2016/06/30

«A natureza da crise sistêmica global: às vésperas do choque das placas tectônicas do capital»



Edmilson Costa. Pravda



«Um fantasma ronda a economia mundial: há mais de oito anos a crise sistêmica global vem castigando os países capitalistas e não há perspectivas de retomada da economia no curto prazo. Isso porque esta crise é muito diferente das crises cíclicas que atingem periodicamente o capitalismo desde os seus primórdios. Essas crises recorrentes, de tanta regularidade, já são administradas com êxito pelos gestores capitalistas desde a metade dos anos 40, mediante as políticas keynesianas. No entanto, as crises sistêmicas são de outra natureza: elas colocam em questionamento o conjunto do sistema e representam o esgotamento de um longo ciclo do capital.

»(Uma explicação mais completa sobre a diferença entre crises cíclicas e crise sistêmica pode ser encontra em: Costa, Edmilson. A crise econômica mundial, a globalização e o Brasil. São Paulo: Edições ICP, 2013.)

»Ou seja, a crise sistêmica global demonstra que as velhas relações de produção do mundo atual não comportam mais a estrutura material construída e desenvolvida ao longo do ciclo que está se esgotando e, por isso mesmo, a base material está se rebelando contra o conjunto do sistema e exigindo mudanças quantitativas e qualitativas, como ocorreu nas crises sistêmicas anteriores.

»Por isso, as fórmulas e receitas que se tornaram bem sucedidas nas crises cíclicas, a partir da intervenção do Estado no sistema econômico, são inadequadas para esta crise. Prova disso é que os governos dos países centrais já injetaram mais de U$ 20 trilhões na economia, mas a estagnação econômica e o desemprego continuam sendo um dado da realidade nesses países. A bem da verdade esse grande volume de recursos tem servido apenas para salvar os banqueiros e especuladores em geral, evitar o colapso do sistema financeiro, bem como também para criar bolhas especulativas nas bolsas de valores e em outros setores da economia. Como esses recursos não têm base na economia real, em algum momento esse dinheiro fictício, criado a partir de ordens burocráticas dos Bancos Centrais, poderá se transformar em combustível para crises ainda maiores ou gerar uma escalada inflacionária com efeito profundamente desestabilizadores paras as economias.

»Em outros termos, a economia dos países centrais continua tão ou mais doente do que no período da explosão da crise em 2008 com a queda do Lehman Brothers, com o agravante de que até os chamados países emergentes, que não foram atingidos nas mesmas proporções que as economias centrais, agora também estão em crise. Apesar dos meios de comunicação diariamente procurarem encobrir a gravidade da crise, informando que determinados países estão se recuperando, que as Bolsas de Valores estão prósperas, que logo haverá perspectivas de retomada do crescimento econômico e do emprego, essas informações servem apenas para confundir e desorientar os trabalhadores, retardando assim sua compreensão da gravidade da crise e reduzindo a possibilidade de se colocarem em movimento em defesa dos seus direitos e, inclusive, contra o próprio sistema.

»Se analisarmos a conjuntura no coração do sistema — os países centrais em geral e os Estados Unidos e a União Europeia em particular — poderemos observar um panorama com enormes dificuldades para o capital. Se por um lado, os trilhões de dólares e euros colocados nas economias desenvolvidas estão retardando o colapso do sistema, por outro essa orgia monetária está criando economias autistas, no qual os agentes econômicos se comportam como zumbis a caminho do precipício, muito embora nessa trajetória m momentos de euforia, para logo depois se transformarem em perplexidade e mesmo de pânico. Essa situação é pouco compreensível para as mentes acostumadas com a velha ordem construída após a Segunda Guerra Mundial, pois normalmente as pessoas têm dificuldades para se adaptar a uma nova ordem, onde as mudanças são velozes e radicais, e geralmente continuam raciocinando como no passado e buscando resolver os problemas com as mesmas fórmulas de conjunturas anteriores. Qual é a situação real hoje do mundo capitalista, especialmente de sua parta mais desenvolvida?

»A economia europeia vive uma estagnação prolongada a caminho da depressão, apesar das políticas de flexibilização quantitativa efetuadas pelo Banco Central Europeu. Trata-se de um continente em queda livre, com recessão, aumento do desemprego e uma crise social de vastas proporções, cuja ponta do iceberg é a tragédia grega, onde o desemprego atinge mais de 25% da população economicamente ativa, percentual que ultrapassa 50% quando se trata dos jovens. A isso se junta a crise humanitária da imigração de centenas de milhares de refugiados de regiões desestabilizadas pelo imperialismo europeu e norte-americano.

»Nos Estados Unidos, a situação não é muito diferente, apesar do esforço diuturno da mídia para construir uma conjuntura favorável. A dívida externa norte-americana já ultrapassa 100% do PIB e a cada período trava-se no Congresso uma dura batalha sobre o aumento do teto do débito com repercussões desestabilizadoras em todo o mundo. A indústria da transformação e seu contraponto, o consumo das famílias, permanecem estagnados e o que o establishment denomina de crescimento é resultado das bolhas artificiais na órbita da circulação, especialmente na Bolsa de Valores e especulação financeira. Quando a crise aprofundar e as bolhas especulativas murcharem aí então se poderá observar a profundidade a crise, com a desvantagem de que o governo já não terá condições para socorrer o sistema financeiro como aconteceu no início da crise sistêmica atual.

»A questão do aumento do emprego merece um comentário à parte. A redução do desemprego, nos níveis anunciados pelo governo, é apenas uma miragem, fruto da precarização do trabalho e da desistência de milhares de trabalhadores que deixaram de procurar emprego. O indicador que melhor pode aferir a situação real é a relação entre a população do País e o conjunto das pessoas empregadas. Por esses dados, pode-se verificar que a relação continua muito semelhante ao período da crise de 2008, o que significa que o aumento do emprego é muito mais um contorcionismo estatístico do que aquilo que ocorre efetivamente na realidade. Para completar o quadro, mais de 40 milhões de norte-americanos estão vivendo abaixo da linha de pobreza, sobrevivendo em função dos cartões de alimentação (food stamps) distribuídos pelo governo. Para a maior economia do mundo, esse não é um quadro nada alvissareiro.



»Uma crise complexa, um sistema na encruzilhada

»A crise sistêmica global ocorre num momento em que o capitalismo se transformou num sistema mundial completo, com a internacionalização da produção e das finanças, profunda reconfiguração de seu sistema de produção, com a emergência das tecnologias da informação, internet, da microeletrônica, biotecnologia, automação industrial, nanotecnologia, entre outros, e uma superacumulação de capitais em escala global, o que levou o sistema a buscar saída na financeirização da riqueza e na especulação financeira global. Esse conjunto de novos fenômenos que foram amadurecendo ao longo dos últimos 70 anos, — quando começou efetivamente o longo ciclo iniciado com o fim da Segunda Guerra Mundial e que agora está se encerrando —, alteraram de maneira profunda as bases materiais do sistema produtivo mundial, as relações econômicas entre o centro e a periferia capitalista, o processo tradicional de apropriação do valor, a reconfiguração do sistema financeiro internacional e a possibilidade de valorização fictícia de um mesmo capital na órbita financeira ao longo das 24 horas do dia, em função da interconexão das praças financeiras, viabilizada pela internet, satélites e fibras óticas.

»Para compreendermos essas mudanças, seu impacto no conjunto do sistema capitalista, além da relação com a crise sistêmica global, é fundamental avaliarmos separadamente cada um desses fenômenos, apenas para efeito analítico, uma vez que as esferas produtivas e financeiras e o conjunto de outras mudanças que ocorrem no sistema são parte constitutivas do capitalismo monopolista atual. Mas antes é necessário enfatizar que, ao contrário das duas grandes transformações produtivas anteriores (a primeira e a segunda revolução industrial), quando ocorreu um extraordinário desenvolvimento das forças produtivas, o sistema capitalista atual se encontra numa grave encruzilhada, pois está cada vez mais impossibilitado de desenvolver todo o potencial dessas novas forças produtivas em função de suas limitações estruturais, que podem ser expressas na insuficiência de demanda efetiva tanto de consumo produtivo quanto de consumo das famílias e na superacumulação de capitais, cuja expressão é a fuga para a frente da financeirização da riqueza e do frenesi especulativo global, elementos que foram os principais detonadores da crise sistêmica global. Vejamos cada um desses fenômenos para compreendermos a dinâmica da crise.


