Como sugestão para futuros estudos indica-se a inclusão de uma análise qualitativa dos aspectos políticos e econômicos envolvidos, em nível setorial bem como em nível macroeconômico, o que provavelmente enriqueceria as conclusões.»





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