2016/09/27

«O grau de inovação das indústrias MPE da região metropolitana Oeste e e Sudoeste de São Paulo»



Davi de França Berne. Faculdade de Campo Limpo Paulista – FACCAMP. Dissertação. Vejam-se as referências na publicação original do texto.




«Conclusão

»O presente trabalho teve a finalidade de analisar ao grau de inovação de micro e pequenas indústrias localizadas na região metropolitana oeste e sudoeste da cidade de São Paulo. Para atingir esse objetivo, utilizou-se do modelo teórico do diagnóstico de inovação, baseado no modelo proposto por Sawhney, Wolcott e Arroniz (2006) e complementado por Bachmann e Destefani (2008).

»O estudo realizado com 203 micro e pequenas indústrias do segmento de metalurgia da região metropolitana oeste e sudoeste da cidade de São Paulo teve como objetivos mensurar o grau de inovação dessas microempresas, classificar as microempresas em categorias reveladoras de seu grau de inovação, verificar a relação entre os resultados do diagnóstico empresarial e dos graus de inovação das microempresas e, finalmente, constatar a evolução do grau de inovação das microempresas pesquisadas na segunda etapa do estudo que tiveram acompanhamento.

»A partir desses objetivos são respondidas as questões de pesquisa e, na sequência, são apresentadas as considerações finais e sugestões para futuras pesquisas.



»Respostas às questões de pesquisa


»1) Qual o grau de Inovação das micro e pequenas empresas da região metropolitana oeste e sudoeste da cidade de São Paulo?

»O cálculo do grau de inovação das micro e pequenas indústrias da região metropolitana oeste e sudoeste de São Paulo foi realizado em duas etapas. Na primeira etapa, foi realizado com 203 MPE e o grau de inovação médio foi de 2,01 e, na segunda etapa com as mesmas microempresas, o grau de inovação médio foi de 2,18.


»2) Como são classificadas as micro e pequenas empresas da região metropolitana oeste e sudoeste da cidade de São Paulo?

»Os resultados apontam que, na primeira etapa do estudo, 96,43% do universo de microempresas foram consideradas empresas pouco inovadoras e somente 3,57% foram consideradas empresas inovadoras ocasionais.

»Na segunda etapa do estudo, 93.1% das microempresas foram consideradas pouco inovadoras e somente 6,9% foram consideradas inovadoras ocasionais. Todavia, nenhuma empresa, na primeira etapa ou na segunda etapa, foi classificada como empresa inovadora sistêmica. Tal fato talvez possa ser explicado pelo segmento econômico a que pertencem essas microempresas, pois o segmento pesquisado não é de base tecnológica.

»Já no estudo realizado por Nascimento (2009) com 53 empresas (micros, pequenas e médias) do setor de tecnologia da informação do Estado de Minas Gerais, os resultados mostraram que a maior parte das microempresas pesquisadas (71%) foi classificada como mediamente inovadora.


»3) Qual a relação entre o resultado do Diagnóstico Empresarial e o Grau de Inovação mensurado com base nas variáveis do modelo adotado pelo estudo (Radar da Inovação)?

»Os resultados evidenciaram forte relação entre as variáveis do diagnóstico empresarial (DE) e os graus de inovação dessas microempresas. Sinalizam que, quanto mais organizada for a empresa nas dimensões avaliadas do diagnóstico empresarial, mais a empresa tende a ter um elevado grau de inovação.

»Estudo similar realizado por Malgueiro (2011) com pequenas empresas incubadas no Estado de Santa Catarina conclui que quanto maior o grau de inovação das empresas, maior a correlação com as variáveis de desempenho da organização.


»4) Qual a variação do grau de inovação das microempresas pesquisadas na primeira com a segunda etapa?

»Na segunda etapa da pesquisa, após acompanhamento, constatou-se a evolução no grau de inovação médio das microempresas pesquisadas. Verificou-se o crescimento do grau de inovação médio de aproximadamente 5,8%. Esse crescimento reflete alguns benefícios decorrentes das ações realizadas nas microempresas como consequência do acompanhamento feito pelo SEBRAE-SP.