»a) A internacionalização da produção

»O sistema capitalista, desde seus primórdios, sempre teve vocação internacional, pois a própria natureza da concorrência leva à renovação constante das forças produtivas e à necessidade de ampliação da demanda e ocupação de novos espaços geográficos

»(No Manifesto Comunista Marx já identificava essa tendência: "A necessidade de um mercado em constante expansão para os seus produtos impele a burguesia a conquistar todo o globo terrestre ... A burguesia, por sua exploração do mercado mundial, deu uma forma cosmopolita à produção e ao consumo de todos os países. Para grande pesar dos reacionários, roubou da indústria a base nacional em que se assentava. As primitivas indústrias nacionais foram aniquiladas ... São ultrapassadas por novas indústrias ... Essas indústrias já não trabalham matérias primas nacionais, mas matérias primas oriundas das zonas mais afastadas e cujos produtos são consumidos no próprio País, mas em todos os continentes ao mesmo tempo")

»No entanto, a dimensão internacional do capitalismo só pode ser considerada plena após o processo de internacionalização da produção e das finanças. Se avaliarmos toda a história do desenvolvimento desse sistema de produção, poderemos observar que esse sistema conquistou o mundo de uma maneira muito peculiar: primeiro, eliminou a ordem feudal e instituiu as relações capitalistas na produção; depois, a indústria hegemonizou as relações de produção na época concorrencial, levando à mecanização das fábricas e a primeira revolução industrial. Posteriormente, deu um salto de qualidade com a união dos capitais bancário e industrial, a reorganização do sistema produtivo e a constituição dos monopólios, período em que as grandes empresas passaram a dominar a vida econômica e ocupar as nações periféricas em busca de matérias primas. Emergia assim desse processo a segunda revolução industrial. Mas a plenitude da internacionalização capitalista só pode ser considerada completa quando as grandes corporações transnacionais passaram a produzir diretamente no interior dos países periféricos, através de milhares de filiais instaladas em todos os continentes, e extrair o valor, de maneira generalizada, fora de suas antigas fronteiras nacionais.

»(Um dos estudos pioneiros do processo de internacionalização da produção pode ser encontrado em; Michalet, Charles-Albert. Capitalismo mundial. São Paulo: Paz e Terra, 1984).

»Ao contrário do que muitos imaginam, o processo de globalização da produção é um fenômeno típico do capitalismo contemporâneo, fruto do próprio desenvolvimento das forças produtivas capitalistas e da busca de novas oportunidades de valorização do capital, em função da mão de obra e matérias-primas baratas, além de vantagens creditícias e fiscais nos países hospedeiros. A partir de meados da década de 50 pode-se verificar um movimento contínuo das transnacionais no sentido de produzir para além das fronteiras nacionais. Esse movimento foi se consolidando em todos os continentes, especialmente naquelas regiões em que existia certa estabilidade política, uma mão de obra mais organizada e com certo grau de estudo, sem problemas tribais, guerras ou disputas territoriais, além de fontes de matérias primas abundantes. O movimento das transnacionais não ocorreu apenas no eixo centro periferia: entre os próprios países centrais verificou-se também uma grande interpenetração de capitais transnacionais, configurando-se um processo próximo a uma remonopolização global do capital e consolidação de esferas de influência dos países centrais a partir dos grandes blocos econômicos e tratados comerciais.

»Pode-se dizer que duas décadas depois, o processo de internacionalização da produção já estava maduro, com as corporações transnacionais presentes em todo o planeta mediante a instalação de centenas de milhares de filiais nos mais variados ramos de produção. Essa nova performance colocou o processo de industrialização mundial num novo patamar, de forma a que as empresas transnacionais passaram a ter a possibilidade de produzir de acordo com as melhores disponibilidades de matérias primas e mão de obra cada País e também para mercados específicos, sempre objetivando alcançar as maiores taxas de lucro. Com a produção padronizada e flexibilizada, cada unidade empresarial passou a ter condições de produzir as peças de acordo com o planejamento da empresa matriz, racionalizando de maneira extraordinária o processo produtivo mundial. Estavam assim construídas as bases para as mudanças profundas que viriam a ocorrer no sistema produtivo com a introdução das tecnologias da informação, da internet, da microeletrônica, robótica e novos materiais.

»Mas antes é necessário enfatizar que a internacionalização da produção produziu um conjunto de novos fenômenos na economia capitalista. Pela primeira vez na história, a burguesia dos países centrais passa a extrair, de maneira generalizada, o valor fora de suas fronteiras nacionais, tornando assim uma classe exploradora direta tanto dos trabalhadores da periferia quanto dos países tradicionais industrializados. Anteriormente, o valor era capturado através do comércio internacional e da exportação de capitais. No primeiro caso, os países periféricos vendiam matérias-primas para os países centrais e compravam destes os produtos industrializados, gerando assim o que Samir Amin denominou de troca desigual, pois a produtividade dos produtos manufaturados é maior que a dos produtos de origem agropecuária ou mineral.

»No segundo, os países centrais se apropriavam dos juros e das remessas de lucro em função dos capitais investidos ou dos financiamentos realizados na periferia. A partir da década de 80 o sistema passa por uma nova transformação industrial que vai revolucionar completamente o modo de produção capitalista e produzir um conjunto de novos fenômenos em todas as esferas da economia e da vida social. As tecnologias da informação, a generalização dos computadores, a internet, a engenharia genética e a biotecnologia, a nanotecnologia, os robôs inteligentes comandando as máquinas ferramentas alteraram de maneira radical o chão das fábricas e empresas em geral, além do perfil do proletariado — temas que iremos abordar em outra seção.


Outro dos elementos que ainda não está plenamente integrado, mas que já vem sendo utilizado em larga escala pelas indústrias e vários setores econômicos é a nanotecnologia. Quanto sua utilização estiver plena na atividade econômica poderemos ter mudanças tão significativas na base produtiva quanto as tecnologias da informação neste momento.

»b) A internacionalização das finanças

»O processo de internacionalização das finanças ocorre no mesmo período da internacionalização da produção, até mesmo porque os grandes bancos dos países centrais já estavam umbilicalmente ligados aos monopólios produtivos. A internacionalização financeira cresceu rapidamente porque absorveu um conjunto de novas tecnologias, como os satélites, a generalização dos computadores, as fibras óticas e, especialmente, a internet. Além disso, contou ainda com uma série de mudanças econômicas e políticas que ocorreram nos países centrais, como o enfraquecimento do Estado do Bem Estar Social, a emergência política de Ronald Reagan e Margareth Tatcher, respectivamente nos Estados Unidos e na Inglaterra, e a posterior desregulamentação da economia, cujo elemento mais fundamental para a órbita financeira foi a instituição do rentismo em praticamente quase todos os países e a livre mobilidade dos capitais. Esse conjunto de fenômenos possibilitou às finanças não só um extraordinário desenvolvimento, mas principalmente certa hegemonia nos negócios do grande capital e relativa autonomia em relação à órbita produtiva.

