2016/09/27

«Sistema de Inovação do Paraná: os padrões da interação universidade-empresa»



Caroline Hoffmann e Antonio Carlos de Campos. XIX Encontro de Economia da Região Sul - ANPEC/SUL 2016. ANPEC (Associação Nacional dos Centros de Pós-Graduação em Economia) – Programa de Pós-Graduação em Economia da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina)




«Introdução

»Diante das intensas mudanças pela qual passou a economia mundial nos últimos anos, como a acelerada difusão das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), as economias nacionais vêm se adequando a essas novas características, com as mudanças nas dimensões tecnológicas, organizacionais e institucionais.

»Nesse novo cenário no qual estão inseridas as firmas, mesmo a competição sendo de dimensão global, a produção se caracteriza por ser um processo local, no qual através da proximidade entre empresas e instituições pode se criar economias de aglomeração e economias do aprendizado por interação.

»Desse modo a dinâmica inovativa é vista como elemento chave para o crescimento e desenvolvimento das empresas, regiões e países. O processo inovativo é uma atividade complexa e interativa, que se desenvolve a partir de uma rede de relações institucionais e organizacionais. Para Freeman e Soete (2008), as características especiais da economia, da tecnologia, da cultura e do sistema político, constituindo assim o ambiente nacional, podem exercer uma considerável influência para estimular, facilitar, retardar ou até mesmo impedir as atividades inovativas das firmas.

»Assim, os autores destacam o importante papel que o ambiente nacional, estadual e regional possui sobre o desempenho e competitividade das empresas e da indústria. Essa visão se apresenta dentro do conceito de Sistema de Inovação, inicialmente apresentado de forma nacional (Sistema Nacional de Inovação), mas também se estendendo, posteriormente ao âmbito local (Sistema Local de Inovação).

»A abordagem de sistema de inovação surgiu em meados da década de 1980, por um conjunto de autores denominados de neoschumpeterianos. De forma geral, Richard Nelson, um dos expoentes deste grupo, afirma que um sistema nacional de inovação se configura como um conjunto de instituições cujas interações determinam o desempenho inovador das empresas nacionais. (OCDE, 1997, p. 10).

»A ênfase maior dessa abordagem se encontra na articulação entre as instituições de ensino e pesquisa com as empresas do setor produtivo.

»Nesta perspectiva, Dosi (1988) aponta a importância das universidades e das instituições de pesquisa para o desenvolvimento de regiões e países, pois ao criar competências científicas e tecnológicas ajudam não apenas na solução de problemas, mas também criam condições para a geração e difusão do novo conhecimento. É através da interação com o setor produtivo que essas competências são transferidas, colaborando com o processo inovativo das empresas e para o desenvolvimento econômico da região.

»Dada a importância que um sistema de ciência e tecnologia tem sobre a competitividade de um país, estado e/ou região, torna-se fundamental o estudo e análise do mesmo para melhor compreender a dinâmica da geração e difusão das capacidades tecnológicas e científicas e de que forma isso contribui para o desenvolvimento econômico e social de uma região e até mesmo de uma nação.

»Tendo em vista a importância da relação universidade-empresa dentro do âmbito da abordagem de sistemas de inovação, o objetivo desse trabalho é identificar os padrões de interação universidadeempresa para o estado do Paraná, através de uma análise dos dados do diretório dos grupos de pesquisas cadastrados no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

»A observação dos dados consiste em tratamento de estatística descritiva, com a elaboração de gráficos, quadros e tabelas, sendo assim feita uma análise quantitativa e qualitativa dos mesmos. Os dados analisados são referentes ao ano de 2010, dado que é o último período disponibilizado no site do CNPq referente a essas informações.

»O trabalho se encontra estruturado em três partes, além dessa introdução e considerações finais. A primeira seção consiste numa abordagem teórica sobre sistemas de inovação, como marco teórico utilizado para o estudo. A seção seguinte faz um levantamento das instituições de ensino e pesquisa do Paraná, tendo por base a Lei de Inovação do Paraná e os dados do CNPq. Na terceira seção é feita a análise quantitativa e qualitativa dos dados, a fim de se verificar os padrões de interação universidadeempresa no estado paranaense. Por fim as considerações finais.


»[...]


»Considerações finais

»As constatações auferidas sobre essa análise da produção e difusão do conhecimento das instituições de ensino e pesquisa mostraram que as interações com o setor produtivo envolvem projetos conjuntos, produção e difusão do conhecimento para ambas as partes e a busca de soluções para problemas enfrentadas pelas empresas.

»No entanto, e sendo característica não apenas para o estado, mas sim uma constatação nacional, essa participação é muito pequena quando considerado o universo total das empresas. Com relação aos grupos de pesquisa interativos, se viu no Paraná um crescimento expressivo daqueles que possuem interação com o setor produtivo, movimento também observado nas demais unidades da federação e para a média nacional.

»No Paraná, as universidades possuem grande destaque entre as instituições de ensino e pesquisa do estado, com relação aos seus grupos de pesquisa interativos. As atividades de interação mais expressivas foram aquelas relacionadas à P&D, ou seja, produção científica de novo conhecimento, sendo repassadas às organizações com as quais mantinham interação. Esse papel da universidade, destacado pela abordagem de sistema de inovação, pode ser percebida para o estado do Paraná, sendo as universidades e institutos de pesquisa importantes instituições que fazem parte do sistema de inovação paranaense, contribuindo para o fortalecimento do mesmo.

»A evolução positiva observada com relação ao aumento expressivo dos seus grupos de pesquisa interativos indica que o sistema de ciência e tecnologia, e especialmente as universidades presentes no estado, estão externalizando o conhecimento científico e tecnológico através das parcerias com o setor produtivo. Esse fato, quando analisado sob a ótica da hélice tríplice, mostra que essa evolução é importante no sentido do papel que as instituições de ensino e pesquisa possuem para o estado do Paraná, sendo também protagonistas do desenvolvimento econômico do estado.

»Outro ponto fundamental é a posição do Paraná com relação ao seu sistema de ciência e tecnologia, estando entre os principais estados do país. Mesmo sendo baixa a relação dos grupos interativos e das empresas que interagem, o comportamento observado no estado corresponde ao do Brasil e em algumas unidades da federação. Se analisar o sistema de ciência e tecnologia do Paraná sob a perspectiva da abordagem de insumo-produto, o insumo (conhecimento científico e tecnológico das instituições) está dado, tendo na integração com as empresas a geração do seu produto.

»O resultado, sendo as inovações introduzidas pelo setor produtivo, impulsiona o desenvolvimento econômico do estado, conforma apontado pela teoria schumpeteriana. Nesse sentido, o sistema de ciência e tecnologia paranaense possui perspectivas positivas, sendo necessário analisar de que forma interações com as universidades, institutos de pesquisa e demais elementos do ambiente externo a firma influenciam na capacidade inovativa das mesmas.»





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