»Limitações do Estudo

»Trata-se de um estudo de abrangência regional, não sendo possível generalizar os seus resultados para o universo das micro e pequenas empresas; no entanto, existe a preocupação da adoção correta dos mecanismos científicos que permitam ao menos a generalização estatística à população pesquisada, ou seja, às micro e pequenas empresas do ramo industrial do Estado de São Paulo.

»É necessário ressaltar que embora a pesquisa trabalhe com o universo de micro e pequenas empresas da região, a extrapolação dos resultados para todo o Estado de São Paulo no mesmo segmento tem potencial limitado.

»No entanto é importante lembrar que o próprio modelo adotado pelo SEBRAE (Radar da Inovação) tem limitações, pois nem sempre suas dimensões captam todos os aspectos fundamentais da inovação como, por exemplo, tolerância a risco, criatividade e pessoas.



»Considerações Finais

»Os resultados do presente estudo demonstraram que as microempresas analisadas não são inovadoras sistêmicas. Na sua maioria, foram classificadas como empresas pouco inovadoras; e um número inexpressivo de microempresas foi considerado como empresas inovadoras ocasionais.

»O resultado encontrado está coerente com o levantamento realizado pelo GEM (2015), o qual apresenta a inovação em microempresas como incipiente. Segundo esta fonte, os microempresários brasileiros iniciam as suas atividades sem conhecer as condições de mercado e as possibilidades de sucesso do seu negócio, sendo mais imitadores do que inovadores enquanto empreendedores.

»Na segunda etapa do estudo constatou-se uma pequena evolução no grau de inovação das microempresas da região pesquisada, fato esse devido às ações de melhoria de inovação fomentadas pelo SEBRAE-SP e implementadas nessas empresas. Ressalte-se que o lapso de tempo entre a primeira e a segunda etapas para a implementação dessas mudanças foi somente de um ano, fato que pode ter influenciado no crescimento modesto do grau de inovação dessas microempresas.

»Deve-se levar em consideração também que, para a maioria das MPE, o processo de inovação é complexo e essas microempresas têm dificuldades para inovar. De acordo com o Fórum Permanente das Micro e Pequenas Empresas (2007) e Caron (2004), as principais dificuldades para as MPE inovarem são: pouca aproximação dos centros de tecnologia, carência de infraestrutura física e de pessoal adequado, bem como recursos financeiros entre outras.

»Os resultados e as ferramentas utilizados neste estudo podem servir de base ou, mesmo, como incentivo para novos estudos sobre a questão da inovação em micro e pequenas empresas, principalmente no que diz respeito às dimensões Organização, Processo, Presença, Cadeia de Fornecimento, e Agregação de Valor, uma vez que estas foram aquelas que se apresentaram menos desenvolvidas nas microempresas estudadas.

»Assim, um primeiro desafio para esses microempresários seria melhorar a gestão de suas microempresas, procurando torná-la mais profissional, adotando, por exemplo, mecanismos de planejamento e controle das atividades, melhoria e racionalização dos métodos de trabalho e, em última análise uma preocupação com a busca de maiores níveis de eficiência. O segundo desafio diz respeito à melhoria da orientação dessas microempresas para a função de marketing, procurando, essencialmente desenvolver novos canais de distribuição de modo a aproximar seus produtos dos consumidores, ou mesmo a busca por novos mercados.

»O terceiro desafio relaciona-se a aspectos de melhoria e busca de racionalização em temas ligados à logística empresarial, tais como melhoria do transporte, estocagem e entrega de seu portfólio de produtos. Finalmente, um outro ponto de reflexão para esses microempresários seria o desenvolvimento e implantação de medidas voltadas para maior geração de receitas, a partir da análise de informações de mercado e a respeito de custos operacionais, ou então pela maior interação com clientes, fornecedores e parceiros, de maneira a identificar outras melhores práticas, seja de inovação, seja de funcionamento ou da própria forma de realização das atividades dentro do mercado de atuação.