»Vale destacar que a ordem financeira construída em Bretton Woods começou a desmoronar a partir dos crescentes deficit no balanço de pagamentos dos Estados Unidos, o que levou o governo do presidente Richard Nixon a decretar o fim da paridade entre o dólar em 1971. Diante do fato consumado, o sistema financeiro internacional, após algum período de hesitação, passou a ser administrado através do cambio flutuante, prática que foi legalizada a partir de 1976 pelo Fundo Monetário Internacional. Ainda na primeira metade da década de 70 o sistema financeiro internacional passou por um grande processo de mudanças, impulsionado pela privatização da liquidez internacional e pela emergência do mercado de eurodólares, especialmente após a crise do petróleo do final de 1973. Este mercado foi o principal responsável pela reciclagem dos petrodólares e pela dinamização do crédito internacional privado, especialmente para os países da periferia, cujo principal resultado foi o extraordinário endividamento desses países e, posteriormente, a primeira grande crise financeira do pós-guerra. (Moffit)

»Mas a mudança de qualidade de atuação do sistema financeiro internacional ocorreu a partir de 1979, com a administração de Paul Volcker no comando do Federal Reserve (FED) dos Estados Unidos. Diante de uma inflação crescente, Volcker implementou uma política de aumento das taxas de juros buscando atingir dois objetivos estratégicos: deter o processo inflacionário e a desvalorização do dólar. (Moffit) Com a reorientação neoclássica da política monetária, o presidente do FED atingiu os objetivos a que se propôs, ou seja, reduziu a inflação e restaurou a hegemonia do dólar, uma vez que, em função das elevadas taxas de juros, os capitais voltaram a migrar em profusão para os Estados Unidos. O exemplo da política monetarista norte-americana foi posteriormente sendo assimilado pelas economias dos países centrais. Abandonaram as políticas keynesianas de estímulo ao crescimento econômico e do emprego para eleger o combate à inflação como estratégia geral da política econômica.(Phihon)

»Essa nova estratégia se transformou em política geral do grande capital internacional com a eleição de Tatcher e Reagan. A eleição de Reagan e Tatcher representou uma mudança profunda na correlação de forças entre os vários segmentos do grande capital: a elite parasitária, mais ligada ao capital especulativo, passou a hegemonizar o poder nos Estados Unidos e nos países centrais. Subordinou todos os outros setores à lógica das finanças, resultando numa hegemonia que durou cerca de três décadas. Nesse processo, o sistema capitalista em geral, desde os países centrais até os mais distantes rincões da periferia, passaram por um intenso processo de desregulamentação da economia, com uma ofensiva geral contra direitos e garantias dos trabalhadores, liberalização financeira, fim do controle dos preços e livre mobilidade dos capitais e privatização das empresas públicas. Essa política era combinada com a retirada do Estado da economia que, para os monetaristas, era a causa central de todos os problemas econômicos, além da privatização das empresas públicas.

»A nova conjuntura proporcionou ao polo financeiro do grande capital um enorme poder sobre o conjunto da política econômica e os banqueiros em geral sentiram-se de mãos livres para criar novos “produtos financeiros” cada vez mais sofisticados, num frenesi especulativo que culminou num descolamento cada vez maior entre a órbita produtiva e a esfera das finanças. Especulação com moedas, taxas de juro, metais, produtos agrícolas e um conjunto infinito de novas variáveis, a partir da criação dos derivativos, além da securitização de dívidas públicas e privadas tornaram-se as fontes privilegiadas dos negócios na órbita financeira. A criatividade da oligarquia financeira parecia não ter limites: para se ter uma ideia, antes da crise de 2008, o volume de recursos que circulava na esfera das finanças era cerca de 12 vezes maior que o PIB mundial, (Banco de Compensações Internacionais) fato que por si só já prenunciava um ambiente em que o resultado não poderia ser outro que uma grande crise global, uma vez que o processo especulativo contaminou praticamente todas as economias ligadas à economia líder.

»Mas a crise não deteve o processo de especulação financeira. Para salvar os bancos do colapso, os governos dos países centrais, especialmente o norte-americano, injetaram cerca de U$ 15 trilhões de dólares no sistema financeiro, processo que foi ampliado com as chamadas políticas de flexibilidade quantitativa (quantitative easy). Esses recursos contribuíram para evitar o colapso bancário e, ao mesmo tempo, serviram para criar bolhas especulativas em vários mercados, nas bolsas de valores e tumultuar o mercado de moedas dos países periféricos. Todavia, o mais surpreendente desse processo é o fato de que, enquanto toda a economia mundial está em crise, os bancos continuam obtendo lucros extraordinários. Isso porque os recursos em circulação na economia foram colocados pelos Bancos Centrais a taxas de juros praticamente negativas. Os bancos captam esse dinheiro a custo zero e posteriormente vão especular nas bolsas e nos mercados dos países periféricos, onde as taxas de juros são bastante elevadas, resultando daí os altos lucros do sistema financeiro.



»Novas tecnologias e impactos na base produtiva

»Esse conjunto de fenômenos novos vão se combinar com mudanças tecnológicas profundas que ocorreram no interior do sistema capitalista, tais como as tecnologias da informação (telecomunicações, satélites, universalização dos computadores, internet e plataformas digitais, telefonia móvel), a microeletrônica, a robótica, a engenharia genética, a biotecnologia, nanotecnologia, além de elementos de inteligência artificial. Essas mudanças alteraram radicalmente a estrutura produtiva capitalismo, relegando a um segundo plano os ramos industriais típicos da segunda revolução industrial, como a metal-mecânica, a química fina e os plásticos. Da mesma forma que a energia elétrica, o telégrafo e o telefone e os motores a combustão revolucionaram o sistema capitalista e contribuíram decisivamente para a emergência do capitalismo monopolista e do domínio das grandes empresas em cada ramo de produção, esses novos ramos industriais, especialmente as tecnologias da informação, a engenharia genética e a biotecnologia, cumprem o mesmo papel nessa fase do capitalismo.

»(Para compreender melhor as mudanças profundas provocadas pelas tecnologias da informação e, especialmente, pela internet, consultar: Castells, Manual. A galáxia da internet. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2003.)

»Se analisarmos o capitalismo hoje, do ponto de vista da inovação, poderemos observar que as tecnologias da informação fazem parte de todos os processos da atividade econômica, quer na área produtiva, comercial, financeira e de serviços em geral. O planejamento industrial, o desenho do produto, a produção, as relações com os fornecedores, a administração e as vendas são todos permeados pelas tecnologias da informação. Os robôs programáveis estão presentes no chão da fábrica e cumprem um papel cada vez mais determinante nos processos produtivos das grandes empresas. Nos circuitos comerciais, os estoques, a distribuição, a estrutura de vendas e a reposição cotidiana dos produtos gerais são feitos a partir de softwares sofisticados que possibilitam à administração central controlar o fluxo de mercadorias, o volume de vendas e os lucros em tempo real. Além disso, o comércio eletrônico vem revolucionando o comércio mundial e ocupando cada vez mais os espaços do comércio tradicional. Muitos analistas acreditam que num espaço de tempo não muito distante o comércio eletrônico deverá superar as vendas em lojas e supermercados.

»Na área financeira, o processo de automatização bancária, alavancado pelas tecnologias da informação, possibilitou a interconexão entre matrizes, agências bancárias e clientes, de forma que, de qualquer parte do mundo, se pode sacar dinheiro, pagar contas, fazer depósitos e realizar aplicações financeiras. As tecnologias da informação possibilitaram a interconexão entre as diversas praças financeiras mundiais, o que possibilitou a que os negócios nas bolsas de valores e nos diversos mercados se convertessem numa arena especulativa global, nos quais comprar ou vender ações de qualquer empresa, especular com moedas, câmbio, ouro, produtos agrícolas transformou de maneira radical a configuração dos mercados financeiros internacionais, especialmente com a emergência dos derivativos, cujos títulos ganharam uma dimensão tão extraordinária que passaram a hegemonizar os negócios na órbita das finanças.

»A revolução das tecnologias da informação não afetou apenas os setores produtivos, comerciais e financeiros, mas atingiu toda a vida social da humanidade. Os meios de comunicações e as transmissões por satélites, a generalização dos computadores e a emergência da internet e da telefonia móvel transformaram efetivamente o mundo naquilo que Marshall McLuhan denominou nos anos 60 de aldeia global. A internet permitiu uma democratização do conhecimento tão elevada que só não envolve toda a humanidade em função das limitações de classe o sistema capitalista. Hoje, a maior parte do conhecimento produzido pela humanidade está disponível na internet. Com um computador, um tablet ou smarth fone as pessoas podem acessar vários trilhões de informações em todos os ramos do conhecimento, desde as plataformas científicas das universidades até os principais museus do mundo, realizar compras e interagir com qualquer pessoa em qualquer parte do planeta em tempo real mediante mensagem de texto ou de voz. As tecnologias da informação têm hoje um impacto muito maior do que a descoberta da imprensa por Gutemberg no século XVI.

»A engenharia genética e a biotecnologia também causaram profundas alterações na base produtiva do capitalismo. Se observarmos todo o setor agrícola e de pecuária, poderemos constatar que esses ramos produtivos fundamentais para a sobrevivência da humanidade estão profundamente marcados pelas inovações tecnológicas oriundas dos desenvolvimentos genéticos e biotecnológicos. Quase toda a produção mundial de grãos, legumes e verduras é resultado de melhoramentos e ensaios realizados por pesquisadores, tanto nas universidades, institutos de pesquisa e empresas públicas e privadas, fato que resultou no aumento extraordinário da produção e da produtividade agrícolas, muito embora os monopólios tenham se apropriados não só do saber milenar dos povos originários, mas do próprio processo de produção de sementes, adubos, defensivos agrícolas e do comércio em escala mundial. Além disso, a produção biotecnológica dos fármacos está bastante desenvolvida e tem produzido impactos fundamentais na indústria farmacêutica e pode, no médio prazo, hegemonizar a produção farmacêutica mundial.

»De forma semelhante, os melhoramentos genéticos alteraram profundamente a produção de proteína animal, tanto bovina, como de aves e peixes. Hoje se produz frangos de corte em menos de 40 dias, quando no passado se levava cerca de seis meses para que uma ave estivesse pronta para o abate. A carne bovina está hoje muito mais disponível em função da redução do tempo de abate do gado, que foi diminuído de quatro para dois anos. Há ainda uma crescente indústria de pescado com a produção realizada em tanques artificiais, que mais parecem uma linha de produção, e que já vem respondendo por parcela significativa do consumo de peixes e crustáceos. Em função dessas transformações ocorridas a partir dos melhoramentos genéticos, pode-se dizer que a produção de proteína animal mais que quintuplicou nas últimas cinco décadas.

»A microeletrônica também teve um papel fundamental para alavancar o processo de mudanças que ocorreu no interior do sistema produtivo, mediante a redução do tamanho dos bens de consumo e miniaturização das peças, cujo exemplo mais significativa são os chips não só dos computadores, mas de uso generalizado em praticamente todos os bens duráveis. A robótica também está generalizadamente instituída tanto no chão das fábricas, quanto nos setores comerciais, financeiros e de serviços em geral, ressaltando-se o fato de que na área comercial a leitura ótica agilizou de maneira expressiva o fluxo de vendas no comércio. Outro dos elementos que ainda não está plenamente integrado, mas que já vem sendo utilizado em larga escala pelas indústrias e vários setores econômicos é a nanotecnologia. Quanto sua utilização estiver plena na atividade econômica poderemos ter mudanças tão significativas na base produtiva quanto as tecnologias da informação neste momento.



»O significado das transformações

»Esse conjunto de fenômenos novos produziu também uma plêiade de modificações tanto objetivas quanto subjetivas nas relações econômicas, sociais, políticas e culturais no sistema capitalista. As mudanças no interior do sistema econômico, comandadas pelas tecnologias da informação, biotecnologia e engenharia genética e a microeletrônica alteraram de maneira radical a base produtiva do capitalismo, de forma semelhante às duas revoluções industriais anteriores. Vale ressaltar que a primeira revolução industrial fez emergir a mecanização das fábricas e a produção em massa, deslocando os homens práticos para simples apêndices do sistema produtivo. A segunda revolução indústria e a emergência do capitalismo monopolista, possibilitou a formação das grandes empresas e a construção das linhas de produção. Esse processo consolidou novos ramos industriais como a metal-mecânica, da química e os plásticos, resultando na produção generalizada dos bens de consumo duráveis e num impulso gigantesco para o desenvolvimento das forças produtivas.

»A internacionalização da produção produziu um conjunto de novos fenômenos na economia capitalista. Pela primeira vez na história, a burguesia dos países centrais passou a extrair, de maneira generalizada, o valor fora de suas fronteiras nacionais(O primeiro autor a se referir à produção do valor fora das fronteiras nacionais foi Michalet: Charles-Albert. Capitalismo mundial. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1984.), tornando assim uma classe exploradora direta tanto dos trabalhadores da periferia quanto dos países tradicionais industrializados. Anteriormente, o valor era capturado através do comércio internacional e da exportação de capitais. No primeiro caso, os países periféricos vendiam matérias-primas para os países centrais e compravam destes os produtos industrializados, gerando assim o que Samir Amin denominou de troca desigual, pois a produtividade dos produtos manufaturados é maior que a dos produtos de origem agropecuária ou mineral. No segundo caso, os países centrais se apropriavam dos juros e das remessas de lucro em função dos capitais investidos ou dos financiamentos realizados na periferia. Dessa forma, somente com a internacionalização da produção, o capitalismo se transformou efetivamente num sistema mundial completo.

»Essa nova configuração do sistema internacional do capitalismo, com a interconexão orgânica de sua base produtiva, onde o mundo se transformou numa imensa fonte de matérias-primas e mão de obra à sua disposição, possibilitou a padronização das peças e a produção descentralizada dos bens e transformou os velhos monopólios em corporações transnacionais, que passaram a operar diretamente no interior de cada País. Na prática, tornaram-se destacamentos avançados do grande capital, com influência direta na formulação e operação de políticas econômicas década País, especialmente na periferia.

»(Costa, Edmilson. Para onde vai o capitalismo. Notas sobre a globalização neoliberal e a nova fase do capitalismo. In São Paulo: Aduaneiras, 2004.)

»Além disso, a internacionalização da produção possibilitou o surgimento de mais um fenômeno novo na dinâmica macroeconômica da economia mundial: a emergência de um ciclo único mundial, tornando as crises que antes eram localizadas em países ou regiões em crises mundiais e cortando assim as rotas de fuga do capital para áreas sem crises.

»Outro dado a se constatar é o fato de que as extraordinárias forças produtivas nas últimas sete décadas, especialmente no último meio século, criaram uma capacidade potencial de produção tão extraordinária que torna o sistema com reduzidas possibilidades de desenvolver todo o potencial dessas forças produtiva, fato que o aproxima de seu limite de reprodução, dada à superacumulação de capitais e insuficiência de demanda por bens de produção e bens de consumo. Essa debilidade explica, em boa parte, o fenômeno da financeirização da riqueza ou a fuga para a frente do capital buscando valorizar artificialmente esses recursos na órbita financeira através do frenesi especulativo. Sem condições de aterrisagem no chão das fábricas, uma vez que isso levaria a uma gigantesca crise de superprodução de mercadorias, o capital empreendeu essa aventura desesperada para a órbita da circulação, mas isso apenas adiou a crise sistêmica global, que viria a se manifestar em 2007-2008.

»Em outras palavras, a financeirização é uma espécie de contraponto funcional da incapacidade do sistema de desenvolver plenamente toda sua capacidade de produção em função dos novos e sofisticados ramos produtivos. (As referências dessa seção estão baseadas em nossa tese de pós-doutorado realizada no Instituto de Filosofia e Ciência Humanas da Unicamp, entregue em 2002,que depois foi publicada em livro com o título A globalização e o capitalismo contemporâneo (Expressão Popular, 2008). Essas modificações também obrigaram o grande capital a realizar uma espécie de remonopolização burguesa, cujos exemplos mais significativos são as fusões e aquisições que ocorreram em escala global e modificaram completamente o perfil societário do grande capital. Se avaliarmos o capitalismo hoje, poderemos constatar que os velhos monopólios do final do século XIX, inicio do século XX, foram substituídos por novos monopólios, mais sofisticados e mais ávidos por lucros que os anteriores.»





Uma inovação

2016/06/29

«IBM Brasil alia-se à UFMG para pesquisa em nanotecnologia»





«A IBM Brasil anunciou um convênio de cooperação entre seu Laboratório de Pesquisa e o Laboratório de Nanoespectroscopia da Universidade Federal de Minas Gerais (LabNS/UFMG) para estudo de nanociência e nanotecnologia no País.

»A parceria tem como objetivo investigar novos materiais, conceitos de dispositivos e métodos de medição em nanoescala para desenvolvimento científico e tecnológico de futuras aplicações industriais em recursos naturais, especialmente, na área de óleo e gás. Segundo a IBM, a companhia tem trabalhado em estudos de nanociência e nanotecnologia e modelos computacionais focados na interação de materiais líquidos e sólidos no segmento petroleiro nos últimos três anos.

A parceria tem como objetivo investigar novos materiais, conceitos de dispositivos e métodos de medição em nanoescala.