»Por fim, espera-se que este trabalho tenha trazido uma importante contribuição para o meio empresarial, pois permitiu disseminar junto as microempresas participantes do estudo o valor mensurado do grau de inovação de cada empresa, bem como apresentar quais são as dimensões que apresentam os maiores problemas e que, em tesem devem ser os primeiros a serem superados.



»Sugestões para futuras pesquisas e limitações do estudo

»Como sugestões para trabalhos futuros, torna-se possível indicar as seguintes propostas. Em primeiro lugar, por ser tratar de um estudo com MPE de uma região específica do país e que guarda peculiaridades próprias, tais como maior grau de desenvolvimento social e econômico, proximidade de centros de formação e de capacitação, bem como infraestrutura rodoviária, tais aspectos podem ter influenciado positivamente os resultados obtidos, ainda que muito incipientes. Portanto, recomenda-se a realização de estudos similares em outras regiões do Brasil para que se possa comparar resultados e extrair novas conclusões, ou mesmo verificar se o grau de inovação presente nas microempresas dessas outras regiões não seria ainda mais inferior.

»Uma segunda sugestão seria incrementar a prática de acompanhar a evolução do grau de inovação entre períodos que caracterizem prazos que possam ser considerados médios, como por exemplo 2 (dois) anos, em lugar do horizonte de um ano contemplado neste estudo. Observe-se que o presente estudo tão somente identifica o grau de inovação no qual as microempresas se encontram, não sendo possível qualquer inferência sobre os motivos pelos quais essas empresas não praticam ou adotam posturas inovadoras.

»A necessidade de se estabelecer um crescimento econômico sustentável se projeta na busca pela definição de procedimentos que norteiem em quais dimensões deve ser estimulada a inclusão de novas tecnologias e melhorias de processos, como uma necessidade identificada do setor e, em outros casos, quais dimensões devem ser desenvolvidas para fazer frente à concorrência emergente. É também necessário desenvolver ferramentas para auxiliar a identificar diferenciais competitivos que se efetivam por intermédio de uma orientação de desenvolvimento voltado para competição no mercado por parte dessas microempresas.

»A pesquisa mostra que as empresas do setor analisado estão em um padrão de atuação caracterizado pela ausência de procedimentos que buscam introduzir uma cultura de inovação, tratando, apenas, daqueles que venham manter a sua competividade atual ou então daqueles que dispensam investimentos muito volumosos para garantir a melhoria de atuação.

»Os resultados do presente levantamento fornecem ao SEBRAE-SP pistas de atuação, caso esta instituição esteja preocupada em alavancar o grau de inovação junto às MPE. Uma linha de atuação seria manter e incrementar os programas nacionais SEBRAETEC e ALI, as incubadoras de empresas, bem como o Centro SEBRAE de Sustentabilidade (Cuiabá / MT), uma vez que são todos instrumentos voltados à inovação e que podem cada vez mais contribuir para mudar a realidade dos pequenos negócios diante dos desafios impostos pelos mercados nos quais se inserem.

»As inovações que podem ser incorporadas ao cotidiano das microempresas e empresas de pequeno porte como fruto da atuação desses centros, deverão repercutir em mais faturamento, racionalização de processos, eliminação de desperdícios e redução de custos, entre outras consequências, ajudando a aumentar a presença e prestígio dessas empresas no mercado. Observe-se que identificar de modo preciso esse tipo de relação entre grau de inovação e indicadores de desempenho, produtividade ou até mesmo a perenidade de microempresas, representam também uma linha de desenvolvimento de novas pesquisas dentro da temática dinâmica das MPE.

»Finalizando, o estudo permite observar que o grau de inovação pode ser uma medida útil para mensurar a postura inovadora nas micro e pequenas empresas, representando também um norte para direcionar quais são as ações que devem ser priorizadas a fim de estimular a cultura da inovação nas MPE. Espera-se que a realização desde estudo desperte o interesse de outros pesquisadores, os quais poderão partir das sugestões apresentadas, para desenvolver outros trabalhos, que favoreçam o conhecimento do grau de inovação de outros segmentos e empresas.»





Tipologias de inovação
Leituras temáticas

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