»O foco é usar a nanotecnologia para ajudar a indústria a extrair mais óleo das rochas nos poços de petróleo. Com o acordo, tal conhecimento será unido à experiência em instrumentação científica do LabNS para construção de equipamentos e métodos que viabilizem a aplicação da pesquisa no mercado.

»Apesar do segmento de óleo e gás ser o primeiro a ser beneficiado pelo projeto, o acordo permite adicionar novos programas técnicos e, no futuro, incluir outras áreas de pesquisa, como biotecnologia e saúde, informou a IBM Brasil.»





Um inovador

2016/06/28

«Mensagem do Embaixador de Portugal Francisco Ribeiro Telles»



Mundolusiada



«Quero saudar a Comunidade portuguesa no Brasil, deixando uma merecida mensagem de simpatia, de estímulo e de otimismo. Uma Comunidade que tanto honra e dignifica o nosso país, exemplo de integração de sucesso na sociedade brasileira, de entusiasmo, de empreendedorismo e de solidariedade. Contamos com todos, portugueses e luso-brasileiros, para trazer mais Portugal ao Brasil. E saibam que podem continuar a contar com o empenhamento desta Embaixada, para bem de Portugal e da nossa relação de proximidade com o Brasil.

»Além de nos juntar, as comemorações nacionais são uma ocasião para partilharmos um pouco mais de nós com o país que nos acolhe. Uma ocasião para celebrarmos o que nos une.

»Aproveito para vos falar um pouco do meu País e do nosso relacionamento bilateral com o Brasil:

»Temos hoje fortes razões para nos orgulharmos do país que temos: um país moderno e inovador, com boas infraestruturas, recursos humanos e serviços, na primeira linha europeia em várias áreas de empreendorismo, como no investimento em fontes de energia renovável ou na criação e promoção de “start-ups”, de que é exemplo a Web Summit, o maior evento de empreendorismo, tecnologia e inovação do mundo, que a partir de novembro escolhe Lisboa como sua sede para os próximos três anos.

»Por outro lado, e fruto da situação económica do passado recente, a economia portuguesa tem-se ajustado e aproximou-se ainda mais do Brasil.

»Os números das trocas comerciais – que se têm intensificado e diversificado ao longo dos últimos anos – são encorajadores. Entre 2010 e 2014 as exportações portuguesas (de bens e serviços) para o Brasil cresceram, em média, 7,1% ao ano. Em 2015, e face a uma conjuntura desafiante, as exportações portuguesas (de bens e serviços) para o Brasil registam bons números (1.510 Milhões de Euros) e continuamos a apresentar um superavit na nossa balança comercial.

»O investimento estrangeiro no nosso país é positivo e nesta matéria, uma vez mais, o Brasil destaca-se. Portugal é reconhecido como centro de localização competitiva para o investimento externo brasileiro e plataforma logística e de negócios para atingir não só o mercado europeu como outros. Cito como exemplo, pela sua escala e pela alta tecnologia envolvida, as duas fábricas da Embraer, em Évora.

»Para reforçar este ponto, na edição 2015 do ranking das multinacionais brasileiras da Fundação Dom Cabral, Portugal é apontado como o primeiro país europeu de destino daquelas empresas.

»Não resisto em fazer referência a outro ranking em que Portugal surge em posição de destaque. De acordo com dados do Instituto Brasileiro do Vinho, Portugal foi o 3º país que mais vinho exportou para o mercado brasileiro em 2014. Portugal representa assim 12% do vinho exportado para o Brasil. É caso para dizer que os brasileiros estão a tomar o gosto ao vinho português. Não há dúvida que têm bom gosto!

»O Brasil reconhece cada vez mais Portugal como um país da inovação e do conhecimento. Na nossa última Cimeira bilateral, assinámos importantes acordos nas áreas da investigação e da nanotecnologia. A nossa expectativa é que, por ocasião da próxima Cimeira, possamos aprofundar ainda mais a nossa cooperação no plano da ciência, tecnologia e inovação, assim como na área académica, cultural, agrícola e comercial, entre outras.

»O Brasil, por seu lado, oferece excelentes perspetivas para a internacionalização das empresas portuguesas. As maiores empresas nacionais estão já instaladas neste país, em áreas essenciais como a energia, a construção, o turismo ou as telecomunicações. A título de exemplo, quero referir o investimento de 800 milhões de Reais da SECIL na inauguração da nova e mais moderna fábrica de cimento do país, localizada no Estado do Paraná, representando o maior investimento industrial português dos últimos anos no Brasil. Posso ainda acrescentar a construtora Teixeira Duarte, que ganhou há poucos meses um novo contrato (no valor de cerca 65 milhões de Euros) para recuperação de uma ponte em Florianópolis, no Estado de Santa Catarina.

»Estes são apenas dois exemplos que demonstram que as empresas portuguesas são bem-vindas. Os nossos profissionais qualificados são igualmente bem recebidos e o reconhecimento mútuo de diplomas nas áreas de engenharia e arquitetura já é uma realidade.

»Para além das trocas económicas, temos tido um número crescente de turistas e estudantes brasileiros, assim como intercâmbios culturais e científicos.

»Pelas livrarias deste país, a moderna literatura portuguesa está já em lugar de destaque. Em sentido inverso, passam hoje pelas universidades portuguesas milhares de estudantes brasileiros, num reconhecimento implícito da qualidade que o ensino português hoje apresenta, com vários estabelecimentos de ensino bem posicionados nos “rankings” europeus e internacionais. Se excluirmos o programa Ciência sem Fronteiras, estudam em Portugal perto de 6000 estudantes brasileiros, ao abrigo de dezenas de acordos e convénios estabelecidos entre universidades portuguesas e brasileiras. Este número deverá aumentar significativamente num futuro próximo, uma vez que são cada vez mais as universidades portuguesas que aceitam os resultados do ENEM para as matrículas, com base num acordo com o INEP brasileiro (neste momento são 14).

»No que diz respeito ao turismo, será de sublinhar que nos últimos dois anos, recebemos mais de um milhão de turistas brasileiros e este ano queremos receber ainda mais. Fora do espaço europeu, o Brasil é o maior mercado emissor de turistas em Portugal. Onde, aliás, a Comunidade brasileira é a maior Comunidade estrangeira residente (quase 90 mil, de acordo com dados oficiais, o que representa cerca de 22% dos estrangeiros que vivem legalmente no país). Estes números não serão alheios ao facto de que a TAP opera mais de 80 voos semanais entre 12 cidades do Brasil e Lisboa, a que acresce recentemente uma parceria com a Azul. E que emoção chegar a Lisboa e ouvir falar o “português açucarado” do Brasil nas ruas!

»A propósito da nossa língua comum, quero relembrar que o português é hoje o 4º idioma mais falado no Mundo, com aproximadamente 260 milhões de falantes. É ainda a 3ª língua mais presente no Facebook e a 5ª com maior número de utilizadores na internet. Estes dados devem-se, obviamente, muito à população brasileira, que contribui para que o português seja hoje a língua mais falada no Hemisfério Sul. De resto, lembro que o maior prémio literário de língua portuguesa, o Prémio Camões, foi este mês atribuído a um grande escritor brasileiro, Raduan Nassar. E não posso deixar de referir que, em breve, podemos até vir a ter um Secretário-Geral da ONU lusófono!

A propósito da nossa língua comum, quero relembrar que o português é hoje o 4º idioma mais falado no Mundo, com aproximadamente 260 milhões de falantes. É ainda a 3ª língua mais presente no Facebook e a 5ª com maior número de utilizadores na internet. Estes dados devem-se, obviamente, muito à população brasileira, que contribui para que o português seja hoje a língua mais falada no Hemisfério Sul.

»Chamo ainda a atenção para o crescimento do número de brasileiros que nos últimos anos adquiriram a nacionalidade portuguesa (só em São Paulo foram 40 000 nos últimos 5 anos).

»Uma referência também à participação do Brasil no Programa de “vistos gold” – um regime especial de autorização de residência para atividades de investimento acima de um determinado valor em milhares de Euros, que é válida para Portugal e para todo o chamado espaço Schengen dentro da União Europeia. Ao fim de 3 anos e meio, o programa gerou quase 2 biliões de Euros (cerca de 8 mil milhões de Reais), com inegável contributo para a recuperação do mercado imobiliário português e o crescimento do emprego no país. O Brasil ocupa a segunda posição, com 140 autorizações no final de março deste ano.

»Minhas Senhoras e meus Senhores,

»Partilhamos uma história comum de vários séculos. Uma história feita de encontros e desencontros e o que sobra – e não é pouco – é uma língua comum e uma enorme afetividade entre os nossos dois povos. Independentemente dos períodos de turbulência pontual ou conjuntural que podem surgir de vez em quando, a intensidade das relações entre os nossos países no plano político, económico, académico e cultural fará invariavelmente parte das nossas prioridades e o seu potencial supera sempre as contingências de ciclo.

»Aproveito a oportunidade para felicitar o Brasil e os brasileiros pela organização dos próximos Jogos Olímpicos que começam dentro de dois meses e que contará também com a presença do nosso Presidente da República.

»A todos os Portugueses que vivem no Brasil e aos que vêm para os Jogos Olímpicos, deixo um apelo: encham os estádios e as ruas com as cores da nossa bandeira, tal como fizemos há dois anos por ocasião da Copa de futebol! Vamos apoiar os nossos atletas!

»Independentemente das modalidades, que ganhe o melhor! E, se possível, que possamos assistir a muitas vitórias festejadas em português! E, já agora, uma curiosidade: sabiam que o estojo das medalhas olímpicas é 100% de produção portuguesa? Pois é, Portugal já entrou a ganhar!

»Por último, também aproveito esta ocasião para vos informar que, ao fim de quase 4 anos e meio, estou de partida para outro posto. Foi um período intenso e muito gratificante em que pude contar com o apoio e amizade de muitas pessoas, várias das quais aqui presentes. Em meu nome e em nome da minha Mulher, não posso assim deixar de transmitir a todos uma sentida palavra de agradecimento e reconhecimento pela forma calorosa como nos acolheram e quero que saibam que levaremos Brasília (e o Brasil) connosco no coração.

»Viva o Brasil! Viva Portugal!


»FRANCISCO RIBEIRO TELLES

»Discurso do Embaixador de Portugal no Brasil por ocasião do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, Brasília, 9 de junho de 2016.»





Administração Pública e inovação

2016/06/27

Newsletter L&I, n.º 110 (2016-06-27)



n.º 110 (2016-06-27)

TAGS: # nanotecnologia # nanotecnología # nanotechnologie
# nanotechnology


Administração Pública e inovação | Administración Pública e innovación |
Administration Publique et innovation | Public Administration and innovation

Um inovador | Un innovador | Un innovateur | An innovator

Uma inovação | Una innovación | Une innovation | An innovation

A execução da inovaçao | La ejecución de la innovación | L’exécution de l’innovation |
The innovation execution



Index


Liderar Inovando (BR)

«Nanotecnologia: o futuro da inovação científica no Brasil» ( ► )
«Pesquisador fala da nanotecnologia em veículos robustos durante simpósio da SAE BRASIL» ( ► )
«Aedes: pesquisadores do RS anunciam parceria para
desenvolver tecnologias» ( ► )
«Livro sobre nanossegurança é lançado no Simpósio SAE BRASIL de Novos Materiais e Nanotecnologia» ( ► )

Liderar Inovando (PT)

«Centro da UMinho vai usar Nanotecnologia para criar alimentos funcionais mais eficientes» ( ► )
«Investigadores portugueses em destaque na Europa» ( ► )
António Lúcio Baptista: «Saúde e reformas: o que falta resolver» ( ► )
«Startup do futuro são “minúsculas”. Em Braga, são Startup.Nano» ( ► )

Liderar Innovando (ES)

«El centro de nanociencia vasco nanoGUNE usará el modelo de la Fundación Barrié para rentabilizar la investigación» ( ► )
«Nanotech, la vanguardia en nanotecnología en México» ( ► )
«Con biosensor de glucosa ganan Premio Santander» ( ► )
«BeAble, un fondo para convertir la ciencia en empresa» ( ► )

Mener avec Innovation (FR)

Laurent Alexandre, Thierry Berthier et Bruno Teboul: «Le prochain président devra faire face à la révolution NBIC!» ( ► )
Nouria Hernandez: «La science est une force qui avance toute seule» ( ► )
«Luc Ferry, philosophe de l’ère des nanotechnologies, des biotechnologies et de la cognitique» ( ► )
«Corée du Sud / innovation: Séoul et Paris veulent s’entendre pour peser au niveau mondial» ( ► )

Leadership and Innovation (EN)

a
Markus J. Beyrer: «No risk, no innovation: Europe needs an
Innovation Principle» ( ► )
Edward Greenspon: «A true 'innovation agenda' requires government to think differently» ( ► )
Todd Hirsch: «Canada should take advantage of a new power innovation» ( ► )
«How to pitch your business idea: Insight from the Ci2016
innovation scholarship» ( ► )

Licencia Creative Commons Licencia Creative Commons
Atribución-NoComercial 4.0 Internacional








2016/06/24

«Livro sobre nanossegurança é lançado no Simpósio SAE BRASIL de Novos Materiais e Nanotecnologia»



Jornal Dia a Dia



«Resultado de extenso trabalho de pesquisa, o livro “Nanossegurança: Guia de Boas Práticas em Nanotecnologia para Fabricação e Laboratórios” será lançado amanhã (dia 7), durante o 9º Simpósio SAE BRASIL de Novos Materiais e Nanotecnologia, no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), em São Paulo.

»A obra inédita, que reúne as informações mais atuais sobre o tema – antes dispersas em livros, relatórios e normas internacionais, é de autoria de Leandro Antunes Berti, secretário executivo do Arranjo Promotor de Inovação em Nanotecnologia (API.nano), e Luismar Marques Porto, professor titular na Engenharia Química da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

»A publicação tem como proposta evidenciar o paradigma Safety by Design (Segurança Obtida pelo Projeto) ao apresentar as melhores rotas para o desenvolvimento e a produção de nanomateriais dentro de ambiente seguro e com mínimo impacto ambiental.

A publicação tem como proposta evidenciar o paradigma Safety by Design (Segurança Obtida pelo Projeto) ao apresentar as melhores rotas para o desenvolvimento e a produção de nanomateriais dentro de ambiente seguro e com mínimo impacto ambiental.

»Centrado no conceito de nanossegurança, o guia apresenta técnicas reconhecidas e métodos modernos de produção e caracterização de nanomateriais, podendo ainda ser utilizado como ferramenta para a orientação na formação de políticas públicas e marcos regulatórios, nos âmbitos de pesquisa, uso, produção e fabricação de nanomateriais em geral.

»Leandro Antunes Berti é pós-doutor em Nanobiotecnologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), doutor em Nanotecnologia pela The University of Sheffield – Inglaterra, e graduado em Engenharia da Computação pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali). Também é diretor executivo da Advanced Nanosystems, empresa que desenvolve nanofluidos inteligentes.

»Luismar Marques Porto é pós-doutor em Biologia Sistêmica pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) – Estados Unidos, pós-doutor em Engenharia Genômica pela The University of Queensland – Austrália, e doutor em Engenharia Química pela Northwestern Univesity – Estados Unidos. Também é supervisor do Laboratório de Tecnologias Integradas (InteLAB), na UFSC.»



O livro

Nanossegurança: Guia de Boas Práticas em Nanotecnologia para Fabricação e Laboratórios

Leandro Antunes Berti (coordenador), Luismar Marques Porto, et al.

«Esta obra reúne as mais recentes informações e normas internacionais na área da nanotecnologia. Fruto de um intenso trabalho de pesquisa, este texto inédito tem como principal objetivo balizar e guiar o entendimento e o desenvolvimento da Nanotecnologia, evidenciando o paradigma Safety by Design, a fim de promover uma eficiente comunicação e integração da indústria com a academia.

»Os autores exploram de maneira prática conceitos e definições da Nanossegurança, as melhores práticas para a manufatura de nanomateriais, como medir as propriedades de nanomateriais, como caracterizar exposição, perigo e risco e, por fim, como avaliar a segurança de nanomateriais.

»Escrito de forma clara e didática, o livro apresenta um texto técnico de caráter prático e imediatamente aplicável tanto na indústria quanto na academia, podendo também ser útil para a formação de políticas públicas e de marcos regulatórios nos âmbitos de pesquisa, uso, produção e fabricação de nanomateriais em geral.»





A execução da inovaçao

2016/06/23

«Aedes: pesquisadores do RS anunciam parceria para desenvolver tecnologias»



Daniel Isaia. Agência Brasil (Empresa Brasil de Comunicação, EBC). Edição: Juliana Andrade.



«Duas universidades gaúchas anunciaram hoje (2) uma parceria com o Grupo FK-Biotec para desenvolver tecnologias de combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor de dengue, chikungunya e do vírus Zika. O contrato de colaboração foi assinado pelos reitores da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e da Universidade Feevale, instituições que compõem a parceria.

»As tecnologias desenvolvidas serão aplicadas em novos produtos, como kits para diagnóstico de doenças. “Esses produtos são um grande desafio, porque o vírus da dengue e o Zika são muito parecidos. Muitas vezes, quando temos um diagnóstico positivo para Zika, na verdade estamos identificando anticorpos contra a dengue. É importante que a gente desenvolva novas ferramentas científicas para eliminarmos os falsos positivos”, disse Fernando Kreutz, professor da PUCRS e diretor da FK-Biotec.

O vírus da dengue e o Zika são muito parecidos. É importante que a gente desenvolva novas ferramentas científicas para eliminarmos os falsos positivos.

»Além dos kits de diagnóstico, a parceria possibilitará o desenvolvimento de um repelente com a aplicação de uma nanotecnologia, que vai permitir ao produto ser mais durável. Além disso, o repelente deverá ser aplicado no ambiente e não na pele. “Os estudos que estão sendo feitos hoje são no sentido da eficácia do repelente, que está em pleno desenvolvimento. A gente espera que o produto já esteja no mercado para o próximo verão”, afirmou Kreutz.

»Ainda não existe uma perspectiva de parcerias com prefeituras ou governos estaduais para o uso utilização das novas tecnologias que estão sendo desenvolvidas pelo grupo no combate ao Aedes aegypti. “A gente já desenvolveu um larvicida biológico que está sendo utilizado em São Paulo com uma eficácia impressionante na redução de casos. Estamos gerando tecnologias que o Poder Público pode utilizar, mas isso depende de um convencimento de que é necessário usar essas ferramentas, e não simplesmente aplicar a resposta mais simples ou menos custosa”, ressaltou Kreutz. O professor destacou ainda que as tecnologias utilizadas atualmente no país são importadas e, por isso, têm custos fixos e não equacionáveis, o que poderá dar um diferencial para os produtos desenvolvidos na parceria com as universidades brasileiras.»





Uma inovação

2016/06/22

«Pesquisador fala da nanotecnologia em veículos robustos durante simpósio da SAE BRASIL»



Revista Meio Filtrante



«Adriano Marim participará do 9º Simpósio SAE BRASIL de Novos Materiais e Nanotecnologia no IPT, em SP, dia 7 de junho

»“Overview da Nanotecnologia Automotiva” é o título da palestra de Adriano Marim, pesquisador do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), que participará do 9º Simpósio SAE BRASIL de Novos Materiais e Nanotecnologia. Com lideranças da indústria, da academia e do governo, o encontro será realizado no dia 7 de junho, no IPT, em São Paulo.

»Marim dará um panorama do emprego de soluções tecnológicas da nanoescala para a entrega de inovações ao setor automotivo entre novos produtos, conceitos e aplicações de materiais. “Existe um universo bastante amplo de contribuições da nanotecnologia para a geração de veículos mais sofisticados, inteligentes e robustos. São grandes as possibilidades em materiais plásticos, borrachosos e metálicos, além de revestimentos”, afirma.

»Segundo o pesquisador do IPT, a nanotecnologia pode – por conta de seu caráter multidisciplinar e transversal nas ciências de base – levar inovação a produtos de diferentes mercados. “Entre os setores tem destaque a indústria automotiva em razão de sua frequente demanda por novos materiais, que apresentem alto desempenho, agreguem funcionalidades e ofereçam sofisticação aos seus produtos”, avalia Marim.

»Adriano Marim é doutor em Engenharia de Materiais pela Escola de Engenharia de Lorena da Universidade de São Paulo (EEL-USP) e mestre em Engenharia Química pela Faculdade de Engenharia Química de Lorena (FAENQUIL). Possui experiência em síntese de materiais poliméricos, técnicas de polimerização, mecanismos ‘vivos’ de polimerização, sistemas micro/ nanoparticulados e micro/ nanoencapsulação.

»“Os simpósios da SAE BRASIL elevam o debate, aprofundam o conhecimento tecnológico e preparam os profissionais da engenharia para os desafios competitivos atuais e futuros”, aponta Frank Sowade, presidente da SAE BRASIL.


Marim dará um panorama do emprego de soluções tecnológicas da nanoescala para a entrega de inovações ao setor automotivo entre novos produtos, conceitos e aplicações de materiais. São grandes as possibilidades em materiais plásticos, borrachosos e metálicos, além de revestimentos.

»PROGRAMAÇÃO

»9º Simpósio SAE BRASIL de Novos Materiais e Nanotecnologia

»08h – Abertura com Marco Colosio, chairperson do 9º Simpósio SAE BRASIL de Novos Materiais e Nanotecnologia.

»Painel “Avanços das Tecnologias dos Materiais Ferrosos no Setor Automotivo”

»08h30 – Palestra “Otimização da Conformação a Quente de Aços com Nanoprecipitados a Base de Nióbio”, com Hardy Mohrbacher, sócio-diretor da NiobelCon.

»09h – Palestra “Avançados Aços de Alta Resistência – Próxima Geração”, com Alexandre Cortez, especialista em Desenvolvimento de Projetos Automotivos da ArcelorMittal.

»09h20 – Palestra “Soluções Leves – Tecnologias e Tendências para o Mercado Brasileiro”, com Frederico Hirota, gerente de Desenvolvimento de Estruturas da Benteler.

»09h40 – Palestra “Recentes Desenvolvimentos dos Aços AHSS e PHS para o Segmento Automotivo – Desafios e Estratégias”, com Augusto de Oliveira, coordenador da Engenharia de Aplicação de Produtos e Soluções Inovadoras da CSN.

»Debate moderado por Mauro Paraiso, gerente de Materiais Metálicos da Mercedes-Benz.

»Painel “Avanços das Tecnologias dos Não Ferrosos no Setor Automotivo”

»10h55 – Palestra “Tecnologia em Estampagem de Alumínio para o Setor Automotivo”, com Fabio Meneghine, gerente da Área de Acabamento da Novelis.

»11h15 – Palestra “FSW (Friction Stir Welding) em Aplicações Automotivas”, com Paulo Kaneji Kodama, supervisor de Contas da ALCOA.

»11h35 – Palestra “Alumínio de Alta Resistência para Sistema de Absorção de Impacto em Veículos de Passeio”, com Carolina Sayuri Hattori, engenheira da Votorantim Metais.

»Debate moderado por Roberto Garabosky, da Ford.

»Painel “Novos Materiais na Soldagem Automotiva”

»12h05 – Palestra “Sistemas de Exaustão : Soluções para Aumentar a Produtividade e Reduzir os Custos de Fabricação”, com Jay Coubrough, gerente de Produto Global da ESAB.

»12h25 – Poster Session: Soldagem Automotiva.

»Debate moderado por José Castillo, assessor de Engenharia do Produto da General Motors do Brasil.

»Painel “Avanços das Tecnologias dos Materiais Poliméricos e Nanotecnologia no Setor Automotivo”

»14h05 – Palestra “Overview da Nanotecnologia Automotiva”, com Adriano Marim, pesquisador do IPT.

»14h35 – Palestra “Desenvolvimento de Aplicações de Materiais Poliméricos no Setor de Transporte”, com Gustavo Spina de Almeida, coordenador de Tecnologia do SENAI.

»14h55 – Palestra “Estudo e Caracterização de um Compósito de Polipropileno e Pneu em Pó para Uso em Encapsulamento de Motor”, com Kelly Cristina Lixandrão, doutoranda em Nanociências e Materiais Avançados da UFABC (Universidade Federal do ABC).

»Debate moderado por Flavio Lemos, líder técnico da EDAG.

»Painel “Materiais Avançados & Engenharia de Superfície”

»15h20 – Palestra “Soldagem AHSS”, com Marcelo Carboni, gerente de Desenvolvimento da CBMM.

»15h40 – Palestra “Efeitos Tribológicos da Qualidade Superficial de Chapas na Vida Útil de Ferramentas de Estapagem”, com João Henrique Souza, supervisor de Pesquisa & Desenvolvimento da Brunning.

»16h – Palestra “Soluções em Revestimento de Matrizes para Conformações em Aços de Alta Resistência (Cold Forming/ Hot Forming)”, com Marcos Lima, gerente de Contas da Oerlikon.

»16h20 – Palestra “O Laser na Manufatura Aditiva e no Tratamento Térmico”, com Diogo Corazza, engenheiro de Aplicação da Trumpf.

»16h40 – Palestra “Novos Materiais para Arames”, com Vincent Vermeersch, gerente de Mercado Global da Belgo Bekaert Arames.

»Debate moderado por Jesse Paegle, sócio-diretor da JWP Engineering & Consulting.

»17h – Encerramento com Plínio Cabral Jr., diretor da Seção Regional São Paulo da SAE BRASIL.»





Um inovador

2016/06/21

«Nanotecnologia: o futuro da inovação científica no Brasil»



Planeta Universitário. Assessoria de Comunicação FAPERJ.



«A nanotecnologia – manipulação de matéria, átomos e moléculas, em uma escala que corresponde a um bilionésimo do metro –, é reconhecida como uma tecnologia revolucionária, que tem gerado avanços importantes para a Medicina, para o Meio Ambiente e até para a área de cosméticos. No Brasil, o desenvolvimento nessa área é uma promessa para o avanço da inovação tecnológica e o crescimento econômico e social do País.

»Por isso mesmo, o economista Flávio Peixoto, pesquisador do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com mestrado e doutorado em Economia da Indústria e Tecnologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), trouxe esta discussão para a última edição do Encontros FAPERJ, evento promovido, nesta quarta (18/5), na sede da FAPERJ, pelo Núcleo de Estudos em Políticas Públicas para Inovação (Neppi). Falando sobre A evolução da nanotecnologia no Brasil: desafios para difusão e inovação a partir de uma perspectiva sistêmica, Peixoto explicou que, na teoria econômica, a nanotecnologia é capaz de potencializar ondas de inovações ao longo do tempo e mudanças de paradigmas tecnológicos e econômicos no País.

»Peixoto fez um balanço do desenvolvimento da nanotecnologia no Brasil, desde sua implantação no País, quando ganhou visibilidade no Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) e no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a partir da Conferência Nacional de Tecnologia e Inovação de 2001, até a época da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, entre os anos de 2012 e 2015.

Peixoto fez um balanço do desenvolvimento da nanotecnologia no Brasil, desde sua implantação no País, quando ganhou visibilidade no Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) e no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a partir da Conferência Nacional de Tecnologia e Inovação de 2001, até a época da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, entre os anos de 2012 e 2015.

»Segundo o pesquisador, essa iniciativa buscou dar continuidade aos investimentos para melhora na infraestrutura de empresas e formação de recursos humanos, estabelecendo parcerias internacionais, como aconteceu à época entre Brasil e China. Também buscou criar políticas agressivas para a expansão da pesquisa e desenvolvimento tecnológico (P&D) em nanotecnologia no Brasil.

»Em seguida, o economista apresentou uma análise dos desafios para que as políticas de inovação se desenvolvam no Brasil, identificando algumas limitações nesse processo. “As políticas voltadas para o crescimento de P&D em território nacional acabaram priorizando a nanociência, que se volta para as pesquisas e para o desenvolvimento experimental. Não se priorizou a nanotecnologia, o que tornaria possível a produção e a comercialização de novos produtos, momento em que é efetivada a inovação tecnológica”. Peixoto também destacou a falta de integração entre a academia e as empresas. “As pesquisas sobre nanotecnologia nas universidades têm crescido consideravelmente. A transmissão desse conhecimento para a área empresarial representaria um grande avanço para o crescimento da inovação tecnológica brasileira”, explica.

»De acordo com Peixoto, para identificar as possibilidades de desenvolvimento da nanotecnologia em território nacional, é necessário entender suas características e definir prioridades estratégicas (agenda com diretrizes e ações). Também é preciso reforçar a importância de indicadores capazes de apontar a dinâmica do que considera sistemas nanotecnológicos; focar em ações que levem à produção em escala de novos produtos e, principalmente, na sua comercialização. “Esses são alguns dos pontos que efetivam uma inovação”, diz. Diante do atual cenário nacional e reconhecendo as potencialidades do setor, o economista mostra-se confiante no futuro estabelecimento e desenvolvimento da nanotecnologia e do consequente crescimento da inovação tecnológica brasileira: “Ainda há tempo!”, disse o pesquisador, finalizando sua apresentação.

»Após a apresentação, um debate reuniu engenheiros, físicos e especialistas que haviam acompanhado sua exposição. Entre os presentes, estavam Clovis Nery, Iara Nagle e Ricardo Khichfy, do Clube de Engenharia do Rio de Janeiro; Eduardo Ponzio, pesquisador do Instituto de Química da Universidade Federal Fluminense (UFF); Fabiana Teixeira Mendes, pesquisadora do Instituto Nacional de Tecnologia (INT); Fernando Antonio Freitas Lins, diretor do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem); Joel Weisz, sócio-diretor da Cognética; Keylane da Silva, especialista em inovação estratégica da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan); Lincoln Silva Gomes, gerente do Instituto Senai de Tecnologia de Soldagem; Rubem Luis Sommer, pesquisador do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF); Rogério Navarro, professor do Departamento de Engenharia de Materiais da Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio); Leandro Sphaier, professor de engenharia mecânica da UFF; Eduardo Hingst, engenheiro; além de assessores da FAPERJ.»





Administração Pública e inovação

2016/06/20

Newsletter L&I, n.º 109 (2016-06-20)



n.º 109 (2016-06-20)

TAGS: # comêrcio # comercio # comerce # commerce


Administração Pública e inovação | Administración Pública e innovación |
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Um inovador | Un innovador | Un innovateur | An innovator

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A execução da inovaçao | La ejecución de la innovación | L’exécution de l’innovation |
The innovation execution



Index


Liderar Inovando (BR)

«BNDES pode ajudar governo do estado do Rio na privatização de empresas» ( ► )
«Mercado segurador aposta em inovação para crescer» ( ► )
«Comércio de Manaus realiza dia livre de impostos» ( ► )
«Blairo Maggi negocia no G20 ampliação de comércio com vários países» ( ► )

Liderar Inovando (PT)

«OCDE fixa como desafios o aumento da produtividade e o combate das desigualdades» ( ► )
«Portugueses dão cartas no comércio digital em França» ( ► )
«Revolução tecnológica e sustentável também está a passar pela agricultura» ( ► )
«Missão de embaixadores europeus busca inovação» ( ► )

Liderar Innovando (ES)

«Startups pactan negocios por US$20 millones en Lima» ( ► )
«Bezos fía a la inteligencia artificial el futuro del comercio electrónico» ( ► )
«José María Ferrer, inspiración entre grifos» ( ► )
«Bankia e Insomnia ponen en marcha la primera incubadora y aceleradora fintech de España» ( ► )

Mener avec Innovation (FR)

«Emmanuel Macron, ministre de l’Economie, alerte sur le risque de stagnation qui “menace” l’Europe» ( ► )
«Aéroport de Bordeaux-Mérignac: un 3e Terminal à l'horizon 2019» ( ► )
«Carbios: crée Carbiolice, une JV avec Limagrain et Bpifrance» ( ► )
Philippe Portier: «Le coavionnage, nouveau défi collaboratif en l'air ( ► )

Leadership and Innovation (EN)

«Passing the ball of innovation from science to commerce» ( ► )
«Broadleaf Commerce Sponsors Retail Innovation at IRCE 2016» ( ► )
«Great Firewall Curbs Innovation and Commerce» ( ► )
«Innovation, funds key to growth in e-commerce: Parag Gupta, Morgan Stanley» ( ► )

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